terça-feira, 4 de setembro de 2012

NOTÍCIAS
 
Sete dias para a normalização
 
ANA CAROLINA DINARDO/MARIANA MAINENTI
 
Apesar de grande parte dos servidores públicos federais terem retomado suas atividades, os efeitos negativos das greves — que duraram mais de dois meses — ainda não foram totalmente sanados, sobretudo nos portos e nos aeroportos do país. No Porto Seco Centro-Oeste, em Anápolis (GO), será preciso mais sete dias para normalizar o trabalho. Nos últimos 10 dias, após determinação judicial de retorno das operações, foram liberados U$ 95 milhões em mercadorias que estavam paradas na cidade goiana.
 
O diretor superintendente do Porto Seco, Edson Tavares, afirmou que os produtos que chegam agora à zona secundária goiana não ultrapassam o prazo normal de dois dias para serem liberadas. Segundo Tavares, 25 toneladas deixaram a zona secundária de Anápolis na última semana, depois de uma força-tarefa dos servidores. "Atualmente, conseguimos normalizar em 80% a situação caótica vivenciada durante as paralisações", disse Tavares. Durante a greve, cerca de 720 toneladas de medicamentos ficaram sem liberação. "Isso já caiu bastante. Estamos com menos de 400 toneladas armazenadas. Nos próximos dias, tudo estará normalizado", assegurou.
 
Cerca 80% das empresas associadas ao Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma) conseguiram liminares que obrigavam os servidores a voltarem para suas funções. A Justiça determinou que os produtos considerados emergenciais pudessem ser realocados em armazéns das empresas responsáveis, para então serem fiscalizados pelos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Receita Federal.
 
O enfrentamento entre fiscais e o governo ainda não acabou. Segundo o Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), a categoria vai decidir hoje, durante assembleia nacional, se realizará paralisações de 82h (três dias e 10 horas), 48h ou 24h a partir do próximo dia 10. Procurada pelo Correio, a assessoria de imprensa da Receita Federal não quis se pronunciar.
 
Esforço concentrado
 
Na volta ao trabalho, ontem, os servidores da Anvisa concentraram esforços nos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Congonhas, em São Paulo, e Tom Jobim, no Rio de Janeiro, além dos portos de Itajaí (SC), Santos (SP) e Mauá (RJ). Foram deslocados cerca de 45 servidores da Gerência de Portos, Aeroportos e Fronteiras (PAF) de outros estados para atuarem nesses locais.
 
Na última sexta-feira, a diretoria do órgão regulador suspendeu a exigência de alguns documentos, como a licença de pré-embarque, a fim de facilitar a liberação das mercadorias represadas durante a greve dos servidores e a dispensa de fiscalização de alimentos inspecionados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
 
Correio Braziliense – 04.09.2012
 
 
Protecionismo do Mercosul prejudica relações com a União Europeia, diz Durão Barroso
 
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil
 
Brasília - O presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso, alertou hoje (4) que as “medidas protecionistas” adotadas por alguns países do Mercosul dificultam as negociações para um acordo de livre comércio com a União Europeia. Segundo ele, os 27 países do bloco se interessam pelo acordo.
 
Durão Barroso referiu-se indiretamente à Argentina. Recentemente, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, adotou uma série de medidas para controlar as importações no país.
 
Na semana passada, a Comissão Europeia decidiu abrir uma investigação após denúncia, no Conselho Europeu de Biodiesel (órgão que representa os principais produtores de biodiesel no bloco), que considera as importações do biodiesel argentino suspeitas de comercialização a preço mais baixo do que as tarifas combinadas com o país.
 
“É justo afirmar que as recentes atitudes protecionistas de alguns membros do bloco [sul-americano] não ajudam”, disse Durão Barroso, em discurso para embaixadores sul-americanos e europeus.
 
A próxima Cúpula União Europeia e América Latina está marcada para janeiro de 2013, no Chile. “[Espero que neste encontro ocorra uma] mensagem clara contra o protecionismo e certas formas de populismo”, disse Durão Barroso, lembrando que o acordo de cooperação firmado entre a Europa e o Brasil, oficializado em 2007, permitiu progressos, mas não “atingiu seu total potencial”.
 
*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa (http://www5.lusa.pt/lusaweb/subscriber/showitem?service=107&listid=NewsList1912&listpage=1&docid=14929915)
 
Edição: Beto Coura
 
Agência Brasil – 04.09.2012

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