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Deficit de infraestrutura
no Brasil chega a R$ 400 bi, diz Bernardo Figueiredo
DO VALOR
O
diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo
Figueiredo, afirmou nesta terça-feira que o deficit de investimentos em
infraestrutura no país é de R$ 200 bilhões a R$ 400 bilhões.
Segundo
ele, os grandes aportes no setor no Brasil foram feitos na década de 1970.
Temos um passivo muito grande e a economia mudou, disse.
Figueiredo
ressaltou que o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) permitiu ao
Ministério dos Transportes elevar o orçamento de R$ 1 bilhão em 2003 para quase
R$ 20 bilhões neste ano, mas admitiu que os investimentos previstos no plano
não serão suficientes para eliminar o deficit no setor de infraestrutura.
Para
vencer um passivo dessa ordem, é preciso ser agressivo. Se você não consegue
ser agressivo, é preciso ser seletivo, explicou Figueiredo, durante seminário
no Rio de Janeiro.
O
presidente da EPL destacou ainda a necessidade de participação privada no
desenvolvimento de projetos de infraestrutura. Para ampliar o volume de
investimentos, o Estado tem limitações para gerir os projetos e fazer os
aportes.
Ele
afirmou ainda que é preciso investir também no setor de serviços, para aumentar
a produtividade no país. Se não mudarmos o quadro na área de serviços, não
adianta falarmos em melhoria de infraestrutura. E aumentarmos a qualidade do
serviço vai implicar aumento de custo, disse.
Folha de São Paulo – 09.10.2012
Modelo de concessões do
governo ameaça infraestrutura do país, diz consultor
AGNALDO
BRITO
ENVIADO
ESPECIAL AO RIO
A
busca incessante do governo federal para modicidade tarifária para os projetos
de infraestrutura representam uma ameaça à execução dessas obras, segundo o
consultor em contas públicas, Raul Velloso.
Para
ele, o país deveria acelerar os investimentos em infraestrutura, que é
"produtividade na veia". Como o Brasil não consegue fazer poupança,
diz Velloso, o investimento em estradas, aeroportos, portos, ferrovias e
hidrovias dariam o salto que o país precisa para crescer.
O
problema, segundo o consultor, é que o governo tem insistido em modicidade
tarifária ao invés de focar na qualidade dos empreendimentos. "O governo
não tem feito, por exemplo, a pré-qualificação dos consórcios que disputam
projetos. Tem feito a qualificação depois".
"Assim,
todo mundo participa e o governo consegue uma tarifa baixa. Mas a questão é que
depois a empresa não consegue cumprir com o que assumiu", diz o
especialista. Apesar de o governo poder renegociar as exigências de
investimento depois, ele diz que esse modelo não é correto e pode trazer
problemas.
A
modicidade tarifária virou mote central no setor elétrico, por exemplo. O
governo encaminhou para o Congresso Nacional uma MP (Medida Provisória) que
muda as regras do setor, amplia o prazo de concessões e indica que irá fazer um
corte pesado nas receitas das companhias do setor elétrico. Tudo para conseguir
reduzir a tarifa final para o consumidor.
FINANCIAMENTO
ERRADO
Velloso
também criticou o uso do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social) no financiamento de commodities. "Acho que o BNDES deveria
financiar infraestrutura, isso sim. Mas não vejo razão para o banco financiar
setores campeões, como o de commodities".
O
problema, diz ele, é que o país está empenhando recursos subsidiados para
setores que conseguiriam facilmente financiamento privado.
Velloso
participou nesta terça-feira (9) de evento da Revista Exame, publicação do
Grupo Abril, no centro de convenções da Bolsa de Valores do Rio.
Folha de São Paulo – 09.10.2012
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