Brasil barra autopeças argentinas
AE - Agencia Estado
SÃO PAULO - O Brasil elevou o tom do conflito com a Argentina e começou a retaliar no setor automotivo. O governo brasileiro está exigindo licenças de importação para algumas autopeças argentinas, o que, na prática, significa barrar a entrada. O setor automotivo é muito sensível, porque representa quase 40% do comércio entre os dois países. A lista de autopeças sujeitas a licenças no Brasil inclui caixas de marcha, partes de aparelhos de ar condicionado, filtros de óleo de motores, baterias e partes de dispositivos elétricos de ignição. Segundo uma fonte do setor privado, os produtos foram "escolhidos a dedo" para que as fabricantes de autopeças na Argentina reclamem com o governo local.
O Brasil está aumentando a lista de produtos vindos da Argentina sujeitos a barreiras, o que provoca uma fila de caminhões na fronteira. As licenças começaram a ser aplicadas pelo País em meados de outubro para 15 produtos, como farinha de trigo, vinho e frutas. Na semana passada, quando foram incluídas as autopeças, a lista chegava a 35 itens. O objetivo é elevar a pressão até a chegada da presidente Cristina Kirchner, na próxima quarta-feira, dia 18 de novembro, para que a Argentina retire os entraves contra os produtos brasileiros. Ela vai se reunir com o colega Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.
As barreiras adotadas pelo Brasil são uma retaliação contra as licenças de importação aplicadas pela Argentina após a crise global, que já atingem 767 itens, o que significa 17,3% das exportações brasileiras para o país, conforme cálculo da consultoria Abeceb.com. A burocracia argentina prejudica a exportação brasileira de diversos setores, como calçados, têxteis, linha branca e autopeças. A principal reclamação do setor privado é que as restrições provocam desvio de comércio a favor da China. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
OESP – 11.11.2009
Rodada Doha fracassará se não houver flexibilidade, adverte Apec
da Efe, em Cingapura
da Folha Online
As negociações da Rodada Doha para liberalizar o comércio mundial fracassarão se as economias envolvidas não exercerem "flexibilidade máxima" em suas posturas, alertaram hoje os ministros de Finanças do Apec (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico).
De acordo com a minuta do comunicado conjunto que devem emitir ao final de suas reuniões em Cingapura, os ministros de Finanças do Apec exigiram que as partes envolvidas na Rodada Doha que façam tudo o possível para chegar a um acordo antes da nova data limite de 2010.
O encontro do bloco regional contará com a presença do diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, que aproveitará a ocasião para pedir aos Governos mais compromisso para relançar as negociações, que deveriam ter concluído em 2005.
Antes, os ministros de Exteriores do Apec advertiram sobre o protecionismo.
Trata-se de uma ameaça "muito perigosa (...), é um caminho muito escorregadio, e antes de nos dar conta podemos nos ver em uma situação ainda pior", disse o ministro de Cingapura, George Yeo, após a reunião.
Os ministros concordaram hoje em admitir que a crise econômica não chegou ao fim, apesar de alguns sintomas de recuperação, pois a economia mundial continua frágil e ainda não se encontrou uma solução para as causas da recessão.
Antes do fim de semana, quando acontecerá a cúpula do Apec, os ministros do bloco regional devem estudar entre hoje e amanhã como manter em andamento os programas de estímulo e evitar uma recaída da recuperação.
Os ministros tentarão buscar um consenso que evite ter de reduzir de novo o gasto público, no momento em que os mercados creditícios começam agora a ver a luz no final do túnel, segundo a minuta da agenda do encontro.
Desta maneira, alguns dos programas dos governos para reativar suas economias serão prorrogados e outros retirados, em razão do grau de recuperação e perspectivas de crescimento de cada país.
A reunião ministerial também se concentrará na promoção do livre-comércio e na integração econômica, os dois objetivos tradicionais do bloco regional, assim como em buscar uma postura comum para reduzir emissões poluentes, antes da próxima conferência sobre o clima da ONU, em Copenhague.
Outro tema da agenda é a fragilidade do dólar, depois que vários Governos asiáticos intervieram seus mercados nos últimos meses para estabilizar suas divisas e garantir suas exportações, uma estratégia não compartilhada pelo Ocidente.
Os membros do Apec são: Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã.
Rodada Doha
Iniciada no fim de 2001 em um encontro na capital do Qatar, as negociações sobre a liberalização do comércio internacional, chamada de Rodada Doha, esbarram nas divergências entre os países desenvolvidos e as nações em desenvolvimento sobre os temas agrícolas e industriais.
As negociações da rodada têm como objetivo eliminar as tarifas alfandegárias e reduzir os subsídios à agricultura dos países ricos. Mas há anos as negociações vêm se chocando contra as recusas de alguns países de reduzir as tarifas aduaneiras sobre produtos estratégicos para os produtores locais.
Em julho de 2008, as negociações da rodada fracassaram no último momento por uma disputa entre os Estados Unidos e a Índia sobre os critérios que autorizariam a um país pobre elevar suas tarifas para defender seus produtores agrícolas.
Em junho deste ano, Lamy já havia afirmado que as negociações da rodada estão em um caminho mais positivo e que a conclusão em 2010 é possível.
A resistência de algumas partes envolvidas, no entanto, ainda é considerável. A França e a Comissão Europeia já declararam que a União Europeia não faria mais concessões para chegar a um acordo na rodada.
Folha Online – 11.11.2009
China rejeita apelos e descarta valorizar sua moeda frente ao dólar
A China não vai desvalorizar sua moeda em relação ao dólar, contrariando os pedidos feitos pela Europa e Japão, até que as suas exportações se recuperem, segundo especialistas do governo.
Na avaliação Zhu Baoliang, economista-chefe do Centro Estatal de Informação, de Pequim, é improvável que as autoridades monetárias permitam que o yuan volte a se apreciar este ano depois de manterem o câmbio quase inalterado em cerca de 6,83 yuans por dólar desde julho de 2008.
A China vai continuar adotando uma "posição dura" em relação à moeda, concorda Zhang Ming, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais.
O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, e o vice-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, cobraram na semana passada a valorização do yuan.
Em outubro, o Departamento do Tesouro dos EUA disse que a "falta de flexibilidade" na taxa de câmbio na China e o aumento de reservas em moedas estrangeiras "ameaçam desfazer alguns dos progressos no sentido de reduzir os desequilíbrios".
"A pressão estrangeira não vai levar o governo a retomar a valorização", disse na segunda-feira Zhu Baoliang. "Não há pressão doméstica para que o yuan se valorize, porque as exportações ainda estão tendo um declínio [na comparação] ano a ano." O Centro Estatal de Informação, onde Zhu trabalha, é uma instituição afiliada à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a principal agência de planejamento econômico do país.
O presidente do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, reagiu na semana passada às cobranças europeia e japonesa dizendo que a pressão internacional pela valorização "não é assim tão grande".
Zhou ganhou um apoio do economista-chefe do Banco Mundial, Justin Lin, que numa palestra na Universidade de Hong Kong, na segunda-feira, disse que a China não deveria ser forçada a valorizar sua moeda porque isso poderia atrasar a recuperação mundial, segundo relatou o "Wall Street Journal".
O governo da China evita que sua moeda se valorize porque desde outubro de 2008 as exportações estão em queda. Economistas acreditam que o resultado do mês passado - que será anunciado hoje - será o de uma queda de 13% em relação a outubro do ano passado. Se se confirmar, seria a menor retração deste ano.
A economia chinesa cresceu 8,9% no terceiro trimestre - o ritmo mais acelerado do ano. O governo prevê que o país feche o ano com uma expansão de 8%.
O presidente americano, Barack Obama, que visita Pequim na próxima semana disse que o câmbio será um dos temas da viagem. Ontem, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse ontem no comunicado diário que a política chinesa será "proativa, controlada e gradual". E acrescentou que o governo precisa "aumentar a flexibilidade da taxa de câmbio".
Nos três anteriores à decisão do governo de manter o câmbio em 6,83 yuans, a moeda chinesa havia registrado uma valorização de 21%. Nos últimos seis meses - enquanto o dólar se enfraquecia, o yuan se desvalorizou 11% em relação ao euro e 10% em relação ao yen do Japão.
Para Zhang Ming, da Academia Chinesa de Ciências Sociais pode mesmo ser persuadido a permitir uma valorização em 2010 de cerca de 5%. Mas se isso ocorrer, abrirá uma disputa com o comércio externo. "Mesmo que o banco central queira mudar sua política em relação ao yuan, será preciso lidar com a pressão do Ministério do Comércio e com governos regionais de áreas costeiras" disse Zhang.
Valor Econômico – 11.11.2009
Apesar de blecaute, Porto mantém operações
O blecaute que atingiu a maior parte da Região Sudeste na noite desta terça-feira não afetou totalmente o Porto de Santos. O complexo portuário, o principal do País, conta com fonte de energia própria. É o único da nação com sua própria hidrelétrica.
Dos 17 megawatts/hora consumidos pelos terminais da região, 15 megawatts são fornecidos pela Usina de Itatinga, em Bertioga, de propriedade das Docas.
A Capitania dos Portos de São Paulo confirmou que as operações no cais santista continuam. Até as 23h35, o movimento estava normal, de acordo com a Delegacia de Polícia Marítima da Polícia Federal. De acordo com a Praticagem de Santos, a entrada e saída de navios estão mantidas.
Para os motoristas que buscavam chegar em casa, a iluminação do Porto foi estratégica. O complexo portuário vai da entrada da Cidade, na Alemoa, até a Ponta da Praia, na orla, passando por bairros como Centro, Paquetá, Vila Nova, Macuco e Estuário.
A Tribuna on-line – 10.11.2009
Nenhum comentário:
Postar um comentário