sexta-feira, 5 de novembro de 2010


NOTÍCIAS


Exportações crescem mais do que as importações

O Estado de S.Paulo

A balança comercial no mês de outubro apresentou resultado melhor do que em setembro, e o processo em que as importações cresciam mais do que as exportações se inverteu: as vendas externas cresceram 2,5% (pela média por dia útil) e as importações, pelo mesmo critério, caíram 2,2%.Essa melhoria se deveu a um aumento do preço das commodities, a uma queda das importações de petróleo bruto e a uma queda das compras no exterior de bens de capital, processo que, em certos casos, assume aspecto negativo.

Não foi divulgado ainda o aumento de preços em relação a setembro, mas existe essa escalada para alguns produtos, em relação ao mesmo período de 2009: enquanto as exportações de café, por exemplo, cresceram em volume 28,4%, os preços acusaram elevação de 30,6%. No caso do minério de ferro as porcentagens foram, respectivamente, de 17,8% e de 156,4%, Para milho em grão, de 94,3% e 36,4%.

As exportações de produtos básicos apresentaram, em relação a setembro, queda de 2,1%, enquanto os semimanufaturados aumentavam 15,4%, entre os quais o açúcar e a celulose com aumento de preços. O aumento dos produtos industrializados foi de 6,5%, com destaque para a indústria de veículos e aviões.

Do lado das importações, registrou-se em relação ao mês anterior recuo de 10,6% nas importações de bens de capital, o que pode ser interpretado como uma interrupção dos investimentos na indústria; e uma redução de 20,2% nas de petróleo bruto, em consequência do aumento da produção nacional. Já as compras no exterior de matérias-primas e bens intermediários - que continuam a representar 41% do total das importações - cresceram 2,9%, em relação a setembro, e 33,1%, sobre outubro do ano passado, sugerindo um processo de desindustrialização. As importações de bens duráveis apresentaram crescimento de 2,8%, sugerindo que o comércio vai vender no Natal muitos bens importados, embora as de automóveis tenham recuado 2,3%.

Quando se analisa a distribuição geográfica das exportações, verifica-se que as vendas para a China caíram 13,9%, embora tenham aumentado 6,3% para o conjunto dos países asiáticos. A queda nas compras da China foi compensada pelo aumento das compras da Coreia.

O aumento das exportações para a União Europeia foi de 12,2%, enquanto as vendas para a Argentina apresentaram queda de 7,1% e, para os Estados Unidos, de 9,1%, por causa da crise nesse país - o que não é caso do nosso vizinho, que está em boa fase.

OESP – 05.11.2010


Ministra argentina diz que exportações para o Brasil bateram recorde nos primeiros dez meses

Luiz Antônio Alves
Correspondente da Agência Brasil na Argentina

Buenos Aires - O ano de 2010 está consolidado como um dos melhores no comércio entre o Brasil e a Argentina – os dois maiores sócios comerciais no Mercosul. Nos primeiros dez meses deste ano, as exportações argentinas para o Brasil bateram um recorde histórico, registrando o total de US$ 11,772 milhões.

Até agora, o recorde das exportações do país vizinho para o Brasil era de US$ 300 milhões, em 2008. As informações foram divulgadas pela ministra argentina da Indústria, Débora Giorgi, ao comentar os resultados da balança comercial brasileira divulgados ontem (3), em Brasília, pela Secretaria do Comércio Exterior (Secex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. As informações da ministra Débora Giorgi estão em comunicado publicado na página da Presidência da Argentina na internet.

Segundo a ministra, os principais produtos argentinos importados pelo Brasil em outubro foram veículos e autopeças, máquinas e equipamentos industriais, eletroeletrônicos, mineral de ferro, produtos siderúrgicos e pneus. Débora Giorgi também informou que o resultado das exportações argentinas para o Brasil em outubro, apesar de histórico, registrou déficit de US$ 479 milhões para o país vizinho, quando se analisa a totalidade do comércio bilateral ao longo do ano.

Em Brasília, o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, divulgou ontem, entre outros dados, que as exportações brasileiras somaram US$ 18,833 bilhões em outubro – um acréscimo de 37,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Pela primeira vez no ano, disse o secretário, as exportações brasileiras registraram melhor crescimento mensal que as importações, que aumentaram 35,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Edição: Talita Cavalcante//A matéria foi alterada para esclarecimento de informação

Agência Brasil – 04.11.2010


Brasil lidera abertura de processos de defesa comercial

AE - Agencia Estado

GENEBRA - O Brasil lidera o número de investigações de defesa comercial adotados em 2010 e iniciou um de cada quatro processos antidumping no mundo neste ano. Os números foram apresentados ontem pela Organização Mundial do Comércio, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em um relatório enviado ao G-20 sobre o protecionismo no mundo.

Apesar de se queixar das barreiras que seus produtos enfrentam no mundo, o governo brasileiro começou a investigar a prática de dumping em 24 produtos entre janeiro e setembro de 2010. Entre os países do G-20 - que reúne as 20 maiores economias do mundo -, apenas a Índia superou o Brasil.

Há duas semanas, a União Europeia preparou seu próprio relatório indicando as medidas protecionistas adotadas por diversos países. Bruxelas indicou o Brasil como um dos mais ativos. O governo brasileiro, porém, minimizou o relatório, chamando a UE de "cínica" diante da quantidade de medidas criadas por Bruxelas. O relatório da OMC foi produzido para mapear o protecionismo no mundo e servir de base para as discussões do G-20 na semana que vem em Seul, na Coreia do Sul.

Para a OMC, os países têm resistido ao protecionismo. As entidades alertam agora, no entanto, que a "guerra cambial" pode mudar esse cenário, já que a desvalorização de algumas moedas cria pressão por retaliações. A constatação das organizações é de que, desde outubro de 2008, quando a crise eclodiu, 381 medidas restritivas de comércio foram adotadas por países do G-20. O volume do comércio afetado foi de 1,8%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

OESP – 05.11.2010


O que fez o Fed e por quê

Críticos dizem que compra de títulos vai aumentar a base monetária, mas o Fed [br]acha que essa avaliação é um pouco exagerada

Ben S. Bernanke / THE WASHINGTON POST - O Estado de S.Paulo

Dois anos se passaram desde que a pior crise financeira dos últimos 70 anos arrasou a economia mundial.

Trabalhando com autoridades americanas e de outros países, o Federal Reserve respondeu à crise com medidas fortes e criativas para estabilizar o sistema financeiro e a economia. Uma das medidas adotadas pela instituição foi um amplo afrouxamento da política monetária, reduzindo os juros de curto prazo praticamente a zero. O Fed também comprou títulos do Tesouro e títulos respaldados por hipotecas por um valor superior a US$ 1 trilhão, o que permitiu reduzir os juros, as hipotecas e os bônus corporativos. Estas medidas interromperam a queda livre da economia e prepararam o terreno para a retomada do crescimento, em meados de 2009.

Apesar do progresso obtido, quando o comitê de política monetária do Fed - o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) - se reuniu esta semana para uma avaliação da situação econômica, não nos sentimos satisfeitos.

O objetivos do Fed - seu duplo mandato estabelecido pelo Congresso - são a promoção de um elevado nível de emprego e uma inflação baixa e estável.

Infelizmente, o mercado do emprego continua muito fraco; a taxa nacional de desemprego é de quase 10%, um número considerável de pessoas só encontra uma ocupação em tempo parcial, e uma parcela substancial dos desempregados está sem trabalho há mais de seis meses.

O enorme custo do desemprego inclui uma pressão intensa sobre as finanças de uma família, mais execuções de hipotecas e a perda da capacidade para o emprego.

Hoje, a maior parte das avaliações da inflação estrutural assinalam algo abaixo de 2%, ou um pouco menos do que a taxa que a maioria dos estrategistas do Fed considera mais adequada para um vigoroso crescimento econômico a longo prazo.

Embora uma inflação baixa seja em geral um fator positivo, uma inflação baixa demais coloca em risco a economia. Nos casos mais extremos, uma inflação muito baixa pode se transformar em deflação, o que pode contribuir para longos períodos de estagnação econômica.

Mesmo que este perigo não exista, uma inflação baixa e em queda indica que a economia dispõe de uma considerável capacidade de reserva, o que implica que há espaço para a política monetária suportar mais ganhos em matéria de emprego sem o risco de um superaquecimento econômico. O Fomc decidiu esta semana que, com o desemprego elevado e a inflação muito baixa, a economia necessita de um apoio maior. Com os juros de curto prazo já em seu patamar mínimo, o Fomc concordou em dar seu apoio mediante a compra de títulos adicionais de longo prazo, como fez em 2008 e 2009. Até meados, de 2011, o FOMC pretende comprar mais US$ 600 bilhões de títulos do Tesouro a longo prazo.

No passado, esta estratégia favoreceu a melhoria das condições financeiras e, até o momento, parece ainda eficiente. Os preços das ações subiram e os juros de longo prazo caíram quando os investidores começaram a antecipar as medidas mais recentes. A melhoria das condições financeiras impulsionará o crescimento econômico.

Embora a compra de ativos seja um instrumento relativamente pouco familiar da política monetária, os temores em relação a esta estratégia são em parte exagerados. Por exemplo, os críticos temem que produza aumentos excessivos da base monetária e, em última instância, uma alta considerável da inflação.

Esta estratégia teve anteriormente escassas consequências para o volume de moeda em circulação. Tampouco provocou uma alta da inflação.

O Fed não pode solucionar, por conta própria, todos os problemas da economia.

Este é um processo que tomará tempo e exigirá os esforços conjuntos de vários atores, como o banco central, o Congresso, o governo, as autoridades reguladoras e o setor privado. Mas o Fed tem a obrigação específica de ajudar a promover o aumento do emprego e sustentar a estabilidade dos preços. As medidas tomadas esta semana o ajudarão a cumprir suas obrigações.

TRADUÇÃO: ANNA CAPOVILLA

O AUTOR É O CHAIRMAN DO CONSELHO DE DIRETORES DO FEDERAL RESERVE

OESP – 05.11.2010


'O Brasil vai ficar em situação pior'

Presidente da maior gestora de fundos do mundo diz que Lula deve falar com Obama sobre impacto do pacote do Fed

Patrícia Campos Mello - O Estado de S.Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria conversar com o líder americano Barack Obama para que os Estados Unidos reconheçam que seu pacote de estímulo monetário de US$ 600 bilhões, anunciado na terça-feira, trará sérios "efeitos colaterais" para outros países.

Essa é a opinião de Mohamed El-Erian, presidente do Pimco, administrador do maior fundo de investimentos do mundo, com US$ 255 bilhões em ativos. "Os benefícios dessa política vão para os EUA, enquanto os outros países ficam com todos os efeitos colaterais", diz El-Erian.

Para ele, Lula poderia usar o encontro do G-20 em Seul, na semana que vem, para discutir com o líder americano reformas estruturais para evitar essas tensões cambiais. Mas enquanto a solução multilateral não vem, o Brasil fica com três alternativas, "nenhuma delas ideal": deixar sua moeda continuar se valorizando, adotar mais controles de câmbio ou compensar com um aperto fiscal severo. "O mais provável é que haja uma combinação dos três, mas, seja como for, o Brasil vai sair em uma situação pior do que estava", diz.

Abaixo, trechos da entrevista que El-Erian concedeu pelo telefone.

O presidente Lula e a presidente eleita Dilma vêm criticando a política de liquidez dos EUA e o que chamam de "guerra cambial". Eles dizem que irão pressionar os EUA em Seul. Dá para chegar a uma solução multilateral?

O resto do mundo vê os EUA injetando um monte de liquidez que vaza para países que não precisam disso, como o Brasil e a China, que estão perto do superaquecimento. O Brasil fica com três alternativas, nenhuma delas ideal: deixar sua moeda continuar se valorizando, adotar mais controles de câmbio ou compensar com um aperto fiscal severo. O mais provável é que haja uma combinação dos três, mas, seja como for, o Brasil vai sair em uma situação pior do que estava. É preciso haver uma solução multilateral, mas, até agora, nem conseguimos chegar a um acordo sobre o diagnóstico do problema.

Qual é a probabilidade de chegarem a um rascunho de acordo em Seul?

A questão é se haverá algo substantivo, como reformas estruturais coordenadas no mundo, para que a China aumente sua demanda doméstica, os EUA adotem reformas estruturais. Ou pelo menos que as respostas de cada país sejam coordenadas, para evitar acirramento das tensões cambiais.

Neste momento, os EUA injetarem bilhões de dólares em sua economia atrapalha o equilíbrio econômico mundial?

Certamente. Os benefícios dessa política vão para os EUA, enquanto os outros países ficam com os efeitos colaterais.

O que o Brasil, uma das principais vítimas dessa política, deve fazer?

A primeira coisa é fazer com que os EUA reconheçam as repercussões internacionais de suas políticas. O presidente Lula deveria conversar com o presidente Obama. Os EUA ainda acham que são uma economia fechada, mas estão cada vez mais abertos, principalmente nos movimentos de capitais, com efeitos no mundo.

Existe mesmo uma guerra cambial no mundo hoje?

Eu não uso a expressão guerra cambial, eu falo em tensões ou atritos cambiais. Os EUA embarcaram em uma política de inundar seu mercado com liquidez, para estimular a economia. Mas nem toda essa liquidez é absorvida no mercado doméstico, ela flui para fora do país, valorizando outras moedas. No curto prazo, é conveniente para os EUA, porque o dinheiro absorvido no mercado doméstico acelera a atividade, e o que "vazar" para outros países causa desvalorização do dólar e estímulo às exportações. Só que, no longo prazo, enfraquece o papel do dólar como moeda de reserva e eleva os preços das commodities.

QUEM É

Presidente e chefe de investimentos do Pimco, maior administrador de fundos do mundo, com US$ 255 bilhões em ativos. O egípcio El-Erian foi vice-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e administrador dos investimentos da Universidade Harvard, Ele é autor do livro "Quando os mercados se chocam".

OESP – 05.11.2010


Meirelles vê problemas em excesso de dólares e quer acordo no G-20

'O afrouxamento quantitativo cria excessiva liquidez e nós temos de tomar medidas para solucionar essa questão', afirmou o presidente do BC

Danielle Chaves, da Agência Estado

CHICAGO - O presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, se tornou a mais recente autoridade do País a criticar o movimento do Federal Reserve, banco central dos EUA, para estimular a economia norte-americana por meio da compra de bônus do mercado.

O movimento tem "consequências negativas para outros países, que é o caso do Brasil", disse Meirelles a jornalistas depois de um discurso na University of Chicago Booth School of Business. "O afrouxamento quantitativo cria excessiva liquidez que transborda para países como o Brasil e, então, nós temos de tomar medidas para solucionar essa questão", afirmou. "Isso cria um problema."

Meirelles confirmou que o Brasil, na reunião do G-20 na próxima semana em Seul, vai apresentar propostas "a vários países, os EUA e a China e outros, para alcançar um acordo diferente para não gerar tantas distorções para países como o Brasil". Ele não ofereceu detalhes sobre as propostas. "O Fed está fazendo o que o Fed acha que é certo para os Estados Unidos. Ponto final", disse Meirelles.

Os comentários vieram depois que o ministro da Economia do Brasil, Guido Mantega, falando em Brasília na quinta-feira, classificou a decisão do Fed de "resultado duvidoso". Mantega disse que boa parte da liquidez aumentada vai fluir para mercados emergentes, como o Brasil, na forma de fluxos de investimento de curto prazo não desejados.

O governo do Brasil tem se esforçado para reduzir os fluxos de entrada de capital de curto prazo, que levaram a uma forte valorização do real diante do dólar. O real ganhou mais de 30% contra a moeda norte-americana desde março de 2009. O real forte prejudica as exportações brasileiras.

Economistas concordam que o movimento do Fed vai significar mais fluxos de capital para o Brasil. No mês passado, o governo brasileiro elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos em renda fixa para 6%, em um esforço para desacelerar os pesados investimentos estrangeiros em carteira.

Meirelles e Mantega deverão acompanhar o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente eleita, Dilma Roussef, à reunião do G-20. Mantega disse que eles "vão tentar convencer os EUA a mudar sua posição (sobre as compras de bônus pelo Federal Reserve)". As informações são da Dow Jones.

OESP – 05.11.2010


China e Alemanha criticam ação dos EUA antes de G20

ZHOU XIN E ANNIKA BREIDTHARDT – REUTERS

A China rejeitou nesta sexta-feira o plano dos Estados Unidos de impor limites aos desequilíbrios comerciais e a Alemanha criticou a política de injeção de recursos do Federal Reserve, antecipando o que deve ser uma dividida reunião do G20 na próxima semana.

Washington acredita que o iuan desvalorizado é a principal causa dos desequilíbrios econômicos e tem pressionado Pequim a deixar a moeda avançar mais rapidamente, para refletir o fortalecimento da segunda maior economia do mundo.

A discussão complicou-se nesta semana com a decisão do Fed de comprar mais 600 bilhões de dólares em bônus, num esforço para reaquecer a economia norte-americana.

O ressentimento está ganhando força no mundo pela avaliação de que a iniciativa irá gerar ainda mais instabilidade ao afetar os mercados de câmbio, possibilitar bolhas e aumentar a inflação.

"(O problema) não é falta de liquidez. Não é o caso de os americanos não terem injetado liquidez suficientes no mercado. Dizer agora 'vamos colocar mais recursos' não vai solucionar os problemas deles", avaliou o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble.

A chanceler alemã, Angela Merkel, vai abordar a política monetária dos EUA durante as discussões sobre câmbio na reunião do G20, segundo uma fonte do governo.

Autoridades das novas potências econômicas na América Latina e na Ásia afirmaram que podem considerar novas medidas para conter a entrada de capital após a decisão do Fed.

Zhou Xiaochuan, presidente do banco central da China, disse que, embora Pequim possa entender que o Fed está implementando mais alívio monetário para estimular a recuperação norte-americana, isso pode não ser uma boa política para a economia global.

Para o ministro das Finanças da África do Sul, Pravin Gordhan, a decisão dos Estados Unidos "mina o espírito de cooperação multilateral que os líderes do G20 lutaram tão duramente para manter durante a crise atual" e terá consequências devastadoras para países em desenvolvimento.

SEM EQUILÍBRIO

Os esforços para reduzir os desequilíbrios econômicos globais estarão no topo da agenda do G20, que se reúne nos dias 11 e 12 em Seul.

China e Alemanha já se opuseram ao plano levantado pelo secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, de impor limites aos superávits e déficits em conta corrente em 4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

"Claro, nós esperamos ver contas correntes mais equilibradas", disse o vice-ministro de Relações Internacionais, Cui Tiankai. "Mas nós acreditamos que não será uma abordagem boa escolher essa questão e concentrar toda a atenção nela. O estabelecimento artificial de uma meta numérica só pode nos lembrar dos dias de economias planejadas."

Cui, negociador da China no G20, também rejeitou qualquer tentativa de estabelecer faixas para o iuan se apreciar.

"Isso estaria pedindo que nós manipulássemos a taxa de câmbio do iuan, e é algo que nós obviamente não faremos", disse.

OESP – 05.11.2010


União Europeia quer discutir plano de US$ 600 bi dos EUA na reunião do G20

DA FRANCE PRESSE
EM BRUXELAS

A Europa quer discutir na reunião de cúpula do G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo) na semana que vem, em Seul, as medidas anunciadas nesta semana pelo Federal Reserve (o "Fed", o banco central dos EUA), que geraram críticas em todo o mundo, segundo informações de uma autoridade europeia, que falou sob condição de anonimato.

A Europa vai estar representada na reunião do G20, programada para os dias 11 e 12, pelos representantes da União Europeia --o presidente da UE, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso -- e pelos líderes dos países desse continente que pertencem ao bloco, como França, Reino Unido, Alemanha e Itália.

Segundo essa fonte, a maneira como deve ser discutida essa questão será definida de forma bilateral com a administração americana ou de forma multilateral no G20.

Ainda de acordo com a autoridade europeia, os ministros de Finanças dos países vinculados ao G20 haviam concordado, na reunião preparatória de outubro, a "levar em conta" os riscos de que as decisões de política econômica ou monetária adotadas em nível nacional poderiam ter em outros países.

Brasil, China e Alemanha criticaram imediatamente a decisão do Fed. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, assegurou que as medidas vão criar "problemas adicionais" para o mundo.

Folha de São Paulo – 05.11.2010


Terminal de Contêineres vai investir R$ 141 milhões no Porto de Paranaguá

De A Tribuna On-line

O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), empresa privada que tem concessão para operar mercadorias transportadas em contêineres pelo Porto de Paranaguá, anunciou nesta quinta-feira o investimento de R$ 141 milhões em obras de infraestrutura e na aquisição de novos equipamentos.

A estimativa é que a produtividade aumente 50% nos próximos dois anos e que o Paraná passe a responder pela movimentação de 1 milhão de contêineres já em 2012. Com isso, o Estado deve ampliar sua participação no cenário nacional, que hoje, com média de 700 mil contêineres movimentados por ano, é de 7%.

O projeto de expansão está previsto no contrato firmado entre o TCP e a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Os investimentos já foram aprovados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e pelo Conselho de Autoridade Portuária (CAP).

“A intenção é adequar o Terminal à crescente demanda do mercado internacional, aumentando nossa capacidade de performance e respondendo às novas necessidades de tráfego, já que os navios de contêineres estão cada vez maiores”, explica o diretor-superintendente da empresa, Juarez Moraes e Silva.

A ampliação do cais em 315 metros, que permitirá a atracação simultânea de três navios porta-contêineres nos 880 metros de cais destinados ao TCP, colocará Paranaguá entre os maiores portos de cargas conteneirizadas da América Latina.

“Com a obra, vamos poder atender a demanda reprimida que hoje não conseguimos responder, pois não temos janelas de atracação livres, e que faz com que a rota seja desviada para outros terminais. Teríamos então um aumento de 25% na nossa movimentação atual”, conta Silva.

“Entre janeiro e setembro deste ano, o TCP movimentou mais de 485 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Nossa expectativa é alcançar, até dezembro, um crescimento de 12% na comparação com o ano passado, quando foram 606 mil unidades. Para 2012, com todas as melhorias implementadas, a previsão é dobrar este número”, completa ele.

EXPANSÃO

Além da construção de um terceiro berço de atracação, a empresa vai construir na extremidade leste estruturas independentes da linha do cais para receber navios de veículos. Serão três douphins de atracação e um douphin de amarração, seguindo e replicando o modelo já existente. “O projeto é simples, eficiente, rápido e fácil de executar”, destaca David Simon, diretor-geral do TCP.

“Dependemos da licença de operações emitida pelo Ibama, que é separada da solicitada pela Appa para as obras de dragagem do porto. Se o nosso cronograma se confirmar e obtivermos o licenciamento ambiental até o primeiro trimestre de 2011, acredito que o novo berço estará funcionando no primeiro semestre de 2012”, adianta Simon.

Segundo ele, as obras de ampliação no cais devem gerar aproximadamente 200 empregos diretos e 100 empregos indiretos, durante sua execução. Depois de concluídas, mais de 90 trabalhadores devem ser contratados diretamente e mais 500 vagas de trabalho seriam criadas de forma indireta, permanentemente.

EQUIPAMENTOS

A aquisição de novos maquinários portuários será feita paralelamente à construção do novo berço de atracação e aumentará imediatamente a velocidade e capacidade de movimentação de carga. O quarto portêiner do TCP, um guindaste de grande porte utilizado para carregar e descarregar contêineres em navios, começará a funcionar ainda em novembro. Outros dois portêineres serão contratados e, assim, o Terminal vai dobrar o número de equipamentos deste tipo em atividade.

Também fazem parte dos investimos a compra de seis transtêineres (utilizados para empilhar e estocar contêineres na área de armazenagem do TCP); 10 terminal tractors (caminhões específicos para o transporte de contêineres dentro do Terminal); 10 terminal trailers (carretas para movimentação da carga conteneirizadas); e duas reach stackers (equipamentos para manobra de contêineres).

Está prevista, ainda, a instalação de mais 528 tomadas para o funcionamento de contêineres refrigerados, chamados de refeer. Com isso, sobe para 3.340 o número de pontos de energia disponíveis para manter cargas congeladas. Atualmente, o Paraná é líder nacional na exportação de frango congelado e responde por 1/3 de toda carne comercializada pelo Brasil com os países importadores.

Fonte: Assessoria de Imprensa Appa

A Tribuna – 05.11.2010


Camex reduz o Imposto de Importação para 167 produtos

Foram publicadas hoje (4/11), no Diário Oficial da União (DOU), duas resoluções da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovadas na última reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), realizada no dia 3 de novembro, que determinam a redução do Imposto de Importação para 167 produtos na condição de Ex-tarifários. As duas resoluções estabelecem que as reduções valem até 30 de junho de 2012.

A Resolução nº 78 reduz de 14% para 2% o Imposto de Importação de 161 bens de capital, sendo 157 Ex-tarifários simples e 4 sistemas integrados. Já a Resolução nº 79 determina que haja redução do Imposto de Importação de 16% para 2% para seis bens de informática e telecomunicações.

As estimativas de investimentos em importações relativos aos 167 novos Ex-tarifários chegam a US$ 425 milhões, nos próximos dois anos. Quanto ao valor das importações em Ex-tarifários, os três setores com maiores participações devem ser o petroquímico o automotivo o de autopeças.

Investimentos produtivos

O regime de Ex-tarifário é um mecanismo de estímulo aos investimentos produtivos pela redução do custo de aquisição no exterior de bens de capital, informática e telecomunicação que não contam com produção no Brasil ou nos países integrantes do Mercosul. A redução temporária do imposto possibilita aumento da inovação tecnológica por parte de empresas de diferentes segmentos da economia – conforme preconizado nas diretrizes da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), além de garantir um nível de proteção à indústria nacional de bens de capital, uma vez que a redução tarifária só é concedida para bens que não possuem produção no Brasil.

O regime de ex-tarifário também produz efeito multiplicador de emprego e renda sobre segmentos diferenciados da economia nacional, tem papel especial no esforço de adequação e melhoria da infra-estrutura nacional e estimula os investimentos para o abastecimento do mercado interno de bens de consumo.

Leia aqui, na íntegra, o texto das Resoluções Camex nº 78 e nº 79.

MDIC – 04.11.2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário