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Porto de Santos: desembaraço
ficará totalmente retido duas vezes por semana
Cristina
Fausta
Os
Auditores-Fiscais do Porto de Santos decidiram na quarta-feira (20/6) que o
desembaraço da unidade ficará totalmente paralisado dois dias por semana e, nos
outros três, será realizada operação-padrão. A decisão foi tomada durante a
reunião em que o presidente do Sindifisco Nacional, Pedro Delarue, participou
para discutir estratégias de continuidade do movimento reivindicatório na
unidade. Segundo informaram os participantes, a adesão ao movimento conta com
100% da Classe.
A reunião
teve paticipação expressiva e contou com a presença do presidente da DS
(Delegacia Sindical) São Paulo, Rubens Nakano; e do presidente da DS/Santos,
Elias Carneiro Júnior.
Até a
quarta-feira, o desembaraço no Porto de Santos estava totalmente represado. Há
informações de que de cerca 180 DI (Declarações de Importação) em canal
vermelho e amarelo nos dois primerios dias de mobilização, somente oito foram
desembaraçadas.
Com a
decisão de retenção total do desembaraço durante dois dias da semana, Santos
está dando um passo à frente na mobilização.
Delarue
ressaltou que a unidade aduaneira de Santos é estratégica. “Temos que pensar em
como realizar esse movimento com qualidade”, afirmou Delarue, que considerou
que a decisão dos aduaneiros é uma sinalização importante para a categoria e
para o Governo.
Também
foi decidido que os setores responsáveis pelo avermelhamento das mercadorias
direcionadas ao canal verde intensifiquem a retenção dos despachos para
conferência física.
Assim
como aconteceu na DRF (Delegacia da Receita Federal) Santos, o presidente do
sindicato apresentou um panorama da mobilização em todo o país e discorreu
também sobre a postura do Governo em relação às reivindicações da Classe. Foi
repassado aos aduaneiros que o Executivo chamou a Classe para o embate e que sem
luta não haverá sequer sinalização de reajuste.
Relevância
– É
importante destacar que o engajamento dos Auditores-Fiscais do Porto de Santos
é estratégico para o movimento. A área de influência econômica do porto
concentra mais de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e abrange
principalmente os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul. Aproximadamente, 90% da base industrial paulista está localizada
a menos de 200 quilômetros do porto santista.
O
Complexo Portuário de Santos responde por mais de um quarto da movimentação da
balança comercial do país e inclui na pauta de suas principais cargas produtos
como o açúcar, soja, cargas conteinerizadas, café, milho, trigo, sal, polpa
cítrica, suco de laranja, papel, automóveis, álcool e outros granéis líquidos.
Aduana – A suposta separação da Aduana da
RFB também foi discutida durante a reunião. A possibilidade veio à tona na
medida em que o movimento dos Auditores-Fiscais crescia e sinalizava para a
paralisação. Para Delarue, “essa é mais uma forma de pressão em cima da Classe
para frear o movimento”.
No
entanto, Delarue informou que o Sindicato e a própria Administração buscam
informações concretas a respeito do assunto. “O que posso dizer é que a
discussão sobre esse assunto não existe de forma oficial, por enquanto, dentro
da Casa Civil ou do Ministério da Fazenda, o que não quer dizer que não há
intenção por parte de alguém próximo ao Governo Central”, comentou.
Unafisco- 21.06.2012
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