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"Custo Brasil" ficou maior
Em crises internacionais passadas, o Brasil sempre se estropiava rapidamente por conta de sua vulnerabilidade externa. Era nossa pior e mais aparente deficiência.
A partir do primeiro governo Lula, isso foi sendo corrigido. O país minimizou seu endividamento atrelado ao câmbio, empilhou reservas cambiais (que já ultrapassam US$ 350 bilhões) e fortaleceu o consumo interno via crédito e aumento da massa de rendimentos e mais empregos.
Foi o que protegeu o Brasil relativamente da Grande Recessão global iniciada em 2008.
Mas agora, infelizmente, a economia brasileira dá sinais cada vez maiores de estar sendo atingida com mais força do que muitos previam.
A movimentação do Ministério da Fazenda contra entrada de automóveis mexicanos e outras medidas protecionistas são o principal sintoma disso.
A crise global de hoje está sendo combatida pelos EUA e União Europeia por meio de uma oferta sem precedentes de dinheiro barato pelos seus Bancos Centrais. Isso faz com que outras moedas, como o real, acabem se valorizando, trazendo uma série de problemas.
No caso do Brasil, os efeitos da valorização do real são amplificados por um conjunto de deficiências que, ao contrário da vulnerabilidade externa, não foi atacado nos últimos anos.
É o velho "custo Brasil": burocracia e impostos muito altos e infraestrutura ruim que acabam refletidos nos preços que pagamos no dia a dia.
Já é lugar-comum comentarmos que o Brasil está caro. O recorde de gastos de brasileiros com compras no exterior em 2011 é o lado mais pitoresco disso.
Mas há movimentos "subterrâneos" muito mais graves. E que expõem, neste momento, o quão atrasado e deficiente o Brasil ainda segue.
Por conta do "custo Brasil", quem pode busca alternativas mais baratas. Como os brasileiros que infestam as lojas de Miami e Nova York ou os que, internamente, acabam preferindo produtos importados.
No ano passado, enquanto as vendas do comércio subiram 6,5% acima da inflação, a produção da indústria nacional cresceu só 0,3%. E a produção industrial de bens de consumo caiu 0,7%.
Isso mostra que comércio, consumidores e mesmo a indústria estão recorrendo cada vez mais a importados baratos para satisfazer suas necessidades.
O país não vai longe assim.
O governo brasileiro gosta de apontar para os EUA e Europa como grandes responsáveis por isso, por desvalorizarem suas moedas e, por tabela, fortalecerem o real.
Mas isso não tem nenhuma relação com impostos, juros e "spreads" bancários altos, infraestrutura ruim e governos ineficientes e corruptos.
Com a crise, o "custo Brasil", que já era grande, só ficou maior.
Folha de São Paulo – 06.02.2012
Fevereiro começa com superávit de US$ 196 milhões
Brasília (6 de fevereiro) – As exportações brasileiras, na primeira semana de fevereiro (1º a 5), com três dias úteis, foram de US$ 2,604 bilhões, com média diária de US$ 868 milhões. O resultado é 3,8% superior à média de US$ 836,6 milhões, registrada em fevereiro de 2011.
Neste comparativo, houve aumento nas exportações de manufaturados (28,6%), com destaques para energia elétrica, centrifugadores para filtrar e depurar, aviões, automóveis, óleos combustíveis, máquinas e aparelhos para terraplanagem, e partes de motores para veículos e autopeças. Por outro lado, decresceram as vendas de básicos (-13,8%), por conta, principalmente, de petróleo, em bruto, milho em grão, carne bovina, suína e de frango, minério de ferro e farelo de soja, e também de semimanufaturados (-1,7%), devido à retração nos embarques de açúcar em bruto, alumínio em bruto, celulose, catodos de níquel e catodos de cobre.
Na comparação com a média de janeiro deste ano (US$ 733,7 milhões), as exportações tiveram alta de 18,3%, com aumento nas vendas de produtos manufaturados (44,2%), semimanufaturados (7,3%) e básicos (1,8%).
Na primeira semana do mês, as importações somaram US$ 2,408 bilhões, com resultado médio diário de US$ 802,7 milhões. Por esse critério, houve aumento de 3,3% em relação a fevereiro do ano passado (média de US$ 776,9 milhões). Aumentaram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (41,9%), instrumentos de ótica e precisão (35,5%), equipamentos mecânicos (30,9%), plásticos e obras (18,9%), combustíveis e lubrificantes (13,1%), siderúrgicos (10,3%) e farmacêuticos (3,4%).
Na comparação com janeiro de 2012 (média de US$ 792,4 milhões), houve aumento de 1,3% nas aquisições no mercado externo. Houve crescimento, principalmente, nas compras de instrumentos de ótica e precisão (28,4%), equipamentos mecânicos (24,9%), plásticos e obras (17,4%), farmacêuticos (16,6%), e combustíveis e lubrificantes (12,9%).
Com estes dados, a balança comercial brasileira registrou, na primeira semana de fevereiro, superávit de US$ 196 milhões, com média diária de US$ 65,3 milhões. A corrente de comércio (soma das exportações e importações) totalizou US$ 5,012 bilhões, com média diária de US$ 1,670 bilhão. Houve crescimento de 3,5% na comparação com a média de fevereiro de 2011 (US$ 1,613 bilhão) e aumento de 9,5% sobre a de janeiro deste ano (US$ 1,526 bilhão).
Ano
De janeiro à primeira semana de fevereiro deste ano (25 dias úteis), as vendas ao exterior somaram US$ 18,746 bilhões (média diária de US$ 749,8 milhões). O resultado é igual ao aferido no mesmo período de 2011 (US$ 749,8 milhões). As importações no ano estão em US$ 19,841 bilhões, com média diária de US$ 793,6 milhões. O valor é 10,8% maior em relação à média registrada no mesmo período de 2011 (US$ 716,6 milhões).
No acumulado do ano, o saldo da balança comercial está deficitário em US$ 1,095 bilhão, com média diária negativa de US$ 43,8 milhões. A corrente de comércio somou US$ 38,587 bilhões, com média diária de US$ 1,543 bilhão. O valor é 5,3% maior que a média aferida no mesmo período no ano passado (US$ 1,466 bilhão).
Acesse as informações da primeira semana de fevereiro
MDIC – 06.02.2012
Greve do setor aéreo causa atrasos e cancela voos na França
DA FRANCE PRESSE, EM PARIS
Atrasos e cancelamentos de voos afetavam nesta segunda-feira os aeroportos franceses por conta de uma greve convocada por todos os sindicatos do transporte aéreo em oposição a um projeto de lei contra o direito à greve.
No aeroporto de Paris-Roissy, além dos voos cancelados preventivamente pela Air France, foram registrados alguns cancelamentos de última hora em voos com destino a Gênova, Nápoles, Istambul e Rio de Janeiro.
Fontes aeroportuárias indicaram que foram programados 126 cancelamentos para um total de 1.190 voos previstos para esta segunda-feira, mas ainda é difícil prever o que irá acontecer, já que será preciso levar em conta os cancelamentos imprevistos.
A Air France, que opera 50% dos voos nos aeroportos parisienses de Roissy e Orly, prevê assegurar 80% dos voos de curto e médio percurso e 85% dos de longo percurso, mas afirmou que "atrasos e cancelamentos de última hora são possíveis".
A amplitude do movimento de greve dependerá da mobilização dos pilotos, apesar de os sindicatos de todas as outras categorias de funcionários de transporte aéreo também terem convocado a paralisação.
Os sindicatos se opõem a um projeto de lei do governo francês que prevê impor aos funcionários a obrigação de se declararem grevistas com 48 horas de antecedência, considerando que tal medida questiona o direito de greve.
O projeto de lei, adotado em janeiro pela Assembleia, será examinado pelo Senado no dia 15 de fevereiro.
Folha de São Paulo – 06.02.2012
MDIC trata de novas normas para trading companies
Brasília (3 de fevereiro) – Foi realizada hoje, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), uma reunião de representantes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC, da Receita Federal, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) com entidades setoriais das empresas comerciais exportadoras, também conhecidas como trading companies.
Na abertura do encontro, o secretário-executivo do MDIC, Alessandro Teixeira, destacou a importância deste setor na estratégia de ampliação das exportações brasileiras. “Desde o meu período como presidente da Apex Brasil, eu trabalho para aumentar o volume das exportações por meio das trading companies. Esse setor tem um papel central para expandir a participação das pequenas e médias empresas na pauta do que exportamos”, disse.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Lacerda Prazeres, também presente ao evento, registrou a participação da Receita Federal no trabalho que está sendo feito para aperfeiçoar o marco regulatório e reduzir a burocracia. “Secex e Receita estão trabalhando de forma integrada neste processo”, disse. Medidas estão sendo avaliadas e a intenção é que as entidades representativas possam contribuir com sugestões para a modernização e atualização do regime legal do setor, estabelecido na década de 70.
O objetivo específico desta reunião foi discutir alterações na legislação sobre as operações dessas empresas para viabilizar a manipulação de cargas a serem exportadas fora de recintos alfandegados. Essa é uma demanda do setor e a iniciativa para a solução partiu da Receita Federal.
Trading companies
A venda ao exterior por intermédio de empresas comerciais exportadoras são classificadas como exportações indiretas e são equiparadas às exportações diretas no aspecto fiscal. Elas apresentam vantagens, principalmente, para o micro, pequeno e médio produtor nacional que não dispõe de uma estrutura própria dedicada às operações de comércio exterior.
Neste ano, o MDIC passou a divulgar a balança comercial das trading companies para servir como indicador para o setor e também para auxiliar na formulação de políticas públicas na área.
Acesse os dados da balança comercial das trading companies
MDIC – 03.02.2012
Anfavea: Argentina sente impacto de medidas internas
ANNE WARTH E WLADIMIR D'ANDRADE - Agencia Estado
SÃO PAULO - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, admitiu que as novas medidas adotadas pela Argentina desde 1º de fevereiro para dificultar a entrada de importações prejudicaram empresas do setor automotivo. Algumas montadoras deixaram de receber peças produzidas no Brasil, necessárias à produção de veículos na Argentina. Outras, segundo ele, tiveram carros retidos nos portos. "Com a exigência de licenças por parte da Argentina, empresas têm tido dificuldades na produção. Algumas não estavam preparadas. O setor sente os carros presos nos portos", afirmou.
Mas, segundo ele, a medida não deve ter impactos significativos sobre a produção e as vendas do setor no médio prazo. Na avaliação de Belini, trata-se de uma questão de tempo para que as empresas se adaptem às novas medidas. "É um período transitório de ajustes", disse. Belini afirmou que a Anfavea mantém contato permanente com a Adefa, que representa as montadoras na Argentina. Segundo ele, esse é um dos motivos pelos quais a Anfavea não participou da missão empresarial comandada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que esteve em Buenos Aires, na semana passada, para discutir as novas imposições argentinas às importações. "Essas questões (novas medidas da Argentina) só podem ser resolvidas a nível de governo."
Belini disse ser normal que os países queiram rever acordos comerciais, principalmente em períodos de crise. "Todos os países procuram proteger neste momento sua balança comercial", afirmou. É o caso da Argentina, que quer elevar sua produção. Por outro lado, lembrou Belini, o Brasil também quer rever o acordo automotivo com o México, justamente para elevar sua produção.
Segundo o executivo, o Brasil teve em 2011 um superávit no setor com a Argentina, de US$ 3,1 bilhões. Já com o México, o País teve um déficit de US$ 700 milhões. Ele defendeu que esses acordos sejam vistos como um conjunto, e não individualmente. "O governo está preocupado com o déficit na relação com o México. Mas, quando pegamos a balança brasileira e comparamos com Argentina e México juntos, o saldo é positivo para nós em US$ 2,4 bilhões", disse.
De acordo com Belini, o déficit setorial com o México é sazonal. "O acordo é bom e importante para nosso País. Tivemos períodos bons para o Brasil, e agora estamos em um período ruim, mas, na média, o acordo tem sido bom para o Brasil", afirmou. "O rompimento seria o pior caminho possível."
Belini também defendeu que o acordo com o México seja ampliado para outros setores, além do automotivo. Para ele, essa seria uma forma de manter o acordo e facilitar sua renovação. "Temos 14 meses para estabelecer mudanças no acordo", disse. "O Brasil tem poucos acordos bilaterais, apenas com México e Mercosul. Já o México tem 90 acordos desse tipo. É uma grande oportunidade para o Brasil ampliar esses acordos para setores em que é competitivo."
OESP – 06.02.2012
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