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Delfim diz que todos os países usam taxa cambial 'suja'
WLADIMIR D'ANDRADE - Agencia Estado
SÃO PAULO - O economista e
ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto disse nesta quinta-feira, em São
Paulo, que o tripé econômico (câmbio flutuante, meta de inflação e
responsabilidade fiscal) continua valendo, mas destacou que todos os países
usam uma taxa cambial "suja", termo empregado pelo ministro da
Fazenda, Guido Mantega, ao admitir nesta semana que o governo administra o
câmbio. De acordo com Delfim Netto, a administração federal faz ajustes no
tripé, conforme as dificuldades enfrentadas pelo País.
"Temos flutuação suja do câmbio,
mas todos os países do mundo fazem a mesma coisa", afirmou, em seminário
da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo
(FecomercioSP). Como exemplo, ele mencionou a última rodada de relaxamento quantitativo
dos Estados Unidos, o chamado QE3. "É claro que os Estados Unidos estão
desvalorizando a sua moeda. Isso está no programa de governo do (Barack) Obama,
que quer dobrar as exportações do país em oito anos." Segundo Delfim,
"é um grande ridículo" falar que o Brasil controla o câmbio, pois
"o câmbio flexível nunca existiu, isso é ideia de economista".
O economista e ex-ministro da Fazenda
afirmou também que a política fiscal do País é um exemplo internacional e que o
esforço de economia para pagamento de juros da dívida não precisa ser tão
rigoroso. Delfim lembrou que a dívida líquida em relação ao Produto Interno
Bruto (PIB) está em torno de 35% e em trajetória de queda. "Por isso, a
gente não precisa dessa taxa de superávit primário", afirmou.
Sobre a inflação, o economista e
ex-ministro afirmou que a dificuldade está em itens do grupo alimentação. Para
Delfim, se os preços dos alimentos fossem retirados da inflação, a taxa
observada ficaria próxima à meta de 4,5%. "O que existe é um choque de
oferta, assim como aconteceu com o tomate. Criou-se a inflação do tomate e 90
dias depois ela desapareceu." Na opinião do economista, é uma grande
ilusão acreditar que o mercado pode prever a taxa de inflação para daqui um
ano. "Previsão de inflação pode até ser válida para três meses, mas mais
que isso é impossível", disse.
OESP – 25.10.2012
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