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Pesadelos de Dilma
O segundo semestre prometia tempos difíceis para a presidente
Dilma Rousseff. Estava marcado o julgamento do mensalão. Havia um sinal, mas
não estava na agenda a crescente mobilização de servidores públicos por aumento
de salários com potencial de repercussões fiscais pra lá de relevantes.
Totalmente fora do programa estava a manifestação de caminhoneiros que se
espalhou pelas estradas brasileiras contra mudanças recentes na jornada de trabalho
previstas no Estatuto do Motorista. Ontem o governo cedeu e os caminhoneiros
decidiram suspender os bloqueios. Com essas pressões, a perspectiva de que o
governo poderia se dedicar integralmente a novas medidas de incentivo ao
crescimento econômico não parece verdadeira. E não por falta de vontade do
governo. Falta tempo.
O governo segue focado na necessidade de patrocinar o investimento
e puxar a economia, mas passou a ser atordoado pela paralisação parcial do
funcionalismo há mais de 40 dias em busca de um aumento linear de 22% para
todas as categorias. Os professores de universidades federais são os
recordistas. Estão em greve há 80 dias. A presidente tem um problema e é
arriscado prever o desfecho. O governo deve apresentar uma posição ao pedido de
reajuste salarial à Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal
na semana de 13 de agosto. Está longe, portanto, a definição desses gastos
possíveis ou prováveis em 2013 que passarão a ser embutidos nos cálculos de
projeções de indicadores macroeconômicos.
Hoje, o movimento será turbinado. Os servidores federais do
Judiciário no Distrito Federal aderem à paralisação dos funcionários públicos.
E já foi aprovada pela Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário
Federal um indicativo de greve para a categoria em todo o país. Em Mato Grosso
e Rio de Janeiro, os servidores dessa categoria param daqui a uma semana – em 8
de agosto.
Também em 8 de agosto, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais
da Receita Federal do Brasil pode realizar uma paralisação nacional de 24 horas
nas repartições aduaneiras da instituição, inclusive na sede, em Brasília. Essa
parada será definida hoje em assembleias nas delegacias da Receita Federal em
todo o país.
Paralelamente à greve, nesta quarta-feira, 31 entidades nacionais
que representam os servidores públicos realizam um encontro para decidir qual
medida adotar contra a substituição de servidores em greve por funcionários
estaduais ou municipais. Essa possibilidade de substituição – colocada pelo
Decreto 7.777, publicado há dez dias – se transformou em outro tormento. A
Central Única dos Trabalhadores (CUT) já se posicionou contra e pelo menos duas
entidades nacionais admitem contestar o texto na Justiça.
Esse ambiente conflagrado não é o que se pode chamar de ideal para
um governo empenhado em despertar o ânimo do empresariado para investir – um
convite recorrente na gestão da presidente Dilma. Os meses antecedentes às
eleições costumam ser tradicionalmente mais conturbados, pela estratégia das
entidades sindicais de apostar na maior atenção dos atores políticos às
reivindicações trabalhistas e sociais. Desta vez, os ingredientes econômicos,
marcados pelo indigesto declínio da atividade e do emprego, não contribuem para
que o governo ostente um cardápio mais atraente e faça da economia sua peça de
resistência política, como no período do ex-presidente Lula. Tudo somado, o
saldo pode ser traduzido pelo duplo desafio de equilibrar agendas negativas
tanto na política como na economia.
Em tempo: a boa notícia é que entra em vigor nesta quarta-feira a
desoneração da folha de pagamentos de 15 setores da economia brasileira.
Valor Econômico – 01.08.2012
Sindicato de policiais federais aprova indicativo de
greve
DE
SÃO PAULO
O
conselho de representantes da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais
Federais) aprovou na manhã desta quarta-feira (1º) um indicativo de greve da
categoria.
De
acordo com nota do sindicato, as representações da entidade nos Estados deverão
determinar quais ações serão realizadas na próxima semana.
Outras
categorias do funcionalismo público federal também estão em greve.
A
federação afirma que os policiais devem realizar operações padrão nas
fronteiras, aeroportos e portos.
Os
policiais pedem a saída do atual diretor geral da PF, Leandro Daiello, a
reestruturação salarial e da carreira.
A
categoria diz que está há três anos em negociação com o governo.
Na
semana passada, servidores da PF fizeram um protesto pela saída de Daiello.
Segundo
organizadores do movimento, cerca de 300 servidores foram à sede da Polícia
Federal para pedir uma reestruturação da carreira.
Folha de São Paulo – 01.08.2012
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