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Governo altera novamente regras para empréstimos no
exterior
PRISCILLA
OLIVEIRA
LORENNA
RODRIGUES
DE
BRASÍLIA
O
governo alterou novamente a medida que elevou para cinco anos a cobrança de IOF
(Imposto sobre Operações Financeiras) que incide em empréstimos no exterior. De
acordo com decreto publicado nesta quinta-feira (14) no "Diário
Oficial" da União, apenas empréstimos feitos com prazo de até dois anos
pagarão 6% de imposto. Os de prazo maior estão isentos.
Segundo
o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o objetivo da medida é reduzir o custo do
crédito fazendo com que as empresas brasileiras e os bancos voltem a tomar
empréstimos no exterior.
"O
mercado estava com muita liquidez e estava entrando muito dinheiro externo no
país. Agora nós julgamos que esse excesso terminou e, portanto, a medida é
fundamentalmente de liquidez, de aumento da disponibilidade financeira",
afirmou Mantega.
A
medida passa a valer em meio a um contexto de pressão sobre a cotação do dólar,
que vinha aumentando nos últimos dias e chegou a ultrapassar R$ 2,05. Porém, o
ministro negou que o objetivo seja conter o aumento da cotação da moeda
norte-americana. "Essa medida tem mais a ver com o crédito do que com o
câmbio".
A
última alteração nas regras de incidência do IOF foi feita no dia 12 de março,
quando o governo aumentou o prazo de três para até cinco anos, mantendo a
alíquota de 6%. Essa é a quinta vez que o governo altera as regras da incidência
do IOF sobre esse tipo de operação.
No
final de fevereiro, o dólar chegou a ser cotado a R$ 1,699, o que levou o Banco
Central a voltar a comprar moeda no mercado à vista e também no mercado futuro,
através dos swaps cambiais reversos. Mas a turbulência internacional se agravou
recentemente e forçou uma alta ainda mais forte da divisa, levando o governo a
reverter sua estratégia para impedir uma depreciação muito acentuada da moeda
brasileira.
Um
dos canais onde mais se percebeu essa piora foi o fluxo cambial. No mês
passado, por exemplo, essa conta ficou negativa em US$ 2,691 bilhões, pior
resultado mensal desde junho de 2010 (-US$ 4,279 bilhões).
Folha de São Paulo – 14.06.2012
Após mudança em IOF, dólar opera perto da estabilidade
DAS AGÊNCIAS DE
NOTÍCIAS
O dólar operava
perto da estabilidade nesta quinta-feira, após o governo anunciar alteração no
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em empréstimos externos que, segundo
agentes de mercado, deverá ajudar a combater a recente valorização do dólar no
curto prazo.
Na avaliação deles,
a medida volta a facilitar a entrada de fluxos no país, mas o cenário externo
segurava mais desvalorizações do dólar nesta sessão. O próprio ministro da
Fazenda, Guido Mantega, reconheceu nesta quinta-feira que a liquidez
internacional piorou e, com a ação de agora, a oferta de crédito deve aumentar.
Às 12h30, o dólar
tinha ligeira alta de 0,04%, cotado a 2,073. Na mínima do dia, a divisa atingiu
R$ 2,062. Em relação a uma cesta de divisas, o dólar perdia 0,09%. A Bovespa
registrava leve queda, de 0,04%.
O governo decretou
nesta quinta-feira a redução do prazo sobre empréstimos externos que tem
incidência da alíquota do IOF de 6% para até dois anos. O decreto foi divulgado
no Diário Oficial da União (DOU) e já está valendo.
O prazo anterior de
incidência do imposto mais elevado era de até cinco anos e havia sido anunciado
no início de março, quando o governo endureceu o tom à chamada "guerra
cambial", que puxava a cotação do dólar para baixo, prejudicando a
indústria brasileira.
"Eu acredito
que essa medida não é em função de uma taxa (de câmbio) específica, mas sim em
função de fluxo", afirmou o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario
Battistel, lembrando que em maio o fluxo cambial ficou negativo pela primeira
vez desde dezembro passado.
A saída de moeda
estrangeira no país superou a entrada no mês passado em R$ 2,691 bilhões,
puxado pelos investidores financeiros. No mês de junho, até o dia 8, o fluxo
estava positivo em R$ 843 milhões.
"Clientes que
estavam estudando trazer recursos, com esse novo método, deverão trazer.
Acredito que teremos fluxos mais positivos no curto prazo", disse
Battistel.
CRÉDITO
Ao comentar a
decisão, Mantega afirmou que a medida diminui o custo do crédito e aumenta a
oferta. "O excesso de liquidez terminou e abrimos a possibilidade para
empresas e bancos tomem empréstimos no exterior", afirmou o ministro.
De acordo com
agentes de mercado, a medida não está refletindo uma preocupação do governo com
o atual patamar do dólar e com possíveis pressões inflacionárias, uma vez que
índices têm mostrado sinais de arrefecimento dos preços.
A moeda
norte-americana seguia ainda o movimento da divisa no exterior nesta manhã,
diante de preocupações com a economia norte-americana, que voltou a mostrar
sinais de fraqueza após uma nova alta nos pedidos de auxílio-desemprego no
país.
Para o
economista-chefe da Gradual Investimentos, Andre Perfeito, o cenário externo
continua desinflacionário por causa da crise e, por isso, a valorização da
moeda norte-americana não apresenta riscos nesse sentido.
"O cenário
externo é tão desinflacionista que esse nível do dólar não representa um perigo
à inflação", afirmou.
Desde o início de
março, quando o governo começou a combater a desvalorização do dólar, a moeda
norte-americana subiu mais de 20%. Na quarta-feira, o dólar avançou pela terceira
sessão consecutiva e fechou cotada a R$ 2,0717, a maior cotação desde o dia 22
de maio deste ano, quando ficou em R$ 2,0804.
Folha de São Paulo – 14.06.2012
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