terça-feira, 28 de agosto de 2012

 
NOTÍCIAS
 
Com greve, Anvisa notifica empresas sobre falta de remédios
 
DE BRASÍLIA
 
Em meio a notícias de um possível desabastecimento de remédios no país por conta da greve de servidores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a agência informou ter notificado 14 empresas do ramo farmacêutico para que expliquem, em até 24 horas, a situação de seus estoques.
 
Segundo a nota da Anvisa, medicamentos desses laboratórios foram citados em matérias, nas últimas semanas, como em falta em farmácias e hospitais. Os produtos citados variam de insulina a remédios contra o câncer.
 
O governo nega, enfaticamente, que a greve tenha impactado na oferta de medicamentos. Apesar disso, médicos e pacientes têm ouvido de fornecedores que há falta de determinados produtos em decorrência da paralisação das atividades da agência.
 
O setor de exames laboratoriais também aponta falta de produtos, o que impossibilitou a realização de alguns exames pelo país e fez com que os exames mais urgentes fossem enviados para análises no exterior.
 
NEGOCIAÇÕES
 
Durante o fim de semana, o Ministério do Planejamento fez várias rodadas de negociação. Além das agências reguladoras, foram recebidos representantes dos funcionários do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), da área de infraestrutura, de gestão e fiscalização, do meio ambiente, controladores de voo, servidores do Itamaraty e fiscais agropecuários.
 
Servidores da base do funcionalismo público federal devem aceitar hoje o acordo proposto pelo governo --e assim, reduzir de forma expressiva o número de funcionários de braços cruzados.
 
As carreiras que indicaram ter aceitado a oferta do Ministério do Planejamento são de cargos administrativos em ministérios e órgãos vinculados, com salários mais baixos do que outras categorias que reivindicam aumento.
 
Servidores das agências reguladoras e agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal, ainda não têm data para suspensão da greve.
 
Na segunda-feira (27), servidores da Fiocruz, fundação vinculada ao Ministério da Saúde, do Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e do Itamaraty decidiram aceitar a oferta de reajuste oferecida pelo governo a categorias do funcionalismo público federal.
 
Os servidores públicos federais no Distrito Federal também decidiram aceitar a oferta e encerrar a greve. (JOHANNA NUBLAT)
 
Folha de São Paulo – 28.08.2012
 
 
PF recusa proposta e deve intensificar greve
 
Servidores preparam calendário de manifestações pelo País; categorias anunciam hoje se fecham acordo com governo e encerram paralisação
 
VANNILDO MENDES / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
 
Foi frustrante para o governo a primeira notícia recebida dos servidores federais, após as negociações para pôr fim à greve que tumultua os serviços públicos há mais de três meses. Integrantes da Polícia Federal, primeiros a concluírem a consulta às bases, recusaram ontem a proposta de 15,8% de reajuste, em três parcelas anuais de 5%. Decidiram preparar calendário de greves e protestos até o fim do ano.
 
Como consequência, serviços como emissão de passaportes e de registro de armas ficarão ainda mais prejudicados em locais como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, onde há grandes filas. Serão afetadas investigações de rotina e operações de combate à corrupção e ao crime organizado. O controle do tráfico de drogas e armas nas fronteiras também deve ser prejudicado.
 
A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) informou que a categoria dispensa o reajuste e não abre mão da restruturação da carreira e sua equiparação com as demais categorias de nível superior. "Desde o início deixamos claro que não estamos negociando índice, mas sim a reestruturação da carreira. Não queremos esse aumento, nossa luta é antiga e independe desse prazo de 31 de agosto", afirmou o diretor de Estratégia Sindical da entidade, Paulo Paes.
 
Hoje, só delegados têm o reconhecimento de carreira de nível superior. Agentes, escrivães, papiloscopistas e servidores administrativos ganham como profissionais de nível médio, embora se exija deles curso superior. Caso a medida fosse adotada, o impacto seria de mais de 60% na folha salarial de mais de 10 mil policiais. O governo não admite abrir exceção.
 
A situação tende a se acirrar porque a presidente Dilma Rousseff já avisou que não aceitará prejuízos à segurança pública, ilegalidades ou excessos dos policiais, que costumam usar armas nos seus protestos. Ela determinou que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, corte o ponto dos faltosos e puna com rigor, inclusive com demissão, os que cometerem excessos.
 
Definição. Termina hoje o prazo para que todas as categorias respondam se aceitam o índice linear de 15,8% oferecido pelo governo. As que rejeitarem ficarão sem aumento no Orçamento de 2013, cujo projeto de lei será enviado pelo Executivo ao Congresso na sexta-feira.
 
Até agora, saíram da greve docentes e técnicos das instituições federais de ensino, além dos agentes do Departamento Penitenciário Nacional.
 
Dirigentes sindicais dos servidores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) comunicaram que vão assinar o acordo, mesma posição sinalizada pelos fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura.
 
A maior parte das categorias fazia consultas às bases ontem. A tendência é que a maioria assine o acordo e encerre a greve.
 
OESP – 28.08.2012

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