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Fim da unanimidade do Confaz é perigoso, diz Calabi
RENATA VERÍSSIMO - Agência Estado
O secretário da Fazenda de São Paulo,
Andrea Calabi, disse nesta sexta ser uma proposta "extemporânea e
perigosa" o fim da exigência de unanimidade no Conselho Nacional de
Política Fazendária (Confaz). Na última quarta-feira (17), a Comissão de
Infraestrutura do Senado aprovou um projeto de lei permitindo que as decisões
do Confaz sejam aprovadas por apenas três quintos dos votos do órgão - que é
composto por secretários de Fazenda de todos os Estados e do Distrito Federal.
Calabi criticou o fato de a comissão
ter aprovado o projeto no momento que o próprio presidente do Senado, José
Sarney, constituiu uma comissão de notáveis responsável pela discussão de temas
federativos, entre eles as atribuições do Confaz. "Essa aprovação é mais
política do que real", afirmou o secretário, que está em Brasília
participando do "Seminário Desafios do Federalismo Brasileiro".
Ele afirmou que os secretários de
Fazenda dos Estados estão se mobilizando para marcar uma reunião para discutir
a proposta aprovada pela comissão do Senado. Segundo Calabi, o fim da
unanimidade pode tornar legais incentivos considerados ilegais dados por algum
Estado, mas que terão de ser compensados por outro ente da Federação. Calabi
disse que o fim da unanimidade do Confaz pode significar que alguns Estados
estarão comandando o caixa de outros Estados. "As finanças dos Estados
podem ser atacadas se houver ruptura da unanimidade". Segundo ele, o
próprio presidente do Senado se mostrou preocupado com a decisão da Comissão de
Infraestrutura.
Os Estados do Norte, Nordeste e
Centro-Oeste defendem a quebra da unanimidade porque são - na maioria - os que
aprovam incentivos fiscais para atração de investimentos. O Supremo Tribunal
Federal já julgou esses incentivos como ilegais porque não tiveram a aprovação
do Confaz, em que qualquer decisão, pelas regras atuais, exige a concordância
de todas as Unidades da Federação.
A proposta aprovada na Comissão de
Infraestrutura do Senado ainda tem de passar pela Comissão de Assuntos
Econômicos e pelo plenário da Casa antes de seguir para a avaliação dos
deputados.
OESP
– 19.10.2012
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