sexta-feira, 23 de abril de 2010


NOTÍCIAS

Brasil precisa de atuação do Estado na economia para crescimento, diz Padilha

GABRIEL BALDOCCHI
da Sucursal de Brasília

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, defendeu a atuação do Estado como impulsor da economia brasileira nesta sexta-feira. Ao defender a criação de uma nova agenda para continuação do crescimento, Padilha pediu coesão a empresários e membros da sociedade civil integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o "Conselhão".

O ministro citou a crise para enfatizar a importância do Estado na economia. Para ele, os empresários só deram maior importância à contribuição estatal quando estiveram próximo de quebrar durante o período de turbulência na economia mundial iniciado no final de 2008.

Ao falar das 12 linhas de ação da agenda do Conselho, Padilha citou a participação do Estado em primeiro lugar. "Para que todo mundo assumisse o combate à inflação como algo central, muita gente teve de ser derrotada eleitoralmente", apontou o ministro ao defender a política fiscal.

Para o presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy, os governos municipais, estaduais e federal, precisam melhorar a eficiência da máquina estatal e proporcionar melhor retorno dos impostos arrecadados. Ele acredita ser esse o assunto mais importante para ser discutido próxima década.

Custo-benefício

"O país pode conviver com determinado nível de arrecadação tributária desde que melhore o custo benefício entre aquilo que é arrecadado e o que retorna em serviços", aponta. Como parte desse retorno, o Godoy inclui os investimentos em infra-estrutura, sem os quais, o país não terá força para crescer.

Entre as ações prioritárias para a manutenção do crescimento, o Conselho defende a necessidade de avanços na área de inovação, educação, meio ambiente, tributação, desenvolvimento regional. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC), Paulo Simão, o país vai precisar cuidar desses itens se quiser chegar ao posto de quinta economia do mundo.

"Está na hora da gente, com uma boa gestão, com uma boa governança, crescer com foco nessas características especiais porque aí sim poderemos ser uma grande potência", defende.

Folha de São Paulo – 23.04.2010

Regulação do sistema financeiro faz parte da agenda de reunião do G-20

Juliana Cardoso

SÃO PAULO - A reforma do sistema financeiro, a situação da economia internacional e os problemas da Grécia devem ficar no foco de ministros das Finanças e dirigentes de bancos centrais no reunião do G-20, que ocorre em Washington.

A questão da Grécia pode ganhar ainda mais relevância depois de o primeiro-ministro do país, George Papandreou, solicitar nesta sexta-feira a ativação do mecanismo de ajuda financeira elaborado por líderes europeus e o Fundo.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que um dos objetivos dos encontros será avaliar formas para sustentar a recuperação mundial da crise financeira.

(Juliana Cardoso Valor, com agências internacionais)

Valor Econômico – 23.04.2010

País tem maior avanço do mundo em crédito externo

AE Agencia Estado

GENEBRA, SUÍÇA - A expansão do crédito estrangeiro para o setor produtivo brasileiro foi a maior do mundo em 2009. Os dados são do Banco de Compensações Internacionais (BIS, o banco central dos bancos centrais). Invertendo um fenômeno de 30 anos nas finanças internacionais, 2009 registrou o desaparecimento de quase US$ 2 trilhões em linhas de crédito e empréstimos no mundo diante da hesitação dos bancos em liberar recursos. Já o fluxo para o Brasil observou uma tendência contrária, e o País apresentou a maior expansão entre todas as economias.

Em um ano, os créditos ao setor produtivo no Brasil cresceram US$ 22,9 bilhões. No último trimestre de 2009, a expansão foi de US$ 5,3 bilhões. No fim de dezembro, o País teve um total de empréstimos de US$ 103 bilhões, excluindo o fluxo entre bancos. Em 2008, o Brasil já havia observado uma alta de US$ 6,9 bilhões em linhas de crédito. Mas a redução não foi suficiente para afetar os números finais.

Descontada a redução nos empréstimos interbancários, 2009 terminou com um aumento total de US$ 13 bilhões em créditos ao Brasil, atingindo US$ 170,1 bilhões. Só no último trimestre de 2009, a exposição dos bancos estrangeiros à economia brasileira aumentou US$ 5,5 bilhões. Em 2008, o Brasil havia perdido US$ 1,6 bilhão em linhas de crédito. Apesar da expansão no capital para a produção, os empréstimos de um banco a outro no Brasil seguiram a tendência mundial e caíram em 2009. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

OESP – 23.04.2010

China pede políticas macroeconômicas mais cautelosas em países desenvolvidos

Para BC chinês, dívidas soberanas elevadas e políticas monetárias frouxas criam risco de fluxo positivo exagerado para os países em desenvolvimento

Cynthia Decloedt, da Agência Estado

PEQUIM - O Banco do Povo da China afirmou pediu aos países desenvolvidos que adotem políticas macroeconômicas mais "cautelosas" para evitar entradas maciças de capital nos países em desenvolvimento, segundo a agência de notícias Xinhua.

Dívidas soberanas excessivamente elevadas e políticas monetárias frouxas nos países desenvolvidos criam risco de um fluxo positivo exagerado de fundos para os países em desenvolvimento, disse o diretor do Departamento Internacional do banco central, Xie Duo, em Washington. Ele fez os comentários em paralelo ao encontro do G-24 ontem.

As autoridades chinesas têm alertado repetidamente que as taxas de juro reduzidas nos Estados Unidos estão incentivando operações carry trade em dólares, nas quais os fundos tomam recursos emprestados em dólares e os investem em ativos de mercados emergentes, como a China, onde o rendimento é maior.

Tais fluxos positivos de capital aumentaram o risco de bolha nos preços dos ativos, dizem as autoridades, e também complicam a política monetária chinesa, uma vez que as autoridades temem que a elevação do juro apenas irá encorajar a entrada de mais recursos especulativos. As informações são da Dow Jones.

Agência Estado – 23.04.2010

Mantega participa de reuniões nos Estados Unidos

Da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa hoje (23) de reuniões em Washington (EUA) para discutir as relações econômicas do Brasil com outros países. A primeira, agora de manhã, será com ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do Bric (grupo que reúne o Brasil, a Rússia, a Índia e a China).

A seguinte, também de manhã, vai reunir ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do G20 (grupo que reúne os principais países ricos e em desenvolvimento).

No período da tarde, Mantega se reúne com o ministro de Finanças da China, Xie Xuren. À noite, participa de jantar com representantes do FMI e ministros do G20.

Edição: Graça Adjuto

Agência Brasil – 23.04.2010

Por que a nossa política externa é assim

João Mellão Neto

Para aqueles que não conseguem entender qual é a lógica que preside as aparentemente tresloucadas opções de Lula no que tange à política exterior vai aqui uma pequena colaboração.

Como reza a sabedoria popular: "Se você vir uma tartaruga em cima de uma árvore, fique atento. Tartaruga não sobe em árvore. Ou foi uma enchente ou então foi mão de gente." Se algo parece não fazer sentido numa determinada situação, a dica é pesquisar o tema mais a fundo. É sempre positivo ter em mente que absurdo não existe. Chamamos de absurdo tudo aquilo que "não se encaixa". Geralmente é algo que provém de um ordenamento lógico cujo sentido não conhecemos.

Alguém, entre os leitores, já ouviu falar do Foro de São Paulo? Não se trata de nada clandestino. É uma entidade latino-americana que, manifestamente, busca congregar e apoiar todos os partidos e movimentos ditos "de esquerda" da América Latina. O foro já existe há quase duas décadas e se reúne com frequência anual. Falar dele é um tabu em boa parte da mídia brasileira, tão infestada por patrulhas ideológicas de todos os lados. Na internet, por exemplo, existem poucas referências ao tema, quase todas elas carregadas de conteúdo ideológico: ou se é contra ou a favor. Informações precisas e despidas de opiniões são raras.

Por essa razão é tão difícil abordar assuntos como o do foro. A entidade existe e tem até um site. Acessa-se por meio da página do Partido dos Trabalhadores (PT). Sua história é a seguinte.

O Foro de São Paulo nasceu aqui, na nossa cidade, em julho de 1990. Foi uma reunião internacional bancada pelo PT a partir de uma sugestão de Fidel Castro a Lula dada cerca de um ano antes.

Como é próprio da ideologia de seus membros, a partir de então não parou de crescer. Os seus membros se reúnem em congresso quase todos os anos - cada um numa cidade latino-americana diferente - e aprovam atas, com posicionamentos políticos válidos para todos. Um de seus idealizadores é Marco Aurélio Garcia, que, nos últimos anos, tem sido o principal formulador da política externa do nosso governo, principalmente no que diz respeito à América Latina.

O objetivo mais importante do foro é manter acesa a chama do socialismo no nosso sub-continente. A ideia do dito ex-presidente de Cuba, nos idos de 1990, foi, então, muito oportuna. O Muro de Berlim, construção que dividia a Alemanha em duas partes e era o principal ícone do antigo regime comunista soviético, caiu em novembro de 1989 - com o agravante de ter sido derrubado espontaneamente pelas suas próprias vítimas. Aquelas pessoas que pelo mundo abraçavam a causa socialista repentinamente ficaram órfãs. Seus ideais haviam sido cabalmente desmentidos pelos fatos. A proposta de Fidel, à época, era altamente auspiciosa: reunir todos os partidos e movimentos políticos da esquerda, na América Latina, para procurar estabelecer o diálogo entre eles e, a partir disso, a articulação e a coordenação de suas ações.

Foi, e tem sido, um enorme sucesso. Hoje em dia, não há organização política representativa de cunho socialista, em toda a América Latina, que não seja filiada ao Foro de São Paulo. Trocam, de modo permanente, ideias e impressões entre si e - o mais importante - falam todos, agora, a mesma língua.

Muitos chegaram ao poder, como é o caso de Lugo, no Paraguai, Ortega, na Nicarágua, Morales, na Bolívia, Correa, no Equador, e muitos mais. Outros tantos ocuparam o poder antes e, numa tentativa oportunista de apresentar ao mundo alguma justificativa ideológica para seus governos, trataram de se filiar ao foro. Um caso que todos conhecem bem é o de Hugo Chávez, na Venezuela - com o seu conceitualmente confuso "bolivarianismo". Outro que chegou atrasado foi o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya.

O caso do Brasil é muito peculiar: foi aqui que o foro se viabilizou, beneficiando-se da infraestrutura oferecida pelo PT, já então um grande e representativo partido político. Luiz Inácio Lula da Silva tratou logo de abraçar a bandeira oferecida por Castro, que tinha também outro grande atrativo: caso o petista vencesse as eleições de 1990, contra Collor, o partido seria alçado à condição de grande líder das esquerdas da América Latina. O fato é que naquela ocasião Lula perdeu. Perdeu a Presidência da República e também a perspectiva de se tornar líder socialista do nosso sub-continente.

Já numa das primeiras assembleias anuais do foro ficou determinado, em ata, que era dever de todos os partidos e movimentos filiados defender o governo cubano e o seu líder, Fidel.

Em meados da década de 1990, Hugo Chávez se filiou ao movimento. Foi uma aliança benéfica para todos. Em troca de um pretexto e um aval ideológico consistente para o seu regime, ele vem usando as suas divisas internacionais, provenientes do abundante petróleo venezuelano, para ajudar a manter a economia cubana em pé e, também, estimular numerosos movimentos e partidos em toda a América Latina.

O PT perdeu a sua chance de liderar o foro. Agora, quem dá as cartas ali é o "bolivarianismo".

E o governo brasileiro, sob Lula, contenta-se apenas em seguir fielmente as diretrizes emanadas pela entidade.

Evidência disso é que Marco Aurélio Garcia ocupou, durante todos os últimos anos, o cargo de assessor especial da Presidência da República para assuntos externos e, a partir dessa condição, formulou livremente a nossa política diplomática para a América Latina.

O cidadão acaba de sair do governo para tentar alçar voos mais altos. Ele é, agora, o coordenador da campanha eleitoral da situação. No que depender dele, a nossa canhestra política externa vai ser, no futuro, ainda mais ideologizada do que é hoje.

Coitado do Brasil!

JORNALISTA, DEPUTADO ESTADUAL, FOI DEPUTADO FEDERAL, SECRETÁRIO E MINISTRO DE ESTADO

OESP – 23.04.2010

Grécia deve pedir ativação de ajuda financeira

da France Presse, em Atenas
da Reportagem Local

O primeiro-ministro da Grécia, Giorgos Papandreou, pedirá por volta das 07h30 (horário de Brasília) a ativação do mecanismo de ajuda FMI-União Europeia, informaram fontes do governo grego à agência de notícias France Presse na manhã desta sexta-feira.

Papandreou fará o anúncio pela televisão, pouco antes da viagem a Washington de seu ministro das Finanças, Giorgos Papaconstantinou, que se encontrará sábado com o diretor-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn.

O plano de ajuda à Grécia, da zona euro e do FMI, prevê empréstimos de 45 bilhões de euros (US$ 60 bilhões) com juros de 5%.

Ontem, a Eurostat, a agência de estatísticas na União Europeia, revisou para cima pela terceira vez o deficit fiscal grego em 2009. Segundo o órgão, a Grécia teve deficit de 13,6% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado, contra os 12,7% divulgado anteriormente.

O valor preocupa porque é muito maior do que o permitido pela União Europeia, que é de 3% ao ano, e mais do que o dobro da média da zona do euro no mesmo ano (6%).

O mercado respondeu rapidamente à revisão do dado: as taxas dos títulos gregos a dez anos bateram novo recorde desde a entrada do país na zona do euro, passando a casa dos 8,5% ao ano.

Além disso, a agência de classificação de riscos Moody's baixou a classificação da dívida grega e advertiu que não descarta novas revisões para baixo. Em comunicado, a agência justificou sua decisão de reduzir a classificação do nível A2 para A3, o que significa um "risco grande de que a dívida só será estabilizada com um gasto maior do que o previsto anteriormente".

Folha de São Paulo – 23.04.2010

FMI promete rapidez a pedido de regaste da Grécia

Juliana Cardoso

SÃO PAULO - O Fundo Monetário Internacional (FMI) prometeu reagir rapidamente com relação à solicitação da Grécia, de ativar o mecanismo de ajuda financeira traçado por líderes europeus, com participação do Fundo. A Comissão Europeia já havia prometido o mesmo.

Em breve nota, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, avisou ter recebido a solicitação do governo grego."Estivemos trabalhando de perto com as autoridades gregas por algumas semanas sobre uma assistência técnica e tivemos uma missão em Atenas trabalhando com as autoridades locais e a União Europeia. Estamos preparados para agir rapidamente com relação a esta requisição", sustentou.

(Juliana Cardoso Valor)

Valor Econômico – 23.04.2010

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