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Balança comercial de abril acumula superávit de US$ 790 milhões
A balança comercial das duas primeiras semanas de abril de 2010 fechou com saldo comercial positivo de US$ 790 milhões. O valor é resultado da diferença entre as exportações e importações realizadas de 1º a 11 de abril - com seis dias úteis. Nesse período, as vendas externas do Brasil foram de US$ 4,711 bilhões (média diária de US$ 785 milhões) e as compras internacionais de US$ 3,921 bilhões (média diária de US$ 653 milhões). A corrente de comércio (soma dos valores exportados e importados) alcançou US$ 8,632 bilhões, com média diária de US$ 1,438 bilhão.
Na primeira semana de abril, de 1º a 4 (um dia útil), as exportações fecharam em US$ 766 milhões e as importações em US$ 688 milhões. Como resultado, a corrente de comércio foi de US$ 1,454 bilhão e o superávit de US$ 78 milhões.
Entre 5 e 11 de abril (cinco dias úteis), as exportações somaram US$ 3,945 bilhões (média diária de US$ 789 milhões) e as importações, US$ 3,233 bilhões (média diária de US$ 646 milhões). O saldo comercial dessa segunda semana do mês foi positivo em US$ 712 milhões (média diária de US$ 142 milhões), com uma corrente de comércio de US$ 7,178 bilhões (média diária de US$ 1,435 bilhão).
Ano
No acumulado de 2010, com 67 dias úteis, o saldo comercial ficou positivo em US$ 1,682 bilhão (média diária de US$ 25 milhões). No mesmo período do ano passado, que teve 68 dias úteis, o superávit havia sido de US$ 4,325 bilhões (média diária de US$ 63 milhões). O resultado deste ano é menor que o verificado no mesmo período de 2009: menos 61,1%, na comparação por valores totais, e menos 60,5% na comparação pela média diária.
De janeiro a segunda semana de abril deste ano, as exportações foram de US$ 43,940 bilhões (média diária de US$ 655 milhões) e as importações de US$ 42,258 bilhões (média diária de US$ 630 milhões). A corrente de comércio, no ano, alcançou US$ 86,198 bilhões (média diária de US$ 1,286 bilhão).
Veja aqui os números da balança comercial da primeira e da segunda semana de abril.
MDIC – 12.04.2010
Ameaça com importações
Governo reage ao anúncio de que a indústria repassará custos aos consumidores e promete reduzir alíquotas para conter alta de preços
Diante da disparada da inflação e da ameaça da indústria de reajustar suas tabelas nas próximas semanas, repassando a alta de custos aos consumidores, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, endureceu o discurso. Segundo ele, se o governo perceber movimentos de altas exageradas e injustificadas no preço de qualquer mercadoria, não titubiará em reduzir as alíquotas de importação para aumentar a concorrência no mercado doméstico.
O aviso de Mantega foi direcionado, sobretudo, às siderúrgicas, que vêm anunciando aumentos no aço como resposta à nova política de preços do minério de ferro definidas pelas três maiores mineradoras do mundo - a Vale, a BHP Billiton e a Rio Tinto -, que resultou no encarecimento de quase 100% do produto. Em junho do ano passado, cedendo à choradeira das siderúrgicas afetadas pela crise mundial, a Fazenda elevou de zero para 12% a tarifa de importação do aço, como forma de proteger a produção nacional e garantir empregos no setor. No atual cenário, tal benefício pode cair, até porque o valor do aço no mercado interno está até 40% mais caro do que no exterior.
"Se algum setor econômico começar a abusar dos preços, podemos baixar as alíquotas de importação, por exemplo", afirmou Mantega durante participação, em São Paulo, da Feira Internacional da Construção. "O governo pode agir de várias maneiras", reforçou, indicando que não haverá tolerância com aumentos abusivos de preços. O ministro teme que, com a inflação deste ano e de 2011 se distanciando demais do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, o Comitê de Política Monetária (Copom) pese demais a mão nos juros, derrubando, além do desejável, o crescimento da economia. "O governo está vigilante, mas eu não tenho notado anomalia", frisou.
Culpa das chuvas
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o sistema de metas do governo, acumulou alta de 5,17% nos últimos 12 meses e de 20,6% apenas nos primeiros três meses deste ano (foi o pior primeiro trimestre desde 2003). "A inflação é uma preocupação permanente do governo", assinalou. Para ele, no entanto, a forte alta dos preços entre janeiro e março foi resultado de problemas momentâneos, temporários, como o excesso de chuvas, que, segundo ele, "já está passando". O aguaceiro reduziu a oferta e provocou o encarecimento dos alimentos.
"O fundamental é dizer que a inflação não é de demanda, a inflação é por choque de oferta. Todo mundo sabe, é só olhar os índices, e se você olhar o pior é o tomate. O que causou maior inflação foi o tomatinho", disse. A seu ver, os preços vão recuar nos próximos meses. "De qualquer maneira, estaremos atentos para não deixar que outros preços possam se elevar. Nós garantimos que a inflação permanecerá sob controle no Brasil", assegurou. Ele reconheceu, porém, que a economia brasileira está bem mais aquecida, mas ressaltou que o setor manufatureiro tem condições de atender a uma demanda maior.
IPCA pode chegar a 6%
Mais pessimistas com a inflação deste ano, os analistas estão refazendo as contas e projetando taxas cada vez maiores. Segundo o economista-chefe da Personale Investimentos, Carlos Thadeu Filho, em vez de 5,2%, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cravará 6% em 2010, ficando apenas 0,5 ponto percentual abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 6,5% - pelo sistema, o centro da meta é 4,5%, podendo variar dois pontos para cima ou para baixo.
"Tudo piorou", disse Thadeu. "Quando se analisa o IPCA, o que se vê são reajustes disseminados, ressaltou. Por isso, o BC terá de promover aumento na taxa real de juros, ou seja, elevar os juros em um percentual maior do que a inflação. "Não descarto que a alta da taxa básica (Selic) comece em 0,75 ponto percentual neste mês", destacou.
O Banco Santander elevou a projeção para o IPCA deste ano de 5,1% para 5,5%. A economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, prevê inflação de 5,3%.
Correio Braziliense – 10.04.2010
Taxa de importação pode ser menor
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O governo poderá reduzir alíquotas de importação para facilitar a entrada de produtos importados no mercado brasileiro e impedir o aumento abusivo de preços, sinalizou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acrescentando que isso poderá ocorrer em diferentes setores.
Mantega destacou que, apesar de não ter visto abuso ou formação de cartel, o governo está “vigilante” e chamará os empresários para discutir o assunto, caso note alguma alteração. “Acompanho todos os preços mais importantes, como cimento, aço e insumos de forma geral, mas não tenho notado nenhuma anomalia”, afirmou o ministro durante a visita à Feira da Construção, no Anhembi, em São Paulo.
Segundo o ministro, em alguns casos, o aumento de preços está relacionado à retirada de incentivos como as desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) . “Alguns setores que deram desconto no ano passado estão retirando. Então, algum ajuste haverá”, justificou.
Mantega citou ainda o setor de serviços, que pode elevar preços devido ao aquecimento na economia e ao crescimento da renda da população.
– De resto, sempre temos possibilidade de abrir mais as importações para combater algum preço irrealista na economia brasileira – declarou o ministro.
Manutenção do IPI zero
Representantes da indústria da construção civil aproveitaram o evento para solicitar ao ministro Guido Mantega a prorrogação do IPI zero para materiais de construção. Os empresários apresentaram os resultados de um estudo – encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) à Fundação Getúlio Vargas (FGV) – mostrando que a isenção estendida por mais dois anos faria o PIB (Produto interno Bruto) ter um crescimento adicional de 1,3%. A Abramat fala em tornar o benefício permanente.
Adotada em abril do ano passado, junta a outras medidas fiscais do governo para estimular a economia a sair da crise, a isenção, a princípio, valeria por seis meses, mas foi estendida em dezembro passado para até o próximo dia 30 de junho.
As entidades do setor admitem que o benefício já não é necessário, porque há uma expectativa de forte crescimento da construção civil nos próximos anos, principalmente com o Minha Casa, Minha Vida 2 – que prevê dois milhões de novas moradias até 2014 – mas afirmam que o benefício seria positivo.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, admitiu que o uso da capacidade instalada já está em torno de 90%, impulsionado pela primeira etapa do Minha Casa Minha Vida. “Está até faltando mão de obra. Estamos tendo que colocar gente sem experiência e importar gente de países vizinhos” disse Simão, que quer a extensão até dezembro.
Mantega admitiu que o assunto está em estudo, mas evitou dar esperanças aos empresários. “Estamos com uma perspectiva excelente para o setor que vai perdurar nos próximos anos. Aconselho as empresas a investir para dar conta do aumento da demanda”, afirmou o ministro.
Jornal do Brasil – 09.04.2010
China concentrou exportação brasileira
Crescimento da demanda por matéria-prima aumentou o peso dos produtos básicos, ao mesmo tempo que elevou as vendas do Brasil aos chineses
Cláudia Trevisan - O Estado de S.Paulo
A explosão da demanda chinesa por commodities na última década foi o que transformou o país em um fator crucial para a economia brasileira. Também foi a principal razão para o processo de "primarização" da pauta de exportações nacionais no período, com a expansão do peso dos produtos básicos e o encolhimento da parcela representada por bens industrializados, que têm maior valor agregado.
Há dez anos, quando a China começou a entrar no radar dos embarques brasileiros, a exportação de bens básicos respondia por 22,79% do total, enquanto a participação de manufaturados e semimanufaturados estava em 59,07% e 15,52%, respectivamente, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Os dados relativos ao ano 2000 mostram que a China aparecia em 12.º lugar na lista dos principais destinos das exportações brasileiras. O país asiático saltou para a sexta posição no ano seguinte, consolidou-se no terceiro lugar a partir de 2005 e chegou à liderança em 2009.
A meteórica ascensão foi acompanhada do aumento do peso das commodities nos embarques brasileiros. Em 2007, ano anterior à eclosão da crise global, o porcentual de bens básicos aumentou para 32,12% e os relativos a manufaturados e semimanufaturados caiu para 52,2% e 13,57%, respectivamente.
Se forem considerados os números do ano passado, influenciados pela retração da demanda americana, a fatia dos bens primários é ainda maior: 40,5%, quase o dobro do nível existente no ano 2000, e próximo dos 44,02% obtidos pelos manufaturados.
Isso não significa que a venda de bens industrializados diminuiu, mas sim que ela aumentou em ritmo bem menor que a de produtos básicos, principalmente minério de ferro, soja e petróleo - sem considerar o cenário atípico de 2009. A expansão do peso das commodities reflete também a forte alta de seus preços no mercado internacional em razão do aumento da demanda chinesa nos últimos anos.
Plano. A diversificação da pauta das exportações brasileiras é um dos pontos principais do Plano de Ação Conjunta para 2010-2014 que os presidentes Hu Jintao e Luiz Inácio Lula da Silva vão assinar em Brasília na sexta-feira, na segunda visita oficial do dirigente chinês ao país.
No ano 2000, o principal produto de exportação do Brasil foram aviões, com vendas de US$ 3,054 bilhões, valor quase idêntico aos US$ 3,048 bilhões movimentados por minério de ferro, que aparecia em segundo lugar.
Sete anos depois, os embarques de minério de ferro haviam se multiplicado por três, para US$ 10,56 bilhões, enquanto a venda de aviões subiu 54,5%, para US$ 4,72 bilhões, o que colocou o produto em quarto lugar no ranking, atrás de minério, petróleo e soja, que se transformaram nos principais produtos de exportação do país.
A ascensão do minério de ferro à condição de principal estrela das exportações brasileiras acompanha o processo de transformação da China no maior fabricante de aço do mundo. Os dirigentes chineses consideram estratégico ter uma indústria siderúrgica forte para alimentar o ritmo anual de crescimento de 10% do país e suprir a demanda do movimento de urbanização.
O aço é a principal sustentação desse processo, utilizado na construção, em obras de infraestrutura e na fabricação de bens de consumo duráveis, como carros e eletrodomésticos.
A China se transformou no maior fabricante de aço em 1996, com produção de 101,24 milhões de toneladas, mas foi na década seguinte que seu peso no setor aumentou de maneira desproporcional. Oito anos depois de tornar-se líder mundial, dobrou sua produção anual para 222,4 milhões de toneladas em 2003, segundo a World Steel Association. O volume dobrou de novo em apenas quatro anos e chegou a 490 milhões de toneladas em 2007. No ano passado, a China produziu 567,84 milhões de toneladas, o equivalente a 46,5% do total mundial.
A quantidade de aço que sai das siderúrgicas chinesas supera a soma do que é fabricado pelos oito países que aparecem em seguida no ranking da World Steel Association. Para produzir todo esse aço, a China precisa de quantidades crescentes de minério de ferro, sua principal matéria-prima.
OESP – 11.04.2010
Indústria prevê retomada das exportações em 2010
DENYSE GODOY
da Reportagem Local
As exportações brasileiras de produtos industrializados devem retomar, neste ano, a trajetória de nove anos de crescimento que a crise internacional de 2009 interrompeu, segundo as projeções da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Com uma elevação de aproximadamente 21%, as vendas de bens manufaturados para outros países alcançariam US$ 106,3 bilhões --o segundo melhor resultado da história, abaixo apenas do de 2008, quando o volume chegou a US$ 119,8 bilhões.
"Dessa maneira, recuperamos metade das perdas causadas pelas turbulências do ano passado, o que é muito bom", diz Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade. "E o PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro será afetado positivamente pela alta."
A previsão da Fiesp é apoiada em uma pesquisa com as maiores empresas exportadoras do país cuja base de operações fica no Estado de São Paulo. Como os contratos de vendas são fechados com antecedência de alguns meses, tais companhias já têm uma ideia bastante razoável de quanto efetivamente vão negociar ao longo de 2010.
O crescimento esperado explica-se, essencialmente, pela recuperação de mercados consumidores que se retraíram fortemente com a crise, como os EUA. Do início de 2009 para o de 2010, a participação dos americanos nas exportações do Brasil caiu de 16,5% do total para 13,8%. Essa fatia tende a se recompor. Ao mesmo tempo, outras regiões vão ganhando importância, como a Europa, que viu sua parcela subir de 21,8% para 23%, e a América Latina, que aumentou sua fração de 28% para 30,8%.
A retomada das exportações também tende a se dar de maneira espalhada entre os segmentos da indústria. As montadoras já comemoram uma elevação de 66,6% nas vendas de carros para outros países em fevereiro último ante o mesmo mês do ano passado -o destaque, entre os destinos, ficou com a Argentina. Nota-se, ainda, alta no comércio de máquinas, artigos de informática e produtos farmacêuticos. Os aviões, os produtos químicos e os calçados são os únicos que continuam deprimidos.
Estímulo
A manufatura brasileira reconhece que algumas medidas tomadas pelo governo durante a crise, como a concessão de empréstimos para as companhias, ajudaram muito na passagem pelos tempos difíceis, mas pede outras providências para contribuir na reconquista do espaço perdido.
"Teve gente que comemorou o fato de os EUA terem diminuído a sua parte entre os compradores de mercadorias brasileiras, o que é um absurdo. Há anos, não foi apenas em 2009, estamos perdendo competitividade em mercados importantes, como o americano.
Nessas regiões, quase sempre, o Brasil é ultrapassado pela China. Fica complicado, depois, ganhar de volta os consumidores", afirma Julio Gomes de Almeida, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Se não existem muitas esperanças de modificações na política cambial brasileira --o dólar desvalorizado ante o real é apontado como a principal desvantagem para os empresários do país--, os especialistas sugerem que a devolução dos empréstimos pagos pelas companhias na fabricação de itens que serão vendidos no exterior, como manda a lei, seja realizada com mais rapidez pelos governos federal e estaduais. "Falta boa vontade em todas as esferas, e aí se encontra um grande nó", comenta Francini.
De acordo com os cálculos de Almeida, a restituição correta e célere teria o mesmo efeito que uma apreciação de 8% da moeda americana ante a brasileira. "Não precisa inventar nada, é só fazer valer o que já está determinado. E pensar em diminuir a burocracia no país, que aumenta demais os custos de operação", afirma o professor.
Folha de São Paulo – 12.04.2010
Modelo de desenvolvimento define vocação exportadora
Há boas e más notícias no comércio do Brasil com o mundo neste início de ano. As exportações, depois de perderem fôlego no ano passado graças à crise econômica mundial, voltaram a crescer em ritmo acelerado – 25,8% no primeiro trimestre, quando comparadas ao mesmo período de 2009. Motivadas principalmente pela aceleração econômica, as importações avançaram, no entanto, numa velocidade ainda maior – 36%. Como resultado desse descompasso, o saldo comercial encolheu 70%, para apenas US$ 895 milhões, o menor dos últimos nove anos.
Os números das importações não são um mal em si. Toda vez que a economia brasileira aumenta o ritmo de expansão, as compras externas, especialmente de máquinas e equipamentos (bens de capital), crescem. Estimuladas pelo aumento da demanda e confiantes no consumo futuro, as empresas aproveitam a oportunidade para modernizar seus parques produtivos. Dessa forma, aumentam a produção a custos menores, o que também ajuda a manter a inflação sob controle.
Evidentemente, a taxa de câmbio apreciada funciona como um estímulo adicional às compras no exterior, mas a experiência mostra que o que realmente incentiva as companhias a importar mais é o aquecimento da demanda interna. A preocupação de autoridades e especialistas reside no fato de que, entre janeiro e março, embora as importações de bens de capital tenham crescido de forma significativa (17,6%, na comparação com igual período do ano anterior), as compras no exterior de matérias-primas e bens intermediários (41,6%) e de bens de consumo (42,7%) aumentaram mais.
A inquietação existe porque há a suspeita de que os fabricantes nacionais estejam optando por insumos importados, em detrimento de fornecedores nacionais. Esta seria uma realidade, segundo Fernando Ribeiro, economista-chefe da Funcex, detectada já antes da crise, quando a economia brasileira também estava em franco processo de aceleração. “Essa é uma tendência que tínhamos até 2008 e foi interrompida pela crise”, disse ele ao Valor.
Um exemplo chama a atenção: segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, a importação de partes e peças para veículos, automóveis e tratores aumentou 67,4% no primeiro trimestre. Ribeiro não vê no câmbio apreciado ou nos preços menores a atratividade dos produtos importados, mas na oferta internacional de insumos diferenciados e de melhor qualidade. Esse parece ser o X da questão.
O Brasil vive, hoje, um momentos luminoso depois de mais de duas décadas de estagnação e baixo crescimento. Fundamentos sólidos, como estabilidade econômica e Estado solvente, não mascaram, entretanto, o fato de que produzir no país é custoso. Carga tributária entre as mais altas do mundo, infraestrutura deficiente, mão de obra pouco qualificada, excesso de burocracia e custo financeiro elevado diminuem a competitividade das empresas brasileiras aqui dentro e lá fora.
Nos últimos 16 anos, o país avançou na conquista da estabilidade, mas o atual governo negligenciou a agenda de reformas institucionais. É verdade que uma reforma tributária chegou a ser proposta ao Congresso, mas o projeto, ao sugerir a manutenção da carga de impostos no patamar atual (36,5% do PIB), padecia de ousadia. Além do mais, não contou com o necessário envolvimento político do presidente da República, para quem a carga tem que ser alta mesmo.
Todos os problemas citados tendem a moldar, no longo prazo, um país exportador apenas daquilo que conta com vantagens naturais incomparáveis no plano internacional: produtos básicos e commodities em geral. Isso explica, por exemplo, o fato de estar no desempenho desses produtos a esperança de geração de saldos positivos na balança comercial no curto e médio prazos.
Neste momento, a Vale negocia, com importadores, aumento de 100% no preço do seu minério de ferro. Segundo cálculo de Octávio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, se isso acontecer, o superávit da balança comercial brasileira em 2010 deverá saltar de uma estimativa inicial de US$ 5,5 bilhões para US$ 18,4 bilhões. A notícia é boa para o país, mas não deve iludir ninguém: com o atual modelo de desenvolvimento, o Brasil está optando por voltar ao século XIX, quando era apenas uma economia exportadora de produtos agrícolas.
Valor Econômico 12.04.2010
Mercado está otimista sobre ritmo da economia
Expectativa de analistas é de que o Produto Interno Bruto cresça de 5,2% a 6% em 2010; números estão próximos à estimativa do governo
Paula Pacheco - O Estado de S.Paulo
As estimativas dos economistas para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 não são muito diferentes do que espera a área econômica do governo, como o Ministério da Fazenda e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Consultorias e corretoras trabalham com uma variação entre 5,2% e 6% como previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano.
Entre as variáveis, diz Fábio Silveira, economista da RC Consultores, estão o tamanho do ajuste do governo nos juros e, em menor escala, a inflação. Até a divulgação do PIB do quarto trimestre, Silveira trabalhava com uma estimativa de crescimento de 5% para 2010.
"Os principais índices inflacionários até agora não confirmaram a histeria que se tem visto. A pressão inflacionária de hoje tem como origem o aquecimento do mercado doméstico", explica. Além disso, segundo Silveira, existe a previsão de elevação da massa salarial da ordem de até 5% (no ano passado foi de 3,4%), o que influencia positivamente no crescimento econômico.
"Também chama a atenção a velocidade de expansão do crédito, que está crescendo na casa dos 30% no comparativo entre meses iguais", observa o economista. Somando tudo isso, Silveira acredita que seja pouco provável que a economia sofra algum susto e cresça menos do que se prevê.
Armando Castelar Pinheiro, analista da Gávea Investimentos e professor do Instituto de Economia da UFRJ, é ainda mais otimista. Ele espera um crescimento de, no mínimo, 6%, com possibilidade de chegar perto dos 7%.
"O ano já começou muito forte. A capacidade ociosa está desaparecendo, o que leva a um aumento da necessidade de investimento. Além disso, houve um recrudescimento da crise lá fora", analisa.
Desde o fim do ano passado, a consultoria Tendências vem trabalhando com uma das previsões mais acanhadas para o PIB de 2010, 5,2% de alta. Mesmo depois da divulgação do PIB do quarto trimestre, Bernardo Wjuniski, economista da Tendências, não se entusiasmou: "Os resultados foram bons, mas não apareceu nada que levasse a acreditar em um crescimento acelerado". "A recuperação da economia é consistente, mas acredito que será apenas gradual até o fim do ano. Temos aí a retirada dos estímulos fiscais (como a redução do Imposto sobre Produto Industrializado, o IPI, para alguns produtos) e o aperto monetário. Isso tudo influencia numa previsão mais conservadora", explica Wjuniski.
Economista-chefe da Link Investimentos, Marianna de Oliveira Costa calcula uma alta de 6% no PIB desde janeiro. Em dezembro, a meta era de 5%.
"Eu me surpreenderia diante do cenário que temos pela frente se o País crescesse menos do que isso. A não ser que, como resultado da alta dos juros, houvesse um efeito muito negativo em atividades como a da construção civil e a de serviços, que hoje me parecem bem fortes", explica.
PARA LEMBRAR
Luciano Coutinho, presidente do BNDES, disse ontem, em entrevista ao Estado, que "não há pressão inflacionária" e chamou o mercado de "míope". Segundo ele, graças ao aumento de 18% nos investimentos, é possível prever uma alta do PIB de quase 6% neste ano.
OESP – 12.04.2010
Perspectivas econômicas melhoram no Brasil e em países ricos, aponta OCDE
da Reuters, em Paris
As perspectivas econômicas melhoraram na maioria dos países desenvolvidos em fevereiro, assim como no Brasil, mas surgiram sinais de um arrefecimento da expansão na China, na França e na Itália, segundo indicador da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgado nesta segunda-feira.
O índice para 29 países desenvolvidos, membros da organização, subiu a 103,6 em fevereiro, ante 102,9 em janeiro, e registrou aumento de 11,8 pontos sobre o mesmo mês do ano passado.
A leitura para o G7 --formado por EUA, Japão, Canadá, Itália, França, Alemanha e Grã-Bretanha-- aumentou para 103,7, comparada a 103,0 no mês anterior.
"Os indicadores da OCDE [...] apontam para uma expansão econômica, embora em ritmo diferente entre os países e as regiões", afirmou a organização em nota. Os números mais fortes foram apurados nos Estados Unidos e no Japão.
Já o índice da China ficou estável, em 102,8, pelo segundo mês seguido, sugerindo que o ritmo de crescimento no país está começando a desacelerar. O mesmo movimento foi visto nos dados da França e da Alemanha.
O indicador para o Brasil aumentou para 99,6 em fevereiro, contra 99,3 em janeiro. O da Índia subiu para 100,8, ante 100,4, e o da Rússia melhorou para 102,3, comparado a 101,8 antes.
"Os índices de Brasil, Índia e Rússia tiveram aumentos moderados, colocando seus indicadores perto ou acima dos níveis [média] de longo prazo", afirmou a OCDE.
Folha de São Paulo – 12.04.2010
Reservas da China sobem para US$ 2,447 trilhões e atingem nível recorde
da France Presse, em Pequim
As reservas de divisas da China alcançaram no fim de março um nível recorde de US$ 2,447 trilhões, informou o Banco do Povo (banco central do país).
A China é o país com mais ativos de reservas do mundo. O valor de março supera em 25,25% a quantia que o país asiático tinha em seus cofres 12 meses antes, segundo o BC local.
No fim de dezembro, as reservas chinesas eram de US$ 2,399 trilhões.
Folha de São Paulo – 12.04.2010
China diz que vai ampliar banda de negociação do Yuan
da Reuters, em Pequim
da Reportagem Local
A China não deve considerar uma revalorização única do yuan, mas sim uma ampliação da banda de negociação da moeda, disse uma autoridades monetária do país.
"De acordo com nossa pesquisa, a opção de uma apreciação única não é aplicável, mas podemos ampliar a banda de negociação diária do yuan, movendo-se para 1%, ante o atual 0,5%", disse uma autoridade não identificada ao China Business News, desta segunda-feira.
Zhang Jianhua, diretor do departamento de pesquisa do banco central chinês, afirmou separadamente ao jornal que Pequim deve focar a administração das expectativas inflacionárias.
Na semana passada, o yuan e outras moedas asiáticas tiveram forte alta, em meio às especulações sobre as mudanças de regime cambial da China.
O jornal "The New York Times" reportou que Pequim está muito perto de anunciar uma "pequena, mas imediata" revalorização e deixaria então sua moeda flutuar mais amplamente.
A notícia, apurada em Hong Kong e que citou pessoas com conhecimento do consenso político que emerge em Pequim, coincidiu com uma rápida visita à capital chinesa pelo secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, para rápidas conversas acertadas às pressas com o vice-premiê chinês, Wang Qishan.
Folha de São Paulo – 12.04.2010
Grécia receberá € 30 bi da União Europeia
Programa de socorro, o primeiro em 11 anos do euro, pode chegar a € 80 bilhões
Andrei Netto - O Estado de S.Paulo
Os números que o governo da Grécia e o mercado financeiro tanto esperavam foram revelados ontem, em Bruxelas. Depois de dois meses de discussões, muitas idas e vindas, os ministros de finanças da União Europeia anunciaram um pacote de auxílio ao governo grego no valor de € 30 bilhões.
O montante, acrescido de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), servirá para refinanciar a dívida do país em 2010. O programa pode se estender por 36 meses, chegando a € 80 bilhões.
O acordo foi selado ontem, em Bruxelas, após uma reunião de urgência, realizada por teleconferência, entre os ministros de Finanças do Eurogrupo - o conjunto de países da zona do euro.
Falando em nome da União Europeia, o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, confirmou que os países do bloco preveem para 2010 uma linha de crédito de € 30 bilhões - o primeiro programa de socorro da história do euro, moeda criada em 1999. O premiê informou ainda que o valor será complementado por recursos do FMI.
"Os membros da zona do euro colocarão fundos à disposição da Grécia via empréstimos bilaterais", explicou.
O premiê de Luxemburgo disse que todos os demais 15 países que adotam a moeda única participarão do esforço, de acordo com o tamanho de seu Produto Interno Bruto (PIB) e de sua população, critério idêntico ao que define as contribuições ao Banco Central Europeu (BCE).
"O montante para os anos seguintes serão determinados posteriormente, em função da evolução da situação financeira da Grécia", afirmou Juncker.
Detalhes da negociação vieram à tona em Atenas por meio do ministro das Finanças da Grécia, Georges Papaconstantinou. Segundo ele, ao empréstimo da UE se somam outros € 10 bilhões do FMI.
Mais € 40 bilhões podem vir a ser postos à disposição do governo grego entre os anos de 2011 e 2012, em caso de necessidade.
A operação obedecerá aos mesmos critérios dos pacotes de ajuda do fundo, com taxas de juros estáveis de 4,90% a 5%, disse o ministro.
Mesmo com o acordo, entretanto, autoridades europeias e gregas ressaltaram que o país ainda não formalizou o pedido de ajuda.
"O governo não solicitou a ativação do mecanismo, porque nós acreditamos que podemos continuar a tomar emprestado sem problemas nos mercados", afirmou Papaconstantinou à agência ANA, classificando o dinheiro da UE e do FMI como "uma linha de segurança".
Na prática, o anúncio funciona como um instrumento de pressão da União Europeia sobre o sistema financeiro e o mercado, que vinham exigindo da Grécia juros de até 7,3% na última semana. Munido da possibilidade de pedir dinheiro aos vizinhos e ao FMI, o governo grego pretende retornar aos bancos privados, esperando condições melhores de empréstimo.
"Nós veremos como evoluirão os mercados e os spreads no curso dos próximos dias e semanas", reconheceu Papaconstantinou.
Segundo o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, o mecanismo já está em vigor e pode ser acionado a qualquer momento por Atenas, caso necessário.
Planos. Hoje, um grupo de técnicos gregos deve se encontrar com especialistas da Comissão Europeia, do BCE e do FMI para definir uma estratégia.
A dívida grega, que atingiu em dezembro € 300 bilhões - ou 113% do PIB - precisa ser renegociada com urgência, sob pena de, em caso contrário, levar o país à falência.
Apenas no mês de maio, a Grécia precisará de € 11 bilhões para refinanciar sua dívida de curto prazo.
Em 2010, o valor pode chegar a € 53 bilhões. Motivada pela degradação das finanças públicas do país, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota da dívida grega na última sexta-feira, de BBB+ para BBB-, com tendência à declínio.
OESP – 12.04.2010
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