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Estados Unidos dobram superavit no comércio com o Brasil
ÁLVARO FAGUNDES
DE SÃO PAULO
Os EUA dobraram o superavit no comércio com o Brasil (um dos poucos países para quem vende mais do que importa), acentuando a tendência iniciada há dois anos.
Nos cinco primeiros meses deste ano, os EUA venderam US$ 4,1 bilhões mais do que compraram do Brasil, aumento de 99% em relação ao mesmo período de 2009.
Esse resultado mostra que o Brasil está na contramão no comércio com os EUA, já que a maioria dos países tem superavit com a maior economia global, e não o contrário. Só de janeiro a maio os EUA acumulam deficit no comércio de US$ 258 bilhões.
Com isso, o Brasil caminha para ter o terceiro ano consecutivo de contas negativas com os EUA, que perderam no ano passado para a China o posto de maior destino das exportações do país, mas que recebem cerca de 10% dos produtos nacionais.
Comparando os dados de 2007 (último ano em que o Brasil teve superavit) com os atuais, alguns produtos brasileiros --especialmente manufaturados-- perderam muito espaço nas exportações para os EUA, como aviões, calçados, ouro e laminados de ferro ou aço.
Folha de São Paulo – 14.07.2010
Preço das importações cai 1,3% em junho nos EUA
DANIELLE CHAVES Agencia Estado
WASHINGTON - Os preços das importações nos Estados Unidos caíram 1,3% em junho, em comparação com maio, segundo informou hoje o Departamento de Trabalho do país. O recuo foi o segundo consecutivo e esta é a primeira vez que isso ocorre desde o começo de 2009. Economistas esperavam queda menor, de 0,4%. Em relação a junho do ano passado, os preços das importações subiram 4,5%, bem menos que a alta anual de 8,7% registrada em maio.
De acordo com o Departamento de Trabalho, o dado de maio foi revisado para mostrar queda de 0,5% em comparação com abril, em vez do declínio de 0,6% informado anteriormente. Os preços das importações de petróleo caíram 4,4% em junho ante maio, mas subiram 11,7% ante junho do ano passado. Excluindo petróleo, os preços recuaram 0,5% em relação a maio.
Na comparação entre junho e maio, os preços dos bens importados da União Europeia declinaram 0,9% - a maior queda desde dezembro de 2008. Com relação aos bens importados do Japão houve alta de 0,1%, enquanto com relação aos produtos da China houve queda de 0,3% - a maior desde janeiro. Os preços dos bens do Canadá diminuíram 0,6% - o maior declínio desde fevereiro de 2009 - e os do México cederam 0,8%. As informações são da Dow Jones.
Agencia Estado – 14.07.2010
Brasileiros e europeus se reúnem na tentativa de retomar negociação entre Mercosul e EU
Da Agência Brasil
Brasília - Representantes do Brasil e da União Europeia participam hoje (14) de uma série de discussões na busca por acordos econômicos, depois da paralisação dos debates comerciais com o Mercosul. A crise fiscal que atingiu a Grécia e que ameaça outros países da região acabou provocando um recuo nas negociações sobre um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. As informações são da BBC Brasil.
Devem ser assinados acordos entre o Brasil e a União Europeia de cooperação no esforço de facilitar os negócios entre a brasileira Embraer e os países europeus.
As conversas sobre um possível acordo estão suspensas desde 2004 e voltaram à tona no final do ano passado, quando a União Europeia demonstrou interesse em avançar no tema. Ainda sob o impacto da crise financeira internacional, a União Europeia ainda não conseguiu retomar o ritmo de importações registrado antes da turbulência.
No primeiro semestre, as exportações brasileiras para a região somaram US$ 19,2 bilhões, valor ainda abaixo dos US$ 22,1 bilhões do mesmo período em 2008, antes do agravamento da crise. Em entrevista a agências internacionais, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, disse não acreditar na possibilidade de retomada das conversas ainda neste ano.
“Vamos trabalhar para isso, mas é difícil”, disse o ministro. Segundo ele, países como França, Polônia e Irlanda estão entre os mais reticentes a uma liberalização comercial, que certamente afetará seus produtores agrícolas.
Segundo Miguel Jorge, a retomada das conversas conta com o apoio de Espanha e Itália – dois países mais simpáticos a um acordo com o Mercosul. Mas, de acordo com ele, isso não deve ser suficiente para superar um ambiente político “desfavorável” no qual se encontra a Europa.“Os agricultores sempre são muito fortes, especialmente na França. E na crise esse cenário fica pior”, disse o ministro.
No âmbito do Mercosul, o Brasil já tem um acordo assinado com Israel e, segundo Miguel Jorge, “há chances” de um acordo com a Turquia ser firmado ainda este ano.
O Itamaraty informou que a cúpula será uma oportunidade para a “troca de impressões” entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, em temas regionais e internacionais.
Um deles é a situação política em Honduras. O país está suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA), desde o golpe de Estado em junho de 2009, e com isso o presidente hondurenho, Porfírio “Pepe” Lobo, espera o reconhecimento do Brasil e de outros governos. Os europeus defendem ser necessário o voto de confiança ao presidente eleito em janeiro.
Edição: Talita Cavalcante
Agência Brasil – 14.07.2010
Para CNI, Mercosul dificulta acordos bilaterais
CÉLIA FROUFE Agencia Estado
BRASÍLIA - A realização de acordos bilaterais brasileiros tem sido rara em grande parte por conta da união do País com outras nações do Mercosul. A avaliação foi feita hoje pelo presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade. "Muito (dessa participação pequena do Brasil em acordos bilaterais) é porque tem que ser por meio do Mercosul. Isso tem dificultado um pouco os acordos", disse, após discurso no 4º Encontro Empresarial Brasil-União Europeia, realizado pela entidade no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
Andrade salientou que o bloco americano acaba fortalecendo as negociações quando elas conseguem sair do papel. "Mas seria mais fácil se estivéssemos sozinhos", comentou. Isso porque, além de divergências com o país em negociação, é preciso tratar primeiro da falta de consenso interno. "Há divergências entre Brasil e Argentina, e com o Paraguai, e com o Uruguai...", citou.
O presidente da CNI falou ainda sobre o que parece ser o mote do encontro realizado em Brasília: a insatisfação doméstica com o protecionismo de mercado adotado por países desenvolvidos. "Temos enfrentado problemas com outros países, que têm se fechado", disse, salientando que o aumento do número de barreiras tarifárias é o maior exemplo dessa movimentação. "Precisamos discutir isso para abrir mercados para as empresas brasileiras."
Na avaliação do empresário, as negociações estão em ritmo muito lento. "É preciso avançar mais", afirmou. Ele admite que parte dos atrasos nas negociações se dá ainda por conta dos reflexos da crise financeira internacional. Mas, além disso, o presidente da CNI voltou a citar dois pontos que são vistos como obstáculos para a produção: a valorização do real e a elevada carga tributária.
Andrade mostrou ainda insatisfação com o aumento das exportações de commodities brasileiras acima dos produtos manufaturados. "O Brasil precisa exportar mais manufaturados", avaliou. Por isso, segundo ele, a importância do encontro de hoje. Para o executivo, o crescimento do mercado doméstico tem atraído empresas multinacionais, mas o que se quer é fazer o caminho de volta, para que o Brasil tenha mais representatividade no comércio mundial.
Agencia Estado – 14.07.2010
Crise da UE facilita acordo bilateral, dizem portugueses
CÉLIA FROUFE Agencia Estado
BRASÍLIA - A crise pela qual passa a União Europeia (UE) tende a levar o bloco a ser mais flexível nas negociações bilaterais com países e outros blocos econômicos, como o Mercosul. A avaliação é do presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), Jorge Rocha de Matos, que participa hoje do 4º Encontro Empresarial Brasil-União Europeia, realizado em Brasília. "A crise deve facilitar as negociações", disse.
Matos salientou que, durante encontro empresarial dos dois blocos, realizado em dezembro de 2008, no Rio de Janeiro, quando os acordos estavam em situação de impasse, ele chegou a dizer que, se não houvesse entendimento das duas partes, a UE deveria abrir um canal direto de negociação com o Brasil. "Mas isso não foi preciso porque recentemente estabeleceu-se um acordo", comentou. Ele também procurou mostrar otimismo em relação ao andamento do processo nos próximos meses. "Acredito que agora vá andar, principalmente com a crise que se estabeleceu do lado de lá", disse.
Agencia Estado – 14.07.2010
Saída de dólares bate entrada por US$ 1,2 bi até segunda semana de julho
O Banco Central informou que o fluxo cambial do país (diferença entre saídas e entradas de dólares) está negativo em US$ 1,237 bilhão até a segunda semana deste mês. Em julho do ano passado, considerando o mesmo período (sete dias úteis), as entradas de dólares superavam as saídas por US$ 400 milhões.
Tanto a conta comercial (exportações e importações) quanto a conta financeira (movimentações de bancos) ajudaram no resultado. O primeiro teve saldo negativo de US$ 574 milhões e o segundo, de US$ 662 milhões.
No acumulado deste ano, o fluxo cambial é positivo em US$ 2,127 bilhões, ante US$ 3 bilhões no período de janeiro a julho de 2009.
A autoridade monetária também revelou que adquiriu US$ 518 milhões (no mercado à vista) nas duas primeiras semanas do mês, período em que o dólar caiu de R$ 1,80 para R$ 1,76. No mês anterior, as intervenções do BC no mercado de "dólar pronto" somaram US$ 1,9 bilhão.
O BC também informou que os bancos mantinham US$ 9 bilhões em posições vendidas (que ganham com a queda das taxas de câmbio), ante US$ 3 bilhões no mês anterior.
Folha de São Paulo – 14.07.2010
CRA decide manter licitação para criação de portos secos
A exploração dos chamados portos secos, os armazéns alfandegários destinados à movimentação e guarda de mercadorias sob controle aduaneiro, poderá continuar sendo concedida por meio de processo de licitação pública. É o que decidiu a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) nesta terça-feira, contrariando decisão anterior da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), que aprovou a mudança de outorga dos portos secos no Brasil, que passariam a depender de licença.
O projeto original (PLS 327/06) alterava o regime jurídico dos portos secos, que passariam a ser chamados de Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros (Clias). A proposta acabava com a exigibilidade de licitação pública para a criação dos portos secos, que, agora, como Clias, passariam a depender de licença.
Esse projeto, de autoria do então senador João Alberto Silva, inspirou-se na Medida Provisória (MP) 320/06, que tinha o mesmo objetivo, mas não foi aprovada por não haver atendido ao requisito constitucional da urgência. Na época, o governo argumentava que pretendia, com essa MP, melhorar a logística do comércio exterior, facilitando o fluxo de mercadorias no país.
Por discordar do entendimento da CI, o relator da matéria na CRA, o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) apresentou um substitutivo mantendo a atual exigência de licitação pública para os recém-criados Clias. Ele argumentou que a atividade exercida pelos portos secos constitui serviço público a ser prestado pelo Estado - não podendo, portanto, ser oferecido sob regime privado.
"O projeto, tal como aprovado pela CI, poderá ensejar o enfraquecimento do controle aduaneiro, deixando o país vulnerável, na contramão da prevenção ao contrabando e ao descaminho", diz Zambiasi em seu substitutivo.
Voto separado
Autor de um voto em separado, o senador Osmar Dias (PDT-PR) defendeu a manutenção do texto aprovado pela CI, que acabava com a licitação e defendia o regime de licenciamento. Ele argumentou que a exploração de porto seco, que opera a atividade de movimentação e armazenagem de mercadorias sujeitas à exportação ou importação, constitui mera atividade logística, que não pode ser confundida com os serviços públicos constitucionalmente impedidos de serem delegados pelo Estado à exploração da iniciativa privada.
"Desde 2002, a Receita Federal não instala um novo processo licitatório no país, exatamente por sua incapacidade de se impor contra os interesses das atuais empresas em operação", afirmou Osmar Dias, que expôs aos demais membros da CRA os entraves existentes hoje, no Paraná, devido a processos impetrados na Justiça contra licitações em andamento.
O presidente da Comissão, senador Valter Pereira (PMDB-MS), lembrou que em audiência pública realizada para se discutir o assunto, foi levantada a hipótese de ocorrer, no Brasil, um "apagão alfandegário", por falta de portos secos.
O projeto será ainda apreciado por outras três comissões: Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e Assuntos Econômicos (CAE).
Fonte: Agência Senado
A Tribuna – 13.07.2010
Países europeus captaram quase o necessário para honrar dívida de 2010
Boa recepção dos leilões deve reduzir a preocupação dos investidores com os problemas de crédito europeus no curto prazo
Danielle Chaves, da Agência Estado
FRANKFURT - Os países mais debilitados da zona do euro já concluíram a captação dos recursos necessários para cumprirem quase todas as suas obrigações de dívida deste ano, o que deve reduzir a preocupação dos investidores com os problemas de crédito europeus no curto prazo. Hoje Portugal vendeu um valor acima do esperado em bônus do governo. O clima favorável também ajudou Alemanha e Itália, que realizaram leilões bem recebidos pelo mercado.
O leilão do governo da Alemanha de notes federais de 2,25% para abril de 2015, ou bobl, atraiu demanda sólida, em contraste com o que ocorreu no leilão dos mesmos papéis feito em maio. O Bundesbank, banco central alemão, recebeu 7,20 bilhões de euros em propostas pelos papéis e vendeu um montante de 4,03 bilhões de euros. O yield (retorno ao investidor) médio ficou em 1,60%, acima da taxa de 1,47% oferecida em maio.
A Itália vendeu um total de 6,76 bilhões de euros em três BTPs, com vencimentos em 2015, 2040 e 2023, dentro da faixa pretendida, que ia de 5,25 bilhões de euros a 7,25 bilhões de euros. Mais cedo, Portugal vendeu 1,68 bilhão de euros em bônus, acima do valor planejado de até 1,5 bilhão de euros.
A gradual diminuição dos receios com os governos mais fracos da zona do euro, incluindo Portugal e Espanha, as captações recentes e a inexistência de grandes obrigações de dívida no restante do ano foram alguns dos motivos que pavimentaram o caminho para a boa recepção dos leilões realizados hoje.
Fora um pagamento de dívida pela Espanha no fim do mês - que parece ter sido seguramente financiado pela emissão de bônus realizada no início de julho -, Irlanda, Portugal, Grécia e a própria Espanha agora têm poucos pagamentos de tamanho significativo e apenas pequenos pagamentos de juros a fazer no restante deste ano, como observou o Credit Agricole CIB.
Isso vai reduzir os receios do mercado com a questão de liquidez enfrentada por esses países. Também é um fator positivo o progresso desses governos no ajuste do orçamento. Assim, os testes de estresse que estão sendo realizados com os bancos europeus parecem ser o principal risco no futuro imediato. As informações são da Dow Jones.
Agência Estado – 14.07.2010
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