Montadoras já compram mais autopeças importadas
O impacto da desvalorização do dólar já chegou aos fornecedores da cadeia automotiva - um setor sensível para a economia por causa do grande número de empregos qualificados que gera. As montadoras estão revisando seus fornecedores, embora a troca por produtos importados seja complicada, porque muitas peças são feitas sob encomenda e os relacionamentos são de longo prazo.
"Esse câmbio contribui para a desindustrialização do Brasil", disse o diretor-geral da Marcopolo, José Rubens de la Rosa. Maior exportadora de ônibus do País, a empresa tomou duas decisões: praticamente interrompeu o envio de peças para suas filiais no exterior e está buscando alternativas logísticas para aumentar a participação de peças importadas em suas fábricas no Brasil.
Segundo o executivo, a Marcopolo desistiu de exportar peças do Brasil para suas fábricas no México, Argentina e Colômbia e decidiu comprar de fornecedores locais. Hoje 70% das peças utilizadas nessas fábricas são adquiridas nos próprios países e os planos são superar 90% em meados de 2010. O processo de substituir peças locais por importadas nas fábricas brasileiras é complicado, porque o mercado exige produtos específicos, com itens desenvolvidos localmente. Hoje entre 5% e 10% das peças utilizadas no Brasil pela Marcopolo são importadas, mas a tendência é aumentar. "Na medida em que a logística se organizar - e isso vai acontecer porque é competitivo -, a indústria brasileira vai progressivamente importar mais", disse De la Rosa.
A fabricante de tratores Agrale está promovendo uma revisão de toda a sua cadeia de fornecedores. De acordo com o diretor de suprimentos, Edson Martins, o objetivo é reduzir o número de parceiros em 25% até o fim de 2010. Os fornecedores estrangeiros respondem por apenas 10% das compras da empresa, mas a tendência é ganharem participação. "Na indústria automobilística, é quase um casamento. Não dá para trocar de fornecedor por conta da sazonalidade do câmbio, que é abrupta no Brasil. Esse processo é longo, mas está ocorrendo", disse Martins. Ele explica que a empresa começou a desenvolver novos fornecedores na Ásia, que melhoraram a qualidade dos produtos.
Os fabricantes de autopeças também estudam mudanças no seu fornecimento de matérias-primas. Na Robert Bosch, o volume de importações de insumos deve representar 30% das compras em 2009, o que significa um aumento de 4% em relação ao ano anterior. A empresa informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que mantém o compromisso de nacionalizar o máximo possível seus produtos, mas a valorização do real torna esse desafio maior.
DCI – 13.11.2009
Presidentes do Brasil e Argentina vão negociar fim de barreiras comerciais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá só na semana que vem as propostas de seus ministérios para encerrar os atritos com a Argentina provocados pelas barreiras comerciais levantadas pelos dois países. Se optar pelas preferências do Ministério do Desenvolvimento, levará ao encontro com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, a exigência de um cronograma e medidas imediatas para eliminar obstáculos burocráticos criados para exportação de produtos brasileiros, como móveis.
Cristina Kirchner já indicou que considera violações do acordo do Mercosul as exigências de licença prévia a cerca de 35 produtos argentinos impostas pelo Brasil desde o mês passado. Laminados de madeira são um dos itens dessa lista de produtos com dificuldades de entrar no mercado brasileiro, e um exemplo de como as exigências brasileiras são uma retaliação aos entraves impostos pelos argentinos ás vendas brasileiras.
Desde o início do ano, os fabricantes de móveis do Brasil são obrigados a pedir vistos no consulado da Argentina para vender suas mercadorias no país vizinho, o que aumenta os custos e dificulta as operações de pequenos e médios comerciantes do Brasil. Os insistentes pedidos de Brasília para a eliminação dessa exigência ficaram sem resposta, e, por isso, laminados de madeira, usados pela indústria moveleira, foram submetidos a licenças prévias por parte do governo brasileiro, atrasando a entrada no Brasil.
Nesta segunda-feira, as equipes dos ministérios do Desenvolvimento e das Relações Exteriores se reunirão em Brasília para decidir que propostas levarão a Lula, para o encontro com Cristina. No começo da semana, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, reuniu-se no Rio com o ministro de Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, com quem discutiu a elaboração de uma proposta comum, a ser apreciada pelos presidentes. Até ontem, porém, o governo brasileiro não havia chegado a uma decisão sobre o que apresentar aos argentinos.
O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, é favorável a um tratamento severo em relação aos argentinos, com o argumento de que o sistema de controle das licenças prévias no país vizinho, não informatizado, dificilmente permitirá liberação rápida das licenças aos brasileiros, o que gera insatisfação no setor privado e alimenta pressões no Brasil para medidas semelhantes de contenção de concorrentes argentinos. Os produtores de maçã, por exemplo, conseguiram incluir o produto entre os 35 listados pelo governo para submissão a licenças prévias, o que retém embarques na fronteira.
Amorim tem um problema adicional. Um de seus principais negociadores, o embaixador Ênio Cordeiro, está designado para a embaixada do Brasil em Buenos Aires, o que o deixa em situação delicada. Hábil negociador, um dos principais responsáveis pelo acordo que aliviou os atritos entre Brasil e Paraguai com as exigências paraguaias sobre a energia de Itaipu, Cordeiro terá seu trabalho prejudicado se provocar forte atrito com as autoridades argentina antes mesmo de ocupar seu posto na capital argentina.
Os argentinos já receberam queixa dos brasileiros sobre os efeitos políticos das barreiras contra as mercadorias do Brasil. Afetados por restrições do vizinho, setores industriais pedem proteção contra a concorrência argentina. A inclusão das autopeças na lista dos 35 produtos, por exemplo, é reação à administração lenta das liberações de exportações brasileiras do setor ao sócio no Mercosul. Essa medida, segundo avaliam analistas do governo brasileiro, pode trazer danos à estratégia argentina de industrialização, já que, na incerteza sobre o fornecimento de peças, a indústria automotiva pode preferir deslocar maior parte da produção ao Brasil, mercado maior da região.
O Itamaraty, embora disposto a aumentar o tom na discussão, insiste na necessidade de maior compreensão para as dificuldades políticas do governo Kirchner, com baixa popularidade e difícil relacionamento com o setor privado. O Ministério do Desenvolvimento vem argumentando que, se são permitidas licenças prévias no comércio entre os dois sócios, essa permissão deve valer para todos. Lula, irritado com as queixas frequentes dos empresários em seu gabinete, resolveu arbitrar em favor do endurecimento no trato com os argentinos. Apesar da forte repercussão política nas complicações entre os dois lados, com repercussão em setores industriais de grande visibilidade, o impacto real das barreiras brasileiras é pequeno - na semana passada contabilizavam-se cerca de U$ 50 milhões em licenças de importação para produtos argentinos retidas nos gabinetes de Brasília, menos de 1% das importações brasileiras daquele país previstas para este ano.
Valor Econômico – 13.11.2009
Receita implanta novo sistema de controle de 'courier'
A nova instrução normativa (IN) da Receita Federal ampliando o mercado da remessa expressa será publicada em janeiro e o sistema de controle automatizado começa suas operações em fevereiro. O plano inicial era disponibilizar esse novo sistema em junho de 2009, mas o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) teve de resolver problemas técnicos na integração do seu padrão com a nova plataforma Harpia.
O objetivo do governo é elevar a eficiência e a rapidez do controle, o que deve dobrar o mercado desses serviços de transporte aéreo também conhecidos como "courier". As novas normas vão substituir a IN n 560 e reduzir as restrições e favorecer o comércio internacional porque as empresas poderão trazer bens em geral, até mesmo com cobertura cambial, o que envolve pagamento.
É grande a expectativa dos empresários para o salto de qualidade que o Harpia vai proporcionar aos seus negócios. O mercado brasileiro de remessas expressas, apesar do tamanho da economia do país, é atrofiado porque os controles aduaneiros são manuais. As quatro grandes empresas globais do setor - DHL, TNT, FedEx e UPS - operam no Brasil.
Atualmente, as normas impedem trazer mercadoria com cobertura cambial, o que limita as operações às pequenas quantidades sem fechamento de câmbio. Nas importações, o limite é de US$ 3 mil. Acima disso, são aplicadas as regras da importação tradicional. Para as pessoas físicas, as normas são diferentes e podem ser importadas mercadorias por meio de remessa expressa, mas a tributação é tão alta que o preço dobra.
De acordo com a Receita, o Harpia é um sofisticado sistema de gestão de risco para controle de fraudes fiscais aduaneiras. O projeto nasceu em meados de 2005 apenas para o âmbito aduaneiro, mas acabou sendo ampliado também para as áreas de fiscalização e inteligência da Receita Federal. Especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), desenvolveram o Harpia e o Serpro passou a adaptá-lo, em 2008, ao ambiente da Receita.
A previsão inicial era concluir os trabalhos em 2008, mas como o escopo do Harpia foi ampliado, mais tempo foi consumido. Os módulos mais importantes do Harpia são o de remessa expressa, o do Regime Tributário Unificado (RTU) em Foz do Iguaçu, o núcleo - chamado Harpia Tree - e a área do despacho aduaneiro geral, denominada Coopera.
O projeto-piloto do módulo de remessa expressa do Harpia foi iniciado em setembro de 2008, no aeroporto de Viracopos, em Campinas. Colaboraram representantes do setor privado, da vigilância agropecuária (Vigiagro) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Valor Econômico – 13.11.2009
Importações brasileiras sobem mais de 60% em 8 meses
AE - Agencia Estado
GENEBRA - Com um real forte, o Brasil sofreu uma das maiores altas das importações entre as principais economias nos últimos oito meses. Os cálculos foram compilados pela Organização Mundial do Comércio (OMC), mas são baseados nos dados de cada governo. Em termos porcentuais, a expansão das importações no Brasil superou a da França, dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Alemanha e do Japão.
Entre o ponto mais baixo da recessão, que foi o mês de março, e outubro, as importações no Brasil aumentaram de US$ 8,2 bilhões para US$ 13,3 bilhões por mês. Em valores, outros países tiveram aumentos maiores. Mas, em porcentuais, a expansão foi de mais de 60%, uma das mais altas no período. Em porcentuais, apenas China e Índia tiveram aumentos mais expressivos entre as 15 maiores economias que tiveram seus dados compilados pela OMC. Entre março e outubro, as importações da Índia aumentaram 69%. Na China, elas chegaram a 70% de alta.
A desvalorização do dólar em relação ao real vem provocando um impacto na decisão de empresas na compra de insumos. O superávit na balança comercial também sofreu encolhimento importante. Entre março e outubro, as exportações do País passaram de US$ 9,6 bilhões para US$ 13,9 bilhões. A alta de importações, principalmente nos países emergentes, demonstra também a recuperação dessas economias e de seus mercados domésticos. Mas os volumes importados ainda estão bem abaixo dos meses pré-crise, em 2008. O Brasil, em agosto do ano passado, importou US$ 18 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
OESP – 13.11.2009
Buss Capital prevê falta de equipamento
Da Redação
Devido à pouca fabricação de cofres em 2009 e à previsão de retomada da demanda, a Buss Capital, especializada em financiamento de contêineres, estima a falta de equipamento no próximo ano. A frota global de caixas metálicas caiu de 28 milhões de TEU's (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) no começo deste ano, para 27 milhões de TEU's.
"Temos notícias de aumento da utilização desde agosto", afirmou o diretor da empresa Dirk Baldeweg. Sua companhia lançou o 13ª fundo de investimento no setor, enquanto suas aplicações controlam 1,4 milhão de TEU's (unidade de medida referente a um contêiner de 20 pés), o equivalente a 5% da frota global de cofres.
Segundo Baldeweg, os investidores têm reagido positivamente ao novo produto. "A perspectiva é que os armadores aluguem mais contêineres, ao invés de comprá-los, quando os volumes retornarem a patamares estáveis", acredita o diretor.
A Tribuna – 12.11.2009
Países latinos apoiarão livre comércio e ampliação na cúpula do Apec
da Efe, em Lima
Peru, México e Chile, os países latino-americanos que integram o Apec (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), participarão da cúpula que o grupo realiza neste fim de semana, em Cingapura, com a intenção de ajudar seus parceiros a avançarem na liberalização do comércio e na reativação da economia.
Na cúpula de chefes de Estado e de governo do Apec, que começa amanhã (14), Peru e Chile também deverão apoiar a entrada no grupo de Colômbia, Costa Rica e Panamá, assim que expirar o veto ao ingresso de novos membros no bloco.
O Peru, que organizou com sucesso a cúpula do ano passado, espera que o Apec retome seu objetivo original, que é a liberalização do comércio, segundo o chanceler peruano, José García Belaúnde.
Não por acaso, o presidente do Peru, Alan García, que na segunda-feira (9) iniciou uma viagem pelo Japão e a Coreia do Sul, aproveitará o encontro em Cingapura para se reunir com governantes e empresários e enfatizar que o seu país pode ser a porta de entrada da Ásia na América do Sul.
García planeja se reunir com os presidentes da China, Hu Jintao, e de Cingapura, Sellapan Ramanathan, e também com o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejajiva --que assina hoje um tratado de livre comércio com o Peru.
Já o México, que tem entre os 20 países do Apec alguns de seus principais parceiros comerciais, tentará definir "iniciativas que facilitem a recuperação econômica" e "promovam a estabilidade, a segurança e a prosperidade" da região, segundo a Chancelaria mexicana.
Já que do Apec provém mais da metade dos investimentos estrangeiros diretos feitos no país, o Governo mexicano tem interesse em impulsionar temas como o fortalecimento do sistema multilateral de comércio, a conclusão da Rodada Doha, a luta contra a mudança climática, a segurança energética e a integração econômica regional.
O presidente do México, Felipe Calderón, já disse que, durante o encontro, reafirmará o apoio de sua nação "à promoção do comércio e dos investimentos, à melhora e à facilitação dos negócios, à cooperação econômica e tecnológica, aos esquemas de integração regional e à interligação logística e física dos países-membros do Apec".
Calderón também terá encontros com alguns presidentes da região Ásia-Pacífico e se reunirá com representantes da empresa Temasek Holdings e suas subsidiárias, com o objetivo de promover o investimento destas companhias em setores estratégicos do México.
O Chile, por sua vez, considera o Apec "o fórum global mais significativo do qual participa", segundo o subsecretário de Relações Exteriores, Alberto Van Klaveren. Em Cingapura, o país vai promover, principalmente, o fortalecimento da expansão na América Latina do chamado "Arco do Pacífico".
Van Klaveren ressaltou que esta tarefa deve ser liderada pelos três membros latino-americanos do Apec, motivo pelo qual propôs uma reunião entre os presidentes dessas nações em Cingapura.
"Temos interesse em que outros países latino-americanos possam ter uma relação mais intensa com a costa do Pacífico", daí a proposta dessa reunião, acrescentou o funcionário.
Já em Cingapura, o chanceler chileno, Mariano Fernández, disse em um simpósio que o Apec deve fortalecer o livre-comércio e fazer frente às tendências protecionistas que surgiram após a crise internacional.
Segundo Fernández, o Apec deveria fortalecer o livre comércio, em vez de recorrer a planos extraordinários e dispendiosos para reforçar suas economias.
Outro que estará presente na cúpula do Apec, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, afirmou que, embora a Colômbia ainda não seja membro do fórum, espera ingressar nele assim que expirar o prazo que proíbe novas adesões.
"É um tema que nos interessa, queremos estar na Ásia-Pacífico, queremos estar no Apec, e vamos aproveitar para nos reunir com líderes desses países e também apresentar a Colômbia nesse cenário", disse.
Além de reuniões com os chanceleres dos países da região, Bermúdez possivelmente se encontrará com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
Folha de São Paulo – 13.11.2009
Presidente da China pede maior liberação e adverte ao risco de protecionismo
da Efe
O presidente da China, Hu Jintao, advogou nesta sexta-feira por uma maior liberalização do comércio e investimentos e advertiu do perigo do protecionismo como grande ameaça ao frágil processo de recuperação da crise econômica.
"Devemos nos opor ao protecionismo em todas suas manifestações [...] especialmente as restrições injustas contra os países em vias de desenvolvimento", disse Hu em Cingapura perante uma reunião de líderes empresariais do Apec (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico).
O líder chinês ressaltou que a crise não terminou e que ainda não se encontraram soluções aos problemas que a provocaram, pelo que a recuperação da recessão está cheia de "incertezas e fatores de desestabilização".
Hu também indicou que a China procura aumentar sua demanda interna, especialmente o consumo das famílias, para assumir seu papel de economia destinada a liderar a recuperação global, da qual, segundo sua opinião, se viram "bons sinais de cada vez maior confiança e cooperação".
Um dos assuntos principais da agenda das reuniões do Apec em Cingapura foi precisamente o papel do gigante asiático como cabeça visível dos esforços de todo o continente por tirar a economia mundial da recessão.
Durante seu discurso, o presidente da China omitiu qualquer referência à cotação do iuane, que segundo muitos países a China mantém artificialmente baixa a fim de proteger suas exportações.
Essa política, unida à fraqueza do dólar, é motivo de crescente preocupação entre as economias asiáticas, que receiam que Pequim intervenha em sua moeda para garantir que o preço dos produtos chineses continue sendo competitivo nos mercados internacionais.
Folha de São Paulo – 13.11.2009
Economia europeia se recupera após mais de um ano e sai da recessão
da Folha Online
A economia europeia se recuperou após mais de um ano em recessão, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Eurostat, a agência europeia de estatísticas. O PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro teve crescimento de 0,4% no terceiro trimestre na comparação com o segundo, após cinco trimestres de contração.
A UE (União Europeia) como um todo, por sua vez, teve crescimento de 0,2%, também em relação ao segundo trimestre.
No segundo trimestre, a economia da zona do euro havia registrado queda de 0,2%, em relação ao primeiro, e a UE teve queda de 0,3% na mesma leitura.
Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o PIB da zona do euro teve queda de 4,1%, e a UE, queda de 4,3%. No segundo trimestre deste ano, a zona do euro recuou 4,8% e a UE 4,9%, em relação ao período de abril a junho de 2008.
Alemanha e França cresceram 0,7% e 0,3% respectivamente, e confirmaram no terceiro trimestre os números positivos que já haviam registrado entre abril e junho. Outra economia de peso, a da Itália, cresceu 0,6% frente ao trimestre anterior.
Espanha (queda de 0,3%) e Reino Unido (queda de 0,4%) continuaram com números negativos, mas com dados melhores do que nos três meses anteriores.
Todos os países para os quais há dados disponíveis viram suas economias caírem em termos anualizados --a da Alemanha registrou baixa em relação ao ano anterior de 4,8 % (um ponto percentual a menos do que no trimestre precedente) e a França, de 2,4% (0,5 ponto percentual a menos).
A economia do Reino Unido se contraiu 5,2% em termos anualizados (5,5% nos três meses anteriores); a da Itália, 4,6% (5,9% no trimestre anterior); e a da Espanha, 4% (0,2 ponto percentual a menos).
As piores evoluções anualizadas entre os 27 países da UE são as de Estônia e Lituânia, com quedas em torno dos 15%. No entanto, a Lituânia foi o país que mais cresceu nos três últimos meses em relação ao trimestre anterior, com um aumento de 6% no PIB.
A zona do euro é atualmente formada por Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta e Portugal.
A União Europeia inclui, além destes, Bulgária, Dinamarca, Reino Unido, República Tcheca, Suécia, Polônia, Hungria, Romênia, Estônia, Lituânia e Letônia.
Indicadores
Apesar da relativa recuperação na economia, o desemprego na zona do euro registrou nova alta em setembro, atingindo 9,7%, a maior desde janeiro de 1999. Na UE, a taxa chegou a 9,2%, maior desde janeiro de 2000. Segundo a Eurostat, 22,123 milhões de pessoas na UE estavam desempregadas, das quais 15,324 milhões vivem em países da zona do euro.
Entre os países do bloco, as menores taxas de desemprego foram as registradas na Holanda (3,6%) e Áustria (4,8%); mas maiores foram as observadas na Letônia (19,7%) e Espanha (19,3%).
As vendas no varejo da zona do euro também desapontaram em setembro, com queda de 0,7% contra agosto, maior desde outubro de 2008. Em relação a setembro do ano passado, as vendas caíram 3,6%. Economistas consultados pela Reuters previam uma alta de 0,2% sobre agosto e uma queda de 2,4% ante setembro do ano passado.
A Eurostat ainda estimou que os preços ao consumidor na zona do euro devem apontar queda anual de 0,1% em outubro, segundo dados preliminares. Em setembro os preços já haviam registrado deflação, de 0,3%. Se confirmado, o dado vai apontar o quinto recuo consecutivo na leitura anual.
Previsões
Ontem, o conselho do BCE (Banco Central Europeu) informou em seu boletim mensal que espera uma recuperação gradual da economia na zona do euro em 2010, mas reconhece que o panorama continua incerto. No documento, o BCE afirmou que a taxa básica de juros atual (em 1% ao ano) é "apropriada" e que as expectativas de inflação a médio e longo prazo se ajustam à meta de mantê-la abaixo, mas próxima, de 2%.
No último dia 3, a Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, divulgou relatório trimestral no qual informou que espera uma recuperação gradual da economia na zona do euro, com uma saída da recessão a partir do terceiro trimestre, seguida de um crescimento de 0,7% em 2010 e de 1,5% em 2011.
A saída da economia da UE da recessão "se deve, em grande parte, às medidas ambiciosas adotadas pelos governos, bancos centrais e a UE, que não apenas permitiram evitar o afundamento do sistema, mas também favoreceram a retomada", afirmou então o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Joaquín Almunia.
Folha Online – 13.11.2009
FMI descarta outra recessão nos EUA e diz que o mundo retoma crescimento
da France Presse, em Cingapura
O diretor-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Khan, descartou nesta sexta-feira em Cingapura a possibilidade de uma nova recessão nos Estados Unidos com o fim do plano de recuperação orçamentária, e destacou que a economia mundial está crescendo.
Ao ser questionado se a economia americana pode voltar a cair em uma recessão com o fim, em 2010, do plano de recuperação, Strauss-Khan respondeu de maneira negativa.
"Não acredito que um cenário de una recaída seja provável. Há algum risco, mas não acredito que aconteça", declarou Strauss-Kahn na reunião anual do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que acontece em Cingapura.
Ao comentar a situação da economia mundial, o diretor do FMI disse que está no caminho do crescimento, mas admitiu que 2010 e 2011 terão índices menores que os registrados antes da crise.
Folha de São Paulo – 13.11.2009
PIB da Itália cresce 0,6% no trimestre e sai da recessão
da Folha Online
da Efe, em Roma
A economia da Itália registrou crescimento de 0,6% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o segundo, marcando o primeiro resultado positivo após cinco trimestres de queda. Com o resultado, o país sai recessão. Os dados (preliminares) foram apresentados hoje pelo Istat (Instituto Nacional de Estatística, na sigla em italiano).
O PIB (Produto Interno Bruto) do país, no entanto, registrou contração de 4,6% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
A expansão trimestral na comparação com o período e abril a junho é a maior alta desde o quarto trimestre de 2006. A retração anualizada, por sua vez, foi menor que a do segundo trimestre de 2009, quando o PIB encolheu 6% na comparação com o período de abril a junho de 2008.
Em julho, o governo italiano divulgou uma estimativa de queda de 5,2% para o PIB italiano neste ano. Já no início de agosto, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que a Itália é o primeiro país da Europa com "sinais de recuperação" econômica, baseando-se em dados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) divulgados então.
Em relatório divulgado à época, a OCDE anunciou ter registrado "sinais mais fortes de melhora" nas perspectivas econômicas dos países da organização (da qual a Itália faz parte). O indicador referente ao país europeu ficou em 103,3 pontos (2,2 pontos acima da leitura anterior).
A Eurostat, a agência europeia de estatísticas, informou hoje que a economia da zona do euro teve crescimento de 0,4% no terceiro trimestre na comparação com o segundo, após cinco trimestres de contração. A UE (União Europeia) como um todo, por sua vez, teve crescimento de 0,2%, também em relação ao segundo trimestre.
Folha Online – 13.11.2009
Zona do euro cresce 0,4% no 3º tri e sinaliza fim da recessão
Nathália Ferreira, da Agência Estado
LONDRES - A economia da zona do euro (grupo dos 16 países que adotam o euro como moeda) cresceu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2008 no período de julho a setembro, em 0,4% ante o segundo trimestre, mostraram dados preliminares da agência de estatísticas Eurostat. Em comparação anual, o PIB sofreu contração de 4,1% no terceiro trimestre. Com o resultado, a região reencontra o caminho do crescimento e sinaliza o fim do maior período recessivo desde a 2ª Guerra Mundial.
Economistas, no entanto, esperavam um crescimento mais robusto, de 0,6% em base trimestral, e uma contração menor, de 3,9% em comparação anual. No segundo trimestre, o PIB caiu 0,2% ante o primeiro e encolheu 4,8% ante igual intervalo de 2008.
Com o crescimento do terceiro trimestre, a zona do euro junta-se aos Estados Unidos, cuja economia cresceu pela primeira vez em mais de um ano no período de julho a setembro graças a uma retomada nos gastos de consumo. O dado norte-americano também serviu como uma confirmação não oficial de que a mais longa e profunda recessão no país desde a Grande Depressão terminou. O mercado de trabalho fraco, contudo, deve manter a recuperação dos EUA lenta. A taxa de desemprego no país subiu de 9,8% em setembro para 10,2% em outubro, o maior nível desde abril de 1983.
Alemanha mantém crescimento
A economia alemã continuou a se recuperar da recessão no terceiro trimestre, impulsionada pelas exportações e investimentos em equipamentos e construções. O Produto Interno Bruto (PIB) real cresceu 0,7% ante o segundo trimestre, ajustado por dias úteis, levemente abaixo da projeção de economistas de expansão de 0,8%, segundo dados do Escritório Federal de Estatísticas.
O terceiro trimestre marcou o segundo aumento trimestral consecutivo, embora o consumo privado tenha pesado, informou o escritório. A atividade econômica geral continua baixo, com o PIB encolhendo 4,8% na comparação com o terceiro trimestre de 2008, ajustado por dias úteis.
O escritório de estatísticas revisou os números referentes ao segundo trimestre. A economia da Alemanha cresceu 0,4% no segundo trimestre frente ao primeiro, acima do crescimento de 0,3% divulgado anteriormente. Em base anual, o PIB caiu 5,8% no segundo trimestre, ante queda de 5,9% divulgada anteriormente.
França cresce, mas governo mantém incentivos
O PIB da França, por sua vez, cresceu 0,3% no terceiro trimestre ante o trimestre imediatamente anterior, no segundo trimestre consecutivo de expansão, mostraram dados do governo. Economistas consultados pela Dow Jones esperavam crescimento de 0,7%.
As exportações cresceram 2,3% no terceiro trimestre e o setor externo contribuiu em 0,4% para o crescimento econômico geral, mostraram os dados. O consumo das famílias, principal pilar da economia francesa, aumentou 0,3% no terceiro trimestre, mesma alta registrada no segundo. Os investimentos caíram 1,4%, após declínio de 1,2% no segundo trimestre.
A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, disse que a economia deve ganhar fôlego nos últimos três meses do ano. "Isso confirma a ideia de que nossa economia começou a se recuperar", afirmou Lagarde à rádio Europe 1 antes da divulgação dos números oficiais. Ela acrescentou que o governo está estendendo seu plano de estímulo ao longo do próximo ano. Apenas depois disso as finanças públicas estarão consolidadas, disse ela. As informações são da Dow Jones.
Agência Estado – 13.11.2009
América Latina deve crescer 3% em 2010, prevê BID
Reuters
CINGAPURA - A América Latina deve crescer cerca de 3% no ano que vem, à medida que a região se recupera da crise mundial, previu o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) nesta sexta-feira, 13.
"Nós estamos falando de uma recuperação de cerca de 3% para toda a região. Obviamente, alguns (países) vão crescer mais rapidamente, como o Brasil", disse o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, à Reuters nos corredores da reunião da APEC em Cingapura.
A América Latina tem sido impulsionada pela crescente demanda por suas exportações de commodities, mas Moreno disse que medidas anticíclicas como gastos em infraestrutura por parte dos governos da região também estavam ajudando a recuperação de sua economia.
"Alguns países na América do Sul foram os últimos a sentir o impacto da crise, mas os primeiros a ver uma recuperação", disse ele.
Segundo ele, a América Latina ainda enfrenta desafios com a baixa demanda dos consumidores dos Estados Unidos, que, no passado, foram um dos combustíveis econômicos da região.
O BID tinha previsto que a economia da América Latina poderia encolher 2% neste ano.
Moreno ainda disse que o BID deve distribuir 12 bilhões de dólares em empréstimos em 2009 e por volta de 10 bilhões no ano que vem, majoritariamente em países como Brasil, México, Argentina e Colômbia.
OESP – 13.11.2009
Nenhum comentário:
Postar um comentário