sexta-feira, 5 de março de 2010


NOTÍCIAS

Mantega: solidez econômica causa certa valorização do real

REUTERS

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira ser inevitável uma certa valorização do real devido à solidez da economia, mas que um movimento excessivo é preocupante.

Durante evento em São Paulo, ele lembrou que no período pós-crise global o Brasil foi um dos destinos preferidos dos investidores, mas que as medidas do governo, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), evitaram uma bolha e desde então a volatilidade do câmbio diminuiu.

Mantega lembrou que antes do IOF, o dólar caía rapidamente e tendia a ficar abaixo de 1,70 real. Nesta manhã, o dólar era negociado a 1,784 real.

(Reportagem de Daniela Machado)

OESP – 05.03.2010

Mantega critica valor "artificial" de moeda chinesa e defende novo "Bretton Woods"

GIULIANA VALLONE
da Folha Online

O ministro Guido Mantega (Fazenda) criticou nesta sexta-feira a desvalorização artificial da moeda chinesa, promovida pelo país asiático, como prejudicial para os demais países. "A China pensa só em si própria e não quer nem saber das consequências para os outros países", afirmou, durante seminário na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

O ministro afirmou que o desequilíbrio mundial do câmbio gera consequências como a perda da competitividade das demais economias "e a entrada de doenças holandesas ou chinesas".

"As moedas asiáticas resolveram se atrelar ao dólar. A China é o maior exportador do mundo e sua moeda deveria estar se valorizando pela capacidade comercial do país. Não se valorizando, quem paga o pato são os países que têm condições mais sólidas", acrescentou.

"Doença holandesa" é um termo utilizado em economia para descrever a condição de um país que cresce fortemente na esteira das commodities mas não consegue desenvolver outros setores porque seu câmbio está apreciado demais. O ministro não elaborou especificamente o que é uma "doença chinesa".

Mantega afirmou que está levando a questão cambial às reuniões do G20 (grupo dos principais países ricos e emergentes) para que as nações cheguem a solução para o problema em conjunto.

Ele defendeu a realização de um novo acordo de "Bretton Woods", que alterou os parâmetros do câmbio internacional nos anos 40.

Regime cambial

O ministro disse que uma taxa cambial fixa não é uma boa solução para o Brasil. "O Brasil já pagou o preço do câmbio fixo. O câmbio flexível é o melhor regime, mas ele só é bom se os outros países praticarem".

Folha Online – 05.03.2010

CNI espera que medidas de estímulo às exportações deem competitividade a produtos nacionais

Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O gerente executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, espera que as medidas que o governo estuda para estimular o setor exportador “deem condições de competitividade” aos produtos nacionais.

O pacote de medidas para o setor exportador deverá ser anunciado até o fim deste mês, conforme informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, após reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), realizado no Ministério da Fazenda.

Castelo Branco mostrou que existe uma grande expectativa do setor industrial sobre as medidas, pois a crise afetou fortemente a economia mundial. Além disso, houve um processo de sobrevalorização do real, que encareceu os produtos brasileiros no mercado externo, destacou o economista.

Entre as questões, Castelo Branco defende a discussão do ressarcimento de créditos tributários, questões ligadas ao financiamento e à burocracia que implicam custos e reduzem a competitividade da indústria nacional com os produtos estrangeiros.

“O esforço que se deve buscar agora é exatamente o de equacionar alguns desses problemas para melhorar a competitividade e colocar nossos produtos em um mercado mais difícil, que é um mercado mundial pós-crise”, disse.

De acordo com o economista, o governo não deve mexer no câmbio, que no Brasil é flutuante, para ajudar os exportadores. As mudanças poderão ser focadas em questões como investimentos e na desburocratização, além da redução de impostos.

Castelo Branco explica que o problema tem duas vertentes. Uma ligada a questões que afetam a competitividade dos produtos, como custo, transporte, logística, condições de financiamento e redução da burocracia, que se tornam mais prementes quando o câmbio é desfavorável.

Outra questão é a política cambial que, segundo ele, tem a ver com a política monetária e com o fluxo de recursos externos. “As duas coisas têm que ser vistas de forma conectada, mas as soluções não são dependestes umas das outras”, afirmou.

Agência Brasil – 04.03.2010

Recuperação econômica no Brasil perde força, diz OCDE

da Efe, em Paris

A recuperação econômica do Brasil perdeu força em janeiro, mês em que a economia mundial confirmou os sinais de retomada mostrados antes, segundo divulgou nesta sexta-feira a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

O chamado indicador composto avançado, que serve sobretudo para marcar pontos de inflexão no andamento da conjuntura econômica, aumentou 0,8 ponto em janeiro em relação ao mês anterior no conjunto da OCDE, ficando 11,3 pontos acima da situação de um ano antes.

No caso do Brasil, o indicador piorou 0,2 ponto frente a dezembro, mas se manteve 14,2 pontos acima do nível mostrado em janeiro de 2009.

No G7, que reúne as sete maiores potencias industriais do mundo, os sinais de recuperação são ligeiramente melhores que os mostrados em dezembro.

Em outro extremo, China e Rússia mostram sinais de recuperação em crescimento, enquanto o indicador composto avançado nos Estados Unidos progrediu 11 pontos em relação ao nível mostrado no ano anterior. Na zona do euro o índice melhorou 12,5 pontos e no Japão, 10,7 pontos.

Folha de São Paulo – 05.03.2010

Brasil decide aplicar sobretaxa a calçados chineses por cinco anos

EDUARDO RODRIGUES
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O governo brasileiro aprovou ontem a sobretaxação dos calçados chineses em US$ 13,85 por par (cerca de R$ 25) nos próximos cinco anos. Criticada por esportistas amadores e profissionais, a aplicação do direito antidumping definitivo deve encarecer ainda mais os tênis de marcas famosas fabricados no gigante asiático.

O Brasil já usa o direito provisório há seis meses, com a alíquota de US$ 12,47, mas o prazo de vigência acabaria na próxima segunda-feira. Portanto, para evitar que a medida deixasse de vigorar, o Gecex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), formado por técnicos de diversos ministérios, tomou a decisão final ainda nesta semana.

Nos últimos dias, empresários, parlamentares e prefeitos das regiões onde estão instaladas as fábricas brasileiras de calçados percorreram a Esplanada dos Ministérios pedindo a aprovação do direito no prazo estendido.

Segundo os dados apresentados pelo grupo, desde setembro o Brasil teria deixado de importar 30 milhões de pares de calçados chineses, o que já teria gerado 15 mil empregos no setor calçadista brasileiro.

O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento), no entanto, afirmou anteontem que qualquer decisão sobre o tema seria apenas baseada na investigação sobre a prática desleal de comércio por parte das indústrias calçadistas chinesas que foi aberta pelo ministério em dezembro de 2008.

A medida, aprovada "ad referendum" do Conselho de Ministros da Camex, deve ser publicada hoje no "Diário Oficial da União".

O direito antidumping, no entanto, não será aplicado sobre as importações de sandálias praianas e os produtos especiais utilizados para a prática de alguns esportes, como esqui, patinação, lutas e ciclismo.

A alíquota adicional também não inclui pantufas, alpercatas, sapatilhas para dança, além de calçados para bebês, descartáveis e aqueles usados como itens de segurança.

De acordo com as normas da OMC (Organização Mundial do Comércio), a aplicação do direito antidumping é autorizada contra empresas e setores que exportam mercadorias para outros mercados a preços inferiores aos praticados no comércio doméstico.

Folha de São Paulo – 05.03.2010

Alemanha não dará um centavo para a Grécia, diz ministro alemão

da Folha Online

O ministro alemão da Economia, Rainer Bruderle, afirmou nesta sexta-feira que seu país não dará um centavo para a Grécia, que enfrenta uma grave crise financeira, poucas horas antes de uma reunião entre a chanceler Angela Merkel e o primeiro-ministro grego George Papandreou, em Berlim.

"Papandreou disse que não queria um centavo, de todas as formas, e o governo alemão não dará um centavo", declarou Bruderle à margem de um encontro com o comissário europeu da Indústria, Antonio Tajani.

Bruderle fez referência a uma entrevista concedida pelo premiê grego ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, na qual Papandreou afirma: "Não pediremos dinheiro. O que precisamos é de um apoio da União Europeia e de nossos sócios para poder contrair créditos nos mercados em melhores condições."

"Se não recebermos esta ajuda, não poderemos fazer as mudanças que queremos", completou.

Na quarta-feira, um porta-voz do governo alemão já tinha dito que a Alemanha não irá oferecer ajuda à Grécia na reunião de hoje. Ele também disse que a Alemanha recebeu bem as ações do governo grego de tomar mais medidas de austeridade, mas disse que a Grécia precisa implementá-las.

A Grécia aprovou na quarta-feira um plano com o qual pretende economizar aproximadamente 4,8 bilhões de euros (US$ 6,49 bilhões) para sanear a economia grega, que já acumula uma dívida de mais de 110% do PIB (Produto Interno Bruto) e um deficit de 12,7%.

Pesquisa

Uma ampla maioria dos gregos se opõe às medidas adicionais de austeridade fiscal anunciadas pelo governo, mostrou uma pesquisa divulgada hoje.

O país anunciou na quarta-feira um pacote de 4,8 bilhões de euros (6,52 bilhões de dólares) em cortes de salários, congelamentos de aposentadorias e aumentos de impostos, visando reduzir seu elevado deficit.

Uma pesquisa do Public Issue para a TV Skai mostrou que 90% dos trabalhadores do setor público grego são contra o corte de 30% nos bônus de feriados, de Natal e de Páscoa.

O levantamento apontou ainda que 76% dos funcionários do setor privado e 68% dos aposentados também são contra as reduções.

Folha Online – 05.03.2010

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