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Estudo mostra que moeda comum entre o BRIC é viável
SÃO PAULO - Representantes dos países que compõem o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e pesquisadores de centros de estudos das quatro nações mostraram que estão unidos por características em comum. Contudo, possuem perfis bem distintos quando o assunto é vantagem comparativa. A observação foi feita em estudo apresentado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacando que o bloco apresentou aumento significativo de importância quando o tema é o comércio internacional.
Segundo o presidente do Instituto, Marcio Pochmann, as economias do BRIC são hoje líderes regionais e têm condições de adotar um novo padrão de comércio em que o dólar não seja a moeda utilizada. O Brasil, por exemplo, já faz comércio com a Argentina em moeda local.
"A mudança no padrão de moeda internacional da libra para o dólar levou décadas. Nesse período, foram criadas zonas de moedas fortes, como o marco alemão e o franco. Agora, enquanto se discute um novo padrão internacional, é viável que haja áreas de comércio concentradas em outras moedas", argumentou o presidente do Ipea.
Segundo o diretor de comércio exterior da Fiesp, Roberto Gianetti, o BRIC está se formalizando, é um grupo originalmente informal, que não tinha nenhuma estrutura permanente, mas que formou um conjunto de países com grande população, mercados internos, economias emergentes e que tem posições de políticas convergentes.
"Alguma coisa pode ser feita por esses países, como por exemplo um convênio de crédito recíproco, que permita as trocas comerciais sem a utilização do dólar como moeda. É diferente do Sistema de Moeda Local (SML) utilizado com a Argentina, é uma compensação de saldos comerciais trimestrais, uma moeda escritural, como utilizamos com a Aladi [Associação Latino Americana de Integração] há mais de 30 anos e que dá muito certo", enfatizou Gianetti.
De acordo com o vice-presidente da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Li Yang, os quatro países já estão negociando a adoção desse tipo de medida, mas nada será feito no curto prazo. Ele disse que a China também tem interesse na diversificação de reservas internacionais (que estão concentradas em moeda americana). Os chineses têm reservas de mais de US$ 2 trilhões.
Li Yang defendeu ainda que o BRIC trabalhe em conjunto para defender uma maior participação de suas economias em organismos multilaterais, como Fundo Monetário Internacional (FMI). Já o diretor do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Vladimir Davydov, disse que existe vontade política e técnica de se mudar a atual formatação do sistema financeiro internacional.
O comunicado 43 do Ipea, intitulado "Rússia, Índia e China: Comércio Exterior e Investimento Direto Externo", salienta que o Brasil apresenta elevada vantagem comparativa em produtos intensivos, em recursos naturais e primários agropecuários. "Neste último, a vantagem é crescente", afirma o estudo.
A Rússia, de acordo com o levantamento, possui competitividade "muito acima dos demais" no comércio de primários minerais, ainda que o Brasil apresente uma leve tendência e aumento na vantagem desse tipo de bem. Já a Índia sustenta a sua elevada vantagem comparativa em produtos intensivos em trabalho. "Além disso, tem aumentado consistentemente sua competitividade em bens intensivos de recursos naturais". A China, por sua vez, continua com elevada vantagem em produtos intensivos de mão de obra. "Contudo, ela foi a única economia, entre os BRICs, que conseguiu atingir uma situação de elevada competitividade em bens intensivos em tecnologia", afirmam os técnicos do Ipea.
Cúpula
Durante a 2ª Cúpula dos Países do BRIC, o ministro da agricultura Wagner Rossi discutirá com representantes da Administração Geral de Supervisão da Qualidade, Inspeção e Quarentena (AQSIQ) da China questões relacionadas ao comércio de produtos agrícolas. O Brasil negociará com a China a autorização para exportação de carnes suína e bovina in natura, lácteos, gelatina, tabaco, couro e citros.
Em nota, o ministério lembra que, há dois anos, a China tornou-se o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com receita de US$ 8,9 bilhões em 2009. Esse total foi equivalente a quase 14% dos embarques agropecuários nacionais. O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto, explica que a intenção do governo brasileiro é diversificar a pauta exportadora.
Um dos pontos principais a serem discutidos por Brasil, Rússia, Índia e China durante a reunião que começa amanhã em Brasília é a exclusão do dólar do comércio entre os países do BRIC. E economistas brasileiros já fazem estudos que defendem a viabilidade da mudança do sistema.
Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, as economias do BRIC são hoje líderes regionais e têm condições de adotar um novo padrão de comércio que não utilize o dólar como moeda. O Brasil, por exemplo, já faz comércio com a Argentina em moeda local.
O diretor de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Gianetti, também defende a alternativa. "Alguma coisa pode ser feita por esses países, como, por exemplo, um convênio de crédito recíproco, que permita as trocas comerciais sem a utilização do dólar como moeda. É diferente do Sistema de Moeda Local (SML) utilizado com a Argentina, é uma compensação de saldos comerciais trimestrais, uma moeda escritural, como utilizamos com a Aladi [Associação Latino Americana de Integração] há mais de 30 anos e que dá muito certo", enfatizou.
Durante a 2ª Cúpula dos Países do BRIC, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, discutirá com representantes da Administração Geral de Supervisão da Qualidade, Inspeção e Quarentena (AQSIQ) da China questões relacionadas ao comércio de produtos agrícolas. O Brasil negociará com a China a autorização para exportação de carne suína e bovina in natura, lácteos, gelatina, tabaco, couro e citros.
O Ministério da Agricultura reviu nos últimos dias os processos de inspeção nas cargas de soja exportadas para o mercado chinês antes da chegada do presidente chinês ao País. O pente-fino mostrou que os critérios exigidos por Pequim estão sendo cumpridos e que não há problemas nas cargas embarcadas. Ontem, a China, maior comprador de soja do mundo, informou que deve importar um recorde de 44 milhões de toneladas da oleaginosa em 2009/2010, uma alta de 7,3% perante a temporada anterior.
Antes de chegar ao Brasil, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, passou pela Argentina. Na agenda, estava a assinatura de diversos acordos, incluindo um de cooperação nuclear. Também estava prevista a assinatura de convênios nas áreas de transporte, geologia, legislação florestal, esporte e energia.
DCI – 15.04.2010
Substituição do dólar é apenas um exercício intelectual, diz Lamy
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, chegará nesta sexta-feira à noite ao Brasil sem muito entusiasmo por um dos temas que os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) pode ter discutido pouco antes em Brasília: o uso de suas moedas no comércio entre eles em gradual substituição ao dólar. Em entrevista antes de partir para o Chile, Lamy qualificou a questão de "exercício intelectual" e que o papel do dólar no sistema monetário internacional é um debate de 50 anos.
"Se você olhar a taxa de câmbio dessas moedas (dos Bric), ela é muito mais estável que uma cesta aleatória de outras moedas", afirmou. "Haveria uma expressão política dos países emergentes em optar por isso, eles acham que o sistema monetário internacional devia agir quanto ao dólar. Acredito que é bom investir intelectualmente no que for o sistema monetário internacional adequado em uma economia globalizada. Mas é um exercício intelectual."
Em novembro, a OMC foi bem mais incisiva num texto divulgado como anexo. Primeiro, constatou sinais de "erosão" no papel dominante do dólar no mundo. Estimou que nos próximos cinco anos a economia americana vai crescer menos do que o resto do mundo. E essa divergência de expansão é particularmente importante em comparação com a China e a Índia. Enquanto os EUA continuarão a ser a maior economia do mundo, sua fatia de produção vai declinar. Futuros déficits fiscais americanos e ameaça de inflação por causa da gigantesca expansão monetária na crise podem erodir a confiança no futuro valor do dólar. Mas, diz a OMC, é difícil prever se o dólar será destronado, como ocorreu com a libra esterlina no século XX.
Em todo caso, segundo a OMC, o papel internacional do dólar americano, mesmo se erodido, não vai declinar imediatamente. É que, para o comércio, um sistema monetário internacional com múltiplas moedas em vez de uma dominante significa custos de transação mais elevados e mais incertezas na condução das exportações e importações.
Lamy procurou, porém, driblar a questão de moedas, que está no centro das divergências entre os Estados Unidos e a China, por exemplo, com Washington acusando Pequim de subavaliar sua moeda e agir deslealmente no comércio. "Isso [que o câmbio chinês está desequilibrando o comércio] é o que dirão alguns economistas, mas outros dirão que o câmbio não importa para moldar os fluxos comerciais", comentou.
Valor Econômico – 15.04.2010
Causa da crise ainda não foi resolvida, diz Lamy
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, faz um alerta: os motivos que provocaram a crise até agora não foram resolvidos. Enquanto isso, a energia política para reformar o sistema financeiro internacional está perdendo força e o mundo corre o risco de não aproveitar a crise para fazer as mudanças necessárias.
Lamy, que chega amanhã ao Brasil para reuniões com o chanceler Celso Amorim, acredita que o desemprego é hoje a maior ameaça à economia internacional, podendo representar riscos de "turbulência social". Em entrevista aos jornais brasileiros antes de sua viagem, Lamy diz que o Brasil precisa se questionar sobre qual a inserção que pretende ter no comércio mundial nos próximos anos. Ele também sugere investimentos em infraestrutura e diz que o congestionamento aéreo pode ser um obstáculo para o comércio no País.
A seguir, os principais itens da entrevista.
Recuperação. Na avaliação de Lamy, a recuperação da economia está sendo "frágil". "Temos um bom crescimento nos países emergentes, há um crescimento que começa a reduzir o desemprego nos Estados Unidos e há um crescimento menor sem nenhuma melhora no mercado de trabalho na Europa e no Japão."
Mas o que mais preocupa é que os motivos que provocaram a crise até agora não foram resolvidos. Para ele, o risco é de que o mundo não aproveite a crise para reformar o sistema financeiro. "A regulação continua sendo um grande problema para a governança global. A reforma está muito lenta."
Para ele, a capacidade dos governos em chegar a um novo sistema ainda é um desafio em aberto. "A crise é uma ocasião boa demais para ser desperdiçada. Mas o sentimento que tenho é que houve uma energia política e não sinto o calor da pressa."
Lamy, ex-banqueiro do Credit Lyonnais, deixa claro que a taxa que o governo de Barack Obama quer aplicar sobre os bancos não será a solução. Segundo ele, além da regulação financeira, novos riscos foram adicionados à economia mundial, como desemprego e dívida pública. "O maior risco para a economia global é o desemprego. É um risco para nós, para o comércio, para a demanda, para uma turbulência social. Esse é o maior risco e ainda está vago como será o modelo de crescimento."
Inserção do Brasil. Admitindo que a economia foi alvo de uma "boa administração" nos últimos dez anos, Lamy diz que a questão estratégica que o País deve enfrentar agora é a de qual tipo de inserção quer ter no comércio internacional. Ele sugere que a prioridade deva ser a de focar em exportações que gerem empregos. A segunda prioridade é que essa inserção também gere "bons empregos". Para Lamy, a posição do Brasil no ranking dos exportadores da OMC é o que menos importa. Em 2009, o País caiu da 22.ª posição para a 24.ª entre os maiores exportadores.
Segundo ele, o País precisa investir em infraestrutura e educação. "Há muito o que fazer em infraestrutura em um País tão grande, seja ferrovias ou no setor aéreo, diante do congestionamento aéreo que existe. Provavelmente não é um facilitador ao comércio." Questionado se o Brasil ainda era um país emergente, foi categórico. "É um país emergente. Ainda tem muitos pobres. O PIB per capita médio é ainda de um país emergente."
Brics. Se o comércio Sul-Sul ganha importância, Lamy deixa claro que o debate do uso de moedas nacionais para o comércio entre os países do Bric, que será negociado a partir de amanhã, não é algo que tenha impacto maior. "Trata-se de uma escolha técnica." Segundo ele, a atitude dos países do Bric é "uma espécie de expressão política dos países emergentes que têm uma visão de que o sistema monetário deve depender menos do dólar." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
OESP – 15.04.2010
Para OMC, acordo Brasil-EUA não enfraquece Doha
O provável acordo do Brasil com os Estados Unidos, evitando retaliar produtos americanos em troca de compensação financeira para os cotonicultores brasileiros, não vai alterar a ambição na negociação por cortes nos subsídios para a commodity nos países ricos.
O aviso é do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, contrapondo-se a certos críticos que consideram um acordo entre Brasília e Washington como algo que atrapalharia e enfraqueceria as negociações de redução de subsídios agrícolas na Rodada Doha.
“Algodão ainda vai ser negociado (em Doha)”, disse Lamy a jornalistas brasileiros. “São duas coisas diferentes. Todo mundo sabe que (o corte de subsídios) precisa ser mais (que em outros produtos). Do jeito que está não é palatável para os africanos. Algodão continua a ser uma questão quente para a rodada ser concluída.”
Para o diretor da OMC, o instrumento de retaliação continua a ser importante para que os países obtenham o que julgam ser seu direito, apesar do paradoxo desse tipo de medida limitar o comércio, na contramão dos objetivos do sistema multilateral.
Lamy se encontrará no sábado com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para ouvir o que os brasileiros pensam dos próximos passos na Rodada Doha no contexto da crise econômica e de desdobramentos políticos. Julga que, no Mercosul, o Uruguai está mais na ofensiva. Ele visitará depois uma usina de etanol em Ribeirão Preto.
Sua avaliação é de que a recuperação econômica global é ainda frágil. Mas vê um bom crescimento nos emergentes, recuperação do crescimento nos EUA e menos no Japão e UE. Para ele, as causas que deflagraram a crise, como a regulação financeira, não estão ainda resolvidas. Aponta novos riscos, como o forte desemprego e a explosiva dívida pública de vários países desenvolvidos.
Considera que a regulação financeira continua a ser um enorme problema para a governança internacional, porque está “sendo muito lenta, muito lenta”, por ser muito complexa e com consequências no modelo de negócio dos bancos. Estima que o essencial não é só taxar os bancos, mas ajustar os riscos, com atribuição do capital próprio para determinados tipos de operações.
Lamy pretende levar à cúpula do G-20, reunindo as maiores economias, a questão do “trade finance”, o financiamento comercial que é o oxigênio para as exportações, de forma que o fluxo não seja afetado pela regulação que está sendo discutida para os bancos.
Nesse cenário, o diretor da OMC chega ao Brasil com avaliação bastante positiva do país, destacando um crescimento “razoável”, redução da pobreza, controle da inflação. “No médio prazo ainda há muito a fazer em infraestrutura, por exemplo, que facilitaria o comércio. Mas até agora, se olharmos numa base de dez anos, em termos de economia, foi bem administrado”, afirmou.
Para Lamy, não tem sentido avaliar o comércio exterior brasileiro pelo ranking global. O país caiu duas posições, passando para o 24º posto entre os exportadores e para o 26º entre os importadores. Mais importante é o valor agregado das exportações, mas até isso depende da dinâmica do comércio. No fim das contas, o que vale é ver se a inserção internacional ocorre de maneira que o comércio contribui para empregos. “E contribui, no caso do Brasil.” A questão estratégica é, primeiro ter emprego e depois ter bons empregos. Para o segundo ponto, o sistema de educação também precisa melhorar no país.
Sobre a disputa entre produtores e consumidores no setor de mineração, que envolve a Vale, Lamy nota que o problema de haver um oligopólio em um setor estratégico é a inexistência de regras internacionais sobre competição. E isso é algo que provavelmente vai ressurgir após a Rodada Doha, segundo ele.
Valor Econômico – 15.04.2010
Empresários e governo querem fazer do mercado muçulmano parceiro preferencial do Mercosul
Renata Giraldi*
Enviada Especial
Cairo (Egito) – Determinados a transformar os países muçulmanos da África em parceiros preferenciais do Brasil e do Mercosul, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e o grupo de 86 empresários em visita ao Egito concluem hoje (15) a segunda etapa de negociações, desta vez no Cairo. O objetivo é fazer uma intensa rodada de negócios, transformando um dos principais hotéis da capital egípcia em um bazar à moda árabe.
“Estou preparada para trabalhar muito e o dia inteiro. Já sei que vou ter de gastar muita lábia e não ter pressa para fechar nada”, afirmou a empresária Rosane Donati, representante de uma associação que reúne 12 empresas paulistas de manufaturados.
“Acredito que tem espaço para crescer muito para este lado do mundo principalmente no setor em que eu trabalho, por isso não tem nada que me canse”, disse a empresária Bianca Linck, que trabalha com algodão hospitalar e panos de chão.
De modo semelhante pretende agir o empresário Mário Quinto di Cameli, que atua no setor de equipamentos para o setor de manufaturados. “Sou paciente e firme. Este é o modo de negociar. Gosto do que faço, portanto estou preparado para a maratona”.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) se disse tão entusiasmado com o interesse dos egípcios que acredita que há uma forte tendência de ampliação de negócios.
Com aproximadamente 83 milhões de habitantes, o Egito é considerado um mercado atrativo e interessante para os empresários brasileiros e com margem para ser ampliado. Os principais produtos de interesse dos egípcios em relação ao Brasil são o minério de ferro, a carne bovina, o açúcar de cana e os aviões.
Somente em 2009, as exportações brasileiras ao Egito somaram US$ 1,305 bilhão. A participação egípcia nas exportações totais do Brasil subiu de 0,7% para 0,9%. Nas importações, houve queda de 58,4% nas aquisições, passando de US$ 203,1 milhões para US$ 84,4 milhões. A participação do país no total das aquisições nacionais foi de 0,07% no acumulado do ano.
Ontem (14), o ministro apelou aos empresários para que esforcem para atrair as parcerias com os egípcios. Segundo Miguel Jorge, é necessário fortalecer a atuação do Mercosul com os países africanos em reação ao avanço chinês. “Vamos juntar esforços de empresas brasileiras e árabes que trabalham na África para que possamos competir melhor com os concorrentes, especialmente os chineses”, disse.
*A repórter e o fotógrafo viajaram a convite do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Edição: Graça Adjuto
Agência Brasil – 15.04.2010
Acordo de livre comércio MERCOSUL-Egito deverá ser assinado em julho
Cairo (Egito) - O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, informou, hoje (14/4), que o Acordo de Livre Comércio entre o MERCOSUL e o Egito deverá ser assinado em julho próximo. A notícia foi dada durante entrevista coletiva concedida juntamente com o ministro egípcio do Comércio e Indústria, Rachid Mohamed Rachid, que recebeu o ministro Miguel Jorge um pouco antes.
As negociações para o acordo começaram 2003, durante visita do Presidente Lula ao Egito. Seu principal objetivo é ampliar os fluxos de comércio dos quatro países do Bloco com o mercado egípcio.
Joint Venture
O encontro entre Miguel Jorge e Rachid fez parte da agenda da visita de missão empresarial brasileira ao Egito, liderada pelo ministro brasileiro. Durante a audiência, os ministros presenciaram a assinatura de uma joint venture, entre a empresa brasileira Randon, e a egípcia Egypt Power for Trading and Agencies. A associação prevê a construção de uma fábrica, no Egito, para a montagem de semi-reboques a partir de CKDs produzidos no Brasil.
Ainda durante o terceiro dia da missão empresarial ao Oriente Médio, Miguel Jorge se encontrou com os ministros egípcios da Habitação e Urbanismo, Ahmed Alaa E-Din Amin El Maghrabi, e dos Transportes, Alaa El-Din Fahmy.
Amanhã (15/4), haverá as rodadas de negócios entre as 86 empresas brasileiras representadas na missão e os empresários egípcios. Também serão realizados outros encontros do Ministro Miguel Jorge com autoridades do país, entre as quais o primeiro-ministro, Ahmed Mahmoud Mohammed Nazif.
Amanhã à noite, a delegação brasileira seguirá para Beirute, no Líbano, última etapa da Missão Empresarial ao Oriente Médio.
MDIC – 14.04.2010
Federação das Câmaras de Comércio Exterior do Rio vai promover seminário Brasil-Irã
Renata Giraldi*
Enviada Especial
Cairo (Egito) – A visita empresarial ao Irã, liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, já rende resultados. A Federação das Câmaras de Comércio Exterior do Rio de Janeiro, que reúne 45 representantes de vários países, vai promover no fim de maio o seminário Brasil e Irã. A ideia é estimular as parcerias entre vários setores dos dois países a partir do conhecimento mútuo.
“O presidente da federação, João Augusto Souza Lima, acredita que há muito espaço para avançar em várias áreas no Irã. É preciso trabalhar logo”, disse Roberto Nóbrega, diretor da federação e representante de uma indústria farmacêutica. “Fiquei muito encantado com o Irã, com o elevado nível dos empresários, com o fato de eles serem abertos a novos mercados e, principalmente, com a educação dos iranianos.”
Há 35 anos atuando na área de comércio exterior, Nóbrega afirmou que o Irã é um mercado em expansão e atraente. “Durante o seminário que vamos fazer, vou apresentar um relato detalhado do que vi, percebi e conversei na minha passagem por Teerã”, disse ele. “Passei 15 anos lidando com os indianos, eles têm várias restrições a estrangeiros, diferentemente dos iranianos.”
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Acuri , afirmou que é fundamental observar o Irã como um parceiro com “grandes perspectivas”. “Certamente, o mercado iraniano é muito vasto e apresenta imensas possibilidades. É importante que isso seja observado por todos”, acrescentou.
Durante um dia e meio, 86 empresários, de 13 setores distintos, montaram uma espécie de balcão de negócios em um dos maiores hotéis de Teerã. Os iranianos se interessam principalmente pela carne bovina e de frango, pelo milho, o sorgo, a soja, o açúcar de cana e óleo de soja. Mas, desde 2009, houve um aumento de interesse também pelo etanol e a construção civil.
No ano passado, as exportações brasileiras para o Irã foram de US$ 1,2 bilhão. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as importações totalizaram US$ 19 milhões, respondendo por 0,01% das compras globais brasileiras em 2009.
Do Irã, os empresários brasileiros seguiram para o Egito, onde ficam hoje até o começo da noite. Depois partem para o Líbano, etapa final da viagem.
*A repórter e o fotógrafo viajaram a convite do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Edição: Graça Adjuto
Agência Brasil – 15.04.2010
Brasil e Japão discutem formas de aumentar comércio e investimentos
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho, e o vice-ministro para Relações Internacionais do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI), Hiroyuki Ishige, abrem, amanhã (16/4), às 9h, a reunião plenária do III Encontro do Comitê Conjunto de Promoção de Comércio e Investimentos Brasil-Japão.
A reunião plenária vai encerrar o encontro de dois dias que discute formas de ampliar as trocas comerciais e os investimentos bilaterais. Nesta quinta-feira (15/4), das 9h às 16h30, técnicos e autoridades do Brasil e do Japão estão discutindo assuntos de interesse dos dois países. Fazem parte da pauta proposta pelo Brasil as exportações de carne suína e café, os subsídios japoneses para produção de jatos de médio porte, além de etanol, TV digital, transferência de tecnologia e propriedade intelectual.
No ano passado, o Japão ocupou o sexto lugar no ranking dos países compradores de produtos brasileiros. Nas importações, situou-se como o quinto maior fornecedor externo do Brasil. No primeiro trimestre de 2010, as exportações brasileiras para o Japão acumularam US$ 1,259 bilhão, o que representa um crescimento de 27,6% sobre igual período de 2009.
Renai apresenta oportunidades de investimento a empresários japoneses
Durante o encontro, representantes do governo brasileiro irão também apresentar oportunidades de investimento no país para uma delegação composta por cerca de 20 empresários japoneses. Como parte do evento, haverá um seminário, organizado pela embaixada japonesa no Brasil e pela Rede Nacional de Informações sobre Investimentos (Renai), que tratará das perspectivas de investimentos nas atividades de produção de petróleo, gás e mineração. Realizarão apresentações representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), da Petrobrás e da Companhia Vale.
Para o coordenador-geral de investimentos da Secretaria de Desenvolvimento da Produção (SDP) do MDIC, Eduardo Celino, o evento representa uma oportunidade de estreitar o relacionamento com o país asiático. “O Japão é uma das maiores economias do planeta e há muito potencial na atração de investimentos para o Brasil em áreas estratégicas”, considerou.
Durante as atividades do comitê conjunto, representantes de governo e de setores empresariais de ambos os países irão acertar uma agenda comum em que estão previstas a realização de uma missão de investidores ao Brasil e de um seminário sobre investimentos na cidade de Osaka, no Japão.
MDIC – 15.04.2010
PIB da China sobe 11,9% no primeiro trimestre
da Efe, em Pequim
O PIB (Produto Interno Bruto) da China aumentou em 11,9% no primeiro trimestre de 2010 em comparação com o mesmo período de 2009, ficando em 8,05 trilhões de iuanes (cerca de US$ 1 trilhão), informou o Escritório Nacional de Estatísticas.
Segundo o porta-voz do Escritório, Li Xiaochao, o crescimento no primeiro trimestre foi 5,7 pontos superior ao de janeiro a março de 2009, quando o país sofria as piores consequências da crise financeira mundial e registrou seu pior índice de crescimento desde 1992, 6,2%.
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor), principal indicador da inflação, aumentou 2,2% no trimestre, 2,4% somente em março, quando foi 0,7 pontos menor que em em fevereiro.
O IPP (Índice de Preços à produção), também importante na inflação, registrou aumento anualizado em março de 5,9%, enquanto o aumento trimestral foi de 5,2%.
O porta-voz do organismo oficial que distribui os números econômicos na China destacou que a produção industrial chinesa aumentou de janeiro a março de 2010 em 19,6%, 14,5 pontos percentuais a mais que o mesmo período de 2009.
Folha de São Paulo – 15.04.2010
O 'subdesempenho satisfatório' do Brasil
Roberto Macedo - O Estado de S.Paulo
Deparei-me com esse conceito ao ler, no jornal Valor de 19/3, interessante artigo de Betânia Tanure, conhecida consultora em Administração, professora da PUC-Minas e conselheira de grandes empresas nacionais.
Ela identifica o "subdesempenho satisfatório" como doença que internacionalmente ataca empresas e outras instituições, inclusive governos. Trata-se de patologia em que condutores de uma organização, muitas vezes tomados por ilusões quanto ao sucesso dela, não percebem problemas que a acometem, e que podem levá-la a um subdesempenho futuro. Ou, então, eles são percebidos, mas menosprezados. Betânia se concentra no impacto da doença em empresas, onde executivos freneticamente buscam resultados e se vangloriam deles, muitas vezes iludindo-se com números de balanços e outros indicadores de rentabilidade.
Também se refere à acomodação ao "subdesempenho satisfatório" do Brasil, este acometido por "profundos problemas", pelos quais as empresas costumam mostrar preocupação, mas sem se ocupar, "efetivamente, daqueles que não receberam a devida atenção". A propósito, no que Betânia identifica como "determinismo setorial", a diversificada situação dos negócios no Brasil às vezes faz com que o mau desempenho de um setor sirva para justificar resultados ruins, sem que a empresa atente para as próprias deficiências. Outras vezes, há uma situação inversa ao chamado "custo Brasil", o "ganho Brasil", em que o desempenho acima da média mundial, em particular relativamente a competidores em países europeus e norte-americanos, mais afetados pela crise, serve para enaltecer apenas "o papel, o ego dos executivos", que deixam de colocar esse ganho nas suas contas, sem se preocupar com um crescimento que vá além dele, especialmente via maior produtividade.
Interessado sobretudo nas questões que dizem respeito ao País e ao seu governo central, percebo que a análise de Betânia a elas também se aplica, pois são evidentes os sintomas de um "subdesempenho satisfatório" que acomete a Nação. Combinada com o menosprezo de seus graves problemas, a ilusão de sucesso baseada no conformismo com uma taxa anual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próxima de 5% e, na crise recente, em comparações com os países que se saíram pior ainda do que o Brasil, cuja economia teve crescimento quase nulo em 2009, contamina não apenas seus dirigentes, em particular o mor, mas se estende a grande parcela da população. Esta tanto por falta de percepção própria como drogada pela propaganda oficial e presidencial que a torna míope ou a ver miragens.
O "nunca antes neste país" é emblemático de uma visão que, além de raramente comprovada, se volta para o passado do Brasil ainda em construção e já carente de reformas. Mas o que realmente interessa é o seu futuro, e comparações com nações que foram e são bem-sucedidas.
Outra ilusão vem do tamanho do País, quando medido pela sua geografia ou pelo seu PIB. Este, dependendo da forma de medição e da taxa de câmbio, fica dentro ou perto dos dez maiores do mundo. Esse tamanho só é documento para algumas coisas, como a influência regional e internacional do Brasil e seu poder de ajudar países como o Haiti e vários africanos, diminutos e paupérrimos.
Mas, quanto aos brasileiros, na sua média eles estão no meio do caminho entre os povos mais pobres e os mais ricos, média essa que esconde um sério problema distributivo. Mais uma vez ele ficou claro, com a calamidade que recentemente mostrou também toda uma feiura da Cidade Maravilhosa e de sua vizinha Niterói, com destaque para a pobreza favelada sobre um lixão.
E não é só na Olimpíada da produção e da renda "per capita" e de sua distribuição que estamos muito atrasados. Estamos assim também no alcance populacional do sistema de ensino e muito mal no desempenho dos nossos estudantes. Na saúde, a dengue é emblemática de males que vêm na esteira da baixa prioridade conferida por políticos e pelos próprios cidadãos a obras e práticas de saneamento básico. E também muito mal em indicadores de desenvolvimento humano, competitividade econômica, qualidade da infraestrutura, ambiente de negócios e outros mais.
Um dos mais assustadores, pois reflete o descaso pela construção do futuro, é a baixíssima taxa de investimentos públicos, ou seja, a parcela da receita governamental que o governo nos seus vários níveis particularmente o federal, que conta com mais recursos deixa de gastar em despesas correntes, como pessoal e custeio, para investir em infraestrutura, escolas, hospitais, saneamento básico e outras necessidades cruciais. Dados que vi recentemente mostram o Brasil em penúltimo lugar numa lista de 135 países, com a ridícula taxa de apenas 1,69% do PIB no último ano da série disponível (2007), enquanto lá no topo da lista estão países que alcançam mais de 10%, e a China superando os 20%.
Assim, o Brasil cultiva, em larga medida dopado pelo oba-oba em torno do seu "subdesempenho satisfatório", um modelo de subdesenvolvimento em que o atendimento dessas necessidades cruciais é postergado pelo apego ao consumo imediato. Isso sem perceber que uma das lições básicas de Economia vem do seu próprio nome, ou seja, é preciso economizar ou poupar, pois essa é a chave da prosperidade e, mesmo que se recorra a empréstimos e financiamentos, eles devem ser primordialmente voltados para investimentos, e não para o consumo.
Betânia conclui que o dirigente excepcional é aquele que busca uma gestão "agridoce", indo contra o "fluxo natural: quando todos puxam para o doce, ele garante a existência do azedo; quando todos puxam para o azedo, ele novamente recorre ao agridoce".
O estilo paz, amor e doces de alto conteúdo eleitoreiro esconde mesmo é a incompetência na construção do Brasil do futuro.
ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), É VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO
OESP – 15.04.2010
Endividada, Grécia solicita financiamento ao FMI
da Reportagem Local
O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, anunciou nesta quinta-feira que a Grécia solicitou um programa de financiamento à entidade e que as negociações começarão na segunda-feira com a chegada de uma equipe do organismo a Atenas.
"Após um pedido das autoridades gregas, decidi enviar uma equipe do FMI a Atenas para começar as conversas (...) em torno de um programa (de crédito) de vários anos", disse.
A Grécia tem uma dívida de quase 300 bilhões de euros (US$ 406 bilhões), com um deficit público que alcançou em 2009 o total de 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) --muito acima dos 3% tolerados pela União Europeia.
No final de semana, a União Europeia anunciou a preparação de um pacote de ajuda de 30 bilhões de euros para o país, além de 10 bilhões disponibilizados pelo FMI. O empréstimo, porém, só seria de fato realizado caso a Grécia não conseguisse se financiar por meio da emissão de bônus no mercado.
com Efe
Folha de São Paulo – 15.04.2010
PIB alemão não recuperará nível de 2008 até 2013
da Efe, em Berlim
Antes de 2013, o PIB alemão não conseguirá recuperar o nível alcançado em 2008, quando a explosão da crise financeira levou a recessão mundial, afirmaram em um relatório conjunto os principais institutos de estudos econômicos da Alemanha.
"A recuperação econômica da Alemanha pode acelerar ligeiramente depois de 2011", diz o relatório.
Neste ano, os analistas esperam crescimento de 1,5% do PIB alemão, uma revisão para cima da previsão anterior, quando estimavam que neste ano o crescimento econômico na Alemanha seria de 1,2%.
Além disso, são ligeiramente mais otimistas que as previsões do Governo, que esperam um crescimento de 1,4%.
Em 2011, segundo os institutos, será mantida a tendência de recuperação e outra vez haverá crescimento de 1,4%.
Para o médio prazo, os analistas consideram que a perspectiva da economia alemã piorou com a crise, o que torna mais lenta a recuperação do nível de 2008.
Com relação ao mercado de trabalho, os institutos consideram que este se mostrou "surpreendentemente robusto" desde que explodiu a crise e atribuem isso às medidas como jornada reduzida, que ajudou a evitar demissões, assim como à moderação salarial dos últimos anos.
Nas previsões, os analistas acreditam que o índice de desemprego se manterá em 7,8% neste ano e descerá ao 7,6% em 2011.
A inflação seguirá sendo moderada e ficará neste ano em 0,9% e o próximo do 1%.
O déficit alemão alcançará neste ano 4,9% do PIB e o próximo um 4,2%.
O relatório está elaborado pelos institutos de Munique, Kiel, Halle, e Essen em cooperação com outros centros de estudos estrangeiros.
Folha de São Paulo – 15.04.2010
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