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A briga que o País evitou e da qual já não pode sair
Marcada por disputas políticas dentro do governo, a briga de 8 anos com os EUA pelos subsídios do algodão chega ao desfecho
Raquel Landim - O Estado de S.Paulo
Era outubro de 2002, e a equipe de Fernando Henrique Cardoso se preparava para deixar o poder. Após uma análise minuciosa do caso, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, estava convencido de que os Estados Unidos subsidiavam ilegalmente os produtores de algodão, relata seu assessor na época, Eduardo Leão.
"Nós que fizemos. Vamos dar entrada no processo. Não vamos deixar para o próximo governo", disse Malan, em uma das últimas reuniões da Câmara de Comércio Exterior do governo FHC. Dessa maneira, ele resolveu uma queda de braço entre Itamaraty e ministério da Agricultura que ameaçava acabar com o painel do algodão em seu nascedouro.
A decisão de Malan selou o destino de uma das mais emblemáticas disputas da Organização Mundial de Comércio (OMC). Hoje, quase oito anos depois, o painel do algodão pedido pelo Brasil contra os EUA na OMC parece chegar ao final.
Na próxima quarta-feira, o governo brasileiro deve iniciar a retaliação contra os americanos se os dois países não chegarem a um acordo. Não foi uma briga fácil. O processo foi marcado por intensas disputas políticas.
Em nota técnica de junho de 2002, o Itamaraty alertava que seria "extremamente complexo estabelecer a ligação entre os subsídios americanos e os prejuízos ao Brasil". Os diplomatas estavam preocupados com as consequências políticas. "Trata-se de um contencioso que questionará o cerne da política agrícola americana", dizia o documento. O Itamaraty apontava, ainda, temores de contrarretaliação.
"Houve uma forte objeção do Itamaraty. Eles tinham medo de perder. Diziam que ficaria feio para o Brasil", disse Marcus Vinícius Pratini de Moraes, que era ministro da Agricultura. Celso Lafer, que ocupava a pasta das Relações Exteriores, nega resistências. "Era a hora de abrir o processo, mas eu sabia que ia ser complicado, como de fato foi."
Bom de briga. Quando o assunto chegou à Camex, o Ministério da Agricultura avaliava três produtos para contestar os subsídios dos países ricos: soja, açúcar e algodão. Pratini convidou Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, para ser secretário de Política Agrícola. "Chamei o Pedro porque ele era bom de briga."
Ao assumir o cargo, Camargo Neto pediu aos técnicos que "varressem" os subsídios dos EUA e da União Europeia. Para os europeus, o produto seria o açúcar. Para os EUA, surgiu a ideia da soja, mas foi perdendo força porque a produção brasileira crescia exponencialmente.
Foi quando um funcionário de carreira do ministério, Lino Colsera, sugeriu o algodão. "Os EUA dominavam o mercado internacional. Tudo que faziam afetava os preços", explica Colsera. De 1998 a 2002, o governo americano pagou entre US$ 1,9 bilhão e US$ 3,9 bilhão, por ano, aos produtores de algodão.
Os valores estavam acima do teto de US$ 1,4 bilhão estabelecido na Rodada Uruguai. Logo, os americanos não estavam mais protegidos pela "Cláusula da Paz" - um dos parágrafos do acordo que permitia subsídios desde que respeitassem limites.
Além disso, o assunto tinha potencial para se tornar um tormento político. Os subsídios iam para grandes produtores - o pagamento per capita chegava a US$ 5 milhões por ano. Enquanto isso, países pobres do Oeste da África sofriam com a distorção dos preços.
O dano para o Brasil era simples de provar. O País já tinha sido um grande produtor de algodão, mas a cultura foi devastada pelas pragas. Em 2002, com a migração para o Mato Grosso, a produção de algodão brasileira renascia. Esse esforço estava em risco com o subsídio americano.
Bandeira política. Os painéis do algodão e do açúcar, no entanto, não nasceram de reclamações dos produtores agrícolas. Disputas do comércio internacional costumam surgir quando grupos privados se sentem prejudicados e pedem ajuda aos governos. Mas, nesses casos, os empresários foram chamados a enfrentar americanos e europeus.
"Era para ser uma bandeira política mesmo. Pretendíamos ter um caso contra o Japão também, mas não deu tempo", confessa Camargo Neto. O objetivo do Brasil era liderar o descontentamento que surgia entre os países em desenvolvimento.
Um conflito como esse tem raízes profundas. A China ainda não tinha despertado seu apetite por commodities e os preços dos produtos agrícolas despencaram na década de 90.Os EUA reagiram despejando subsídios e deprimindo mais as cotações.
A atitude americana irritou agricultores ao redor do mundo. Somado a isso, a Rodada Uruguai tinha sido uma frustração. Nos corredores da OMC, em Genebra, já se falava em agrupar os países pobres contra os subsídios do mundo rico.
A agricultura brasileira começava o salto tecnológico que permitiu ao País se tornar um dos maiores produtores do mundo. E surgia uma burguesia no campo, da qual Camargo Neto fazia parte, atenta a questões complexas como os subsídios.
Jorge Maeda presidia a Associação Brasileira de Produtores de Algodão. Filho de imigrantes japoneses, Maeda cultiva hoje mais de 100 mil hectares de terra. Ele conta que recebeu um telefonema de Camargo Neto.
"O Pedro me disse: "Maeda, tem uma oportunidade aqui de abrir um processo na OMC contra os EUA. Vocês querem encapar isso?" Respondi: OMC é complicado... Ele falou: "não vai custar mais de US$ 200 mil". Você tem 24 horas para responder."
Maeda reuniu os principais produtores agrícolas do País e explicou o problema: o Tesouro americano subsidiava, aumentava a produção e os preços caíam. "Disse a eles que, quanto mais desgraça, mais os americanos ganhavam dinheiro", disse.
Os agricultores concordaram em apoiar a briga, mas não imaginavam que a conta chegaria a quase US$ 3 milhões. Com recurso do setor privado e consenso no governo, Camargo Neto foi a Genebra protocolar o painel do algodão, em que o Brasil desafiava os Estados Unidos.
CRONOLOGIA
Uma longa e cara disputa
Outubro de 2002
Primeira ação
O governo brasileiro decidi contestar os subsídios concedidos pelos EUA
Março de 2003
Início do processo
A OMC inicia o processo contra os EUA a pedido do Brasil
Setembro de 2004
Primeira vitória
A OMC divulga seu relatório final e dá vitória ao Brasil, condenando os subsídios dos EUA aos produtores. Os EUA apelam da decisão
Março de 2005
Segunda vitória
O órgão de apelação da OMC mantém a vitória do Brasil. Mas os EUA não se mexem
Agosto de 2006
Reforma nos EUA
EUA reformam seus subsídios. Brasil pede a OMC para checar se painel foi cumprido
Setembro de 2006 a junho de 2008
Na malha da burocracia
Mais de dois anos são gastos em procedimentos burocráticos e apelações dos EUA.
Agosto de 2008
País cobra definições
Brasil retoma o processo do algodão e pede a OMC para definir valor e retaliação
Agosto de 2009
Sai a punição aos EUA
OMC define retaliação de US$ 830 milhões ( US$ 530 milhões em bens). Aprovada também a "retaliação cruzada" com quebra de patentes
Março de 2010
A lista da retaliação
Lista definitiva da retaliação é divulgada. Número de bens afetados cai para 102. País inicia consulta pública sobre "retaliação cruzada"
Maio de 2010
O Dia D
Se não houver acordo, retaliação vai entrar em vigor no dia 7 de maio, uma quarta-feira.
OESP – 04.04.2010
Brasil deve receber hoje pedido de adiamento das retaliações por dois meses
Governo brasileiro tem reiterado que a não aplicação da medida só ocorrerá diante de uma proposta concreta dos EUA
Renata Veríssimo, da Agência Estado
BRASÍLIA - O Brasil deve responder nesta segunda-feira, 5, ao governo dos Estados Unidos o pedido de adiamento por dois meses da entrada em vigor da retaliação na área de bens, marcada inicialmente para quarta-feira, 7 de abril. Na última quinta-feira, durante reunião das duas delegações, em Brasília, os Estados Unidos solicitaram verbalmente o adiamento e ficaram de encaminhar hoje ao Brasil uma solicitação por escrito. Caso se confirme, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) que se reúne hoje, às 16 horas, deve discutir se acata ou não o pedido de prorrogação.
O governo brasileiro tem reiterado que a não aplicação do direito de retaliação só ocorrerá diante de uma proposta concreta dos Estados Unidos, para retirar os subsídios concedidos à produção e exportação de algodão. Os negociadores brasileiros consideram que não tiveram uma proposta concreta, na reunião da última Quinta-feira. Mas há uma expectativa de que essa proposta possa chegar hoje, por escrito, junto com o pedido de adiamento da aplicação da retaliação.
Agência Estado – 05.04.2010
Brasil e Estados Unidos estão perto de acordo
SÃO PAULO - Delegação norte-americana comandada pela vice-representante de Comércio da Casa Branca, Miriam Sapiro, tenta entrar em acordo com o Brasil para que na quarta-feira, dia 7, o País não inicie a retaliação a produtos norte-americanos autorizada pela Organização Mundial de Comércio (OMC).
Na quinta-feira foi realizada a primeira rodada de negociações, na busca de uma alternativa às retaliações comerciais impostas pelo Brasil, em resposta aos subsídios concedidos a produtores e exportadores norte-americanos de algodão. Os representantes do governo brasileiro são o secretário das Relações Exteriores, Antônio Patriota, e membros dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Agricultura e da Casa Civil.
Para o diretor da Fractal, Celso Grisi, os Estados Unidos vieram preparados para negociar com os representantes do governo brasileiro, uma vez que a retaliação irá prejudicar não somente o setor agrícola do país, mas outros setores de extrema importância, como biotecnologia e medicina.
"A negociação vai harmonizar as relações. Os norte-americanos não podem perder o direito a suas patentes e suas tecnologias: para eles, é perder o posto de pioneiros, não vai acontecer. Fato é que a proposta será dentro do setor agrícola, uma vez que outros setores não têm ligação com a reclamação ou autorização de retaliar. Além disso, se o Brasil endurecer, poderá iniciar uma batalha mundial de retaliações: outros países desenvolvidos terão receio de sofrer a mesma resolução dada ao Brasil contra os Estados Unidos pela OMC e podem voltar este medo contra o País", disse.
De acordo com Grisi, a melhor forma de chegar a um acordo seria com uma proposta criativa e que não deixasse nenhum dos dois países como perdedores.
"Os representantes terão uma forma criativa de rever esse impasse. Vão oferecer estrutura e mão de obra qualificada para iniciar pesquisa conjunta no setor de cotonicultura [cultivo de algodão], ou fazer um aporte de conhecimentos na área de genética para aperfeiçoar sementes e variedades agrícolas. Além disso, irão retaliar produtos insignificantes para o comércio bilateral, demonstrando que o Brasil também conseguiu fazer o que foi determinado", pontuou Grisi.
O diretor da Fractal completa que, mesmo com as negociações, o valor do acordo será menor do que o determinado pela OMC para a retaliação.
Representantes de ambos os lados recusaram-se a confirmar se os Estados Unidos haviam apresentado uma oferta ao governo brasileiro, limitando-se a dizer que estão "em um diálogo construtivo."
Caso não haja consenso entre os representantes, no próximo dia 7, o Brasil inicia as retaliações sobre 102 produtos americanos, que sofrerão acrescimento de 100% na alíquota do imposto de importação, escolhidos pela Câmara de Comércio (Camex), após opinião de empresários brasileiros. Uma segunda etapa da retaliação virá na forma de suspensão de direitos de propriedade intelectual, cujo período de consulta pública se encerra hoje.
A indústria de defensivos entregará à Camex documento no qual se posiciona contra a retaliação cruzada, nos itens que preveem a quebra de patente de produtos químicos agrícolas, propriedade intelectual e royalties, segundo fonte ligada ao setor.
A avaliação da indústria é de que este tipo de retaliação provocará prejuízos ao setor, uma vez que a retaliação pode atingir empresas com sede ou com unidades instaladas nos Estados Unidos, o que afetaria as multinacionais do segmento.
Dos 21 itens passíveis de retaliação cruzada, o documento aponta cinco itens que poderão ter impacto negativo sobre a agropecuária brasileira. Dentre eles estão os itens 2, 7 e 12, que tratam da quebra de patentes de produtos ou processos relativos aos produtos químicos agrícolas.
Balança comercial
No mês de março a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 668 milhões, proveniente das exportações de US$ 15,727 bilhões (média diária de US$ 683,8 milhões) e importações de US$ 15,059 bilhões (média diária de 654,7 milhões). A corrente de comércio totalizou US$ 30,786 bilhões.
As exportações apresentaram crescimento de 27,4% sobre os embarques médios diários registrados no mesmo mês de 2009 (US$ 536,8 milhões). Em relação a fevereiro deste ano (US$ 677,6 milhões), as vendas brasileiras tiveram crescimento de 0,9%.
As importações, na mesma comparação, evoluíram 43,3% em relação a março do ano passado (US$ 457 milhões), mas sobre fevereiro último (US$ 655,7 milhões) houve queda de 0,1%.
A média diária do superávit comercial registrado em março (US$ 29 milhões) foi 63,6% menor que o verificado em março do ano passado, quando a média diária chegou a US$ 79,8 milhões. Em relação a fevereiro deste ano (US$ 21,9 milhões), foi observado crescimento de 32,7%.
A corrente de comércio cresceu 34,7% em relação a março do ano passado.
Nos primeiros três meses de 2010, os embarques brasileiros para mercados estrangeiros acumularam US$ 39,229 bilhões, com média diária de US$ 643,1 milhões. Esse desempenho foi 25,8% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.
As importações totalizaram, no mesmo período, US$ 38,334 bilhões, a uma média diária de US$ 628,4 milhões, valor 36% superior ao verificado no mesmo período do ano passado.
O saldo comercial, no acumulado do ano, chegou a US$ 895 milhões. Houve queda de 70% na comparação com o mesmo período de 2009 (US$ 49 milhões).
DCI – 05.04.2010
Comércio entre Mercosul e Israel começa a vigorar a partir de hoje
Luiz Antônio Alves
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Entra em vigor hoje (4) o Tratado de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul, bloco econômico que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Com a formalização do acordo, termina a série de negociações iniciadas durante a Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, em 2005. Israel é o primeiro país fora do território sul-americano a formalizar o comércio bilateral com o bloco.
A oficialização do comércio entre Israel e o Mercosul foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 15 de março, ao discursar para um grupo de empresários brasileiros e israelenses reunidos em Jerusalém.
Até agora, somente o Brasil e o Uruguai, entre os países do Mercosul, autorizaram as trocas comerciais com Israel. A Argentina e o Paraguai ainda não encerraram os procedimentos que formalizam o Tratado de Livre Comércio em seus respectivos territórios, mas isso não impede que os negócios comecem a ser realizados pelo Brasil e pelo Uruguai.
Os acertos finais para a autorização brasileira ao comércio com Israel foram feitos pelo secretário de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Welber Barral, durante viagem àquele país no início do mês passado.
Segundo Welber Barral, outro assunto tratado durante sua viagem a Israel foi um memorando de entendimento de cooperação na área tecnológica com o Brasil. “Esse memorando”, disse o secretário, “prevê a oportunidade, inclusive, do financiamento de um conjunto de pesquisas entre empresas brasileiras e israelenses”.
O primeiro passo para a efetiva troca comercial entre Israel e os países do Mercosul, segundo o secretário de Comércio Exterior, é a redução tarifária para uma lista de produtos que entrarão na pauta comercial de cada um dos países que compõem o bloco econômico sul-americano.
Oito mil itens com tarifa reduzida ao longo dos próximos oito anos compõem a pauta comercial oferecida por Israel. O Mercosul, por sua vez, oferece 9.424 itens com tarifa reduzida gradativamente em dez anos. O Brasil está interessado nos setores de agronegócio, defesa espacial, mineração, indústria têxtil, tecnologia, aviação e medicamentos.
Cerca de 150 empresas israelenses operam no Brasil. A maioria oferece serviços de alta tecnologia em áreas como agricultura, telecomunicações, tecnologia da informação, produtos e tecnologias de segurança e equipamentos médicos.
Agência Brasil – 04.04.2010
Entidade quer restringir importações de minério
De A Tribuna On-line
A Associação de Ferro e Aço da China (CISA, na sigla em inglês) está criando medidas para reduzir o número de operadores com permissão de importar minério de ferro, disse uma fonte do setor disse nesta sexta-feira.
"A CISA está atualmente discutindo as medidas com a Câmera de Comércio de Importadores e Exportadores de Metais, Minerais e Químicos, e detalhes vão emergir mais tarde", disse uma fonte da Câmara.
A CISA também vai implementar um sistema com o objetivo de garantir que os volumes de importação estejam de acordo com as necessidades reais das fábricas de aço e também de impedir que os operadores revendam. Um novo "sistema auditor" também vai permitir que os portos recusem a entrada de minério de ferro importado de má qualidade.
Na reunião de sexta-feira, o presidente da CISA, Shan Shanghua, pediu que os importadores licenciados boicotem as três grande mineradoras de minério de ferro nos próximos dois meses para combater o seu "comportamento monopolista", de acordo com uma matéria do jornal chinês 21st Century Business Herald.
Shan disse que a produção doméstica de minério de ferro da China seria suficiente para manter as fábricas funcionando por dois meses, e que os estoques dos portos também podem ser usados.
A CISA, que não estava disponível no momento para comentar sobre o assunto, tinha culpado anteriormente os pequenos operadores por arruinar sua posição nas conversas sobre preço de referência com mineradoras estrangeiras na semana passada.
A associação alega que as importações de grandes quantidades de minério dificultaram a tentativa de melhorar a posição da China durante as negociações e convencer Rio Tinto, BHP Billiton e Vale a dar um preço mais favorável aos consumidores chineses.
A Tribuna – 03.04.2010
Agentes consultados pelo BC mantêm previsão para Selic e câmbio no ano
Juliana Cardoso
SÃO PAULO - Os analistas financeiros sondados pela Banco Central (BC) no Boletim Focus reforçaram a perspectiva de taxa Selic a 11,25% ao ano no fim de 2010 e de dólar a R$ 1,80 no encerramento do mesmo período.
Para o próximo calendário, a estimativa é de que a taxa básica de juro se situe em 11%, sem mudança, mas que a moeda americana se encontre a R$ 1,90, acima do esperado anteriormente (R$ 1,85).
Em abril, o prognóstico é de dólar a R$ 1,80, mesma taxa esperada no relatório passado.
Valor Econômico – 05.04.2010
Dólar ganha impulso do payroll e avança ante euro e iene
Às 10h20, o euro caía para US$ 1,3498 e o dólar subia para 94,38 ienes, de 93,88 ienes
Danielle Chaves, da Agência Estado
NOVA YORK - O dólar ganha contra o euro e o iene nesta manhã, refletindo o payroll norte-americano divulgado na sexta-feira, interpretado como um sinal de que a recuperação da economia dos EUA continua ganhando tração. Na madrugada, o dólar atingiu uma nova máxima para sete meses frente ao iene e, com a entrada dos investidores do horário norte-americano, o euro estabeleceu novas mínimas para o dia contra a moeda dos EUA.
Segundo o estrategista de moedas da Forex.com, Jacob Oubina, com o mercado fechado na sexta-feira, "muitos investidores não tiveram chance de reagir" ao positivo relatório sobre empregos, afirmou Oubina. Os mercados estão fracos por causa do feriado de Páscoa, que mantém as bolsas europeias fechadas hoje.
A libra tem leve alta, conforme as incertezas políticas parecem diminuir no Reino Unido. A eleição deverá ser convocada amanhã, segundo relatos, e as chances de um parlamento travado - sem nenhum partido com maioria - estão menores, como mostram pesquisas recentes. "No entanto, uma recuperação da libra pode ser limitada pelo dólar forte", disseram analistas da Brown Brothers Harriman.
O recente fortalecimento do dólar foi impulsionado na sexta-feira pelo payroll. Embora os números tenham ficado abaixo das expectativas, foram positivos - mostraram criação de 162 mil empregos em março - e indicaram um sinal promissor sobre a recuperação econômica dos EUA.
Os investidores estão à espera da decisão do Banco da Reserva da Austrália sobre as taxas de juros. O dólar australiano subiu levemente diante do dólar à medida que operadores se posicionaram para a decisão, que virá durante a madrugada.
Enquanto isso, na Rússia o rublo avançou e atingiu o maior nível dos últimos 15 meses em consequência do aumento dos preços do petróleo. Analistas preveem que um crescimento dos fluxos para o país possam levar a moeda russa a um maior fortalecimento neste ano. O rublo operava a 33,75 diante de uma cesta de dólares e euros, o nível mais forte desde dezembro, depois que o banco central russo pareceu mudar os limites de sua banda de flutuação comercial.
Às 10h20 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,3498, de US$ 1,3585 no fim da tarde de quinta-feira, e o dólar subia para 94,38 ienes, de 93,88 ienes. A libra operava em US$ 1,5273, de US$ 1,5290. As informações são da Dow Jones.
Agência Estado – 05.04.2010
Vice-premiê grego diz que Portugal pode ser a próxima vítima
da Reuters, em Lisboa
O tipo de problema de dívida pública visto na Grécia deve se espalhar pela zona do euro e Portugal pode ser a próxima vítima, disse nesta segunda-feira o vice-primeiro-ministro grego, Theodoros Pangalos.
Em entrevista ao periódico português "Jornal de Negócios", Pangalos também disse que a rigidez da Alemanha em relação à Grécia é baseada em uma "abordagem moral e racial" e na ideia de que os gregos não trabalham o suficiente.
Pangalos disse que Portugal não deve continuar neutro sobre a questão da União Europeia ajudar membros em dificuldades, após líderes concordarem sobre uma rede de segurança financeira para a Grécia no dia 25 de março.
"Vocês são as próximas vítimas. Eu espero que isso não aconteça e que a solidariedade prevaleça. Mas, se isso não acontecer, a próxima vítima provável será Portugal", disse ele.
Questionado se pensava que a crise se espalhará pela zona do euro, Pangalos disse: "Sim, certamente."
"O que aconteceu conosco (Grécia) agora é porque nós estamos em uma situação pior, mas isso também poderia acontecer na Espanha e em Portugal", disse ele.
Folha de São Paulo – 05.04.2010
FMI deve elevar previsão de crescimento mundial
AE Agencia Estado
SÃO PAULO - O Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou sua expectativa de expansão econômica para este ano. A economia mundial pode crescer 4,1%, ou 0,2 ponto porcentual a mais do que o estimado anteriormente, afirmou o FMI em seu último esboço do World Economic Outlook. A economia dos Estados Unidos deve crescer 3% este ano, ante os 2,7% previstos pelo FMI no relatório de janeiro, segundo a agência italiana de notícias Ansa e jornais que publicaram os dados do esboço ontem.
O FMI deve publicar seu próximo World Economic Outlook em 21 de abril, afirmou o jornal Il Sole 24 Ore. Segundo o rascunho, a zona do euro (grupo dos 16 países que adotam o euro como moeda) deve crescer 0,8%, 0,1 ponto porcentual menos que o estimado em janeiro. Em 2011, o número foi revisado para 1,5%, também com queda de 0,1 ponto porcentual. A Europa "está saindo da recessão mais lentamente que outras regiões", aponta o esboço, porque há "muitas forças que estão freando a recuperação", incluindo a Grécia.
A Alemanha, maior economia da Europa, deve crescer 1,2% em 2010 e 1,7% em 2011, diz o texto, segundo os jornais. Panorama. O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse ontem que a economia mundial "não está fora de perigo" apesar da recuperação mais rápida nos países emergentes do que o previsto. Ele disse que, apesar de a recuperação global ter voltado antes do esperado, "a demanda privada ainda não está forte o bastante para sinalizar o fim da prolongada recessão sentida pela economia mundial".
"Você vê o crescimento retornando em quase todo lugar, mas em quase todo lugar esses números estão relacionados ao apoio público, e a demanda privada continua fraca, sem se fortalecer o bastante. Até que a demanda privada seja sustentável para oferecer crescimento, será difícil dizer que a crise acabou", explicou. "A recuperação está chegando mais rápido que o esperado. Mas não estamos fora de perigo e temos de ser cautelosos", acrescentou. As previsões para recuperação têm melhorado de maneira firme desde o ano passado, em linha com a recuperação no mercado acionário. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
OESP – 05.04.2010
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