sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Aumento das importações e remessas de lucros explicam nova projeção para deficit, diz Lopes

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O aumento das projeções do Banco Central (BC) para o deficit em conta corrente é decorrente da aceleração das importações e das remessas de lucros e dividendos para o exterior e também do crescimento dos gastos de brasileiros em viagens internacionais, transportes e aluguel de equipamentos. Tudo isso foi gerado pelo aquecimento da economia em 2010, explicou hoje (17) o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Hoje, o BC elevou a projeção para o deficit em conta corrente para este ano de US$ 18 bilhões para US$ 22 bilhões e para 2010, de US$ 29 bilhões para US$ 40 bilhões.

“Com o crescimento do investimento, sem dúvida, tende a crescer a importação de bens de capital [voltados para o investimento], primordialmente, e também de bens intermediários, para atender a demanda da economia para o ano que vem”, disse Lopes.

Segundo ele, a expectativa do aumento das remessas de lucros e dividendos também é resultado do aumento dos investimentos. “Tem um estoque de investimentos bem mais elevado. É de se esperar que as empresas emitam recursos. E, por outro lado, a economia com ritmo mais forte, vai gerar mais lucros”, explicou.

Lopes enfatizou que os resultados negativos na conta corrente serão cobertos pelo investimentos estrangeiros diretos (IED), recursos que vão para o setor produtivo no país. A projeção para este ano é de US$ 25 bilhões de IED, com entrada de US$ 4,1 bilhões em dezembro. Neste mês, até hoje, já entraram US$ 3,1 bilhões de forma disseminada em vários setores da economia, informou o diretor do BC.

De acordo com Lopes, os segmentos que mais devem atrair investimento são a metalurgia, a química, a extração de petróleo e o comércio. Para 2010, a projeção do BC é de entrada de US$ 45 bilhões de investimento estrangeiro direto.

Edição: Nádia Franco

Agência Brasil – 17.12.2009


Ministro diz que isenções não devem ser concedidas em 2010

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Após fazer o anúncio de mais um incentivo fiscal, desta vez para o setor de motocicletas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que esses benefícios sejam concedidos em 2010. “Certamente no próximo ano não teremos todos esses anúncios, porque a economia estará em franca recuperação”, disse ele, acrescentando que o país deve manter o ritmo de crescimento entre 4,5 e 5%.

Segundo o ministro, as perspectivas para 2010 são muito boas e não haverá necessidade de intervenção do governo na economia. “A economia caminhará com suas próprias pernas”, afirmou.

De acordo com Mantega, apenas dois setores da economia não haviam se recuperado da crise e tiveram que ser beneficiados com a isenção: o de motos, cujas medidas foram anunciadas na tarde de hoje (17), e o de móveis, que recebeu estímulos econômicos recentemente.

“Vamos ter, certamente, um Natal muito bom para a família brasileira, para a família com renda suficiente para comprar os presentes de Natal, trocar de carro, comprar eletroeletrônicos, comprar móveis e também comprar a sua moto nova”, disse Mantega, citando setores que foram beneficiados por incentivos do governo este ano.

O ministro também afirmou que vê de forma “benigna” a questão do câmbio para 2010 e que não acredita em sobrevalorização da moeda nacional ante o dólar. “Agora, pelas próprias condições do mercado, a tendência – posso estar errado porque em matéria de câmbio a gente sempre pode errar – é de que não haja nenhuma sobrevalorização do real.”

Agência Brasil – 17.12.2009


Redução de tarifa na China pode abrir portas a etanol brasileiro

REUTERS

PEQUIM, 18 DE DEZEMBRO - A decisão da China de reduzir a tarifa sobre as importações de álcool de 30 por cento para 5 por cento também pode se aplicar ao etanol, disseram traders, possivelmente abrindo a porta para importações do biocombustível do Brasil.

Mas mesmo que as importações sejam financeiramente viáveis, os traders não esperam grandes compras devido à falta de capacidade de misturar o biocombustível à gasolina.

O Brasil, maior exportador mundial de etanol, tem pressionado a China para importar o biocombustível brasileiro como um complemento à produção limitada do país asiático.

"A tarifa baixa parece tornar as importações viáveis. Mas estamos estudando se há outras restrições", disse um trader.

O Ministério das Finanças informou na quarta-feira que a taxa de importação sobre o álcool e outras bebidas desnaturadas vai cair para 5 por cento a partir de 1o de janeiro de 2010.

Autoridades do ministério não puderam ser encontradas para comentar.

Outro trader afirmou que a redução da tarifa, parte do compromisso de Pequim de reduzir as taxas gerais de importação como membro da Organização Mundial de Comércio, não vai resultar em grandes importações em breve.

"A redução pode levar a importações de uma maneira indireta, o que será a tendência futura. Mas não esperamos que as importações aconteçam dentro de um curto período de tempo".

Ele afirmou que os compradores têm que construir instalações de mistura, atualmente sob controle de empresas estatais. Pequim determina o uso de gasolina misturada com etanol apenas em cerca de um terço das províncias chinesas.

A China não permitirá nenhuma grande expansão de produção de etanol à base de grãos devido a preocupações com a segurança alimentar, e a expansão da produção de biocombustível utilizando outras matérias-primas é restrita devido à quantidade limitada de terras e de recursos hídricos.

O governo quer misturar 2 milhões de toneladas de etanol na gasolina até 2010 e 10 milhões até 2020, como parte de esforços para ajudar a reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Mas autoridades da indústria duvidam que a meta poderá ser cumprida já que as atuais instalações só podem produzir cerca de 1,35 milhão de toneladas.

POSITIVO PARA BRASIL

Exportações de etanol brasileiro para a China são improváveis no curto prazo, uma vez que a safra de cana está acabando no centro-sul e os estoques do combustível estão apertados.

Mas a notícia é vista como positiva num período mais longo, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

"A China tem um baita mercado, eles não têm como responder ao aumento da demanda e estão abrindo uma janela, o que é altamente positivo", disse Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

Além da falta de disponibilidade, os atuais preços do etanol no mercado brasileiro, acima da média, e o câmbio valorizado frente ao dólar tornariam inviáveis embarques nos próximos meses.

"Mas tudo é possível de ser alcançado, especialmente se houver interesse em contratos de longo prazo, preços pré-fixados", disse Pádua, acrescentando que, neste caso, a abertura da China poderia inclusive estimular investimentos no setor.

(Por Niu Shuping e Tom Miles, reportagem adicional de Inaê Riveras)

OESP – 18.12.2009


Zona do euro registra superavit comercial de US$ 12,6 bi em outubro

da Folha Online

A balança comercial da zona do euro em outubro registrou um superavit de 8,8 bilhões de euros (US$ 12,6 bilhões), contra um deficit de 1,2 bilhão de euros (US$ 1,7 bilhão) em outubro de 2008, segundo dados preliminares divulgados nesta sexta-feira pela Eurostat, a agência europeia de estatísticas.

O dado supera em muito o resultado de setembro, quando o superavit foi de 900 milhões de euros (US$ 1,29 bilhão). Em setembro de 2008 a região teve um deficit comercial de 6 bilhões de euros (US$ 8,6 bilhões).

Já a UE (União Europeia) registrou em outubro um deficit de 3,8 bilhões de euros (US$ 5,4 bilhões), resultado melhor, no entanto, que o visto em outubro do ano passado, um deficit de 18,3 bilhões de euros (US$ 26,2 bilhões). Em setembro houve um deficit de 11,1 bilhões de euros (US$ 15,9 bilhões), contra um de 24,5 bilhões de euros (US$ 35 bilhões) em setembro de 2008.

A zona do euro é atualmente formada por Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta e Portugal.

A União Europeia inclui, além destes, Bulgária, Dinamarca, Reino Unido, República Tcheca, Suécia, Polônia, Hungria, Romênia, Estônia, Lituânia e Letônia.

Folha Online – 18.12.2009

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