terça-feira, 15 de dezembro de 2009


Câmbio com real valorizado volta a ser alvo de crítica da indústria

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - A atual taxa de câmbio do país com o real valorizado voltou a ser alvo de queixa da indústria. Desta vez, a crítica veio do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade. Ao participar de almoço hoje (14) na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), ele disse que o câmbio tem prejudicado as exportações da indústria, transformando-se numa “preocupação” do setor.

“Acreditamos realmente que o Brasil vai ter grandes investimentos, recursos externos importantes, o que, por um lado, nos deixa felizes, mas há também uma preocupação com relação a essa taxa cambial que tem prejudicado muito as exportações da indústria brasileira”, disse.

O dólar está cotado hoje em cerca de R$ 1,75. No início do ano, ele chegou a mais de R$ 2,30, devido à crise financeira internacional. Mas, desde março, o real vem se valorizando em relação à moeda norte-americana.

No mês passado, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, cobrou do governo medidas mais efetivas para lidar com o câmbio, como a reforma na legislação do setor.

Depois de participar de reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC) com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente da CNI defendeu uma postura mais ativa do Banco Central para comprar dólares e impedir uma queda ainda maior da moeda norte-americana.

“O Brasil optou por um câmbio flutuante, mas como atuar diante desse cenário?”, questionou Monteiro Neto. “Apoiamos firmemente uma posição ativa do Banco Central em comprar divisas e defendemos a revisão e modernização da legislação cambial [que retire barreiras à saída de dólares].”

Edição: Aécio Amado

Agência Brasil – 14.12.2009


Empresa importa insumo e corta custo

A valorização do real também fez um número maior de empresas trocar o fornecedor interno pela importação. Como forma de aproveitar a seu favor a valorização do real e driblar o que considera como alto custo das commodities no mercado interno, Domingos Darezzo, diretor-gerente da Tecumseh, diz que a fabricante de compressores herméticos tem buscado maior competitividade com a importação de insumos, especialmente o aço.

"Antes não importávamos quase nada de aço, mas este ano compramos do exterior cerca de 15% da nossa demanda", diz. Se o dólar continuar depreciado, ele prevê que a importação chegará a 40%. "Não gostaríamos de fazer isso, mas estamos perdendo competitividade e a importação de insumos traz uma vantagem significativa."

A empresa deve exportar este ano 50% da sua produção. O restante vai para o mercado interno. Darezzo diz, porém, que o mercado interno não é capaz de absorver a produção da empresa, que vai fechar 2009 com queda de 30%. Até 2006, a Tecumseh destinava 70% da produção ao exterior.

A Embraco, também fabricante de compressores herméticos, ainda não importou aço. Segundo o vice-presidente de marketing e negócios, Roberto Campos, a empresa tem contato com fornecedores chineses, mas não fez encomendas. A compra de aço chinês em 2010, porém, não está descartada. "Se os preços internos subirem, é possível que haja importação."

A indústria de chapa de aço, por sua vez, apostou na exportação. Tradicional fornecedora do insumo no mercado interno, a siderúrgica Usiminas buscou o exterior para manter a liquidez em um ano dramático para o setor. O volume de exportação saltou da média de 20% do total nos últimos três anos para 33% no último trimestre.

O ano começou com a Usiminas vendendo 268 mil toneladas para o exterior, tendo os Estados Unidos como principal mercado. No terceiro trimestre, foram 560 mil toneladas, com a China como maior destino. A empresa decidiu vender mais no exterior mesmo com preço menor na chapa de aço e com o ganho corroído pela valorização do real. O mercado externo passou de 12% para 18% da receita corrente líquida acumulada nos nove primeiros meses do ano, ou o equivalente a R$ 1,33 bilhão.

"Começamos o ano buscando mercado com o dólar a R$ 2,27 e terminamos 2009 com R$ 1,60. Isto evidentemente tirou lucratividade do resultado, mas não afetou o volume de venda. Devemos ultrapassar o volume físico vendido em 2008, mesmo com a queda de preço e o câmbio desfavorável", afirmou o vice-presidente de negócios da Usiminas, Sérgio Leite. No ano passado, a Usiminas vendeu 1,2 milhão de toneladas de aço para o exterior. Este ano, até o terceiro trimestre, já ultrapassou 1 milhão de toneladas.

Apesar do crescimento das vendas para a China, a aposta da Usiminas em 2010 é no aumento de vendas com valor agregado para a América Latina, sobretudo Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México. A Usiminas montou recentemente uma subsidiária para fechar contratos não apenas da venda de produtos siderúrgicos, mas também da engenharia de montagem. Na avaliação da empresa, o mercado chinês não permite ganho em valor, porque a indústria siderúrgica daquele país está com excesso de capacidade ociosa.

Valor Econômico – 15.12.2009


Exportador eleva preços e busca novos clientes

Os exportadores lançaram mão de diferentes estratégias para sobreviver ao real apreciado em 2009 e pretendem, em 2010, aprofundar várias delas e buscar outras. Entre as alternativas adotadas estão aumento de preços, maior importação de insumos, uso de instrumentos financeiros, reforço do mercado interno e exploração de novos mercados. Em muitos casos, as soluções não impediram a destinação de uma fatia menor da produção para o exterior, mas garantiram embarques principalmente para as indústrias que não conseguem vender apenas para o mercado interno.

Na área de calçados, a Bibi e a Via Uno elevaram os preços de exportação. A Bibi, fabricante de calçados infantis de Parobé (RS), fez dois reajustes nos preços dos produtos exportados ao longo do ano para preservar níveis mínimos de rentabilidade. O primeiro, de cerca de 25%, foi aplicado em junho e em dezembro as novas tabelas estão sendo distribuídas com uma correção média de 5%, que fará diferença no caixa do próximo ano, disse a diretora de exportações da empresa, Andréa Kohlrausch. Conforme a executiva, os aumentos foram aplicados nas mudanças de estação, porque os importadores não aceitam reajustes dentro das mesmas coleções.

A Via Uno fez caminho semelhante. Segundo Fábio Oliveira, gerente de exportações da empresa, a coleção de inverno que começa a ser exportada agora sofreu reajuste médio de 15% a 20% em dólar em relação aos valores praticados em 2008. Ele credita a elevação ao maior valor agregado nos produtos, mas o reajuste também foi resultado do câmbio.

A tentativa de manter a rentabilidade das exportações com elevação de preços é uma tendência entre os manufaturados, acredita Júlio Callegari, economista do J.P. Morgan. Segundo dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), os preços médios das exportações totais do Brasil em setembro e outubro tiveram elevação de 7,83% na comparação com o trimestre de abril a junho. Apesar da recuperação, os preços médios ainda apresentam queda de 17,65% em relação a setembro e outubro do ano passado. "Há uma tendência de recuperação na ponta de preços nas commodities, que devem puxar valores de outros produtos", acredita . No caso dos manufaturados, diz, o reajuste deve continuar a acontecer como forma de compensação do câmbio. "A alteração, porém, deve resultar em perda de participação de mercado."

Andréa, diretora da Bibi, diz que os preços mais salgados provocaram recuo de pouco mais de 30% nos volumes embarcados em comparação com a média de pares registrada em anos anteriores. Em compensação, a Bibi colocou no mercado interno os calçados que deixou de exportar e vai fechar o ano com expansão de 16% a 20% em receitas. Segundo Andréa, o faturamento global da empresa deve apresentar leve alta em relação aos R$ 100 milhões de 2008, apesar da queda de 20% para 12% na participação do mercado externo no mesmo período.

Na Via Uno, a elevação de preços fez cair em 10% os calçados exportados para lojas multimarcas, onde a marca foi reposicionada, diz Oliveira, mas a queda foi compensada com o avanço das mercadorias vendidas por meio das franquias no exterior, que se expandiram este ano. Do volume de calçados que comercializa, a Via Uno exporta 50%. Segundo Oliveira, a empresa vai manter a fatia para o exterior no próximo ano. "De maneira alguma vamos deslocar vendas para o mercado interno."

A Bibi também continua acreditando nas vendas para fora do país. "O mercado interno vai crescer mais no ano que vem, mas não vamos abandonar as exportações", afirma Andréa. Com uma perspectiva de câmbio mais estável, a diretora espera o início da recuperação das vendas externas, com uma alta de 5% em relação a 2009. A empresa, diz, está ajustada para produzir os tênis destinados à exportação com o dólar entre R$ 1,70 e R$ 1,75. Uma nova avaliação do quadro será feita em abril ou maio, informa.

"As estratégias para continuar no mercado externo variam. Mas quem desistir agora e parar de exportar vai ter dificuldade para voltar", diz Welber Barral, secretário de Comércio Exterior. Ele estima elevação de cerca de 11% no valor total das exportações para 2010, levando em conta preços médios do segundo semestre de 2009 e dólar a R$ 1,75.

As cearenses Carnaúba do Brasil, fabricante de cera de carnaúba, e a Cearapi, produtora de mel orgânico, aproveitaram as oportunidades que tiveram para elevar preços. Segundo a gerente de exportações da Carnaúba do Brasil, Marina Azevedo, o reajuste já acumula 40% desde janeiro, estratégia que não impedirá uma queda de 30% esperada para o faturamento deste ano, quando comparado ao de 2008. Usada principalmente pela indústria de cosméticos, farmacêutica e de alimentos, a cera de carnaúba tem como principais destinos os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão. "A demanda de nossos clientes caiu muito em função da crise financeira, mas já está se normalizando", diz Marina.

A Cearapi acabou reajustando preços, beneficiada pela conjuntura do mercado internacional de mel. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, a empresa exportou, de janeiro a outubro, quase o triplo do valor embarcado no mesmo período de 2008. Carolina Levy, sócia da Cearapi, conta que o crescimento é explicado pela grande demanda internacional pelo mel brasileiro, retomada com força após as sanções impostas pela União Europeia em 2006. Além disso, diz a executiva, houve grande procura pelo chamado mel light, mais claro, o que resultou em uma alta importante no preço internacional em 2009. Foi assim que a Cearapi conseguiu compensar o câmbio desfavorável, combinando a demanda pelo mel light e uma safra importante do produto na companhia.

Uma das maiores indústrias de louças cerâmicas do país, a catarinense Oxford tentou diversas estratégias para manter parte de seus produtos no exterior. A empresa chegou a abrir em 2009 um escritório de vendas no Líbano, em busca de novos mercados. Mas, segundo o presidente da Oxford, Volney Domingues, o novo escritório foi fechado três meses após a abertura. Ao contrário do que a empresa imaginava, o Oriente Médio ainda sentia no segundo semestre efeitos da crise econômica mundial.

A revisão da estratégia, contudo, não significa menor apetite pelas exportações em 2010. Domingues diz que a empresa vende ao Oriente Médio a partir da matriz no Brasil, além de tentar avançar na Argentina e nos EUA, que já foram seu maior mercado no exterior. As exportações deverão responder por cerca de 10% da receita líquida da empresa em 2009, que ficará em R$ 120 milhões, 20% maior do que em 2008. Em 2010, a meta é que as exportações também fiquem em torno de 10% da receita.

Roberto Campos, vice-presidente de marketing e negócios da Embraco, conta que a fabricante de compressores também tenta a diversificação de destinos. Seus mercados tradicionais são Europa e EUA. A estratégia, diz, é ampliar vendas para Ásia, África e Oriente Médio, com a oferta de produtos inovadores. A empresa deve fechar 2009 com cerca de 62% das suas vendas para o mercado externo. Em 2008, as exportações chegaram a 72%. A queda dos embarques, diz Campos, resultou em menor volume de produção total.

Valor Econômico – 15.12.2009


China foi a saída para exportações brasileiras durante a crise, diz presidente da Apex-Brasil

Enio Vieira
Repórter da Agência Brasil

Brasília - As exportadoras brasileiras mudaram sua estratégia ao longo de 2009 para evitar maiores perdas e enfrentar melhor os efeitos da crise internacional. Para isso, direcionaram suas vendas para a China. Segundo o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira, vários setores apoiados pela agência vinham apostando fortemente no mercado japonês, mas perceberam que haveria um forte desaquecimento da economia do Japão e mudaram o rumo de sua estratégia.

“No ano passado, avaliamos que haveria uma queda expressiva no PIB [Produto Interno Bruto] do Japão e orientamos as empresas a focar em outros mercados, como a China”, disse Alessandro. O PIB japonês deve recuar 6% em 2009.

A Apex-Brasil apoia 74 setores da economia que envolvem 9.400 empresas. Segundo ele, a estratégia de enfrentamento da crise foi aumentar a visibilidade do produto brasileiro. Para isso, a Apex realizou, por exemplo, um estudo de todo o segmento de moda na Ásia, de joias a roupas, e identificou 40 cidades chinesas que poderiam ser atraentes para os produtos brasileiros.

Para Teixeira, os chineses não ameaçam as vendas externas do Brasil. “A China vai ser um parceiro mais estrutural do comércio brasileiro e não apenas um esforço no momento da crise. O mercado chinês é uma oportunidade, e não uma ameaça para as exportações brasileiras.”

Ele informou que as exportações de projetos apoiados pela Apex-Brasil caíram, neste ano, 7,7%, bem menos do que a redução de 23,4% das exportações brasileiras como um todo, tendo como base de comparação produtos manufaturados e semimanufaturados (industrializados).

Segundo ele, as exportações totais do Brasil devem fechar 2009 em US$ 155 bilhões e devem voltar a crescer no ano que vem por conta da retomada do consumo mundial. As vendas externas atingiram um pico histórico de US$ 197 bilhões no ano passado. "As exportações podem alcançar US$ 170 bilhões no ano que vem", disse.

Neste ano, a Apex-Brasil participou de 842 eventos para promover as exportações e atrair investimentos para o Brasil. A agência, conforme Teixeira, está com um trabalho regionalizado para ajudar os estados na atração de investimentos estrangeiros. Com apoio do Banco Mundial, já há projetos piloto em Pernambuco, na Bahia, no Pará e em Minas Gerais. Ao todo, a Apex vem monitorando 357 projetos de investimentos no Brasil.

Edição: Lana Cristina

Agência Brasil – 14.12.2009


Estudo aponta ineficácia de subsídios antidistorção

JONATHAN LYNN – REUTERS

GENEBRA - Os esforços para alterar as políticas de incentivo agrícola nos países ricos estão sendo cada vez mais contestadas por não removerem distorções injustas no comércio global, conforme era a intenção dessas medidas, segundo um novo estudo feito por economistas especializados em agricultura e comércio.

O trabalho, publicado pelo Centro Internacional para o Comércio e o Desenvolvimento Sustentável, questiona o sentido das negociações agrícolas na chamada Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio.

Essas negociações visam a substituir subsídios que distorcem o comércio por uma assistência menos nociva, conhecida como "caixa verde", que remunera agricultores por atividades como a preservação ambiental, e não só pela maior produção.

O estudo coincide com negociações na União Europeia - maior fonte de subsídios agrícolas - sobre novas reformas na Política Agrícola Comum do bloco.

Em suas 675 páginas, o estudo lembra que a assistência agrícola também é crucial num momento em que o mundo busca formas de ampliar a produção para atender à sua crescente população, na qual já há muita gente desnutrida, mas sem agravar a degradação ambiental.

"Temores de que a caixa verde esteja se tornando uma mera fachada para os governos que simplesmente desejavam fornecer quantias ilimitadas de apoio à renda para os seus produtores agrícolas, mas sob um verniz de responsabilidade, na verdade encontraram expressão em uma multidão de apelos por revisão, reforma e mudança", disse o texto.

Pelas regras da OMC, não há limites para os subsídios da "caixa verde", que por definição têm um impacto mínimo sobre o comércio. Assim, os governos têm transferido seus subsídios agrícolas para esta categoria, em resposta à pressão para reduzir as ajudas que promovem a maior produção agrícola.

De acordo com o estudo, há cada vez mais evidências de que a "caixa verde" pode afetar a produção e o comércio, prejudicar os agricultores nos países em desenvolvimento e danificar o meio ambiente.

Subsídios diretos sobre os preços, que estimulam os agricultores a produzirem mais, são um dos principais alvos dos países em desenvolvimento na Rodada de Doha, porque essas ajudas expulsam dos mercados os produtores rurais de países pobres. Eles também custam muito dinheiro aos contribuintes dos países ricos, e ajudaram a criar na Europa "montanhas" e "lagos" de manteiga e vinhos desnecessários.

OESP – 15.12.2009


Camex terá hoje última reunião do ano

A última reunião de 2009 da Câmara de Comércio Exterior (Camex) será realizada hoje (15/12) no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Os integrantes do Conselho de Ministros se reúnem a partir das 15h. Esta será a oitava reunião do ano.

A Camex é o órgão interministerial, e instância máxima, de deliberação do Governo Federal em matéria de comércio exterior. É integrada pelos ministros da Casa Civil e dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fazenda; Planejamento, Orçamento e Gestão; Relações Exteriores; Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Desenvolvimento Agrário.

O órgão é composto pelo Conselho de Ministros, presidido pelo ministro do MDIC, Miguel Jorge, Comitê Executivo de Gestão (Gecex), Comitê de Financiamento e Garantia às Exportações (Cofig), Conselho Consultivo do Setor Privado (Conex) e pela Secretaria Executiva.

O encontro é fechado à imprensa, mas a secretária-executiva do órgão, Lytha Spíndola, concederá entrevista coletiva após o término da reunião.

MDIC – 15.12.2009


Senado vai tentar votar hoje entrada da Venezuela no Mercosul

da Folha Online

O Senado vai tentar votar nesta terça-feira o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. Na semana passada, pela quinta vez consecutiva, a Casa adiou a votação do tema.

Na ocasião, a oposição fez diversos discursos para atrasar a análise da matéria, por isso a base aliada decidiu votá-la nesta semana, sem direito a novos discursos da oposição.

O processo de votação teve início, ao contrário das semanas anteriores, mas ainda assim a mobilização dos governistas não foi suficiente para garantir a aprovação do protocolo.

Se for aprovado pelo Senado, o ingresso da Venezuela no bloco econômico ainda não estará garantido. O Paraguai não concluiu a análise do tema, o que atrasa as negociações.

A Argentina e o Uruguai já aprovaram o protocolo de adesão, mas caberá ao Paraguai definir --uma vez que os quatro países-membros do Mercosul têm que avalizar o ingresso da Venezuela para que o país possa efetivamente integrar o bloco econômico.

A oposição é contra o ingresso da Venezuela no Mercosul por considerar que o presidente do país, Hugo Chávez, coloca em risco a democracia no bloco econômico. O governo adiou a votação nas últimas semanas por não ter certeza da vantagem sobre a oposição.

Os oposicionistas criticaram, em especial, o fato de Lula ter anunciado na semana passada que o Senado iria aprovar o ingresso da Venezuela no bloco econômico.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que o Mercosul será prejudicado por ações "chavistas" ao viabilizar o protocolo de adesão. "Quem votar a favor do ingresso da Venezuela que assuma a responsabilidade pelo o que acontecer. Hoje convocamos simbolicamente para a missa de sétimo dia do Mercosul. Vamos atrasar em anos, em décadas quem sabe a integração da América do Sul", disse.

Os governistas, por sua vez, defendem a integração da Venezuela porque consideram que Chávez não ficará no comando do país para sempre.

"Apesar de tudo, eu sou favorável à integração na América do Sul. Se fosse pelo presidente da Venezuela, eu jamais falaria em integrar a Venezuela ao Mercosul. Mas o presidente da Venezuela passa, essas questões ficam", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

Líderes governistas admitiram que as recentes declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de que os líderes militares da Venezuela devem estar preparados para a "guerra" no continente, poderiam colocar em risco a aprovação da adesão do país ao Mercosul --por isso só colocaram o tema em pauta quando tiveram certeza de que teriam maioria para aprová-lo.

Chávez fez as declarações há cerca de um mês, o que dificultou as negociações dos governistas para a votação do ingresso da Venezuela no Mercosul.

Comissão

A CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado aprovou no final de outubro o ingresso da Venezuela no Mercosul. Apesar da pressão de senadores oposicionistas contra a adesão do país presidido por Hugo Chávez no bloco econômico, o governo tinha maioria na comissão para garantir a aprovação do voto em separado do senador Romero Jucá --favorável ao protocolo de ingresso do país no Mercosul.

Antes de aprovar o voto de Jucá, a comissão rejeitou o relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), contrário ao ingresso da Venezuela no Mercosul. A oposição critica a adesão da Venezuela no bloco por considerar que Chávez impôs um regime antidemocrático no país --o que poderia colocar em xeque a democracia na América do Sul.

"Eu não me importo se o Chávez é de direita, de esquerda, se é isso ou aquilo. Mas não podemos considerar preso político como um pequeno detalhe, liberdade de imprensa, um pequeno detalhe, prisão de jornalista é um pequeno detalhe. Isso é incompreensível", afirmou o tucano.

O argumento dos governistas, porém, é que a Venezuela não pode ser penalizada por ter Chávez no poder, uma vez que a adesão do país no bloco é uma questão de Estado, e não do atual governo Chávez.

"Esse é menos um debate sobre questões da política interna da Venezuela do que sobre os interesses estratégicos do Estado brasileiro no tabuleiro internacional. Quem solicita a adesão ao Mercosul não é o governo venezuelano, mas o Estado venezuelano. O governo da Venezuela é transitório; a Venezuela continuará, ao longo da história, a ser vizinha do Brasil", argumentou Jucá no seu voto em separado.

No texto, Jucá não reconhece atitudes antidemocráticas no governo de Hugo Chávez ao considerar que isso é fruto de distorção da imprensa sensacionalista e de organismos internacionais.

O líder governista também argumentou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da oposição, foi quem deu início às negociações para a adesão da Venezuela ao Mercosul.

Folha Online – 15.12.2009

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