sexta-feira, 19 de março de 2010


NOTÍCIAS

Cerca de 90% dos caminhoneiros do Porto paralisam atividades

De A Tribuna On-line

Cerca de 90% dos 4.500 caminhoneiros que atuam no Porto de Santos paralisaram, por tempo indeterminado, as suas atividades nesta quinta-feira. Devido à situação, o presidente do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), Sérgio Aquino, aceitou atender a categoria para uma reunião na Prodesan, onde fica a Secretaria de Assuntos Portuários e Marítimos.

Durante a manhã, os motoristas fizeram uma manifestação na Praça Mauá, no Centro de Santos, em frente à Prefeitura. O ato é liderado pelo coordenador do Movimento União Brasil Caminhoneiros, Heraldo de Andrade, que representa a categoria de Santos e pelo ex-vereador do Guarujá, José Nilton (o Doidão), pelos trabalhadores do município.

Os motoristas reivindicam o cumprimento de um acordo feito com os terminais em 2006. Eles afirmam que deveria ser pago o valor de R$ 147,00 pela tabela do frete, mas as empresas utilizam intermediadores para a contratação dos serviços, reduzindo o valor para até R$ 90,00.

Andrade garante que a categoria não quer mais negociar com a transportadora, mas sim com o armador, que é o responsável pela contratação do serviço. Além disso, os manifestantes também solicitam que o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Serra, participe da intervenção junto às armadoras.

Reunião

Aquino aceitou receber os caminhoneiros desde que fossem cumpridas três condições: que o movimento fosse pacífico, que não houvesse prejuízo ao trabalho do Porto e que os motoristas não fossem impedidos de trabalhar.

Diante do cenário, o presidente do CAP disse que se comprome a marcar uma reunião nos próximos dias com armadores de contêineres vazios para tentar solucionar o problema. No entanto, ele afirma que a Prefeitura não vai interferir na negociação do frete, por não se intrometer na relação capital-trabalho.

Entre as solulções propostas por Aquino, está o trabalho do CAP para o controle da descarga direta de contêineres vazios e ainda a criação de um conhecimento do transporte local, que está sendo desenvolvido pela Secretaria de Finanças.

Com esse material, seria eliminada a necessidade de minuta para o carregamento. O documento é uma das principais queixas dos caminhoneiros, que alegam ter que pagar propina para recebê-lo.

A Tribuna – 18.03.2010

Negociações fracassam e British Airways terá greve amanhã

da Efe, em Londres

As negociações entre a tripulação e a British Airways para evitar uma greve fracassaram hoje e companhia aérea terá que enfrentar uma grande paralisação a partir desta madrugada.

O secretário-geral do sindicato Unite, Tony Woodley, disse estar decepcionado com o fracasso dos esforços para evitar a greve e acusou a empresa de buscar uma "guerra" com os funcionários.

A direção da British Airways e o Unite buscavam uma solução que impedisse a paralisação que os funcionários prometem para entre 20 e 22 de março, e entre 27 e 30 de abril.

Os funcionários votaram a favor da greve perante uma proposta da direção da empresa que pretende, entre outras medidas, eliminar 1.200 empregos, reduzir os pagamentos em viagens de longa distância e congelar salários por, no mínimo, dois anos.

A companhia aérea anunciou na quarta-feira que fretará mais aviões que o previsto para os dias de paralisação e que o número de voluntários para trabalhar durante a greve aumentou.

Folha de São Paulo – 19.03.2010

Pujança dos Bric exige reavaliação do sistema monetário internacional

da Efe, em Londres

A evolução da economia mundial no século 21 torna necessário repensar o funcionamento do sistema monetário internacional e criação de uma nova ordem que inclua e conte com a participação das economias emergentes, segundo as conclusões de um relatório de especialistas divulgado nesta quinta-feira (18) em Londres.

Elaborado por encomenda pelo Chatham House, o Instituto de Relações Exteriores de Londres, oferece fórmulas para que as autoridades monetárias e os líderes políticos "preparem o terreno para um novo sistema e tornem a transição menos turbulenta".

No documento estão opiniões de renomados analistas e atores do sistema monetário, como DeAnne Julius, uma ex-membro do comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra, e Jim O'Neill, considerado o "ideólogo" dos bancos americano Goldman Sachs.

"Dentro de 20 anos, o tamanho combinado das chamadas economias Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) possivelmente equivalerá ao dos Estados Unidos e da União Europeia juntas. Que tipo de sistema monetário internacional será necessário em um mundo assim? Devemos começar a concebê-lo agora?", questiona O'Neill.

Os autores do trabalho concordam que a questão da reforma não é algo novo, mas concluem que é necessário começar a trabalhar nisto "o quanto antes" e fazem uma série de recomendações sobre os passos a serem seguidos.

Os analistas expressam a conveniência de idealizar um sistema de reserva multi-divisas, ajustado a realidade de "um mundo de bloco comerciais regionais - Europa, Ásia, as Américas - junto a um dólar que é a divisa preeminente".

Neste sentido, o relatório sugere promover um "uso extensivo" dos direitos especiais de giro (SDR) como "uma divisa supranacional, junto às reservas de divisas internacionais que são emitidas pelos respectivos Estados soberanos".

Os SDR foram criados em 1969 pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) como uma reserva internacional de ativos com o objetivo de serem um complemento para o dólar e o ouro sob o Acordo de Bretton Woods sobre o regime de taxa fixa de mudança.

Trata-se de uma bolsa de divisas, do que atualmente fazem parte o dólar, o iene, o euro e a libra esterlina, cujos pesos relativos são ajustados a cada cinco anos.

No terreno político, aconselham a promoção do diálogo e a coordenação de políticas para promover a estabilidade, a confiança e um ajuste coordenado do sistema, com a meta que os países e os indivíduos entrem em acordo sobre uma divisa de referência.

Defendem ainda o fortalecimento do papel e da legitimidade das instituições internacionais, com o reforço do papel de supervisão e controle do FMI, de modo que possa enfrentar com maior eficácia o problema das taxas de câmbio e o desequilíbrio que isto gera no sistema de pagamentos.

Folha de São Paulo – 19.03.2010

OMC precisa de milagre político para fechar Doha em 2010

JONATHAN LYNN REUTERS

GENEBRA - Membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) devem concluir na próxima semana que será preciso um milagre político para fechar um novo acordo comercial neste ano, mandando outro prazo da Rodada de Doha direto para a lata de lixo.

Os chefes de Comércio dos Estados Unidos e da União Europeia já admitiram que pode não ser possível completar a Rodada de Doha em 2010, como exigido por líderes na última cúpula do G20 e em outras reuniões.

Assim, a reavaliação da próxima semana, exigida por ministros em uma conferência em dezembro, teve sua importância minimizada.

A possibilidade de ministros participarem foi descartada, deixando o anúncio para autoridades sêniores.

"Eu tenho expectativas muito baixas", disse o embaixador na OMC de uma economia emergente. "Está claro que 2010 não está no jogo."

Muitos negociadores dizem que as negociações, lançadas no final de 2001 para abrir o comércio global e ajudar os países pobres a prosperarem através de mais comércio, estão relutantes apesar de algum avanço em questões técnicas.

O negociador-chefa da Nova Zelândia na OMC, Crawford Falconer, que presidiu as negociações sobre agricultura até o ano passado, disse em uma conferência em Canberra neste mês que 2010 continua sendo a meta.

"Mas não vamos nos enganar. A realidade é que, da maneira como estamos indo em Genebra, não vamos conseguir", disse ele.

SITUAÇÃO POLÍTICA

O acordo, que o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, diz ser necessário para impulsionar a economia mundial e garantir uma proteção contra o protecionismo, está travado em uma situação política desde que os ministros falharam em conseguir um avanço em julho de 2008.

A maior parte dos outros membros diz que os EUA não estão realmente comprometidos com as negociações, algo simbolizado pelo fato de o presidente Barack Obama não ter conseguido convencer o Congresso a aprovar um embaixador do país à OMC em Genebra.

Com o representante de Comércio Ron Kirk, os Estados Unidos dizem que estão tentando avançar nas negociações, mas que China, Índia, Brasil e outras economias emergentes não estão dispostas a oferecer o suficiente para vender um acordo aos votantes.

Em Washington há pouco interesse em um acordo considerado como garantia de ônus aos EUA, com pouco em troca. A não ser que os empresários norte-americanos batam na porta dos congressistas exigindo seu apoio, é improvável que aconteça.

Não alcançar um novo acordo comercial nos próximos meses levanta a pergunta sobre se ele de fato importa.

O comércio mundial está se recuperando com força depois de se contrair 12 por cento em 2009, a maior queda desde a Segunda Guerra Mundial, conforme a demanda caiu como resultado da crise financeira.

O Deutsche Bank diz que o crescimento do comércio neste ano pode ficar na casa dos dois dígitos, em meio a notícias de uma enorme recuperação no início do ano.

A OMC diz que uma temida onde de protecionismo como aconteceu na década de 1930 não se materializou após a crise, e o sistem de comércio global provou seu vigor.

OESP – 18.03.2010

Déficit pode parar países ricos

Stephen King economista-chefe do banco HSBC

Daniela Milanese - O Estadao de S.Paulo
ENTREVISTA
CORRESPONDENTE/LONDRES

Como resultado dos elevados déficits fiscais, os países desenvolvidos devem enfrentar uma pequena versão da estagnação vivida pelo Japão nos últimos anos, acredita o economista-chefe do HSBC, Stephen King. "Evitamos a Grande Depressão 2, mas acabaremos nesse ambiente de estagnação e deflação", afirmou, nesta entrevista exclusiva à Agência Estado, na sede do banco, em Londres.

Os déficits na Europa preocupam muito?

Sim. A causa da crise original foi o excesso de dívidas. O que aconteceu é que as dívidas foram redistribuídas das famílias e dos bancos para os governos. Há um ou dois anos, a crise estava associada aos problemas dos bancos e, agora, à falta de confiança nos títulos soberanos. O que acontecerá daqui para frente dependerá de decisões políticas, assim como da realidade econômica. Consequentemente, isso acaba gerando volatilidade e nervosismo nos mercados.

O que é possível fazer para resolver o problema?

Há opções para lidar com déficits. A primeira é a religiosa: rezar pela recuperação forte. A arrecadação sobe e os gastos públicos passam a não representar tanto em relação ao PIB. O problema é que a deterioração fiscal começou antes da crise. Então, só funciona parcialmente porque ainda haverá déficits.

E a outra opção?

É a austeridade. Os economistas acham fácil, mas os políticos, não. Medidas sérias de austeridade só veem após crises fortes porque é complicado convencer a população, a não ser que ela seja forçada. Na Grécia, há esse processo em curso. A terceira opção é seguir o Japão. O país produziu um milagre na economia, com forte endividamento público, mas sem estragos na moeda nem no mercado de títulos. Ao contrário, a moeda é forte e os juros são baixos. É exatamente o que você não espera. Mas o governo só consegue tomar tanto empréstimo porque o setor privado tem muita aversão ao risco e só quer pagar suas dívidas. Isso abre espaço para o governo emitir mais. Mas o custo é a estagnação por muitos anos. Acho que ninguém escolheria esse caminho, se fosse possível evitá-lo.

E o caminho da inflação?

É a quarta opção. Os bancos centrais passariam a comprar todos os títulos possíveis, imprimindo dinheiro. A moeda cairia e surgiria inflação. Para as finanças públicas, isso tende a funcionar porque, se a inflação avança e os juros são mantidos baixos, o PIB nominal sobe rapidamente. Isso significa que a dívida pública cai em relação ao PIB nominal. A inflação age para permitir ao governo um default interno. O problema é que, além do risco de hiperinflação, a população na Europa tem idade mais elevada. Para as pessoas que trabalharam e economizaram para a aposentadoria, o pior que pode acontecer é a inflação, que destrói o valor da poupança. É difícil para os governos adotarem essa política; socialmente, não funciona. A quinta opção é a desvalorização cambial, uma forma de dividir o problema com os credores externos. Pode funcionar muito bem, mas apenas para países que tomam empréstimos na sua própria moeda. A Argentina não poderia fazer isso porque toma dívida em dólares, não em pesos.

OESP – 19.03.2010

UE precisa de órgão para lidar com bancos, diz FMI

DANIELLE CHAVES Agencia Estado

BRUXELAS - A União Europeia (UE) precisa de um novo organismo para lidar com bancos em colapso rapidamente e sem grandes custos, afirmou hoje Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI). Strauss-Kahn fez a declaração durante uma conferência da UE sobre gerenciamento de falências de bancos internacionais.

"O que eu acho necessário é uma Autoridade de Resolução Europeia, armada com a autorização e os instrumentos para lidar de um modo efetivo em custos com bancos internacionais em colapso", disse Strauss-Khan. O novo organismo deveria fazer parte de um sistema de gerenciamento de crise mais amplo, financiado pelo setor por meio de tarifas de seguro de depósito e da taxação de instituições financeiras que poderão usá-lo, segundo ele.

O diretor do FMI criticou a UE por não desenvolver um sistema como esse em um momento em que está revisando radicalmente sua estrutura regulatória. "Os entendimentos existentes provaram ser inadequados, tornando as falências de bancos nacionais e internacionais difíceis de serem resolvidas com eficiência e mais custosas do que precisam ser", disse.

Michel Barnier, comissário da UE para mercados internos, afirmou que pretende apresentar aos ministros de Finanças europeus, no fim deste ano, um documento sobre como a região deveria dar suporte a seus sistemas para lidar com bancos internacionais em colapso. O comissário também destacou que a UE vai precisar de regras harmonizadas sobre como lidar com os bancos problemáticos.

"A harmonização dessas regras é o primeiro passo essencial", disse Barnier. Os países também precisarão resolver a questão sobre o compartilhamento dos custos para um fundo de resolução bancário. O sistema europeu permite que bancos de um país da UE operem automaticamente em outros, sob a supervisão do órgão regulador de seu país de origem. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado – 19.03.2010

Japão sai em defesa da China sobre o iuane

O governo japonês saiu ontem em defesa da China em meio à polêmica de que os Estados Unidos podem sobretaxar as exportações chinesas caso Pequim não flexibilize o iuane. Yoshihiko Noda, um dos vice-ministros de Finanças do Japão, disse que seria errado Washington recorrer a sanções. "Eu não sei se os Estados Unidos vão impor sanções, mas eu não acho que seria a maneira correta de lidar com isso", disse Noda.

No entanto, o vice-ministro ressaltou que a China deveria entender o apelo global para uma maior flexibilidade do iuane. "Basicamente, tal ação dos EUA não é desejável. Mas eu quero que a China entenda que há expectativas de um iuane mais flexível, não apenas dos EUA", disse.

O Ministério das Finanças da China pode conduzir um novo estudo sobre o impacto da valorização do iuane nas empresas locais, aumentando a incerteza sobre a política cambial do país. A motivação por trás do estudo, que se segue a um trabalho similar feito por dois outros ministérios no mês passado, é incerta.

Segundo economistas, é prematuro concluir que a China está fundamentando o caminho para que o iuane suba nos próximos meses. Alguns disseram que o país poderia utilizar os estudos para argumentar contra uma apreciação da moeda. De acordo com o jornal 21st Century Business Herald, o Ministério das Finanças pode realizar o teste para ver qual o efeito de uma apreciação do iuane sobre as empresas em Shanghai, e nas províncias de Guangdong, Zhejiang e Jiangsu.

DCI – 19.03.2010

Anteprojeto de lei para o setor de fertilizantes será apresentado a Lula no dia 29, diz ministro

Danilo Macedo

Repórter da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse na noite de hoje (18) que o anteprojeto de lei específica para o setor de fertilizantes, elaborado em conjunto pelas equipes dos ministérios da Agricultura e de Minas e Energia, já está pronto. Ele afirmou ter gostado do resultado, que deve apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 29, em audiência marcada para as 18h. Entre as propostas que estavam em estudo, constava a da criação de uma estatal para coordenador o setor.

“As medidas administrativas estão prontas e o projeto está bom. Acho que vai conseguir fazer a questão dos fertilizantes andar”, afirmou. O país importa atualmente quase 70% dos fertilizantes usados nas lavouras brasileiras, a um custo que chegou a US$ 10 bilhões em 2008. No caso do cálcio, as importações representam mais de 90% do consumo.

Stephanes disse que a proposta estabelece que os responsáveis pelas jazidas de minérios usados para a fabricação de fertilizantes (fósforo e cálcio) terão que apresentar um projeto prévio com viabilidade, cronograma de investimentos e prazo de início para as explorações.

“O projeto encurta espaços e cria obrigações firmes”, destacou. Segundo o ministro, quem não cumprir as determinações estará sujeito a multas. Todas as minas que não estiverem em operação terão de se adequar às novas regras.

Agência Brasil – 18.03.2010

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