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Exportações crescem mais que as importações
Pela primeira vez no ano, ritmo das vendas externas brasileiras (alta de 37,1% na comparação com outubro de 2009 ) supera o das compras (+ 35,9%)
Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Em outubro, pela primeira vez em todo o ano, as exportações cresceram em ritmo mais forte do que as importações, conforme dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No mês passado, houve aumento de 37,1% no valor das exportações em comparação com outubro de 2009. Já as importações cresceram 35,9% em relação ao mesmo mês de 2009.
O desempenho ajudou a diminuir a queda do saldo comercial brasileiro este ano. O superávit no fim de julho era 45,1% inferior ao registrado em igual período do ano passado, mas com a retomada de fôlego nas exportações, a diferença caiu para 35% na mesma comparação. Nos dez primeiros meses de 2010, o saldo positivo é de US$ 14,627 bilhões, ante US$ 22,495 bilhões registrados até outubro de 2009.
Para o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral, o desempenho das vendas em outubro, que alcançaram US$ 18,381 bilhões, confirmou a expectativa do governo, que elevou a meta de exportações em 2010 de US$ 180 bilhões para US$ 195 bilhões. Além disso, a média diária de vendas de US$ 919,1 milhões foi recorde para meses de outubro e o terceiro melhor desempenho da história, atrás apenas de maio e agosto de 2008: "Nos dez primeiros meses do ano, o crescimento de 29,7% é muito bom, considerando que a previsão do FMI para a média mundial este ano é de 19%".
Segundo o secretário, no entanto, a velocidade de crescimento das vendas deve recuar um pouco em novembro e dezembro, uma vez que quase a totalidade da safra já foi embarcada até outubro. "Mesmo assim, cumpriremos a meta", disse Barral.
Razões. Ele reconheceu, porém, que parte do crescimento das vendas no mês passado foi causado pelo aumento dos preços de produtos básicos, principalmente minério de ferro. Na comparação com outubro do ano passado, as vendas de bens primários aumentaram 58,1%, enquanto intermediários e manufaturados cresceram 31,9% e 21,2%, respectivamente. "O aumento de básicos na comparação anual diretamente relacionado com o preço. Ao longo dos últimos dois anos os produtos básicos mantiveram as vendas e aumentaram o preço, e por isso vêm ganhando participação na pauta", argumentou.
No caso do minério de ferro, a demanda da siderurgia chinesa, apontou Barral, além de assegurar mercado para o produto brasileiro também tem influência sobre o preço. Da mesma forma, o aumento do consumo de açúcar pelos habitantes da Índia e do Paquistão impulsiona as vendas. Por isso as vendas para a Ásia aumentaram 75,8% em outubro na comparação anual, com alta de 87,3% para a China.
Importações. Pelo lado das importações, cujo aumento acumulado nos dez primeiros meses de 2010 é de 43,8%, o secretário estima que o ritmo deve continuar caindo ligeiramente até o fim do ano, uma vez que a maior parte das encomendas de Natal já foram finalizadas. Em outubro, por exemplo, o volume importado foi 2,2% inferior ao registrado em setembro. Segundo Barral, o aumento expressivo de compras este ano não é exclusividade do Brasil, pois outros países como Coreia do Sul, China, México, Argentina e Índia apresentam resultados semelhantes.
Recuperação
US$ 14,627 bi
É o saldo positivo da balança comercial no acumulado dos dez primeiros meses do anos; no mesmo período de 2009, saldo havia sido de US$ 22,495 bilhões
US$ 1,854 bil
É o saldo positivo da balança comercial no mês de outubro; no mês do 2009 era de US$ 1,328 bi
OESP – 04.11.2010
Outubro registra superávit de US$ 1,854 bilhão
Nos vinte dias úteis de outubro de 2010, as exportações brasileiras chegaram a US$ 18,381 bilhões (média diária de US$ 919,1 milhões) e as importações a US$ 16,527 bilhões (média diária de US$ 826,4 milhões). A corrente de comércio (soma das operações) alcançou US$ 34,908 bilhões (média diária de US$ 1,745 bilhão) e houve um superávit (diferença entre exportações e importações) de US$ 1,854 bilhão (média diária de US$ 92,7 milhões).
Na comparação pela média diária, em relação a outubro do ano passado, as exportações (média diária de US$ 670,6 milhões) aumentaram 37,1% e as importações (média diária de USS 607,9 milhões), 35,9%. A média, por dia útil, do saldo comercial cresceu 47,9% frente ao mesmo período do ano passado (média diária de US$ 62,7 milhões).
No comparativo com a média diária das exportações registrada em setembro deste ano (US$ 896,8 milhões), houve aumento de 2,5%. Já a média das importações diminuiu 2,2% sobre a de setembro (US$ 844,8 milhões) e o saldo comercial teve crescimento de 78,1%, na comparação com a média do mesmo mês (US$ 52 milhões).
A quinta semana do mês de outubro, com cinco dias úteis (25 a 31), teve superávit de US$ 168 milhões (média diária de US$ 33,6 milhões). No período, as exportações foram de US$ 4,531 bilhões (média diária de US$ 906,2 milhões) e as importações, de US$ 4,363 bilhões (média diária de US$ 872,6 milhões). A corrente de comércio alcançou US$ 8,894 bilhões (média diária de US$ 1,778 bilhão).
Ano
No acumulado do ano (208 dias úteis), o saldo comercial foi positivo em US$ 14,627 bilhões (média diária de US$ 70,3 milhões). O valor é 35% menor que o registrado no mesmo período do ano passado (média diária de US$ 108,1 milhões).
As exportações e importações aumentaram, na mesma comparação. Nos primeiros dez meses de 2010, foram exportados US$ 163,310 bilhões (média diária de US$ 785,1 milhões), frente aos US$ 125,879 bilhões (média diária de US$ 605,2 milhões) do mesmo período de 2009, com crescimento de 29,7% na média diária.
Nas importações, houve aumento de 43,8% na média em comparação com os dez primeiros meses do ano passado, passando de US$ 103,384 bilhões (média diária de US$ 497 milhões) para US$ 148,683 bilhões (média diária de US$ 714,8 milhões), este ano.
Em consequencia, a corrente de comércio cresceu 36,1%, passando de US$ 229,263 bilhões (média diária de US$ 1,102 bilhão) para US$ 311,993 bilhões (média diária de US$ 1,5 bilhão), em 2010.
Doze meses
No acumulado dos últimos doze meses (novembro de 2009 a outubro de 2010), as exportações já somam US$ 190,426 bilhões (média diária de US$ 761,7 milhões) e as importações, US$ 173,018 bilhões (média diária de US$ 692,1 milhões). Neste mesmo período, o saldo da balança comercial registrou saldo positivo de US$ 17,408 bilhões (média diária de US$ 69,6 milhões).
Às 15h30, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, concede entrevista coletiva no auditório do MDIC para comentar os dados da balança comercial mensal.
Clique aqui e veja os números preliminares da balança comercial de outubro.
MDIC – 03.11.2010
Paralisações e importações pesam na indústria em setembro
O principal impacto de queda na produção veio do segmento de resinas, adubos e fertilizantes, que recuou 4%
Jacqueline Farid, da Agência Estado
RIO - Paralisações programadas na indústria química e de refino de petróleo e os elevados estoques na indústria siderúrgica, por causa das importações, foram os principais fatores responsáveis pela queda de 0,2% na produção industrial em setembro ante agosto, segundo observou o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo.
O principal impacto de queda na produção nessa comparação foi dado pelo segmento de outros produtos químicos (resinas, adubos e fertilizantes), com queda de 4%. Segundo o economista, houve paradas programadas nessa atividade. O segmento de refino de petróleo e álcool registrou queda de 1,5% em setembro ante o mês anterior, também devido a paralisações programadas, segundo Macedo.
A metalurgia básica (siderurgia), por sua vez, registrou queda de 2,0% na produção em setembro ante agosto, o segundo recuo consecutivo após uma variação negativa de 5,8% em agosto ante julho. "Essa atividade tem registrado estoques elevados, que estão relacionados às importações", disse Macedo.
No entanto, ele ressalta que as importações não podem ser responsabilizadas, integralmente, pela queda na produção da indústria como um todo, já que há também os efeitos das paralisações programadas e influência de outros segmentos, como material elétrico e comunicações (-11,0%, sob impacto de televisores e celulares, com base de comparação elevada e queda nas exportações especificamente de celulares) e alimentos (-1,7%, com problemas climáticos prejudicando a safra de alguns produtos).
OESP – 04.11.2010
OMC alerta G20 para riscos de protecionismo
DA FRANCE PRESSE, EM GENEBRA
As turbulências no mercado cambial aumentam os riscos já crescentes do protecionismo, que poderá afetar a estabilidade dos intercâmbios mundiais e a reativação econômica, alertou nesta quinta-feira a OMC em um relatório destinado ao G20.
"Vimos nos últimos meses um aumento perigoso das pressões protecionistas geradas pelos desequilíbrios mundiais, num momento em que o consenso político a favor de uma abertura do comércio e os investimentos já estão sob tensão" em função do alto desemprego nos países do G20, indicou a OMC (Organização Mundial do Comércio) nesse informe.
"Os riscos mais elevados para a economia mundial são gerados pelas turbulências sobre os mercados cambiais e as decisões dos governos que alguns puderam perceber como uma continuação deliberada de uma vantagem comparativa surgidas das taxas cambiárias", segundo a OMC.
A OMC divulgou este informe visando à cúpula do G20 que ocorre nos próximos dias 11 e 12 em Seul.
Folha de São Paulo – 04.11.2010
Mantega critica plano de US$ 600 bilhões dos EUA e alerta sobre orçamento brasileiro
DA REUTERS
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou nesta quinta-feira a decisão do Federal Reserve de injetar mais dólares na economia norte-americana e mostrou preocupação com as discussões do Orçamento brasileiro para 2011.
Segundo ele, a medida do Fed de comprar mais US$ 600 bilhões em títulos do governo tem "resultado duvidoso" se o objetivo é incentivar a recuperação econômica.
"Esse crédito não está indo para a produção, o consumidor americano não está tomando crédito, o investidor não está tomando crédito para investir. Esse excesso de crédito acaba desvalorizando a moeda americana", disse a jornalistas.
"O único resultado é desvalorizar o dólar para que tenha uma competitividade maior no comércio internacional. Tanto é verdade que hoje temos um déficit comercial com os EUA", acrescentou Mantega, reiterando que levará o tema para discussão na reunião de líderes do G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo), na próxima semana.
Ele afirmou que, embora todos desejem a recuperação da economia norte-americana, "não adianta ficar jogando dólar de helicóptero".
"Tem que combinar isso com uma política fiscal. Tem que estimular o consumo, o mercado, dar condições para o consumidor."
ORÇAMENTO PREOCUPANTE
Mantega disse ainda que vê com preocupação o aumento das estimativas de receita no Orçamento brasileiro de 2011 pelo Congresso. De acordo com ele, a revisão não está baseada em fatos concretos.
"A Comissão [Mista] de Orçamento aumentou a projeção de receita... Aumentar a receita quer dizer aumentar despesa. Nós não temos condição de aumentar despesa, agora temos que fazer esforço para reduzir despesa", afirmou.
A comissão apontou uma arrecadação extra de R$ 17,7 bilhões, segundo informações da Agência Câmara.
Folha de São Paulo – 04.11.2010
Real se valoriza menos após alta do IOF
Elevação das alíquotas neutraliza efeitos da enxurrada de dólares dos Estados Unidos
Raquel Landim - O Estado de S.Paulo
Graças à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo federal conseguiu neutralizar, por enquanto, os efeitos sobre a taxa de câmbio da enxurrada de dólares jogada pelos Estados Unidos na economia mundial. O real se valorizou bem menos que outras moedas e descolou dos preços das commodities.
Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anunciou que vai comprar US$ 600 bilhões em títulos de longo prazo do governo americano para reativar a economia. Como a medida já era esperada desde o dia 21 de setembro, quando ocorreu a reunião anterior do Fed, os mercados reagiram com calma.
O dólar fechou ontem a R$ 1,699 no mercado de balcão, queda de 0,47% em relação ao dia anterior, testando o nível de R$ 1,70 pela primeira vez em sete sessões. No entanto, desde que começaram as especulações sobre as medidas do Fed há seis semanas, o real acumula apenas 1% em relação à moeda americana.
A perspectiva de novas medidas do Fed desvalorizou o dólar e elevou os preços das commodities nesse período. Em relação ao dia 21 de setembro, o dólar caiu 6,5% em relação ao euro. O CRB (Commodity Research Bureau, principal índice de preços de commodities) subiu 9,7%. Uma cesta formada pelas commodities exportadas pelo Brasil avançou ainda mais: 10,5%.
"A valorização do real foi menos significativa por causa da eficácia das medidas do governo. Países que não adotaram nenhum controle de capitais sofreram mais", disse Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora. O dólar australiano, por exemplo, avançou 5,8% desde 21 de setembro e testou a máxima em relação ao dólar ontem.
As moedas de Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Noruega e Canadá estão entre as mais afetadas pela queda do dólar, porque esses países são grandes exportadores de commodities.
Nathan Blanche, especialista em câmbio e sócio da Tendências Consultoria, atribui o descolamento do real à reversão de expectativas dos investidores, que ficaram assustados com as medidas do governo. O Brasil foi considerado um dos mais agressivos entre os países que adotaram medidas de controle de capitais.
IOF. O Brasil elevou por duas vezes consecutivas o IOF, sua principal arma até agora na "guerra cambial". Em 4 de outubro, o imposto para o investimento em renda fixa subiu de 2% para 4%. O governo estava assustado com a queda do dólar, que bateu R$ 1,66 naquele dia.O mercado achou a dose do remédio fraca e insistiu. O dólar chegou a R$ 1,65 já no dia seguinte (5 de outubro), nível mínimo atingido no período mais recente. Com o início das especulações de que o governo brasileiro adotaria medidas mais duras, a tendência começou a virar.
No dia 18 de outubro, o IOF para renda fixa subiu de novo, para 6%. O governo elevou ainda o IOF pago nas garantias para operar no mercado futuro de 0,38% para 6%. A pancada assustou os investidores e o real passou a oscilar perto de R$ 1,70.
Segundo o economista do JP Morgan Júlio Callegari, as medidas praticamente secaram o fluxo de capitais de curto prazo, cuja rentabilidade ficou prejudicada. Ele alerta, porém, que esses recursos representam apenas 15% dos dólares que vêm ao País. O restante está em ações e investimentos produtivos.
"Se a tendência de desvalorização do dólar segue, o mercado vai testar novamente os limites do governo no câmbio", disse Callegari. A aposta da maioria dos analistas é de que o dólar vai seguir se desvalorizando.
Callegari alerta que, da próxima vez, não bastará elevar o IOF na renda fixa, porque o efeito já se esgotou. Se quiser continuar segurando o real, o governo terá de usar remédios mais amargos, que atinjam outros fluxos de recursos. É o caso do IOF em ações e de retomar o Imposto de Renda no investimento estrangeiro.
Sobe e desce
1%
é a valorização do real em relação ao dólar desde 21 de setembro, quando começaram as especulações no mercado a respeito do pacote que o Federal Reserve anunciou ontem.
5,8%
é a valorização do dólar australiano em relação ao dólar americano no mesmo período. A Austrália não adotou medidas de controle do fluxo de capitais.
-6,5%
é a desvalorização do dólar em relação ao euro no período.
OESP – 04.11.2010
Entrada de dólares em outubro é a segunda maior do ano, segundo BC
EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA
A entrada de dólares no país alcançou em outubro o segundo maior resultado do ano, apesar das medidas anunciadas pelo governo para taxar investimentos estrangeiros no país. Dados do Banco Central mostram uma entrada de US$ 6,9 bilhões no mês passado. Somente em operações financeiras, foram US$ 5,1 bilhões.
Esses dois resultados estão atrás apenas dos registrados em setembro, quando o fluxo de moeda estrangeira para o país foi influenciado pela capitalização da Petrobras. Na época entraram US$ 16,7 bilhões no país em operações financeiras.
O BC reduziu as compras de dólares, mas não na mesma proporção da queda no fluxo em relação ao mês anterior. As intervenções da instituição no mercado somaram US$ 7,6 bilhões, também o segundo maior resultado do ano, atrás apenas do registrado no mês anterior (US$ 10,7 bilhões).
Há cerca de duas semanas, o governo anunciou o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investimento estrangeiro em renda fixa para 6%. O tributo já havia subido de 2% para 4% no começo do mês. O governo também aumentou o IOF (de 0,38% para 6%) sobre a margem de garantia para investimentos no mercado futuro para estrangeiros.
A ideia é desestimular esse tipo de investimento --que oferece alta rentabilidade devido às altas taxas de juros praticadas no Brasil-- para tentar conter a forte entrada de dólares no país.
O ingresso de capital externo leva à valorização do real, o que, entre outras consequências, reduz a competitividade das exportações brasileiras. Nos últimos meses, o Brasil tem registrado entradas recordes de recursos externos, puxando a cotação da moeda dos EUA para baixo.
Nas operações de comércio exterior, segundo o BC, houve uma entrada de US$ 1,78 bilhão em outubro. Desde maio, as operações ligadas a exportações não superavam as importações.
Folha de São Paulo – 04.11.2010
Lula promete 'brigar' com G-20 por valorização do real
Presidente, que terá Dilma a seu lado na reunião em Seul, culpou EUA e China por problemas cambiais
Renato Andrade / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter declarado que o mundo vive uma "guerra cambial", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem "brigar" durante o encontro dos chefes de Estados das 20 maiores economias do mundo (G-20) para encontrar uma solução que evite a contínua valorização do real. Para essa briga, Lula contará com a presidente eleita, Dilma Rousseff. "Vou para o G-20, agora, para brigar. Se eles já tinham problema para enfrentar o Lula, agora vão enfrentar o Lula e a Dilma", disse.
Lula acusou os Estados Unidos e a China de serem os responsáveis pelos problemas cambiais vividos por diversas economias e reafirmou que o governo brasileiro irá tomar "todas as medidas necessárias" para evitar uma sobrevalorização do real frente ao dólar americano. O encontro do G-20 ocorre na próxima semana em Seul, na Coreia do Sul.
Para o presidente Lula, a onda de valorização das moedas, principalmente dos países em desenvolvimento, é reflexo da tentativa de os Estados Unidos "resolver o problema do déficit fiscal deles" e da insistência da China em manter sua moeda subvalorizada. A equipe econômica insiste que a política do Federal Reserve (o banco central dos EUA) em tentar reativar a economia americana por meio da ampliação da oferta de dólares é o fator principal por trás da valorização do real e de outras moedas ao redor do mundo.
Na tentativa de interromper essa escalada, o governo brasileiro já lançou uma série de medidas, como o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações de estrangeiros em renda fixa no País e a emissão de títulos no mercado externo com rendimento atrelado ao real. Mesmo assim, a tendência de valorização do real não foi invertida.
Dilma Rousseff ponderou, entretanto, que o cenário atual exige uma ação mais integrada dos países, como o ministro Mantega vem defendendo.
"Numa situação dessas, não tem solução individual", disse a presidente eleita. Dilma também fez um alerta sobre os riscos de economias como a americana e a chinesa manterem políticas de "desvalorizações competitivas" de suas moedas, na tentativa de garantir preços mais atraentes para seus produtos no mercado global. "A última vez que houve isso, deu no que deu: a Segunda Guerra Mundial."
OESP – 04.11.2010
BC dos EUA impõe derrota ao Brasil na "guerra cambial", dizem analistas
TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
A injeção de US$ 600 bilhões pode não levar o consumidor americano de volta ao shopping no final do ano, mas com certeza estimulará os maiores fundos de hedge do mundo a trazer ainda mais dinheiro para o Brasil, segundo analistas.
Para o país, a medida terá como efeito nova rodada de apreciação do real, impondo mais uma derrota às tentativas do país de controlar o fluxo de capitais do exterior.
"Certamente, uma parte desse dinheiro todo virá para cá. Vai também para a China, a África do Sul e demais países emergentes onde ainda há oportunidade de ganho", disse Alkimar Moura, ex-diretor do BC brasileiro.
De natureza inflacionária, a injeção de dólares no mundo tem potencial para estimular alta da Bolsa e das moedas globais, além de valorização de commodities e de demais "ativos reais".
Todos esses mercados vêm subindo desde meados da semana passada por conta da expectativa da medida.
A própria China será impelida a estocar dinheiro em insumos e em produtos para se "proteger" da desvalorização do dólar americano.
Folha de São Paulo – 04.11.2010
Emergentes prometem se defender de medida do Fed
DA REUTERS, EM SEUL
Os formuladores de política das maiores economias da América Latina e da Ásia prometeram nesta quinta-feira desenvolver novas medidas para conter os fluxos de capital depois de, na véspera, o Federal Reserve anunciar que colocará bilhões de dólares no sistema para estimular a economia.
As economias emergentes expressaram desagrado com a medida, tornando improvável um acordo sobre desequilíbrios globais e moedas na reunião do G20 na semana que vem.
"Enquanto o mundo não exercer restrição à emissão de moedas de reserva como o dólar --e isso não é fácil--, a ocorrência de outra crise é inevitável", escreveu Xia Bin, assessor do banco central da China, em um jornal administrado pela autoridade monetária.
O Ministério das Finanças da Coreia do Sul disse ter enviado "uma mensagem aos mercados" na quinta-feira e que irá "agressivamente" considerar controles de capital, enquanto o secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral, disse que o movimento do Fed pode gerar "medidas de retaliação".
A Tailândia levantou a possibilidade de uma ação conjunta para combater a enxurrada de dólares que deve entrar nos emergentes.
"O presidente do banco central tailandês confirmou discussões com bancos centrais de países vizinhos, que estão prontos para impor medidas juntos se for necessário para conter o possível fluxo de capital especulativo na região", afirmou o ministro das Finanças, Korn Chatikavanij.
Uma autoridade sênior de Finanças da Índia, que preferiu não ser identificada, disse que, embora os Estados Unidos tenham o direito de estimular sua economia, outras nações também devem proteger seus interesses.
O chinês Xia acrescentou no jornal "Financial News" que Pequim irá perseguir seus próprios interesses, dizendo que "precisamos pensar" o que é bom para nós''.
O estretategista cambial do Credit Suisse, Olivier Desbarres, disse: "Esse não me parece o tipo de ambiente no qual qualquer país se comprometerá com metas".
Na quarta-feira (3), o Fed anunciou a compra de US$ 600 bilhões de dólares em bônus. Nesta quinta-feira, o banco central foi visto vendendo sua moeda para conter os ganhos após ela atingir pico em seis meses com o anúncio do Fed.
Folha de São Paulo – 04.11.2010
Em 10 anos, crescimento da China cairá à metade
DE SÃO PAULO
Dentro de uma década, o crescimento da China terá caído à metade da média de 10% dos últimos anos, informa reportagem de Érica Fraga para a Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
A consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) projeta que o gigante asiático vai passar por um processo gradual de desaceleração e chegará a 2020 se expandindo por volta de 5%.
Segundo Robert Ward, diretor de projeções globais da EIU, isso deveria servir de alerta para países como o Brasil, cuja dependência da China como destino de exportações de commodities tem aumentado muito. "No longo prazo, as commodities sozinhas não serão uma forma de garantir crescimento sustentado", diz.
A emergência da China como único motor potente de expansão global atualmente será um dos tópicos de discussão de seminário promovido pelo grupo Economist, com apoio da Folha, que ocorrerá em São Paulo na próxima terça-feira (9).
Leia a reportagem completa na Folha desta quinta-feira.
Folha de São Paulo – 04.11.2010
Após medida do Fed, euro supera US$ 1,42 pela primeira vez desde janeiro
DA FRANCE PRESSE, EM LONDRES
O euro era negociado nesta quinta-feira acima de US$ 1,42, em Londres, pela primeira vez desde janeiro, um dia depois do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) ter anunciado novas medidas para tentar estimular a recuperação nos Estados Unidos.
Às 10h30 (8h30 de Brasília), a moeda europeia tinha cotação de US$ 1,4237, ante US$ 1,4130 na quarta-feira à noite, depois de ter alcançado US$ 1,4263, 45 minutos antes -- o valor máximo desde 20 de janeiro.
O Fed anunciou nesta quarta-feira que pretende adquirir US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro até meados de 2011, com o objetivo de estimular o crédito e gerar empregos.
Folha de São Paulo – 04.11.2010
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