terça-feira, 19 de outubro de 2010


NOTÍCIAS


Terceira semana de outubro registra exportações de US$ 3,018 bilhões e importações de 3,283 bilhões

As exportações brasileiras na terceira semana de outubro foram de US$ 3,018 bilhões, com média diária de US$ 754,5 milhões. O resultado é 26,7% inferior à média de US$ 1,028 bilhão registrada nas duas primeiras semanas do mês, em razão da retração das vendas nas três categorias de produtos. Nos básicos (-38%), os produtos que tiveram redução nas vendas foram minério de ferro, carne de frango e suína, fumo em folhas, petróleo e soja em grão. Nos manufaturados (-17,8%) açúcar refinado, automóveis, aviões, gasolina, polímeros plásticos, óleos combustíveis e bombas e compressores foram os que mais diminuíram. Nos semimanufaturados (-13,9%), a queda alcançou as vendas de ouro em forma semimanufaturada, couros e peles, ferro-ligas, semimanufaturados de ferro e aço e alumínio em bruto.

No mesmo período, as importações somaram US$ 3,283 bilhões, com média diária de US$ 820,8 milhões. Houve crescimento de 9,5% sobre a média das duas primeiras semanas de outubro (US$ 749,3 milhões), motivado, principalmente, pelo aumento dos gastos com combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos, aparelhos eletroeletrônicos, veículos automóveis e partes, obras, siderúrgicos e plásticos.

A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 265 milhões, com média diária negativa de US$ 66,3 milhões, nos quatro dias úteis (11 a 17) da semana. A corrente de comércio (soma das exportações e importações) totalizou US$ 6,301 bilhões, com média diária de US$ 1,575 bilhão.

Mês

No acumulado das três primeiras semanas de outubro (10 dias úteis), as exportações foram de US$ 9,191 bilhões (média diária de US$ 919,1 milhões), 37,1% a mais que a média de US$ 670,6 milhões registrada em outubro do ano passado. Nos básicos (66,4%), a alta é explicada principalmente pelos aumentos em minério de ferro, soja em grão, café em grão, fumo em folhas, milho em grão e carne bovina, suína e de frango. Nos semimanufaturados (20,8%), os destaques ficaram por conta de ouro em forma semimanufaturada, celulose, óleo de soja em bruto, açúcar em bruto e couros e peles. Entre os manufaturados (17,4%), os produtos mais vendidos foram açúcar refinado, autopeças, automóveis de passageiros, bombas e compressores, polímeros plásticos, motores e geradores, aviões, óxidos e hidróxidos de alumínio.

A média diária das exportações nas três primeiras semanas de outubro ficou 2,5% acima da média do mês passado (US$ 896,8 milhões), com crescimento em todas as categorias de produtos: semimanufaturados (5,7%), manufaturados (2,1%) e básicos (1,9%).

As importações, no acumulado mensal, foram de US$ 7,779 bilhões (média diária de US$ 777,9 milhões), 28% acima da média de outubro de 2009 (US$ 607,9 milhões). Cresceram os gastos com cobre e suas obras (113,6%), siderúrgicos (75,4%), borracha e obras (60,1%), equipamentos mecânicos (32,5%), adubos e fertilizantes (32%) e plásticos e obras (27,9%).

No comparativo com a média diária das importações de setembro passado (US$ 844,8), no entanto, houve queda de 7,9%. A retração atingiu os seguintes produtos: combustíveis e lubrificantes (-24,5%), equipamentos mecânicos (-14,0%), veículos automóveis e partes (-12,1%), farmacêuticos (-11,4%), borracha e obras (-9,4%) e aparelhos eletroeletrônicos (-5,7%).

A corrente de comércio do mês alcançou US$ 16,970 bilhões (média diária de US$ 1,697 bilhão) e o saldo comercial foi superavitário em US$ 1,412 bilhão (média diária de US$ 141,2 milhões). Pelo resultado médio diário, o saldo da balança comercial cresceu 171,3%, na comparação com o mês passado (US$ 52 milhões), e 125,3% em relação a outubro de 2009 (US$ 62,7 milhões).

Ano

No acumulado de janeiro à terceira semana de agosto deste ano (198 dias úteis), as vendas ao exterior somaram US$ 154,12 bilhões (média diária de US$ 778,4 milhões). Na comparação com a média diária do mesmo período de 2009 (US$ 603,7 milhões), as exportações cresceram 28,9%.

As importações, no acumulado do ano, foram de US$ 139,931 bilhões, com média diária de US$ 706,7 milhões. O valor está 44,2% acima da média registrada no mesmo período de 2009 (US$ 490,1 milhões).

O superávit da balança comercial no ano chegou a US$ 14,189 bilhões, com média diária de US$ 71,7 milhões. Por esse critério, o número ficou 36,9% abaixo da média registrada no mesmo período do ano passado (US$ 113,6 milhões).

No acumulado do ano, a corrente de comércio somou US$ 294,051 bilhões, com média diária de US$ 1,485 bilhão. O valor é 35,8% maior que a média aferida neste mesmo período no ano passado.

Clique aqui e veja os números da balança comercial da terceira semana de outubro.

MDIC – 18.10.2010


A invasão dos importados

O mercado brasileiro está sendo tomado rapidamente por indústrias de fora. Um quinto dos bens consumidos provém do exterior, sob a forma de produtos acabados, matérias-primas ou bens intermediários. Até há pouco tempo, falar em desindustrialização parecia um exagero. Não é mais. Há uma guerra cambial, conduzida pelas maiores potências, e o Brasil é uma das economias mais prejudicadas. No começo de 2009 os importados eram 15,7% dos produtos consumidos no País, segundo estimativa da LCA Consultores, citada em reportagem do Estado no domingo. Essa participação aumentou 4,3 pontos porcentuais até o terceiro trimestre deste ano. A invasão dos produtos estrangeiros foi em grande parte facilitada pela valorização do real.

Embora seja o fator mais importante a curto prazo, o câmbio é só uma das causas do surto de importações. Para começar, há um descompasso entre o crescimento econômico do Brasil, puxado pelo consumo, e o das grandes economias do mundo rico, ainda em recessão ou em recuperação muito lenta e insegura. O mercado ficou mais restrito nos países desenvolvidos e a competição seria mais dura mesmo sem grandes mudanças no quadro cambial. A alteração mais notável nos últimos dois anos foi a depreciação do dólar. As autoridades chinesas tentaram neutralizar esse movimento, mantendo o yuan também subvalorizado. Outros governos, como o japonês e o coreano, têm procurado intervir no mercado cambial, para reduzir as perdas comerciais. No Brasil, o Banco Central (BC) tem comprado grandes volumes de dólares e o Ministério da Fazenda elevou, recentemente, o imposto sobre o investimento estrangeiro em papéis de renda fixa. Mas essas ações têm produzido um efeito muito limitado.

O aumento das importações tem afetado toda a cadeia produtiva e não só a indústria de bens finais de consumo. Também os produtores de componentes vêm sendo prejudicados pela concorrência estrangeira. E as indústrias, na tentativa de se proteger, acabam recorrendo a importações para reduzir seus custos e isso acelera o crescimento das compras externas.

Em dez setores analisados no levantamento da LCA cresceu a participação dos importados no consumo. A lista inclui, entre outros, os segmentos de material eletrônico e de comunicação, de siderurgia, de produtos têxteis, de vestuário, de veículos e de equipamentos de informática.

Globalmente, o desajuste cambial tem sido alimentado principalmente pela grande expansão monetária nos Estados Unidos e pela manutenção, na China, de um câmbio fortemente subvalorizado. As ações de outros governos têm sido principalmente uma resposta ao desafio criado pela competição entre o dólar e o yuan. Pesadas intervenções no mercado, por meio de compras de moedas e títulos estrangeiros ou da imposição de barreiras ao movimento de capitais, têm contribuído para a escalada.

Não há mais como negar a existência de um quadro de conflito. Na União Europeia, o Banco Central da zona do euro tem sido pressionado para deter a valorização da moeda comum.

Só uma solução conjunta poderá atender aos interesses de todos. Mas não há sinal de acordo entre americanos e chineses, os principais causadores da desordem cambial. Enquanto isso, os brasileiros perdem participação em vários mercados - até na América do Sul, onde se amplia a invasão chinesa.

O governo brasileiro ainda dispõe de meios de ação. Poderá recorrer a novas barreiras contra as importações chinesas favorecidas por dumping, assim como poderá ampliar a restrição a investimentos estrangeiros de curto prazo, para diminuir a pressão sobre o câmbio. Ações desse tipo tendem a perder a eficácia num prazo não muito longo, mas podem ser úteis numa emergência.

Baixar os juros poderia reduzir a atração de capitais especulativos, mas o gasto excessivo do governo dificulta a adoção de uma política monetária mais branda. A mudança não é impossível, mas também não é simples. Outras ações poderiam elevar a competitividade dos produtores brasileiros, mas isso dependerá de mudanças mais amplas na política oficial.

OESP – 19.10.2010


Importações derrubam em 37% o saldo acumulado da balança comercial este ano

Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil

Brasília – As exportações brasileiras vêm registrando bom desempenho ao longo do ano, com US$ 154,12 bilhões em vendas e crescimento de 28,9% nos 198 dias úteis contados até a última sexta-feira (15), comparado a igual período do ano passado. Os números divulgados hoje (18) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) condizem com expectativas das autoridades brasileiras, que almejam vendas externas de US$ 180 bilhões em 2010. Acontece, porém, que as importações estão superando todas as estimativas.

Embora em menor volume, US$ 139,93 bilhões até agora, as compras externas evoluíram 44,2% no mesmo período. Essa diferença a maior nas importações em relação às exportações explica a redução de 36,9% no saldo comercial acumulado no ano, de US$ 14,18 bilhões. Enquanto isso, a corrente de comércio (entradas e saídas somadas) atingiu o recorde de US$ 294,05 bilhões, 35,8% a mais que a soma de vendas e compras em igual período de 2009.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) registrou, contudo, uma mudança na tendência comercial nos primeiros dez dias úteis deste mês, quando as exportações contabilizaram US$ 9,191 bilhões contra importações de US$ 7,779 bilhões (saldo de US$ 1,412 bilhão). Na comparação da média diária entre outubro deste ano e outubro de 2009, as vendas nacionais cresceram 37,1% enquanto as compras expandiram 28%.

As exportações do mês foram maiores nos três segmentos de produção, com destaque para os produtos básicos, que tiveram expansão de 66,4% no critério de média diária. A alta é explicada principalmente pelo aumento dos preços internacionais de minério de ferro, soja em grão, café em grão, fumo em folhas, milho em grão e carnes bovina, suína e de frango.

Nos semimanufaturados, o aumento foi de 20,8%, motivado principalmente pelas vendas de ouro, celulose, óleo de soja, açúcar em bruto, couros e peles. Entre os produtos manufaturados, que venderam 17,4% a mais no período, os maiores volumes exportados foram de açúcar refinado, autopeças, automóveis, bombas e compressores, polímeros plásticos, motores e geradores, aviões, óxidos e hidróxidos de alumínio.

Edição: Vinicius Doria

Agência Brasil – 18.10.2010


Em Marselha, o lixo se acumula nas ruas e o porto está bloqueado

Protestos se multiplicam na segunda maior cidade da França; greve dos portuários deixa navios à espera no Mediterrâneo

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS - O Estado de S.Paulo
PARIS

Lixo nas ruas, desabastecimento em postos de combustíveis e porto bloqueado são o saldo de múltiplas greves que estão paralisando a segunda maior cidade da França, Marselha.

Segundo associações patronais, só a paralisação no maior porto comercial do país já teria causado uma perda avaliada em ? 600 milhões. E o cálculo não leva em conta as perdas em turismo causadas pela greve na coleta e pelo acúmulo de quatro toneladas de detritos.

A situação mais grave em Marselha é provocada pelos portuários. Cerca de 65 navios estão ancorados no Mar Mediterrâneo à espera de autorização para ancorar e carregar ou descarregar.

A mobilização é mais aguda entre os trabalhadores dos terminais petrolíferos do porto, que reproduzem no sul a greve nacional que provoca desabastecimento em 2,6 mil postos de combustíveis do país. Segundo balanço da instituição responsável pela administração do porto, a Grand Port Maritime de Marseille (GPMM), 28 navios petroleiros, cinco com cargas químicas e oito com gás estariam parados na altura de Fos-sur-Mer, na região marselhesa. Em Marselha, outros 18 petroleiros, dois de produtos químicos e dois de gás estão bloqueados.

Também o transporte marítimo de passageiros é prejudicado por graves de marinheiros de companhias SNCM e CMN, que realizam a rota entre a continente e a ilha da Córsega. Embora seja parte do movimento sindical nacional, a greve dos portuários, que já completa 22 dias, não tem relação direta com a reforma da previdência, mas com outra reforma (a portuária), proposta pelo Palácio do Eliseu.
A situação de caos no Mediterrâneo também começa a atingir Marselha futura Capital Europeia da Cultura de 2013. A exemplo a mobilização realizada em Nápoles, na Itália, em 2008, agora os funcionários dos serviços de limpeza urbana cruzaram os braços.

O resultado são toneladas de lixo nas ruas do balneário, um dos pontos turísticos mais visitados da França. A greve - que afeta o serviço na cidade em média a cada três anos - teve início na terça-feira passada, mas a mobilização começou a se intensificar no fim de semana.
Ontem, o sindicato lançou nota afirmando que "o espectro de um bloqueio total da cidade se desenha"

OESP – 19.10.2010


Taxa cambial depende da política monetária atual

Existe um certo consenso entre os observadores econômicos de que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá a taxa Selic em 10,75% até o final do ano. Baseia-se na ideia de que não se muda a taxa básica de juros na véspera de eleição presidencial. E a última reunião do Copom será muito perto do Natal. No entanto, há um acúmulo de dados em relação à inflação que justificariam elevar a taxa Selic, na tradição do Copom.

A pesquisa Focus, divulgada ontem, trouxe uma revisão para cima nas previsões dos quatro índices de preços para 2010 e 2011. O índice geral de preços IGP-10 para outubro, divulgado na mesma data, mostrou aumento de 1,15%, ante 1,12% no mês anterior, assinalando que os produtos agrícolas tiveram uma grande responsabilidade nessa alta, mas a valorização do real ante o dólar, que favoreceu um aumento das importações, teve papel importante na contenção dos preços.

O governo continua estudando medidas para reduzir o influxo de capitais estrangeiros para o País - causa da valorização - e pretende intervir nas regras do mercado futuro da BM&F, sem querer reconhecer que o fator principal desse influxo está na atual conjuntura internacional, caracterizada por um excesso de liquidez e pela falta de oportunidades de aplicação nos países do Primeiro Mundo, com taxas de juros quase nulas, enquanto o Brasil oferece remuneração de 10,75% - que, mesmo com o IOF de 4%, ainda é muito atrativa.

O que está em questão é a função da própria taxa Selic, que, incontestavelmente, teve um papel importante ao nos proteger da crise financeira mundial de 2008/2009. Atualmente, ela não só atrai capital estrangeiro em excesso, como contribui para aumentar o déficit público, pois o governo paga essa taxa para captar recursos no mercado interno e ela serve de base para juros na economia nacional.

Diante de uma nova realidade, parece necessário rever a taxa básica - a mais alta do mundo - e examinar se não se pode recorrer, paralelamente, a outros instrumentos de política monetária para conter pressões inflacionárias que, no Brasil, têm duas fontes principais: o déficit público e o excesso de demanda doméstica.

Poder-se-ia, por exemplo, recorrer a uma elevação do recolhimento compulsório sobre os depósitos para reduzir o crescimento dos empréstimos às famílias, com o compromisso paralelo do governo de diminuir seus gastos correntes.

Caindo a taxa básica, podemos ter certeza de que haveria desvalorização do real. Só as preocupações eleitorais impedem esse salto.

OESP – 19.10.2010


Meirelles diz que governo está atento para evitar efeitos colaterais da valorização do real

Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse hoje (18) que o governo tem acompanhado com atenção o fluxo cambial e afirmou que, sempre que necessário, tomará medidas para evitar danos à economia brasileira. “O risco seria grande se não existisse uma ação prudencial a respeito”, disse Meirelles logo após participar de encontro da Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel), em um hotel da zona sul de São Paulo.

“Compete às autoridades de cada país prevenir a formação de bolhas [de ativos]", ponderou Meirelles, referindo-se aos efeitos da política norte-americana de manutenção de juros em baixa, o que tem provocado maior ingresso de dólares com o movimento de investidores estrangeiros no mercado financeiro brasileiro.

Uma das ações citadas por ele é o enxugamento da liquidez, que tem levado ao acúmulo de reservas internacionais, que já atingem US$ 280,096 bilhões. Ele lembrou que o ganho obtido pelo Brasil no período da crise financeira de 2008 ultrapassou o custo de carregamento das reservas. No início do mês, o governo também reforçou a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como forma de evitar a entrada excessiva de dólares.

O presidente do BC observou que essa não é uma preocupação exclusiva do Brasil. A desvalorização do dólar também preocupa outros países emergentes e até nações ricas como a Suíça e o Japão.

Meirelles reiterou a importância de um acordo multilateral para que haja maior garantia contra situações de crise que possam implicar em riscos sistêmicos, mas disse que “isso será discutido no devido tempo”.

Edição: Lana Cristina

Agência Brasil – 18.10.2010


Para especialistas, medidas cambiais são incertas

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - Os efeitos das novas medidas anunciadas ontem pelo governo para conter a valorização do real ainda são incertos, segundo especialistas do mercado financeiro. Eles aguardam os detalhes da regulamentação para fazer uma avaliação mais precisa. As dúvidas principais referem-se à mudança das regras no mercado futuro, onde o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) da chamada margem subiu de 0,38% para 6%. Nem mesmo a BM&FBovespa compreendeu a mudança.

"Estamos esperando a publicação para entender melhor a incidência", afirmou o presidente executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto. Ele lamentou a decisão do governo, porque acredita que os investidores vão migrar para outras opções disponíveis no mercado, que não são reguladas (e controladas) como o ambiente da BM&FBovespa. "Ainda estou tentando entender o racional do governo, porque na Bolsa os riscos são mitigados e se evita o risco sistêmico. Aqui, o governo sabe exatamente o tamanho das posições."

O governo avalia que a maior parte da pressão sobre o real vem das operações no mercado futuro, argumento que é rechaçado pelo presidente da Bolsa. No fim da semana passada, estrangeiros tinham cerca de US$ 13 bilhões em apostas pela alta do real. O diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme, também não entendeu as medidas na prática. Segundo ele, não está claro como será a incidência do IOF de 6% (em vez dos 0,38% anteriores).

A margem é uma garantia que os agentes que operam no mercado futuro têm de deixar depositadas. Seu objetivo é proporcionar segurança aos negócios. Em geral, a maioria desses agentes usa títulos públicos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

OESP – 19.10.2010


Mercado reage a novo IOF e dados dos EUA

Eduardo Campos Valor

SÃO PAULO - A terça-feira tem fraca agenda de indicadores, com destaque para os números do mercado imobiliário americano. No entanto, o dia deve ser de ajuste nos mercado de dólar, juros e outros contratos futuros.

O governo deu mais um passo para tentar conter a valorização do real. Ontem à noite, foram anunciadas mais duas medidas. A alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide sobre os ingressos externos para mercados financeiros e de capitais sobe de 4% para 6%. No dia 4 de outubro, essa taxa tinha subido de 2% para 4%.

A outra medida pega as operações de câmbio feitas por estrangeiros que querem investir no mercado futuro. O IOF dos depósitos de margem, que era de 0,38%, subiu para 6%. Esse depósito de margem é uma exigência que a BM&FBovespa faz para o investidor que quer operar os contratos futuros negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). As novas taxas passam a valer hoje.

De acordo com comunicado do Ministério da Fazenda, esse aumento de tributação busca reduzir a “volatilidade dos fluxos cambiais, desestimulando a realização de operações financeiras de curto prazo, concorrendo para reduzir a pressão sobre a taxa de câmbio”.

De volta aos indicadores, nos Estados Unidos, será conhecida a construção de novas moradias em setembro, que deve mostrar queda de 2,5%. Também é divulgada a demanda por alvarás de construção.

Antes disso, são divulgados os índices de sentimento econômico na Alemanha e na zona do euro. Por aqui, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apresenta sua leitura semanal para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a Fundação Getulio Vargas (FGV) apresenta o IPC nas capitais. À tarde, a Receita apresenta a arrecadação de setembro.

Também está agendado um discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano, Ben Bernanke, mas isso só ocorre às 18 horas.

No campo corporativo atenção aos números do Goldman Sachs, Johnson & Johnson, Coca-Cola e Yahoo.

O dia é mais movimentado amanhã. Por aqui, os agentes assimilam o Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) de outubro e uma nova prévia para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) enquanto aguardam a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). Nos Estados Unidos, atenção ao Livro Bege, do Fed.

(Eduardo Campos Valor)

Valor Econômico – 19.10.2010


Dólar comercial sobe reagindo a mais IOF

Investidores avaliam as medidas cambiais anunciadas ontem à noite pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega

Cristina Canas, da Agência Estado

SÃO PAULO - O mercado doméstico amanhece fazendo contas, tentando avaliar o impacto das medidas cambiais anunciadas ontem à noite. Entre a maioria dos operadores, no início desta manhã, o sentimento é de que, enquanto ainda há dúvidas sobre o custo adicional criado pelas mudanças, os investidores farão um ajuste de alta nas cotações do dólar. Até porque, ainda que venham a se mostrar pouco eficientes para elevar o valor da moeda norte-americana no decorrer do tempo, o consenso é de que as novas regras não são inócuas e exigirão, no mínimo, um ajuste inicial. Por volta das 9h58, o dólar comercial subia 1,20%, a R$ 1,684.

As maiores incertezas recaem sobre o aumento do IOF sobre as margens de operações com derivativos cambiais, que pulou de 0,38% para 6%. Para o operador da Interbolsa, Ovídio Pinho Soares, "é difícil mensurar o efeito disso, mas a considerar o número real, a alteração é pesada". Numa conta grosseira, o especialista lembra que, num depósito de margem de R$ 1 milhão, a alíquota anterior representava R$ 3,8 mil e, agora, passará a ser de R$ 60 mil. "A diferença é grande, mas a mudança de estratégia depende da disponibilidade de caixa do investidor e da aposta", disse.

O operador da Renascença, José Carlos Amado, também diz que ainda há dúvidas sobre as próprias medidas e sobre seus efeitos, mas aposta numa correção para cima nas cotações durante o pregão desta terça-feira. "O mercado vai ajustar para cima e as operações de arbitragem devem estancar, de início", disse. Ainda assim, tanto Amado quanto Soares avaliam que a tendência de queda do dólar vai continuar, já que ela é internacional.

Em relatório a clientes, a MCM Consultores Associados ressalta que uma "alternativa para fugir do IOF sobre o câmbio para depósitos de margem poderá ser a utilização de fiança bancária", já que esse instrumento ficou de fora da incidência do imposto. Ainda assim, os analistas da MCM ressaltam que o aumento de procura por fiança bancária deve causar "algum impacto em seu custo".

Para a consultoria, o impacto sobre a taxa de câmbio será modesto, pois "as operações preferidas dos investidores estrangeiros são aquelas de maior prazo". Nos cálculos da MCM, a rentabilidade das operações com prazos superiores a dois anos continuam atraentes, mesmo com o IOF de 6%. Já Soares avalia que o governo mira os especuladores de curto prazo que, a seu ver, são "o grande volume do dólar futuro". "Com mais 2% na renda fixa e 6% nas margens, as operações de curto prazo ficam inviabilizadas", avalia.

Lá fora, hoje, a trajetória do dólar diante de outras moedas emergentes contribui com o esforço do governo brasileiro de limitar a valorização do real. A moeda norte-americana sobe diante de outras divisas.

Agência Estado – 19.10.2010


Brasil e China são inimigos no câmbio

DE SÃO PAULO

"Na guerra cambial, o Brasil não pode ficar do lado da China, país que roubou milhões de empregos por praticar um capitalismo desleal, com subsídios tributários, trabalhistas e cambiais." A afirmação é do economista Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de comércio exterior da Fiesp, em entrevista ao repórter Toni Sciarreta para a Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Segundo o economista, é "escandalosa" a carona da China na desvalorização mundial do dólar.

Folha de São Paulo – 19.10.2010


FMI nega que haja guerra de divisas

DA EFE, EM XANGAI

O primeiro subdiretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), John Lipsky, negou nesta segunda-feira que esteja ocorrendo uma guerra de divisas, apesar das muito baixas taxas de juros nas economias mais avançadas do planeta, pois são medidas "orientadas à situação doméstica".

Lipsky participou de uma entrevista coletiva à imprensa junto a Yi Gang, vice-presidente do Banco Popular da China, após a reunião organizada pelas duas instituições em Xangai sobre "Políticas Macroprudenciais, uma Perspectiva Asiática", com presença de dirigentes bancos centrais de alguns países.

O encontro foi presidido pelo diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, e pelo governador do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, mas nenhum deles concedeu entrevista à imprensa e foram seus subordinados diretos os que explicaram as conclusões do dia.

"Virtualmente todas as economias avançadas estão caindo a juros de quase 0%", ressaltou Lipsky. "O impacto dessa política nessas economias, no contexto de um baixo crescimento e uma muito baixa inflação, ainda é incerto".

"Claramente", continuou, "essas políticas estão voltadas à situação doméstica, não a implicações internacionais".

O subdiretor do FMI destacou que "a política monetária e fiscal nas economias avançadas e as políticas orçamentárias e estruturais nas dinâmicas economias emergentes" devem ser discutidas "de maneira exaustiva e coerente, em vez de nos atermos a um só aspecto".

Para evitar uma guerra de divisas, ele considera necessário "o reequilíbrio das fontes de crescimento, longe da política orçamentária e de estímulos orçamentários", mas fomentando a iniciativa privada.

Dessa maneira, as economias emergentes devem se concentrar em "desenvolver a demanda doméstica", enquanto as "econômicas com um deficit persistente" devem tentar "melhorar sua rede de exportações por meio das políticas nacionais apropriadas".

"Esta é a maneira adequada de ver este assunto e a maneira de nos assegurar que não haverá uma guerra de divisas", concluiu Lipsky.

Por sua vez, em discurso a portas fechadas e posteriormente divulgado à imprensa, Strauss-Kahn reiterou que o século XXI "pode ser o século da Ásia", mas que, "com isso, vem uma grande responsabilidade, para guiar e tornar própria a agenda de colaboração" necessária para tornar mais seguro o sistema financeiro mundial.

"Segundo as tendências atuais, a economia da Ásia poderia ser tão extensa como a dos Estados Unidos e da União Europeia juntas para 2015", afirmou a autoridade máxima do FMI.

Ele lembrou também que a Ásia tem uma "importante voz" não somente no Grupo dos 20 (G20, países ricos e emergentes), mas também no FMI, que está "em vias de dar mais influência aos mercados emergentes dinâmicos".

Strauss-Kahn destacou, no entanto, que muitos consideram os pedidos de "responsabilidade" uma indireta para a China, acusada por seus parceiros comerciais de manter sua moeda artificialmente desvalorizada.

Na origem do que se começou a chamar de "guerra de divisas" está a China, com sua política de manter o yuan depreciado, apesar das acusações de que Pequim o faz para favorecer suas exportações.

A postura do coverno chinês levou outros países asiáticos, como Japão e Coreia do Sul, a tomarem medidas similares, enquanto países emergentes como Brasil, Índia, Peru e Tailândia gozam de pujança econômica - ausente em países desenvolvidos - após a crise financeira global.

Isso está provocando uma chegada em massa de investimentos estrangeiros que empurram suas moedas para cima, e os países tentam controlar a valorização de suas divisas para não perder competitividade.

Neste contexto, Yi assinalou que, na China, "continuaremos a reforma de nosso regime cambial de maneira gradual". Sobre o yaun disse esperar "que se mantenha estável e próximo a uma taxa de juros determinada pelo mercado".

"Temos de continuar nossa política para termos certeza de que a economia crescerá e que a recuperação será sustentável", ressaltou.

A China buscará se transformar em uma economia mais voltada à demanda interna, o que coincide com seus planos para o progressivo desenvolvimento rural no vasto interior do país.

Lipsky e Yi disseram que a principal conclusão do encontro desta segunda-feira é que há bastante consenso entre os 187 países-membros do FMI sobre a ideia de que é necessário continuar a "cooperação global" para desenvolver políticas que permitam construir um sistema financeiro mundial mais seguro que antes da crise.

Folha de São Paulo – 19.10.2010


Alta das moedas dos países asiáticos ameaça crescimento na região

DA FRANCE PRESSE, EM TÓQUIO

A profusão de capitais na Ásia oriental provocou uma forte valorização das moedas locais, o que pode afetar as exportações destes países e ameaçar o crescimento, adverte o Bird (Banco Mundial) em um relatório sobre as economias regionais.

"A grande entrada de capitais na região, combinada com pressões inflacionárias e a alta dos preços imobiliários representam um desafio político e um risco crescente para a estabilidade macroeconômica da Ásia", afirma o documento.

Provocado pelas baixas taxas de juros nos países ocidentais e pela confiança dos investidores nas economias asiáticas, esta torrente de dinheiro é a principal responsável pela alta de 10 a 15% da cotação da moedas da região na comparação com o nível anterior à crise, em termos reais, segundo o Bird.

Entre as divisas asiáticas, o relatório destaca, no entanto, que o yuan chinês progrediu de maneira moderada, ao redor de 4% em relação às moedas de seus parceiros comerciais no decorrer do ano.

O governo dos Estados Unidos acusa a China de conter a valorização do yuan para conquistar mercados externos. Analistas temem uma "guerra cambial" em escala mundial, na qual cada país tentaria desvalorizar a própria moeda para reforçar a competitividade de suas empresas no exterior.

As exportações da Ásia oriental continuam "vigorosas" no momento, afirma o Bird, "mas uma persistência da valorização de suas moedas pode reduzir seu crescimento".

A região, que compreende a China e o sudeste asiático (sem Japão e Coreia do Sul) é a locomotiva da economia mundial, com um crescimento de 8,9% esperado para 2010 e de 7,8% em 2011. Uma desaceleração pode ter consequências em escala planetária. A China deve crescer 9,5% em 2010 e 8,5% em 2011, segundo o Bird.

Para limitar os riscos, o Banco Mundial sugere que estes países tenham um enfoquem comum dentro da Asean (Associação de Países do Sudeste Asiático), que reúne 10 países da região, e da Asean+6, que também inclui China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Nova Zelândia e Austrália.

A próxima reunião dos dois fóruns acontecerá no fim de outubro em Hanói.

Folha de São Paulo – 19.10.2010


Coreia não está intervindo no mercado de câmbio, afirma ministro

Governo está preparando, porém, medidas para lidar com potenciais problemas causados pelos pesados fluxos de entrada de capital no país, segundo Ministério de Finanças

Danielle Chaves, da Agência Estado

SEUL - O ministro de Finanças da Coreia do Sul, Yoon Jeung-hyn, afirmou que o governo não está intervindo no mercado de câmbio para enfraquecer a moeda local, o won, em relação ao dólar. O ministro disse, no entanto, que o governo está preparando medidas para lidar com potenciais problemas causados pelos pesados fluxos de entrada de capital no país.

"O governo não está desviando sua política cambial para promover as exportações do país. Nós vamos apenas deixar a taxa de câmbio se mover em linha com os fundamentos econômicos do país e com as condições de oferta e demanda", disse o ministro durante uma audiência parlamentar. Suspeita-se que o Banco da Coreia tem comprado dólares nos últimos meses para desacelerar os ganhos do won, que avançou cerca de 15% diante da moeda norte-americana desde as mínimas atingidas em maio.

No entanto, o ministro observou que as autoridades vão agir se o mercado ficar excessivamente inclinado para um lado. Segundo a agência de notícias Yonhap Infomax, o ministro afirmou na audiência que, além das restrições já anunciadas para as posições de câmbio futuras dos bancos, o governo está preparando outras medidas, embora agora não seja um bom momento para revelá-las. As informações são da Dow Jones.

Agência Estado – 19.10.2010


Banco Mundial culpa EUA por fluxo de capital a emergentes

DA REUTERS, EM TÓQUIO

O salto dos fluxos de capital ameaça a estabilidade econômica da Ásia, disse o Banco Mundial nesta terça-feira.

O banco ressaltou o argumento defendido pela China e por outros países de que as políticas norte-americanas estão causando uma onda de fluxo de capital para os mercados emergentes, abatendo a competitividade das exportações desses países, elevando a inflação e formando bolhas de ativos.

"Estamos vendo um esforço do leste da Ásia em desenvolvimento para lidar com as grandes quantias de liquidez resultantes, em grande parte, do afrouxamento monetário nos Estados Unidos", disse Vikram Nehru, economista-chefe do Banco Mundial para a região Ásia-Pacífico.

"As autoridades da Ásia precisam tomar precauções adequadas para assegurar que não repitam os mesmos erros duas vezes em pouco mais de uma década", acrescentou ele, referindo-se à crise asiática de 1997/1998.

Folha de São Paulo – 19.10.2010


Deficit em conta corrente sobe em agosto na zona do euro

DA FRANCE PRESSE, EM FRANKFURT

O deficit em conta corrente da zona do euro chegou a 7,5 bilhões de euros (US$ 10,4 bilhões) em agosto, quase o dobro do que foi registrado em julho, segundo dados provisórios divulgados pelo BCE (Banco Central Europeu).

O deficit de julho foi de 4,1 bilhões de euros (US$ 5,74 bilhões), de acordo com dados revisados para cima e divulgados nesta terça-feira (o cálculo inicial era de um deficit de 3,8 bilhões de euros).

A conta das transações correntes mede os negócios de bens e serviços de um país ou uma região com o exterior (inclui balança comercial, contas de serviços e remessas) e sua evolução é acompanhada de perto pelos investidores e parceiros comerciais.

Nos últimos 12 meses, a zona do euro, formada por 16 dos 27 países da UE (União Europeia), registrou um deficit em conta corrente de 48,6 bilhões de euros (US$ 67,99 bilhões), equivalentes a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).

A balança de pagamentos, que inclui a conta corrente, a conta de capitais (com investimentos estrangeiros diretos) e a conta financeira, sofreu um deficit de um bilhão de euros (US$ 1,4 bilhão).

Folha de São Paulo – 19.10.2010

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