Real dobrou de valor frente ao dólar desde início da gestão Lula
da Folha Online
A valorização da moeda brasileira frente ao dólar chegou a 100,64% até ontem, desde o início da atual administração federal, mostra levantamento da consultoria Economática. Somente neste ano, o ganho do real frente à moeda dos EUA é de 32,7%.
O fortalecimento do real é um dos maiores do continente, superando a valorização do peso chileno (43,33%), do peso colombiano (42,57%) e sol peruano (25,71%) no mesmo período considerado. Como termo de comparação, a valorização da moeda brasileira supera a variação do euro (40,59%) desde 31 de dezembro de 2002.
Na Argentina, no México e na Venezuela, as moedas locais desvalorizaram em relação ao dólar nesses quase sete anos.
Em seu levantamento, a Economática considera o valor da Ptax, a taxa de câmbio média calculada pelo Banco Central.
Levando em conta somente o período de 2009, o real continua entre as moedas mais valorizadas do continente, dentro dessa amostra de países, superando o peso chileno (27,62%), o peso colombiano (11,66%) e o sol peruano (11,07%).
Folha Online – 10.12.2009
Comissão Bilateral Brasil-Argentina realiza última reunião do ano
A Comissão Bilateral de Comércio Brasil-Argentina realizou hoje (9/12), em São Paulo (SP), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a última reunião do ano. No encontro, representantes de ambos países se comprometeram a agilizar a liberação das licenças não automáticas de importação (LIs) aplicadas atualmente e a diminuir a quantidade de produtos sujeitos à este mecanismo. O compromisso atende acordo assumido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Fernández Kirchner, na reunião realizada em Brasília, em 18 de novembro passado.
A Argentina também anunciou que renovará acordo que possui com o Brasil para a importação de ônibus brasileiros. O acordo venceria no final deste mês. O governo brasileiro, por sua vez, comunicou aos argentinos que espera regulamentar rapidamente lei aprovada esta semana, pelo Congresso Brasileiro, que permite a importação de carros argentinos sem o pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), desde que utilizados como táxi.
Outros pontos discutidos no encontro foram defesa comercial, problemas pontuais de empresas brasileiras, a situação dos setores industriais dos dois países e comércio bilateral em geral. As partes também confirmaram que a próxima reunião do comitê bilateral será realizada em Buenos Aires, junto com o encontro do Comitê Automotivo.
A data prevista para os dois encontros é fevereiro de 2010, quando deverá ser realizada reunião entre os ministros da área econômica dos dois países. Essa reunião ministerial será a primeira que deverá ser realizada, a cada 45 dias, conforme programação acertada na reunião presidencial do mês passado.
A comitiva brasileira foi chefiada pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho, com participação do secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral. Do lado argentino, o grupo foi coordenado pelo secretário de Indústria, Eduardo Bianchi.
MDIC – 09.12.2009
Exportadoras alongam dívidas
Diante da retomada da liquidez no mercado externo e dos custos das operações de crédito de longo prazo ainda altos em relação ao período pré-crise, muitas companhias têm buscado as linhas de pré-pagamento de exportação para alongar o seu perfil de endividamento.
"As empresa voltaram a tomar mais crédito por meio dessas linhas, seja para rolar suas dívidas ou financiar seus projetos", afirma Nilo Panazzolo, diretor de comércio exterior do Banco do Brasil.
A melhora da liquidez no mercado de crédito internacional fez com que a demanda para esse tipo de operação retornasse com mais força no segundo semestre. Em novembro, a Açúcar Guarani fechou empréstimo de US$ 20 milhões com o Banco Natixis, com prazo de dois anos, com o objetivo de alongar o perfil da dívida, que em setembro somava R$ 1,075 bilhão, sendo 49,8% de curto prazo.
A Marfrig também negociou, em setembro deste ano, uma linha de pré-pagamento de exportações no valor de US$ 160 milhões com o BB, pelo prazo de cinco anos, para melhorar o perfil da passivo.
Em alguns bancos a contratação de pré-pagamento teve um aumento significativo. Só no BB, o volume de operações fechadas em 2009 cresceu 292% e atingiu US$ 2 bilhões em outubro, contra US$ 510 milhões registrados em 2008. "No ano passado, como não dependíamos muito das linhas internacionais, conseguimos ampliar o crédito e ganhar participação de mercado, que hoje está em cerca de 37%", diz Panazzolo.
O HSBC também aproveitou a retração da oferta de crédito por parte dos concorrentes para ganhar mercado. Segundo o diretor de produtos de pessoa jurídica do HSBC, Rodrigo Caramez, o banco apresentou neste ano, até outubro, um crescimento de 30% na carteira de pré-pagamento, contra avanço do mercado estimado por ele em 11%. Só as linhas mais longas de financiamento de comércio exterior, que abrangem o pré-pagamento e Notas de Crédito à Exportação (NCE), que é oferecida em reais, somaram US$ 1,4 bilhão no período. "Aumentamos nossa participação de 3,7% para 4,5% do mercado nesses dois produtos neste ano, e queremos crescer de duas a três vezes mais que a concorrência", prevê Caramez.
O Banco Espírito Santo (BES) também tem ampliado as operações de financiamento de comércio exterior no Brasil. Segundo o diretor de mercado de capitais, Márcio Pepino, a divisão comercial do banco tem apresentado um bom desempenho fora do Brasil e levantou € 1,2 bilhão no aumento de capital por meio de subscrição de ações em abril. Além disso, a instituição obteve a aprovação do Banco Central na última semana para o aumento de capital no valor de R$ 100 milhões da unidade brasileira. "A capitalização dará reforço para o banco sustentar o crescimento das operações e aumentar a capacidade de obter funding para repassar para as suas unidades nas respectivas geografias onde atua", diz Pepino.
O superintendente de comércio exterior do banco, Rodrigo Campos, também confirma o aumento de demanda. "Acabamos de fechar três operações de pré-pagamento em novembro e temos mais duas para o início do ano que vem."
Valor Econômico – 10.12.2009
BNDES anuncia nova linha de financiamento às exportações
A linha de financiamento direto para a exportação de produtos brasileiros na fase pós-embarque, o Exim Automático, anunciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deverá beneficiar principalmente a comercialização de bens de consumo e máquinas e equipamentos, aumentando a competitividade dos exportadores. É o que diz o superintendente de Comércio Exterior do BNDES, Luiz Antônio Dantas.
Segundo ele, o banco deve fechar este ano com desembolsos de US$ 8 bilhões no financiamento de exportações. Em 2008, esse volume foi de aproximadamente US$ 6,6 bilhões. O crescimento é reflexo da atuação do banco este ano, marcado pelo aumento do financiamento à exportação de máquinas para suprir a escassez de crédito dos bancos privados.
A novidade do Exim Automático é a criação de linhas de crédito com bancos credenciados no exterior. O BNDES remunera o exportador no Brasil em reais e atua no exterior com financiamentos de até 5 anos por meio de bancos estrangeiros, principalmente na América Latina. As instituições locais financiarão compradores de produtos brasileiros arcando com o risco das operações.
Para Dantas, isso deve aumentar o número de operações do BNDES na área de exportação, ao dar capilaridade ao crédito para clientes de exportadores brasileiros. "Essa linha vai abrir possibilidade de financiamento para a venda de máquinas de US$ 30 mil a US$ 40 mil em vários países", afirmou Dantas.
Até agora, o crédito a compradores de produtos brasileiros no exterior era restrito ao que ele chama de "operações estruturadas", onde o banco se comprometia a financiar contratantes de fornecedores brasileiros em compras de bens de alto valor, como aviões da Embraer, ou grandes obras de infraestrutura.
Agora, esse mecanismo poderá ser usado com regularidade para bens de valor mais baixo, uma forma de o governo compensar a valorização do real frente ao dólar. "Acho que esse tipo de instrumento é fundamental para viabilizar a venda dos exportadores. Dificilmente os importadores pagam à vista e todos os países têm agências de apoio", disse.
DCI – 10.12.2009
Economistas divergem sobre benefícios fiscais
AE - Agencia Estado
SÃO PAULO - As seguidas concessões de benefícios fiscais feitas pelo governo para estimular a economia ameaçam o cumprimento da meta de superávit primário para o próximo ano. A afirmação é do especialista em contas públicas Raul Velloso, para quem as medidas anunciadas ontem deveriam vir acompanhadas da redução de gastos correntes do setor público. "O superávit primário global acumulado em 12 meses até outubro estava em 1% do PIB (Produto Interno Bruto), depois de ter atingido quase 4% em outubro do ano passado", argumenta Velloso. "Isso aí (as novas medidas do governo) vai comer o resto do superávit primário". O resultado primário é a diferença entre as receitas e as despesas não financeiras do setor público.
A questão, no entanto, causa polêmica. Para o economista Amir Khair, também especialista em finanças públicas, não existe esse risco porque a arrecadação em 2010 vai subir muito mais que as despesas, alavancada justamente pelos efeitos das medidas anticíclicas adotadas este ano pelo governo. "O governo sempre pega carona na sua arrecadação no lucro das empresas e na massa salarial", diz o economista. "Quando o crescimento econômico é da ordem de 5%, o lucro das empresas cresce muito mais que o PIB, e a massa salarial, idem." Khair argumenta ainda que o crescimento da economia reduz a inadimplência e a sonegação de tributos. "Vamos repetir provavelmente 2008, que foi um ano fantástico do ponto de vista da arrecadação", disse.
Raul Velloso considera importante que a economia se recupere e os investimentos sejam desengavetados. O problema, segundo ele, é que as medidas de incentivo à economia têm sido adotadas num momento em que o gasto corrente do setor público tem forte crescimento. "Isso pode caracterizar excesso de demanda na economia, que causa inflação e déficit externo, o que pode forçar o Banco Central a subir a taxa de juros em breve", afirma. "Se isso se confirmar, será ruim, porque uma coisa vai numa direção e a outra, na direção oposta."
Para Amir Khair, a inflação não é problema, já que a oferta de produtos do exterior é inesgotável e barata no cenário atual de demanda fraca no mundo. "A única coisa que restaria a temer são as contas externas." Segundo ele, o próprio mercado aposta em aumento do superávit nominal em 2010. O raciocínio dele é simples: o mercado apresenta, por meio da pesquisa Focus, do Banco Central, as previsões para indicadores macroeconômicos, como PIB, inflação e o resultado primário. "O pessoal bate muito na tecla de que as despesas estão crescendo muito. Se fosse assim, o resultado primário cairia no ano que vem, abraçando a previsão do mercado para este ano. Na realidade, está ocorrendo o contrário: estão prevendo um aumento do resultado primário", ressalta o economista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
OESP – 10.12.2009
Mantega descarta novas desonerações tributárias para 2010
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse nesta quinta-feira que o governo não programa novas desonerações de impostos em 2010.
"Pelo contrário. Algumas vão se encerrar para o próximo ano porque o estímulo já foi dado para a economia, a economia não precisa mais", afirmou.
Mantega voltou a dizer que a economia Brasileira já saiu da crise e que as medidas anunciadas ontem foram principalmente para estimular o investimento de longo prazo. "No próximo ano, não vai estar sobrando recursos", completou.
Ontem, o governo anunciou um pacote com medidas de desonerações, linhas de crédito e eliminação de impostos em várias áreas, como bens de capital, refino de petróleo, produção de energia eólica e computadores. Ao todo, as desonerações anunciadas ultrapassarão R$ 3 bilhões em 2010.
O governo prorrogou a desoneração de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para bens de capital até 30 de junho de 2010. O benefício acabaria neste mês e a ampliação custará R$ 369 milhões aos cofres públicos. Outra medida foi esticar até 2014 a isenção de PIS/Cofins para computadores. Além disso, o Tesouro concedeu uma nova linha de crédito ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor de R$ 80 bilhões para o financiamento de investimentos em 2010 e 2011.
Folha Online – 10.12.2009
Senado adia uma vez mais decisão sobre adesão da Venezuela ao Mercosul
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Senado adiou para a próxima terça-feira (15) a votação do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. A decisão foi tomada após entendimento entre o líder do governo no Senado, Romero Jucá, e o líder da oposição, Agripino Maia.
Eles decidiram esgotar hoje (9) a discussão da matéria, mas só votar a matéria na próxima semana. A possibilidade de entrada da Venezuela no Mercosul gerou polêmica entre oposição e a base governista no Senado. Os oposicionistas, contrários à proposta, alegam que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, implantou um regime de ditadura no país e, por isso, a Venezuela não deve ser aceita no bloco econômico.
Já os governistas enfatizam que não se trata de aprovação das medidas implantadas pelo governo Chávez e, sim, da aprovação da entrada do país no bloco, independentemente de quem está no poder. O senador Gerson Camata (PMDB-ES) chegou a alegar que setores da imprensa brasileira exageram nas críticas a Chávez.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) argumentou que os valores democráticos devem prevalecer sobre a argumentação meramente econômica e que aceitar a Venezuela no Mercosul é uma forma de "compactuar com o regime autoritário existente no país". Já o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) citou o exemplo dos Estados Unidos que mantém relações comerciais com a Venezuela mesmo com embates políticos travados com o presidente venezuelano.
Salgado disse que não vê a oposição “falando mal da China”. “Lá, existe democracia?”, perguntou. O senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) retrucou Salgado. “Não é verdade que queremos interferir nas questões internas da Venezuela. Estamos opinando sobre a admissibilidade do país no nosso bloco econômico. O senhor Chávez é quem gosta de dar pernadas em assuntos nossos e o presidente Lula tem sido permissivo.”
Agência Brasil – 09.12.2009
Déficit cai para U$ 32,94 bilhões em outubro nos EUA
CYNTHIA DECLOEDT - Agencia Estado
WASHINGTON - O déficit comercial dos Estados Unidos caiu para US$ 32,94 bilhões em outubro, refletindo o aumento das exportações de bens como automóveis, informou hoje o Departamento do Comércio. O déficit é 7,6% menor que o registrado em setembro, quando estava em US$ 35,65 bilhões. Economistas esperavam ampliação do déficit em outubro, para US$ 37 bilhões.
Já o déficit real (ajustado à inflação), utilizado pelos economistas como uma medida do impacto do comércio no Produto Interno Bruto (PIB), caiu para US$ 38 bilhões em outubro, ante os US$ 41,49 bilhões de setembro.
As exportações cresceram 2,6% em outubro, para US$ 136,84 bilhões. Este é o nível mais elevado em quase um ano. As importações avançaram apenas 0,4% em outubro, para US$ 169,78 bilhões, mantendo-se ainda no patamar mais elevado desde dezembro de 2008.
Brasil
O déficit comercial dos EUA com a China subiu para US$ 22,7 bilhões em outubro, de acordo com o Departamento do Comércio. Este é o resultado mais elevado desde novembro de 2008. Já o déficit com o Japão subiu para US$ 4,4 bilhões, ante US$ 4,1 bilhões em setembro. Com o Brasil, houve superávit de US$ 948 milhões em outubro, acima do superávit de US$ 579 milhões em setembro.
No caso da União Europeia, o déficit dos EUA caiu para US$ 4,9 bilhões, de US$ 5,5 bilhões em setembro. O déficit comercial com o México permaneceu em US$ 4,6 bilhões em outubro. As informações são da Dow Jones.
Agencia Estado – 10.12.2009
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