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Governo estuda estímulos para elevar exportações, afirma ministério
SOFIA FERNANDES
Colaboração para a Folha Online, em Brasília
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, afirmou nesta segunda-feira que o governo estuda adotar uma série de medidas para estimular as exportações brasileiras.
"Muitas dessas medidas são na área tributária, mas há medidas na área cambial, e o Banco Central está estudando isso. Há medidas na área de simplificação e facilitação do comércio", disse Barral.
Questionado sobre quando sai o pacote de estímulos, Barral afirmou que não existe um pacote, mas uma série de medidas que estão em discussão no governo.
De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pelo ministério, as exportações brasileiras em fevereiro somaram US$ 12,2 bilhões, uma média de US$ 677,6 milhões por dia útil, recorde para um mês de fevereiro.
Desse valor, 58,3% é composto por produtos industrializados, com mais valor agregado. Esse índice é inferior ao verificado em fevereiro de 2009 (61,9%).
Mercado interno
Como o mercado interno brasileiro esteve bastante aquecido em fevereiro, o nível de importações aumentou de forma mais pronunciada do que as exportações, o que gerou um saldo comercial bastante enxuto.
A balança comercial brasileira teve superavit de US$ 394 milhões em fevereiro, ante US$ 1,77 bilhão registrado no mesmo mês no ano passado. É o pior saldo para um mês de fevereiro desde 2002.
Segundo o ministério, o mês registrou recorde de importação, principalmente de insumos, e de exportação para um mês de fevereiro, considerando a média diária. Mas as importações foram mais marcantes para o resultado do mês, puxadas por uma demanda interna refeita da crise. "Houve o aumento de importação para suprir produção que não existe no Brasil", afirmou Barral.
De acordo com o secretário, outro efeito do mercado interno aquecido é a tendência de desvio das vendas para a própria demanda interna do país.
Insumos e carros
Os dados divulgados hoje indicam que a importação de matéria-prima cresceu 50,3% na média diária do ano, em relação a fevereiro de 2009. Houve também grande aumento na importação de bens de consumo. Só a compra de carros no Brasil cresceu 116,2%, vindos de Argentina, México e Coreia do Sul. Importação de combustíveis e lubrificantes tiveram incremento de 92,8%.
O ministério comemora recuperação de mercados emergentes, que estão se recompondo mais rapidamente do que de alguns países da Europa, por exemplo. Só o aumento de exportação para a Argentina foi de 63,5%, em comparação com fevereiro de 2009.
O Brasil apresentou ainda aumento de 43,1% nas exportações para a China, e crescimento de 54,5% nas importações. No entanto, o maior parceiro comercial do Brasil ainda são os Estados Unidos, que compraram US$ 2,7 bilhões do país em fevereiro. A meta para 2010 de exportações é de US$ 168 bilhões.
Folha Online – 01.03.2010
Pacote deve criar crédito automático a exportador
Sergio Leo, de Brasília
A discussão também envolve medidas para reduzir a burocracia que atrapalha as exportações
Os exportadores poderão ganhar um mecanismo de crédito automático para compensar os impostos federais pagos pelos fornecedores, segundo proposta em discussão pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento com representantes de grandes exportadores. A discussão faz parte de um pacote de apoio ao setor que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer anunciar ainda em março, segundo informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a auxiliares.
A discussão também envolve medidas para reduzir a burocracia que atrapalha as exportações. Uma das ideias em análise é a isenção de imposto sobre remessas de moeda estrangeira feitas pelas empresas exportadoras ao exterior. Seriam isentas as remessas até um certo limite, algo em torno de 3% a 5% do valor FOB (excluídas as despesas de frete) das exportações da empresa. O grupo que prepara o pacote tem debatido, ainda, medidas de financiamento, a principal delas a criação do Eximbank brasileiro. Alguns temas enfrentam resistências da Secretaria da Receita Federal, o que exigirá negociações nos próximos dias.
Um dos principais alvos do pacote a ser anunciado por Lula é a criação do mecanismo eletrônico para evitar a acumulação de créditos tributários que ocorre quando os exportadores, teoricamente isentos de imposto, incorporam em seu processo de produção matérias-primas ou mercadorias tributadas. Além desse mecanismo, governo e empresários discutem uma possível redução da base de cálculo do imposto dos exportadores, que compensaria, assim, o tributo cobrado nas etapas iniciais do processo produtivo.
As discussões sobre o pacote começaram dias depois de um jantar entre Lula e um grupo de 50 exportadores, no fim de dezembro, quando o presidente comunicou aos empresários a preocupação com a deterioração dos resultados no comércio exterior do país. Na quarta-feira, Mantega reunirá o comitê de acompanhamento do crescimento (antes denominado de "acompanhamento da crise"), quando o tema deverá ser abordado com grandes exportadores que fazem parte do grupo. Ainda neste mês, Lula poderá receber esses empresários para ouvi-los sobre o pacote.
Valor Econômico – 01.03.2010
Lista de retaliação relativa ao contencioso do algodão será divulgada em 8 de março
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) informa que a lista de bens objeto da retaliação relativa ao contencioso do algodão, nos termos autorizados pela Organização Mundial do Comércio (OMC), será divulgada no próximo dia 8 de março, segunda-feira. Os técnicos do grupo interministerial realizam os ajustes finais da lista, trabalho que deverá ser concluído ao longo da semana em curso.
MDIC – 01.03.2010
Mujica toma posse no Uruguai e defende o Mercosul
SÃO PAULO - O ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica tomou posse ontem, para um mandato de cinco anos, como presidente do Uruguai. Ele adotou um discurso conciliador, defendeu a união com o Mercosul " até que a morte nos separe " e prometeu eliminar a indigência do país.
O presidente falou da necessidade de integração e disse que a América Latina é como uma " família balcanizada " , na qual os integrantes tentam se entender, mas não conseguem. Ele definiu quatro prioridades em seu governo: educação, energia, meio ambiente e segurança pública.
Pela primeira vez na história, a troca de faixa presidencial ocorreu em um ato aberto ao público - uma multidão que se aglomerava o centro histórico de Montevidéu.
Valor Econômico – 02.03.2010
UE fecha acordo de livre comércio com Peru e Colômbia
da France Presse, em Bruxelas
A União Europeia fechou um acordo de livre comércio com o Peru e a Colômbia, anunciou nesta segunda-feira a Comissão Europeia, após a nona rodada de negociações entre as partes ocorrida em Bruxelas.
'Durante a nona rodada de negociações que aconteceu em Bruxelas, os negociadores chegaram a um acordo sobre os elementos chave de um ambicioso acordo comercial que vai inaugurar novas relações comerciais e investimentos entre a União Europeia e os países andinos signatários', afirma a Comissão Europeia em um comunicado.
O acordo prevê a liberalização do comércio de produtos industriais e de pesca. A partir da entrada em vigor do tratado, 80% do comércio de produtos industriais será aberto com o Peru e 65% com a Colômbia.
"Isto abrirá novas perspectivas de acesso aos mercados para os exportadores de todas as partes signatárias em frutos e hortaliças, pesca, automotores, eletrônica e maquinaria, vinhos e bebidas alcoólicas, sem falar nos serviços, como as telecomunicações, serviços bancários, etc.", informa o comunicado.
Folha de São Paulo – 01.03.2010
Efeitos do sismo não devem afetar rumo da economia chilena
THIAGO GUIMARÃES
da Folha de S. Paulo
Embora o Chile ainda calcule os prejuízos causados pelo terremoto de sábado, os efeitos do sismo no sistema produtivo local devem se concentrar no primeiro semestre do ano, sem interromper a trajetória de recuperação da economia, uma das mais sólidas da América Latina.
Para especialistas consultados pela Folha, a injeção de recursos públicos e privados necessária para a reconstrução do país ajudará a manter a atividade. A boa situação fiscal e uma regra que permite ao governo gastar até 2% a mais do que o previsto no Orçamento em situações excepcionais também pesam a favor do país.
"Os impactos negativos na economia vão se refletir no primeiro trimestre. À medida que empresas e governo começarem a injetar recursos para repor a infraestrutura haverá um impacto positivo", disse o economista Alejandro Fernández.
A dimensão do esforço de reconstrução opõe o governo que sai ao que chega. O presidente eleito, Sebastián Piñera, que assume no dia 11, estimou esse custo em US$ 30 bilhões --ou cerca de 15% do PIB chileno.
A estimativa de Piñera coincide com número da consultoria americana Eqecat, especializada em desastres naturais, descartado ontem pelo atual ministro da Fazenda, Andrés Velasco. "É um número que vem do exterior, de empresa que tem um modelo puramente teórico, sem nenhuma informação de campo", afirmou.
Com uma economia dependente da exportação de matérias-primas como o cobre, o Chile foi atingido em cheio pela crise mundial --estima-se que o PIB tenha caído 1,8% em 2009. Mas a adoção de políticas de incentivo e a recuperação do preço do cobre ajudaram a tirar o país da recessão --as apostas são de avanço de até 5,5% no PIB em 2010.
Além da infraestrutura logística, como estradas, portos e redes de telecomunicação, o sismo afetou setores-chave da economia --há, por exemplo, relatos de vinícolas destruídas. Mineradoras de cobre interromperam atividades por cortes de energia.
Mas mesmo que precise de US$ 30 bilhões para se reerguer, o Chile pode pagar metade desse valor com recursos de seus fundos soberanos, alimentados por uma regra de superavit estrutural que obriga o país a economizar até 1% do PIB quando a economia vai bem.
"Para arcar com o resto, o país tem como se endividar", afirma o economista Óscar Landerretche. A dívida pública chilena está em 9% do PIB --no Brasil, esse índice é de 47%.
Folha de São Paulo – 02.03.2010
Setor manufatureiro global perde força, mas empregos sobem
da Reuters, em Londres
A atividade manufatureira global se expandiu em fevereiro em um ritmo menor que no mês anterior, mas o emprego teve o maior crescimento em 29 meses, mostrou uma pesquisa nesta segunda-feira.
O índice global, produzido pelo banco JP Morgan com organizações de pesquisa e de gestão de fornecimento, caiu para 55,2 em fevereiro, ante 56,1 em janeiro.
Apesar da desaceleração, o indicador marcou o oitavo mês acima da marca de 50,0, que divide crescimento de contração.
O componente de produção recuou para 57,4 no mês passado, frente ao pico de 69 meses registrado em janeiro (60,2).
O indicador de emprego avançou para 51,4 em fevereiro, depois de ter superado a marca de 50,0 em janeiro pela primeira vez em quase dois anos, impulsionado por Estados Unidos, China e Grã-Bretanha.
Dados divulgados mais cedo mostraram que a atividade manufatureira cresceu nas principais economias da Ásia, com Índia e Coreia do Sul avançando no ritmo mais rápido em cerca de dois anos, embora a China tenha mostrado alguns sinais de enfraquecimento.
A atividade manufatureira na zona do euro cresceu um pouco mais que o pensado inicialmente. Nos Estados Unidos, o Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) informou que o setor cresceu em ritmo mais brando que o previsto.
O índice global combina dados de vários países, incluindo EUA, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, China e Rússia.
Folha de São Paulo – 01.03.2010
Euro cai para sua menor cotação em nove meses ante dólar
Libra esterlina também operou fortemente pressionada no começo do dia
Cynthia Decloedt, da Agência Estado
LONDRES - O euro caiu para sua menor cotação em nove meses contra o dólar durante a madrugada, operando a US$ 1,3433, depois de o presidente do Banco da Reserva da Austrália, Glenn Stevens, destacar os riscos envolvendo dívida soberana para as economias mundiais. O comentário minimizou a notícia de que, confiando na recuperação da economia australiana, o BC retomou a política de aperto monetário e elevou o juro em 0,25 ponto porcentual para 4%.
Mas a pressão foi limitada mais tarde pela expectativa de que a Grécia anuncie um novo pacote de austeridade, segundo uma fonte do governo grego, amanhã. Após o anúncio das medidas, espera-se que o governo capte no mercado internacional 5 bilhões em bônus do governo.
A libra esterlina também operou fortemente pressionada no começo do dia por preocupações com a situação fiscal no país e um inesperado avanço do Partido Trabalhista nas pesquisas de opinião pública de intenção de voto feitas no domingo, em detrimento do Partido Conservador. A visão do mercado é de que os conservadores foram mais rigorosos do que os trabalhadores para enfrentar o déficit do governo.
Mas, assim como o euro, a libra parou de cair depois que duas pesquisas mostraram que os conservadores agora lideram em 5% e 7%, respectivamente, a disputa.
Já o dólar recebeu suporte da alta do juro australiano, mas caía frente às demais moedas. Às 8h08 (de Brasília), o euro subia a US$ 1,3527, de US$ 1,3496 no fim da tarde de ontem; a libra esterlina caía para US$ 1,49466, de US$ 1,4983 ontem; e o dólar operava em leve alta a 89,09 ienes, de 89,07 ienes ontem. As informações são da Dow Jones.
Agência Estado – 02.03.2010
BC australiano eleva taxa de juros para 4% e sinaliza mais altas
da Reuters, em Sydney
O banco central da Austrália elevou sua taxa de juros em 0,25%, para 4%, nesta terça-feira, e sinalizou novos aumentos à frente, após dados mostrarem uma surpreendentemente rápida recuperação econômica.
Os juros futuros caíram, já que os investidores estimaram mais altas graduais. Um movimento em abril é visto como improvável, enquanto as previsões para maio estão divididas e um aumento é quase que totalmente precificado para junho.
Esta foi a quarta elevação nas últimas cinco reuniões do Banco Central.
O presidente do BC, Glenn Stevens, disse que as taxas de empréstimos estão abaixo da média e que a decisão desta terça-feira foi apenas um movimento de volta a tal patamar.
"Com o crescimento provavelmente se aproximando da tendência e a inflação próxima da meta do ano que vem, é apropriado que os juros fiquem mais perto da média", afirmou ele em comunicado.
No mês passado, ele estimou que uma faixa mais normal para as taxas de empréstimos seria entre 4,25% e 4,75%.
Folha de São Paulo – 02.03.2010
Lufthansa anuncia prejuízo de US$ 151 milhões em 2009
da France Presse, em Frankfurt
A companhia aérea alemã Lufthansa, a maior da Europa, anunciou nesta terça-feira um prejuízo líquido de 112 milhões de euros (US$ 151 milhões) em 2009, depois de um lucro de 542 milhões de euros em 2008, e desistiu de pagar dividendos aos acionistas.
A instituição foi particularmente afetada ano passado por uma queda da demanda do transporte de passageiros, provocada pela crise econômica mundial. O volume de negócios sofreu um retrocesso de 10%, a 22,3 milhões de euros, segundo dados provisórios.
Este é o primeiro resultado negativo do grupo desde 2003 e, por este motivo ,a empresa suprimiu o pagamento de dividendos por 2009.
No ano passado, os acionistas receberam 0,70 euro por ação.
Apesar do anúncio, a ação da Lufthansa ganhava 2,14% às 7h42 (de Brasília) na Bolsa de Frankfurt.
Folha de São Paulo – 02.03.2010
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