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Mercado doméstico aquecido e câmbio puxam importações
Comércio exterior: Participação nas compras externas de bens de consumo e de intermediários cresce no 1º tri
Marta Watanabe, de São Paulo
Com mercado interno aquecido e favorecidas pelo câmbio e pela queda de preços, as importações de bens intermediários e de bens de consumo, principalmente os não duráveis, mantiveram forte ritmo de crescimento no primeiro trimestre do ano.
No período, a participação das compras de matérias-primas e de bens intermediários do exterior aumentou de 46,3% para 48,2% em relação ao valor total das importações. No primeiro bimestre do ano, o volume de intermediários desembarcados no país cresceu 39,2% na comparação com os primeiros dois meses de 2009. O preço médio dessazonalizado teve queda de 7,6%.
Com 66% de crescimento, os bens de consumo não duráveis formaram a categoria que mais teve aumento no valor médio importado durante o primeiro trimestre, na comparação com igual período do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). Por um preço médio 10% menor, o Brasil trouxe, nos primeiros dois meses do ano, praticamente o dobro do volume de bens de consumo duráveis importados em janeiro e fevereiro de 2009. Os dados são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados pela LCA Consultores.
A expectativa é que os desembarques do volume de bens intermediários continuem em ritmo acelerado. “A importação de insumos ainda não chegou a superar os picos de 2008, porque o país ainda não voltou ao nível de produção do período anterior à crise”, diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA. Ele acredita, porém, que a recuperação da produção industrial trará um volume de intermediários importados maior que o quantum registrado antes da crise. “As empresas estão em um mercado mais competitivo e precisam reduzir margens de lucro e custos. Isso em muitos casos está sendo feito com a troca de um insumo nacional por um importado.”
De acordo com o nível de utilização da capacidade instalada medido pela FGV e dessazonalizados pela LCA, a produção de intermediários ficou em 84,8% enquanto a média de 2004 a 2008 foi de 87,4%. Em bens de consumo, o índice foi de 85,4% em março, maior que a média do mesmo período (81,5%).
Borges lembra que os intermediários importados tendem a ser mais vantajosos que os insumos nacionais em função do real apreciado e dos preços baixos em dólar. “Ainda há muita ociosidade lá fora, com vários países querendo vender sua produção.” Para ele, os produtos que podem apresentar nos próximos meses quadro inverso são os que derivam do minério de ferro, em razão da alta de preços da commodity. “Mas essa é uma situação muito pontual.”
O economista diz que alguns segmentos, como o automobilístico, já apresentam alguma substituição de insumos nacionais pelos comprados do exterior. Segundo dados do ministério, a importação de partes e peças para veículos, automóveis e tratores aumentou em 67,4% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Fernando Ribeiro, economista-chefe da Funcex, chama a atenção para a baixa base de comparação quando se olha o primeiro bimestre de 2010 em relação a igual período do ano passado. “Os intermediários e os bens de consumo duráveis foram os que mais sentiram os efeitos da crise”, lembra.
Mesmo levando em conta a baixa base de comparação, diz Ribeiro, há o efeito do forte crescimento da economia interna na importação dos dois itens. Para ele, certamente haverá em 2010 a substituição de bens intermediários nacionais por importados. “Essa é uma tendência que tínhamos até 2008 e foi interrompida pela crise.” Para ele, a grande diferença não é o preço ou o câmbio, mas a oferta internacional de insumos diferenciados e de melhor qualidade.
Ribeiro acredita que a importação de intermediários manterá ritmo forte, alavancada pela produção nacional em 2010. “Um crescimento de 7% ou 8% da produção industrial deve gerar uma taxa de elevação três ou quatro vezes maior em quantum de intermediários importados”, diz.
A perspectiva para a importação de bens de consumo duráveis é diferente. Para o economista Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os duráveis deverão passar por uma estabilidade do volume desembarcado ou até um certo arrefecimento até o fim do ano.
Borges, da LCA, diz que a elevação na importação de bens duráveis está fortemente baseada nos automóveis. Os importados, diz, eram, em 2008, 12,9% do total de carros licenciados no país. No ano passado, quando houve recorde de vendas de automóveis no mercado interno, os importados chegaram a 14,8%. No primeiro bimestre, saltaram para 20%.
O desempenho dos duráveis, diz o economista da LCA, está muito relacionado à facilidade de crédito e redução da taxa de juros, que tendem a favorecer esse tipo de bem. “No segundo semestre, porém, já teremos os resultados da política monetária do governo para controle do consumo”, diz Borges.
Valor Econômico – 08.04.2010
EUA começam a cumprir o acordo com o Brasil
Governo americano suspende amanhã o programa de subsídio à exportação agrícola
Raquel Landim - O Estado de S.Paulo
A administração Barack Obama ignorou as reclamações do Congresso dos Estados Unidos e começou a cumprir o acordo com o Brasil. A partir de amanhã, estão suspensos os pagamentos do programa de garantia de crédito à exportação agrícola previstos para este ano. Ontem, senadores americanos afirmaram que mudanças nos subsídios só poderiam ocorrer em 2012.
O Departamento de Agricultura dos EUA informou que os produtores têm até o meio-dia de hoje para garantir empréstimos nas condições atuais. Segundo comunicado do órgão, os recursos voltarão a ser oferecidos, mas com novos juros. Dos US$ 5,5 bilhões previstos para 2010, os EUA liberaram US$ 2,8 bilhões até o início da semana.
É a primeira medida concreta dos americanos para modificar os subsídios após o acordo selado com o Brasil na segunda-feira. Os EUA se comprometeram a suspender o programa enquanto negociam com os brasileiros juros menores e prazos mais curtos para o financiamento da exportação agrícola.
Benefício. Se realmente mudarem o programa, os americanos vão desestimular a exportação, o pode elevar as vendas brasileiras de algodão, soja, carne de frango e carne suína - produtos em que o Brasil concorre com os EUA no mercado. O programa de garantia à exportação vale para todas as commodities agrícolas.
"O Congresso estava ameaçando, mas os americanos fizeram o que haviam prometido", disse Pedro de Camargo Neto, ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e mentor do painel do algodão.
O governo brasileiro adiou para 22 de abril a retaliação contra produtos americanos. Se tudo caminhar bem, mais 60 dias serão concedidos para chegar a um acordo definitivo. A Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o Brasil a retaliar, depois que os EUA se recusaram a tirar os subsídios considerados ilegais pelo órgão em um processo vencido pelo País.
Segundo o diretor do departamento econômico do Itamaraty, Carlos Cozendey, os EUA ainda precisam tomar duas medidas até 22 de abril: iniciar a consulta pública sobre a importação de carnes de Santa Catarina e fazer o primeiro aporte de um fundo de apoio à cotonicultura.
As negociações sobre o fundo, que terá US$ 147 milhões por ano, já começaram. Os produtores querem criar um instituto para administrar o dinheiro, disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha. Ele propõe investimento em pesquisa, sustentabilidade e marketing institucional do algodão.
Decepção. Os países africanos ontem não escondiam a frustração. Benin, Chade, Burkina Faso e Mali pedem o fim dos subsídios ao algodão na Rodada Doha. Mas, como a negociação não tem data para ser concluída, a última esperança era a disputa do Brasil. Eles revelaram que ficaram sabendo do acordo pela imprensa. "A sensação que dá é de que, quando o caso estava sendo montado, nos procuraram para mostrar que a luta era de todos os países pobres contra os EUA. Agora que obtiveram vantagens, nem nos consultaram", disse um negociador africano. / COLABOROU JAMIL CHADE, DE GENEBRA
OESP – 08.04.2010
ABTP questiona portaria da SEP
De A Tribuna On-line
A Portaria 108, que estabelece os critérios para a concessão de portos no País, publicada nesta quarta-feira pela Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP), gerou mais dúvidas do que certezas ao setor privado. Os questionamentos vão desde a cobrança de taxa de fiscalização estipulada até a preservação da concorrência aos terminais já implantados.
As normas foram determinadas na edição desta quarta-feira do Diário Oficial da União. Segundo o ministro da Secretaria, Pedro Brito, “elas apenas ratificam o que está na lei”.
A portaria aponta que a SEP decidirá sobre a oportunidade e a conveniência de licitação de portos, deixando a realização da concorrência sob a responsabilidade da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), órgão regulador do setor.
A Tribuna – 08.04.2010
Fiesp debate acordo entre Mercosul e União Europeia
Da Agência Brasil
São Paulo - Após seis anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia (UE) retomam a possibilidade de um acordo de livre comércio. Para discutir o assunto, representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebem hoje (8), às 11h, o presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Vital Moreira.
Ele estará acompanhado de deputados que também irão à Fiesp em busca de um entendimento entre os blocos econômicos. A abertura do simpósio será feita pelo vice-presidente da federação, Benjamin Steinbruch, e por Vital Moreira.
Edição: Graça Adjuto
Agência Brasil – 08.04.2010
Sindicalistas discutem em Buenos Aires comércio entre União Europeia e América Latina
Luiz Antônio Alves
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Sindicalistas do Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile e da Argentina discutem hoje (8) e amanhã, em Buenos Aires, o tratado de livre comércio que está sendo negociado entre a União Europeia e países da América Latina. De acordo com a agência oficial de notícias IP Paraguay, esta é a primeira reunião plenária da Coordenação de Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS) em 2010.
Os sindicalistas aproveitarão a plenária para definir a pauta de discussões de um novo encontro que será realizado na Argentina, no mês de julho, simultaneamente à reunião de chefes de Estado do Mercosul e dos países associados ao bloco.
O secretário-geral da CCSCS, o argentino Adolfo Aguirre, disse que "existem mais desigualdades do que simetrias entre a União Europeia e a América Latina. O bloco europeu já existe há dezenas de anos, tem um Parlamento funcionando, um formato financeiro e uma estrutura de chefes de Estado que define as linhas comerciais.
Na América Latina, temos um Parlamento que não influencia a legislação dos países membros do Mercosul, os chefes de Estado aprovam políticas para seis meses e não existe uma estrutura financeira regional", disse.
A Coordenação de Centrais Sindicais do Cone Sul foi criada em 1986 e representa 25 milhões de trabalhadores. Participa de conferências internacionais de chefes de Estado e apresenta propostas às comissões setoriais do Mercosul. O encontro em Buenos Aires termina amanhã.
Edição: Tereza Barbosa
Agência Brasil – 08.04.2010
China e Costa Rica assinam tratado de livre comércio
da France Presse, em Pequim
China e Costa Rica assinaram nesta quinta-feira em Pequim um tratado de livre comércio, que abre o caminho para o fim das taxas de importação nos negócios entre os dois países, anunciou o ministério chinês do Comércio.
O tratado permitirá uma dedução fiscal substancial da importação de têxteis, produtos químicos e máquinas da China pela Costa Rica, assim como uma supressão quase total das taxas de importação do café e dos sucos de fruta do país centroamericano importados pelo gigante asiático.
Na América Latina, a China tem acordos de livre comércio com Chile e Peru.
Folha de São Paulo – 08.04.2010
Fluxo cambial voltou a ser positivo em março
Dados do BC indicam que US$ 2,11 bilhões entraram no País, o que reverteu a saída de US$ 399 milhões
BRASÍLIA - O Brasil voltou a receber dólares em março. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que US$ 2,11 bilhões ingressaram no País, o que reverteu a saída de US$ 399 milhões observada em fevereiro.
O principal responsável pela virada dos números foi o comércio exterior, que trouxe US$ 2,39 bilhões em março. Já as operações financeiras (investimentos e aplicações financeiras) mostraram saldo negativo de US$ 280 milhões.
No início do mês passado, empresas aproveitaram as cotações mais altas do dólar para fechar contratos de exportação, o que aumentou o ingresso da moeda pela via comercial. Ao mesmo tempo, a melhora das condições externas ampliou o apetite por risco e estrangeiros voltaram a trazer recursos ao Brasil, principalmente no fim do mês.
O saldo de contratos de câmbio de exportação saltou 60,8% na comparação com fevereiro. O aumento se deve ao maior número de dias úteis e à alta do câmbio no início do mês, quando a cotação do dólar rondou o R$ 1,80 e incentivou muitas empresas a fechar contratos para converter em reais dólares recebidos pelas vendas ao exterior.
Cenário externo. Também colaborou para o cenário a melhora do noticiário externo em relação à situação fiscal de países como Grécia, Espanha e Portugal, aumentando o apetite por risco dos investidores internacionais. Isso ampliou o fluxo de dólares para o Brasil, a partir de meados do mês.
"O viés de desvalorização do real visto nos dois primeiros meses do ano foi contido porque houve clara redução da aversão a risco entre os estrangeiros", diz o economista-chefe da Gradual Investimentos, Pedro Paulo Silveira.
Mesmo assim, em março o saldo das transferências para compra e venda de ações e títulos, investimentos produtivos e remessas de lucros ficou negativo em US$ 280 milhões. O resultado, diz Silveira, é um ponto fora da curva.
"A tendência é que o Brasil receba mais dólares para Investimento Estrangeiro Direto e também para aplicações em portfólio, o que deixará essa conta novamente positiva. É por isso que não há grande preocupação com o financiamento das contas externas em 2010", diz o economista.
OESP – 08.04.2010
O dilema do BC e do Fed
Alberto Tamer - O Estado de S.Paulo
O Fed afirmou que vai manter os juros em torno de zero ainda por algum tempo. E Ben Bernanke reforçou: por um período prolongado de tempo. Até que a economia dê sinais mais firmes de recuperação, com aumento da produção e do consumo.
Lá, ao contrário daqui, a política do banco central não é discutida em público pelo governo antes de suas decisões. Também não há manchetes de jornais tratando os juros como um jogo entre Santos e Corinthians no qual o juiz roubou.
"A política do Fed depende do comportamento da economia, não do calendário. O Fed vai agir quando quiser, e não será limitado", disse o analista americano Dan Greenhaus, após sair a ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed.
Eles e nós. Nos Estados Unidos, afirma o Fed, "há uma substancial folga para manter a inflação contida." A demanda não cresce e a produção, também. Mesmo com o resultado surpreendente no último trimestre do ano passado, de 5,4%, o PIB anualizado continua abaixo de zero. Há que estimular a demanda com estímulos fiscais, apesar dos déficits e juros baixos, na verdade, negativos, descontada a inflação. A prioridade é sair da crise e crescer. Nós já saímos e estamos crescendo. Lá, é preciso manter os juros baixos; aqui, elevá-los para impedir o desequilíbrio entre produção e demanda.
Eles não esperam crescer mais de 2,2% este ano, nós estamos nos aproximando de 6%, mas a capacidade de produção industrial se aproxima do limite: 85%. Mais consumo, mais produção, sinônimo de pressão inflacionária. Isso não existe nos EUA, como reitera Bernanke. Nem mais inflação, pouco mais de 2% em um ano, nem mais produção, mesmo porque o mercado externo também continua retraído.
E aqui? Bem, aqui estamos pagando o preço confortável do sucesso. Janeiro, fevereiro, inflação de 1,54%; março, mais 0,5%. E aí vamos nós com o índice subindo no ritmo do consumo, que não para de crescer. O BC se assustou. Em dezembro, previa inflação de 4,6% este ano. Agora, 5,2%. E pode não parar aí, pois a renda dos assalariados cresceu 10% no ano passado, apesar da crise; e um ganho de 9,5% do salário mínimo em 12 meses; e as empresas voltam a contratar para compensar os 2 milhões de empregados liberados em 2009. Estima-se que mais 1 milhão serão contratados, pelo menos. Mas o aumento da produção, que reanimará a economia, só virá em alguns meses. É a produção caminhando atrás do consumo. É a porta aberta para a inflação, que está aí.
Tudo contra ela! O BC se assusta. O presidente, também. Mandou ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, dizer que "a ordem do governo é bater na inflação". "Não queremos, de forma alguma, que ela seja um problema." Eles sabem, o presidente e o ministro, que não adianta um esforço enorme para aumentar a renda dos empregados, 10%, como foi no ano passado, se a inflação comer 5%. E ela é mais rápida e voraz, come a renda no dia a dia das famílias nos supermercados, onde as vendas continuam crescendo.
A saída é... Aumento dos juros, como primeiro passo de uma política mais austera. Eles estão, hoje, no nível mais baixo, de 8,75%. Chegaram até aí para permitir que a recessão no Brasil durasse pouco e fosse amena. Mas, aqui, o dilema: aumenta os juros agora, dias 27 e 28, ou depois, mais perto das eleições. Juro maior agora e inflação menor depois, ou inflação mais alta agora e juro mais alto depois. Juro não resolve o problema. A solução é investir e produzir. Mas estamos longe disso.
OESP – 08.04.2010
Banco Central Europeu mantém taxa de juros em 1%
da Reuters, em Frankfurt
O BCE (Banco Central Europeu) manteve sua taxa básica de juros na mínima recorde de 1% pelo 11º mês consecutivo nesta quinta-feira, como o esperado por economistas.
O BCE também manteve sua taxa de depósito overnight, que atua como um piso para os mercados, em 0,25%, e deixou sua taxa marginal de empréstimo em 1,75%.
Todos os 82 economistas em uma pesquisa recente da Reuters esperavam que o BCE mantivesse as taxas neste mês e, em média, veem o primeiro aumento apenas no início do ano que vem.
Folha de São Paulo – 08.04.2010
Banco Central britânico mantém taxa de juros em 0,5%
da Reuters, em Londres
O banco central da Grã-Bretanha manteve as taxas de juros na mínima recorde de 0,5% pelo 13º mês consecutivo nesta quinta-feira, e não aumentou o seu programa de compra de ativos de 200 bilhões de libras para estimular a economia.
Nenhum dos 64 analistas consultados esperavam que a instituição fizesse mudanças neste mês, pois a perspectiva econômica continua incerta e deve permanecer assim pelo menos até depois das eleições nacionais, em 6 de maio.
Folha de São Paulo – 08.04.2010
Pedidos de máquinas no Japão caem de novo
Juliana Cardoso
SÃO PAULO - Os pedidos de máquinas do setor privado do Japão caíram 5,4% em fevereiro, seguindo um recuo de 3,7% na abertura do ano. O indicador, que respeita ajuste sazonal, exclui o setor naval e de geração de energia por serem considerados mais voláteis.
Pesquisa do Departamento do Gabinete japonês mostrou que o valor total das solicitações de máquinas recebidas pelos 280 manufatureiros operando no país diminuiu 0,4% entre o primeiro e o segundo mês de 2010.
Valor Econômico – 08.04.2010
Efeito China
Celso Ming - O Estado de S.Paulo
Quem examina no gráfico em zoom o comportamento dos preços de algumas commodities, pode concluir equivocadamente que é forte a recuperação do sistema produtivo global. E, no entanto, para (quase) todos os efeitos, a economia mundial avança em marcha lenta.
Ainda ontem, Ben Bernanke, presidente do Fed (o banco central americano), avisou que a recuperação econômica dos Estados Unidos está frágil. Tão frágil que ainda vai levar algum tempo para começar a elevar os juros básicos que hoje estão em torno de zero por cento ao ano.
Desta vez, apenas os emergentes mostram dinâmica diferente dessa. A economia da China, por exemplo, vai crescendo a 10% ao ano; a da Índia, quase 8%; a da Indonésia, 6%; a da Coreia do Sul, 5%; e a do Brasil, perto dos 6%. Não fosse essa pujança, o mundo da alta renda estaria mais prostrado do que está.
Mesmo contando com apenas uma turbina, o Boeing global já está exigindo suprimentos de matérias-primas em volume tal que provoca saltos nas cotações. Em um ano os preços do minério de ferro subiram entre 90% e 100%; os do petróleo, 35%; os do cobre, 80% (veja tabela). Se a pressão sobre os preços é essa em tempo de recessão, imagine o que poderá ser quando as economias dos Estados Unidos e da Europa voltarem a bombar.
Ainda se ouvem interpretações estapafúrdias sobre o que está acontecendo. Como já foi dito nesta Coluna, as primeiras reações falavam em especulação com minério de ferro, hipótese descabida quando se trata de matéria-prima que não possui características de commodity, não é negociada diariamente nas bolsas de mercadorias. Logo em seguida, espocaram manifestações por parte de empresas consumidoras do produto, que denunciavam o cartel das mineradoras.
Não dá para negar a existência de uma forte concentração da oferta do minério, mas esse não é fator explicativo para o que está acontecendo, até porque o oligopólio existe há anos e nunca aconteceu salto de 100% nos preços. O fato novo é a forte participação da China e da Índia na produção de aço. Atiram-se com fome de leão sobre o mercado de matérias-primas.
Para o Brasil e os fornecedores tradicionais de produtos primários, essa é uma notícia que chega com o que oferece de bom e, também, com alta dose de desafios. No entanto, a pergunta que tem de ser respondida é se o mundo aguenta o atual ritmo de crescimento dos emergentes. Para o biólogo americano Edward Wilson, para que a população da China usufrua padrões ocidentais de consumo, serão necessários pelo menos quatro planetas Terra para garantir o suprimento de matérias-primas. Afirmações desse tipo têm sido feitas e em seguida contestadas desde 1798, quando foram divulgadas as obras do economista inglês Thomas Malthus. Mas não dá para negar a força lógica dessa afirmação.
Pode-se imaginar os efeitos políticos a serem produzidos na corrida pelo controle dos suprimentos de matérias-primas. Mas, bem antes disso, a pressão sobre os preços desses produtos tenderá a elevar os custos e a provocar inflação.
Os primeiros cálculos são de que o aumento dos preços do aço em consequência da alta do minério de ferro produzirá um terço da inflação brasileira.
OESP – 08.04.2010
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