quarta-feira, 4 de novembro de 2009


Importações atingem o valor mais alto do ano

Renata Veríssimo, BRASÍLIA

Estimuladas pela desvalorização do dólar, as importações brasileiras somaram US$ 12,75 bilhões em outubro, o maior valor em 2009, e reduziram o superávit da balança comercial. O saldo foi positivo em US$ 1,33 bilhão, o menor desde janeiro, quando houve déficit de US$ 529 milhões. As exportações somaram US$ 14,08 bilhões.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, previu ontem que as importações devem continuar no ritmo de alta dos últimos meses. Com isso, o superávit comercial de novembro e dezembro deve ficar no nível de US$ 1,3 bilhão. "O câmbio é um incentivo ao aumento das importações, principalmente de insumos."

As compras internacionais cresceram em outubro 1,8% na comparação com setembro, considerando a média diária de operações. Mas, no ano, registram queda de 29,4% em relação ao mesmo período de 2008, somando US$ 103,28 bilhões.

As exportações totalizam US$ 125,88 bilhões de janeiro a outubro de 2009, com uma queda, pela média diária, de 24,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O superávit acumulado no ano é de US$ 22,56 bilhões, registrando alta de 9,1% pela média diária.

Para Barral, os dados de outubro mostram uma recuperação das exportações, que cresceram 1,6% ante setembro. Tradicionalmente, há uma queda nesse período. Apesar da redução dos embarques agrícolas, com o fim da safra, o secretário disse que há sinais de recuperação das vendas para mercados tradicionais, como os EUA - as exportações subiram 17,6% em outubro ante setembro.

Barral, no entanto, advertiu que o Brasil precisa investir mais nos EUA. De janeiro a outubro, as vendas caíram 45,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O problema é que os exportadores brasileiros têm perdido espaço nos EUA para a China. Isso ocorreu também na América Latina - a queda nas vendas este ano chega a 34,7%.

Ao contrário do ministro Miguel Jorge, a quem é subordinado, Barral defendeu a taxação dos investimentos estrangeiros como forma de evitar queda ainda maior no dólar. E atacou setores do governo que criticam intervenção no câmbio, como a área técnica do Banco Central. "Tem gente no governo que acha que pode resolver a questão do câmbio com medidas ortodoxas. Não tem como resolver com medidas ortodoxas uma situação que é heterodoxa, como o controle cambial feito pela China."

O secretário previu que as vendas externas fechem este ano entre US$ 155 bilhões e US$ 160 bilhões.

OESP – 04.11.2009

Internautas são a favor do projeto Porto 24 horas

Da Redação

A grande maioria dos internautas que acessam o site de A Tribuna é favorável ao projeto Porto 24 horas. Segundo enquete realizada entre o último dia 26 e a manhã de hoje, 84% das pessoas aprovam o funcionamento sem interrupções dos órgãos públicos no Porto de Santos.

Desde julho de 1997, o Porto de Santos opera 24 horas ininterruptamente, em quatro turnos de seis horas. Porém, vários órgãos públicos que fiscalizam o processo de importação e exportação trabalham somente no horário comercial ou em apenas um período do dia. A vistoria nos navios é feita só até o meio-dia, enquanto os órgãos como a Alfândega e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) trabalham até as 18 horas.

A atuação desses órgãos 24 horas por dia vem sendo debatida constantemente entre as empresas do Porto. Em sua última reunião, na semana passada, o Comitê de Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus) discutiu o assunto, pautado desde 2007. Para o coordenador do Comus, José Candido Sena, com a implantação do projeto, o Porto de Santos poderá ter um aumento de até 50% na movimentação de contêineres sem qualquer investimento em obra física.

A Tribuna – 03.11.2009

Lula e Cristina Kirchner se reúnem para resolver impasse das licenças não automáticas

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O governo federal esgotou todas as negociações técnicas sobre as licenças não automáticas para alguns produtos importados da Argentina. Na tentativa de encerrar o impasse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne no próximo dia 18 com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

“Nossos problemas com a Argentina são pontuais. Já se esgotaram as negociações técnicas. O presidente Lula tem uma reunião com a presidente Kirchner para conversar sobre o assunto", disse hoje (3) o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral.

Na semana passada o governo brasileiro decidiu impor licenças não automáticas a cerca de 15 produtos argentinos na tentativa de reverter as barreiras impostas pelos vizinhos a mercadorias brasileiras. A decisão não é definida pelo governo brasileiro como sendo uma retaliação.

Mas para o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi, a atitude brasileira deve ser duramente combatida porque demonstra a falta de cumprimento de acordo por parte do governo do presidente Lula.

De acordo com especialistas, a lista de produtos afetados pelas medidas deve chegar a 15 itens, incluindo autopeças, freios e baterias para veículos. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, o objetivo da decisão brasileira é de assegurar espaço para a mercadoria nacional. O ministro disse que o impasse com a Argentina gera queixas constantes dos empresários sobre a demora nas negociações.

Edição: Aécio Amado

Agência Brasil – 03.11.2009

Dados de exportações e importações sofrem influências do câmbio, diz secretário

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, apontou hoje (3) uma “relativa recuperação” nos dados de exportação e importação, mas disse que o processo sofre em decorrência do câmbio. A expectativa, porém, é que a economia nacional se recupere em novembro e dezembro, com o aumento da comercialização de insumos.

“Tem gente dentro do governo que acha que dá para resolver com medidas ortodoxas. Não tem como resolver com medidas ortodoxas uma situação é completamente heterodoxa, como o controle cambial da China”, afirmou Barral, que viaja hoje (3) para os Estados Unidos para retomar a agenda bilateral no esforço de incrementar o comércio.

Segundo Barral, o governo federal tomou uma decisão “bastante acertada” em relação à decisão de cobrar 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) do capital externo que entra no país para investir em ações ou títulos irá atingir também alguns investidores que já estavam no país antes da medida.

”Mas precisamos ver os efeitos disso a médio prazo”, afirmou o secretário, contrariando as afirmações do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que criticou a medida. Segundo o ministro, a cobrança de IOF não resolverá os problemas do exportador.

Paralelamente o governo federal resolveu concentrar as atenções no incremento do comércio com os Estados Unidos. A decisão foi tomada depois que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior concluiu que houve queda nas exportações com perda de espaço para a China.

“Perdemos por causa da crise e não estamos conseguindo recuperar. Uma das razões é o câmbio”, disse Barral. “É preciso investir mais no mercado norte-americano. Nós continuamos com todas as ações com promoção comercial e temos retomando a agenda com o governo dos Estados Unidos.”

O saldo (superavit) da balança comercial brasileira registrou crescimento de 7,5% no acumulado do ano até o dia 31 de outubro, com US$ 22,599 bilhões. O saldo do mês passado é praticamente o mesmo registrado ao mesmo período de 2008, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Houve aumento de vendas dos produtos semimanufaturados, como açúcar, recuperação dos industrializados e queda dos básicos.

As exportações de janeiro a outubro foram de US$ 125,879 bilhões e as importações, de US$ 103,280 bilhões. Na média por dia útil, no período, as exportações ficaram em US$ 605,2 milhões com queda de 24,6% com o mesmo período do ano passado e as importações, US$ 496,5 também em queda, registraram 29,4% na mesma comparação.

Em outubro, o saldo da balança comercial ficou em US$ 1,328 bilhão com exportações de US$ 14,082 bilhões e importações de US$ 12,754 bilhões. O saldo registrou média diária de US$ 63,3 milhões. Segundo Barral, os dados de outubro são "muito similares" aos de setembro.

Agência Brasil – 03.11.2009

Senado vota hoje ingresso da Venezuela no Mercosul

da Folha Online

O plenário do Senado vai votar nesta quarta-feira o ingresso da Venezuela no Mercosul. Se o protocolo for aprovado, o Paraguai será o único país do bloco econômico que ainda não terá concluído a análise do caso.

A Argentina e o Uruguai já aprovaram o protocolo de adesão, mas caberá ao Paraguai definir --uma vez que os quatro países-membros do Mercosul têm que avalizar o ingresso da Venezuela para que o país possa efetivamente integrar o bloco econômico.

Com maioria no Senado brasileiro, a base aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê a aprovação do país no bloco econômico mesmo com a promessa de líderes oposicionistas em dificultar a votação.

Os governistas vão tentar convencer a base de que o ingresso do país no Mercosul trará ganhos econômicos ao Brasil, com a disposição do presidente Hugo Chávez em industrializar o país. Com o lobby da iniciativa privada em favor da Venezuela, a base aliada também espera sensibilizar congressistas da oposição.

A ordem no governo é insistir que a entrada da Venezuela no bloco não representa uma vitória política de Chávez.

O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), disse que uma das possibilidades para dificultar a aprovação é obstruir a pauta do plenário. Junto com o PSDB, ele afirma que a votação não deve ocorrer até que a Venezuela se comprometa com algumas ressalvas --entre elas aceitar uma apuração da OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre acusações de violação de direitos humanos.

A oposição aposta ainda que pode contar com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para retardar a votação. O peemedebista já fez manifestações contrárias ao ingresso do país no Mercosul.

A base, no entanto, disse acreditar que o senador não vai priorizar seu posicionamento pessoal. "Sarney não vai confundir as coisas", afirmou Renato Casagrande (PSB-ES).

Relações Exteriores

Na semana passada, a CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado aprovou, por 12 votos a 5, o ingresso da Venezuela no Mercosul.

Antes de aprovar o voto do líder do Congresso no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a comissão rejeitou o relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), contrário ao ingresso da Venezuela no Mercosul.

Folha Online – 04.11.2009

Baixo quorum faz aliados de Lula adiarem votação sobre Venezuela

da Folha de S.Paulo, em Brasília

O governo decidiu adiar para a próxima semana a votação do ingresso da Venezuela no Mercosul. Os governistas avaliaram que seria arriscado colocar o assunto na pauta de hoje, pois há muita resistência da oposição e a aprovação dependeria da presença efetiva de integrantes da base aliada do presidente Lula no Senado.

O protocolo foi aprovado na semana passada pela Comissão de Relações Exteriores por 12 votos a 5, mas precisa passar pelo plenário do Senado.

Os governistas rejeitaram o parecer do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que se posicionou contrariamente à entrada da Venezuela no Mercosul. Tasso criticou principalmente a falta de democracia do governo de Hugo Chávez.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), já havia admitido que era preciso negociar a votação em plenário com a oposição. Ele foi autor do voto em separado na comissão, instrumento legislativo usado para derrubar o parecer de Tasso.

Ontem o vice-líder do governo no Senado, Gim Argello (PTB-DF), afirmou que a votação no plenário deverá ocorrer no dia 11. "Hoje [ontem] o quorum já está abaixo, com apenas 51 senadores. Nós esperávamos pelo menos 60", disse.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse à Folha que irá colocar o assunto em votação apenas depois de ouvir os líderes dos partidos.

Muitos senadores emendaram o feriado do Dia de Finados, ocorrido na segunda-feira. Até mesmo os oposicionistas contavam com a votação só na semana que vem. "Queremos adiar porque, até a votação, Chávez deverá cometer alguma bobagem", disse Tasso.

A expectativa na oposição é que até a semana que vem Chávez envie ao Senado pedido formal de desculpas por ter chamado os senadores de "papagaios" do Congresso americano, numa crítica à demora na votação. O PSDB irá votar fechado contra a adesão, mas o DEM tem defecções. O líder do partido, senador Agripino Maia (RN), disse que irá reunir a bancada para tentar fechar uma posição.

Folha de São Paulo – 04.11.2009

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