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Arrogância na diplomacia e no câmbio
Dionísio Dias Carneiro - O Estado de S.Paulo
De tempos em tempos, os cidadãos de um país precisam ser lembrados do quanto seus governos, ainda que democraticamente eleitos, se desviam dos valores fundamentais que definem o caráter nacional e afetam negativamente a imagem que o país constrói na opinião pública mundial. Em tempos pré-eleitorais, quando o pragmatismo do caminho para a vitória nas urnas domina de forma tão frequente outros valores, é útil olharmos a experiência de outros países para tirarmos algumas lições.
O senador James William Fulbright foi um ícone da política americana que chefiou o Comitê de Relações Exteriores do Senado americano entre 1959 e 1974. Tendo vivido o nascimento e o fracasso desastroso da ação americana no Sudeste Asiático, resumiu, em um livro intitulado A Arrogância do Poder, os aspectos que considerava importantes aos seus concidadãos levarem em conta ao decidirem, nas urnas, seu futuro.
Em sua época, a decisão crucial que dividia os americanos era o envolvimento crescente e finalmente sufocante dos EUA na Guerra do Vietnã. Sua análise dos pressupostos sobre a natureza da revolução comunista na China, que alimentavam o caráter preventivo da ação militar americana no Sudeste Asiático, é muito atual. Enxergou o que poucos viam em seu tempo: que a teoria do dominó era falha, que havia nações vizinhas que não cairiam "vítimas da expansão militar chinesa", como rezava a doutrina oficial, e que o próprio Vietnã, que por séculos teve de se defender dos chineses, provavelmente seria independente da China e teria relações normais com os EUA quando cessassem as hostilidades.
Nos tempos atuais, a diplomacia econômica americana continua a mostrar-se vesga diante dos desafios que a China representa para a economia internacional em todos os aspectos. Antes da crise atual, o diagnóstico era, ou etéreo (como o savings glut que Ben Bernanke entendia como "causa" dos desequilíbrios americanos, o que não faz jus à competência do presidente do Fed) ou se restringia a escaramuças de fabricantes de brinquedos ou de eletrônicos com relação aos quais os EUA (e outros países) perderam a competitividade, qualquer que seja o grau de desalinhamento cambial diagnosticado. Mais recentemente, as baterias foram assestadas contra a paridade yuan-dólar, cujo deslizamento foi interrompido pela crise financeira.
Que a manutenção da atual paridade do yuan faz pouco sentido econômico é consensual. Trata-se de um dos muitos aspectos dos desequilíbrios bilaterais dos balanços de pagamentos que conspiram contra a correção deles. Mas a insistência de que a paridade será rompida, como fruto de pressão americana sobre o governo chinês, como pregam Paul Krugman e outros, já beira o ridículo. Se algum efeito terá a ameaça, adiada por duas semanas, de classificar a China como currency manipulator, será o de dificultar a ação prática dos que dentro do governo chinês desejam retomar o deslizamento cambial e aumentar o papel do mercado na determinação da taxa de câmbio.
A taxa de câmbio real, o preço relativo que importa para a tomada de decisões econômicas, costuma desafiar a ilusão de poder dos governantes. Os mercados cambiais globais são altamente especulativos e transacionam mais de US$ 3 trilhões por dia, a maior parte sem relação com transações reais e mais dependente do humor dos mercados.
É natural que cresça a tentação de transformar a taxa de câmbio em objeto de decisão administrativa. Compras e vendas de reservas podem diminuir a volatilidade, mas determinar o câmbio real é tarefa inglória. Na atualidade brasileira, os únicos políticos que não cairão nessa armadilha são os que não a experimentarem. Mas o que esperar dos novos iludidos ao se instalarem no poder?
O senador Fulbright responde com esta pérola de sabedoria política: "O poder se confunde com a virtude e tende a se tomar por onipotência." Vale tanto para detentores como para aspirantes.
OESP – 09.04.2010
Brics tratarão informalmente de criação de nova moeda
DENISE CHRISPIM MARIN Agencia Estado
BRASÍLIA - Embora excluída da pauta formal do encontro de cúpula do Foro Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), que se dará no próximo dia 15, em Brasília, a criação de uma moeda de referência alternativa ao dólar para as reservas dos quatro países tenderá a ser discutida nos encontros privados entre os líderes. Segundo o subsecretário de Assuntos Políticos do Itamaraty, embaixador Roberto Jaguaribe, a questão é de interesse de todos os membros do grupo, mas há especial preocupação em tratar do tema de forma equilibrada e cautelosa, sem açodamento. "Jogadas que gerem marolas não são de interesse de ninguém", afirmou Jaguaribe.
Segundo o diplomata, as discussões mais profundas sobre o tema devem se dar entre autoridades dos bancos centrais e ministérios da área econômica dos quatro países em paralelo à reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial no final deste mês, em Washington.
Assim como a criação da moeda de referência, outro tema será tratado de forma secundária na reunião de cúpula do grupo - a adoção de moedas locais no comércio entre os quatro países. O Banco Central deverá promover um seminário para técnicos indianos, russos e chineses para detalhar a experiência desse modelo nas trocas entre Brasil e Argentina. Entretanto, Jaguaribe ressaltou que não há ainda negociação em curso com tal objetivo nos Brics. "O Bric não quer ser um grupo normativo, como o G-7 (as maiores economias industrializadas). Não temos pretensão nem capacidade para isso", afirmou.
Bancos
Bancos comerciais brasileiros, indianos, russos e chineses vão analisar na próxima semana, em São Paulo, mecanismos para permitir uma participação mais ativa e direta no financiamento do comércio entre os quatro países. As discussões farão parte dos eventos da Cúpula dos Brics. Segundo Jaguaribe, uma das iniciativas em estudo é a possibilidade de concessão de cartas de crédito para as trocas comerciais entre esses países, sem a necessidade de intermediação por instituições americanas e europeias. Em paralelo à cúpula também serão realizados encontros entre bancos de fomento dos quatro países, entre cooperativas e think-tanks.
China
O embaixador afirmou ainda que o reconhecimento efetivo da China como economia de mercado é tópico que continua em consulta no âmbito bilateral. O tema deverá ser tratado no encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao, da China, na próxima semana. O líder chinês participará em Brasília da 2ª Cúpula dos Brics e fará sua segunda visita oficial ao País. "Esse tema é sempre objeto de consulta. A China quer ultimar esse processo", afirmou Jaguaribe. "A dimensão política (do reconhecimento) já se deu em 2004. A dimensão prática depende de etapas em curso na Câmara de Comércio Exterior (Camex), que interessam ao governo brasileiro que sejam concluídas."
O reconhecimento da China como economia de mercado foi a mais polêmica medida adotada durante a primeira visita de Hu Jintao ao Brasil, por sua capacidade de restringir a aplicação de medidas de defesa comercial contra produtos chineses. A sua efetividade foi condicionada à realização de investimentos chineses no País, que ainda estão em suspenso. Segundo Jaguaribe, esse reconhecimento será automático e inevitável em 2016, quando todos os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) terão de adotar essa posição.
Agencia Estado – 08.04.2010
Linha para exportação reage e soma R$ 31,6 bi
SÃO PAULO - A queda de 30% no saldo total da linha de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), em 2009, começa a ser revertida pela sazonalidade da safra agrícola. Segundo dados do Banco Central (BC), a linha já recuperou parte da baixa do ano passado, com estoque 28,1% negativo, na comparação em 12 meses, e contabiliza um crescimento de 5,1% neste ano, até fevereiro, a saldo de R$ 31,598 bilhões.
Para o professor de Comércio Exterior da Fundação Instituto de Administração (FIA) e diretor executivo do Fractal Instituto de Pesquisa, Celso Grisi, a sazonalidade da safra agrícola, aliada à exportação de outras commodities são os principais responsáveis pelo crescimento do crédito à exportação. "As exportações brasileiras estão reagindo graças a um aumento de importações dos Estados Unidos. Além disso, as compras da Ásia vêm crescendo e são responsáveis em parte por essa alta", afirma. A perspectiva do professor é de que o crédito, tanto no ACC como na linha de Adiantamento de Contrato de Exportação (ACE), cresça até meados de junho. "Depois desse período, uma eventual alta do crédito estará ligada a um aumento do preço das commodities, não mais à safra", analisa.
Segundo dados do BC, o ACE começou a ensaiar uma recuperação em janeiro, com alta de 1%. Em fevereiro, a expansão se mostrou mais consistente, chegando a 4%. "No segundo semestre, o crescimento irá depender dos preços de metais como ferro, estanho e aço."
Para ele, há uma tendência de aumento nas importações norte-americanas, juntamente com o Japão. "Pode haver uma expansão, mas em velocidade menor. Não dá para imaginar que continue nesse patamar de 4%", finaliza o acadêmico.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, diz que há uma volta do crédito em geral a uma situação de normalidade. Para ele, com a volta de opções de funding, há um consequente retorno de oferta de crédito, inclusive para financiar exportação.
Se o ACC está em rota ascendente, dados do BC mostram a linha de repasses externos em baixa. Em janeiro, a modalidade teve um crescimento de 3,9%, seguido de uma queda de 7,9% no mês seguinte, a saldo de R$ 11,452 bilhões. "É uma linha que necessita de captação externa, então uma insegurança maior dos investidores pode provocar essas oscilações", afirma Oliveira. O executivo explica que fevereiro foi o auge da crise vivida por Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, quando se cogitou até moratória. "A redução reflete esse momento de intranquilidade", diz.
Além desse fator internacional, Grisi diz que a linha é utilizada principalmente para financiar grandes projetos. "Geralmente são repasses de agências de fomento a grandes empreendimentos, que não ocorrem o tempo todo, são descontínuos."
Para Oliveira, após o FMI e o Banco Central europeu sinalizarem ajuda a esses países, a crise já não há tanto temor e intranquilidade entre os investidores. "O pior lá já passou. Com a diminuição das incertezas, os repasses devem voltar a crescer", analisa.
Em 2009, a modalidade teve uma queda de 58%, encerrando o ano a R$ 11,968 bilhões. Neste ano, a linha de crédito acumula uma queda de 4,3%, chegando a um estoque total de R$ 11,452 bilhões em fevereiro.
Com o aumento das exportações em março, os bancos começam a registrar recuperação das linhas de crédito para exportação, principalmente o Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC). A linha contabiliza um crescimento de 5,1% neste ano, até fevereiro, a um saldo de R$ 31,598 bilhões. Enquanto isso, em março, as exportações brasileiras cresceram 27,4% na média diária, na comparação com o mesmo mês de 2009, e somaram US$ 15,727 bilhões no mês passado.
Para o professor de Comércio Exterior da Fundação Instituto de Administração (FIA) e diretor executivo do Fractal Instituto de Pesquisa, Celso Grisi, a sazonalidade da safra agrícola, aliada à exportação de outras commodities é o principal responsável pelo crescimento do crédito à exportação. "As exportações brasileiras estão reagindo graças a um aumento de importações dos Estados Unidos. Além disso, as compras da Ásia vêm crescendo e são também responsáveis, em parte, por essa alta", afirma.
Segundo dados do BC, outra linha voltada para a exportação, o Adiantamento sobre Contrato de Exportação (ACE), começou a ensaiar uma recuperação em janeiro, com alta de 1%. Em fevereiro, a expansão se mostrou mais consistente, chegando a 4%. "No segundo semestre, o crescimento irá depender dos preços de metais como ferro, estanho e aço."
Se o ACC está em rota ascendente, dados do BC mostram a linha de repasses externos em baixa. Em janeiro, a modalidade teve um crescimento de 3,9%, seguido de uma queda de 7,9% no mês seguinte, a saldo de R$ 11,452 bilhões. Segundo especialistas, esta é uma linha que depende bastante da captação externa dos bancos, e a crise na Europa encareceu este tipo de recurso, o que afetou também a oferta desta linha de crédito a empresas.
DCI – 09.04.2010
SEP dá início à implementação do projeto no Porto de Santos
De A Tribuna On-line
A Secretaria Especial de Portos (SEP) deu início ao processo de implantação do Projeto Porto Sem Papel (PSP), nesta quarta-feira, em Santos. O Diretor do Departamento de Sistemas de Informações Portuárias da SEP, Luis Fernando Resano, informou que ocorrerão treinamentos específicos para cada anuente objetivando prepará-los para atuar no sistema.
Segundo Resano, a implementação do módulo Cadastro do PSP para estruturar a base de dados inicial do sistema acontecerá neste mês. Em junho serão iniciados os treinamentos para o módulo Concentrador, onde haverá troca de mensagens entre os agentes marítimos e os órgãos anuentes. "Quando o PSP estiver consistente e todos estiverem treinados passaremos para o sistema eletrônico", afirma Resano.
O diretor presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Serra, destacou que o PSP propiciará um "salto de qualidade no setor portuário, contribuindo para o desenvolvimento logístico do Porto de Santos".
Hoje, as agências marítimas utilizam fac-símile e e-mail para acionar os atores envolvidos na operação portuária. A operação emite inúmeros formulários, exigindo ações que representam meios de trocas não otimizados, excesso burocrático, aumento de tempo de realização e acréscimo do custo operacional.
Já o PSP informatiza os procedimentos e elimina, na medida em que promove a comunicação de dados entre os agentes intervenientes no processo portuário, o trâmite de 112 documentos, em diversas vias. Com isso, o tempo de estadia de navios nos portos será duzido em cerca de 25%.
Nos próximos meses, a Secretaria fará o mesmo treinamento nos portos de Vitória e do Rio de Janeiro.
A Tribuna – 08.04.2010
Mercosul e UE querem assinar acordo definitivo, diz ministro espanhol
da Efe, em Madri
O ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, afirmou nesta quinta-feira que existe uma vontade política por parte da UE (União Europeia) e dos países do Mercosul para assinar um acordo "claro, definitivo e irreversível" que permita avançar em um tratado comercial entre as regiões.
Moratinos se referiu ao estado das negociações entre a UE e o Mercosul durante uma reunião da Comissão de Assuntos Ibero-americanos do Senado espanhol, onde expôs os objetivos da Presidência espanhola da UE em relação à América Latina.
O ministro reiterou o desejo de que durante a cúpula UE-América Latina e Caribe, prevista para ocorrer em Madri nos dias 17 e 18 de maio, possa ser assinado, "se não o acordo definitivo, que é muito complexo", um compromisso para concluir um tratado em um futuro próximo.
Ele avaliou o papel desempenhando pela presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner -- à frente do Mercosul neste semestre --, e o do Brasil para chegar a um acordo "político, claro, definitivo e irreversível" entre os dois blocos.
As negociações para um convênio comercial entre a UE e Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) pararam em 2004 por divergências em algumas áreas, principalmente na agrícola, e foram retomadas no ano passado.
O ministro acredita que na próxima reunião técnica, que será realizada em Bruxelas nos dias 26 e 27 deste mês, "devem sair elementos que permitam adotar uma decisão positiva" tendo em vista a cúpula de Madri e maio.
"O objetivo é iniciar uma nova etapa construindo sobre o que já foi feito. Para isso, é necessário transformar a vontade política em posições negociadoras flexíveis que nos permitam alcançar uma conclusão em um prazo não muito longo", resumiu Moratinos.
Na sua opinião, "a falta de acordo já não serve aos interesses de nenhuma das partes".
Moratinos também se referiu aos outros dois acordos que a UE prevê assinar em maio com a Colômbia e Peru e com a América Central.
Ele tranquilizou ainda o setor bananeiro das Ilhas Canárias ao assegurar que haverá medidas de acompanhamento para evitar que o acordo tenha uma incidência negativa, já que supõe a redução da tarifa da banana produzida na Colômbia e Peru a 75 euros por tonelada em dez anos.
Folha de São Paulo – 08.04.2010
Comércio entre Seul e América Latina quadruplica em 15 anos; Brasil se destaca
da Efe, em Seul
O comércio entre Coreia do Sul e América Latina quadruplicou nos últimos 15 anos, graças à crescente cooperação econômica entre o país e a região, com destaque para o Brasil, segundo dados publicados hoje pelo governo de Seul.
Os intercâmbios comerciais entre sul-coreanos e latino-americanos chegaram a US$ 38,4 bilhões em 2009, contra US$ 9,7 bilhões de 1994, segundo relatório do serviço de Alfândegas do país asiático.
O maior parceiro comercial da Coreia do Sul na América Latina é Brasil. Nos últimos 15 anos, os fluxos comerciais quase quintuplicaram, até US$ 9 bilhões no ano passado.
Nesse mesmo período, o valor total das exportações sul-coreanas passou de US$ 198,3 bilhões de em 1994 a US$ 686,6 bilhões no ano passado.
As vendas da Coreia do Sul à América Central e à América do Sul passaram nesse período de US$ 6,37 bilhões a US$ 26,76 bilhões, enquanto as importações aumentaram de US$ 3,3 bilhões a US$ 11,6 bilhões.
O superavit comercial sul-coreano com a América Latina, porém, desceu em 2009 a US$ 15,1 bilhões, contra US$ 19,5 bilhões do ano anterior, por conta da recessão global, segundo o relatório, publicado pela agência Yonhap.
No caso do Chile, país com o qual a Coreia do Sul tem um Tratado de Livre-Comércio desde 2004, o comércio alcançou um valor de US$ 5,3 bilhões em 2009, quase cinco vezes mais que em 1994.
Folha de São Paulo – 09.04.2010
Superavit comercial da Alemanha sobe para 12,6 bilhões de euros em fevereiro
da France Presse, em Frankfurt
A Alemanha registrou em fevereiro um superavit comercial de 12,6 bilhões de euros (US$ 16,8 bilhões), frente a 8 bilhões de euros no mesmo mês do ano passado, graças à retomada das exportações, de acordo com dados oficiais divulgados nesta sexta-feira.
O faturamento externo do segundo maior exportador mundial totalizou em fevereiro 70 bilhões de euros, com uma alta de 9,6% ante o mesmo mês no ano passado. No confronto com janeiro, o aumento foi de 4,7%.
Já as importações somaram 57,3 bilhões de euros, com expansão de 4,2% na comparação com igual intervalo em 2009.
Os dados de fevereiro representam uma correção parcial da inesperada queda de 6,3% interanual das exportações em janeiro e mostram que a maior economia europeia está sendo beneficiada pela recuperação da economia global.
"A reativação da economia [alemã] por meio das exportações continua", comentou Carsten Brzeski, do banco ING.
A França e países europeus acusam a Alemanha de estimular suas exportações por meio de despesas salariais baixas, em detrimento de seus sócios da zona do euro. Também estão descontentes com a moderação do consumo dos alemães, que limita as importações.
A Alemanha foi superada no ano passado pela China do posto de maior exportador mundial.
Folha de São Paulo – 09.04.2010
Não escaparemos de reformas impopulares, diz presidente da EU
da France Presse, em Madri
A sobrevivência do modelo europeu passa por "medidas impopulares" das quais não haverá como "escapar", embora o "populismo reinante" torne difícil a adoção dessas medidas, disse o presidente da União Europeia, Herman van Rompuy, em declarações concedidas ao jornal espanhol "El País" desta sexta-feira.
"O modelo europeu não pode sobreviver sem um crescimento econômico mais forte. Nem a Europa pode desempenhar um papel no mundo sem mais força econômica", afirmou Van Rompuy.
"O grande perigo é o populismo reinante e, em consequência, a falta de compromisso europeu. O populismo torna difícil adotar as medidas que devem ser adotadas para o futuro da Europa. Quando vejo a agenda econômica, as reformas necessárias, os desafios orçamentários... vejo que estamos obrigados a tomar medidas impopulares", acrescentou.
"Não será possível escapar de reformas impopulares nos próximos anos", concluiu Van Rompuy, sem indicar de que consistem.
A recuperação econômica da zona do euro, iniciada no terceiro trimestre de 2009, foi paralisada nos três meses seguintes, quando foi registrado um crescimento nulo no bloco de 16 países que possuem a moeda única, indicou na quarta-feira passada a Eurostat.
Folha de São Paulo – 09.04.2010
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