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Governo
prepara lei para proibir operação-padrão
A pedido
de Dilma Rousseff, Advocacia-Geral da União elabora projeto para normatizar
paralisações dos servidores federais
João
Villaverde e Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo
Irritada
com as táticas adotadas pelos servidores públicos em greve, a presidente Dilma
Rousseff já chancelou os primeiros pontos de um projeto de lei para disciplinar
as paralisações. Na versão encomendada ao ministro Luís Inácio Adams, da
Advocacia-Geral da União (AGU), o expediente da "operação-padrão"
será proibido.
À frente
dos estudos para o desenho da nova lei, Adams afirmou ao Estado que a
nova lei deve proibir o expediente em que os grevistas vão ao local de trabalho
e desempenham suas funções de forma minuciosa, retardando a prestação de
serviços como liberação alfandegária de mercadorias e checagem de passaportes
nos aeroportos.
Além
disso, Adams afirmou que servidores de áreas consideradas essenciais, como
médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) ou funcionários da Justiça Eleitoral em
período de eleição, devem ter o direito de greve negado. O corte de ponto
também será permitido, bem como a substituição de servidores federais em greve
por servidores públicos de Estados e municípios.
Além da
AGU, técnicos dos ministérios do Planejamento, do Trabalho e da Casa Civil
estão envolvidos na discussão do projeto em Brasília. A questão sempre foi um
tabu para o governo federal - a Constituição de 1988 prevê a lei, que, no
entanto, nunca foi criada.
"A
greve deste ano mostrou a todos no governo a urgência de uma lei específica
para os servidores. Isso está na nossa agenda de curto prazo", disse
Adams, um dos técnicos de maior confiança de Dilma. Adams tem participado
ativamente da modelagem jurídica dos últimos pacotes de estímulo à economia e
das concessões de obras de infraestrutura pelo País.
O
advogado-geral da União caracterizou como "abusiva" e
"ilegal" a prática da operação padrão, e citou exemplos de categorias
que não podem parar. "Fala-se em greve como se fosse um valor absoluto,
mas não é. O direito de greve deve permitir que o atendimento médico, por
exemplo, seja negado a um cidadão? Alguém pode morrer por causa de uma greve,
ou o Brasil deve ficar sem eleições? É simples: há servidores que não podem
parar", disse.
De acordo
com estimativas das centrais sindicais, mais de 250 mil servidores federais
engrossaram as greves neste ano - pouco menos de um terço do total de 1,1
milhão de funcionários na ativa.
"Uma
coisa é paralisar seu trabalho para pressionar o empregador, outra coisa é
transformar uma greve num processo de paralisia do Estado e de serviços
fundamentais ao cidadão", disse Adams, que foi um dos protagonistas do
acirramento entre o governo federal e os sindicatos de servidores entre junho e
agosto.
No auge
da greve, em julho, a AGU ingressou com pedido junto ao Superior Tribunal de
Justiça (STJ) assegurando que no mínimo 80% dos servidores da Justiça Eleitoral
mantivessem o expediente normal.
Limites. Na falta
de uma lei própria, o governo, desde 2009, administra a relação com os
servidores por meio da lei que disciplina os limites para os trabalhadores da
iniciativa privada, ancorado num entendimento do Supremo Tribunal Federal
(STF). "A ideia de equiparar as leis tem servido para garantir que não
existe anomia, isto é, ausência de normas", disse Adams.
O governo
ainda avalia se o marco legal para greves no serviço público federal será
enviado por meio de um projeto de lei pela presidente Dilma Rousseff ou se um
dos vários projetos que versam sobre o assunto e estão engavetados no Congresso
pode ser adaptado.
Um dos
mais recentes, de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), prevê
que no máximo 50% dos servidores podem cruzar os braços para demandar aumento
de salários, e nos serviços considerados essenciais pelo tucano, apenas 20%
pode parar de trabalhar. O projeto de Nunes Ferreira está parado na Comissão de
Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, cujo presidente é o
senador Paulo Paim (PT-RS).
OESP – 05.09.2012
Boicote
de auditores provoca rombo de R$ 6,5 bilhões
VANNILDO
MENDES - Agência Estado
Em apenas
dois meses de greve dos servidores da Receita, entre julho e setembro, cerca de
R$ 6,5 bilhões deixaram de ser lançados no caixa da Tesouro, segundo estimativa
do comando do movimento. O rombo decorre da operação Crédito Zero, que
consiste no não lançamento dos créditos tributários da União, fruto de ações
fiscais, uma atividade de competência exclusiva dos auditores da Receita, que
recusaram a proposta de acordo e continuam em litígio salarial com o governo.
A direção
da Receita informou que não fechou o levantamento de danos e não faz
comentários sobre os efeitos da greve. Mas reconhece que a rotina da
instituição está seriamente afetada. Os prejuízos à arrecadação tributária são
apenas parte dos efeitos perversos da onda de greves, a maior desde o período
pré-golpe militar de 1964. A mobilização tumultuou serviços essenciais do setor
público brasileiro nos últimos quatro meses.
Pelos
cálculos do governo, 93% dos servidores aceitaram a proposta de reajuste de
15,8%, divididos em três vezes, e voltaram ao trabalho. Mas cerca de 40 mil
profissionais de dez categorias continuam em greve. Entre eles, estão 19 mil
auditores e analistas da Receita e 8,9 mil policiais federais, entre agentes,
escrivães e papiloscopistas. Eles somam apenas 7% do universo de ativos no
setor público, mas ocupam funções estratégicas em carreiras típicas de Estado e
os estragos são expressivos. As informações são do jornal O Estado de
S. Paulo
OESP – 06.09.2012
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