terça-feira, 9 de outubro de 2012

 
NOTÍCIAS
 
Deficit de infraestrutura no Brasil chega a R$ 400 bi, diz Bernardo Figueiredo
 
DO VALOR
 
O diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, afirmou nesta terça-feira que o deficit de investimentos em infraestrutura no país é de R$ 200 bilhões a R$ 400 bilhões.
 
Segundo ele, os grandes aportes no setor no Brasil foram feitos na década de 1970. Temos um passivo muito grande e a economia mudou, disse.
 
Figueiredo ressaltou que o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) permitiu ao Ministério dos Transportes elevar o orçamento de R$ 1 bilhão em 2003 para quase R$ 20 bilhões neste ano, mas admitiu que os investimentos previstos no plano não serão suficientes para eliminar o deficit no setor de infraestrutura.
 
Para vencer um passivo dessa ordem, é preciso ser agressivo. Se você não consegue ser agressivo, é preciso ser seletivo, explicou Figueiredo, durante seminário no Rio de Janeiro.
 
O presidente da EPL destacou ainda a necessidade de participação privada no desenvolvimento de projetos de infraestrutura. Para ampliar o volume de investimentos, o Estado tem limitações para gerir os projetos e fazer os aportes.
 
Ele afirmou ainda que é preciso investir também no setor de serviços, para aumentar a produtividade no país. Se não mudarmos o quadro na área de serviços, não adianta falarmos em melhoria de infraestrutura. E aumentarmos a qualidade do serviço vai implicar aumento de custo, disse.
 
Folha de São Paulo – 09.10.2012
 
 
Modelo de concessões do governo ameaça infraestrutura do país, diz consultor
 
AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL AO RIO
 
A busca incessante do governo federal para modicidade tarifária para os projetos de infraestrutura representam uma ameaça à execução dessas obras, segundo o consultor em contas públicas, Raul Velloso.
 
Para ele, o país deveria acelerar os investimentos em infraestrutura, que é "produtividade na veia". Como o Brasil não consegue fazer poupança, diz Velloso, o investimento em estradas, aeroportos, portos, ferrovias e hidrovias dariam o salto que o país precisa para crescer.
 
O problema, segundo o consultor, é que o governo tem insistido em modicidade tarifária ao invés de focar na qualidade dos empreendimentos. "O governo não tem feito, por exemplo, a pré-qualificação dos consórcios que disputam projetos. Tem feito a qualificação depois".
 
"Assim, todo mundo participa e o governo consegue uma tarifa baixa. Mas a questão é que depois a empresa não consegue cumprir com o que assumiu", diz o especialista. Apesar de o governo poder renegociar as exigências de investimento depois, ele diz que esse modelo não é correto e pode trazer problemas.
 
A modicidade tarifária virou mote central no setor elétrico, por exemplo. O governo encaminhou para o Congresso Nacional uma MP (Medida Provisória) que muda as regras do setor, amplia o prazo de concessões e indica que irá fazer um corte pesado nas receitas das companhias do setor elétrico. Tudo para conseguir reduzir a tarifa final para o consumidor.
 
FINANCIAMENTO ERRADO
 
Velloso também criticou o uso do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no financiamento de commodities. "Acho que o BNDES deveria financiar infraestrutura, isso sim. Mas não vejo razão para o banco financiar setores campeões, como o de commodities".
 
O problema, diz ele, é que o país está empenhando recursos subsidiados para setores que conseguiriam facilmente financiamento privado.
 
Velloso participou nesta terça-feira (9) de evento da Revista Exame, publicação do Grupo Abril, no centro de convenções da Bolsa de Valores do Rio.
 
Folha de São Paulo – 09.10.2012

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