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Greves de servidores afetam
estoque de farmácias na região de Campinas
Matérias-prima
importadas demoram até 25 dias para serem liberadas.
O
preço final de remédios manipulados pode aumentar em média 50%.
As
greves dos funcionários da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) afetam os estoques de insumos e matérias-prima das farmácias
de manipulação da região de Campinas (SP). Os servidores da Anvisa permanecem
há 27 dias em greve. Já a da Polícia Federal começou no dia 7 de agosto.
Segundo
o Sindicato dos Proprietários de Farmácias, Drogarias e Distribuidoras de
Medicamentos de Campinas e região (Sincomed), as cargas permanecem mais tempo
para serem liberadas e os estabelecimentos enfrentam dificuldades para
encontrar insumos e matérias-prima para a manipulação de remédios.
Errol
Wilson, presidente do Sincomed, contou que os produtos importados parados nos
portos, que representam 80% das matérias-prima vindas para o Brasil, é o setor
mais preocupante. "Tem demorado muito, até 25 dias. Os produtos têm prazo
e se ficarem muito tempo atracados, perde-se a matéria-prima".
Segundo
o farmacêutico Valdir Venciguerra, de Sumaré (SP), o estabelecimento sofre com
a escassez no mercado que causa aumento nos preços dos produtos. "Um
hormônio que pagamos em média R$ 37 mil por quilo, agora conseguimos achar só
por R$ 76 mil por quilo", afirmou.
Ele
afirmou que as farmácias buscam diminuir a margem de lucro, mas que nem toda a
elevação do custo consegue ser absorvida com esse recurso. “Os reflexos dessa
greve vão continuar por alguns meses até o mercado se normalizar”, contou.
Luiz
Carlos Gomes, dono de uma farmácia de manipulação em Campinas (SP), informou
que tenta buscar fornecedores em todo país, mas que isso encarece o produto.
"Se eu tenho que comprar fora do estado de São Paulo, o produto encarece
por conta do transporte e dos impostos", relatou.
G1
Campinas e Região – 12.08.2012
'Elite do funcionalismo' protagoniza greve e protestos contra governo
Dilma
Cargos de confiança tentam garantir funcionamento da administração
WILSON TOSTA / RIO , JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, WILSON TOSTA / RIO , JOÃO
DOMINGOS / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
A série de paralisações que atinge serviços federais e desafia o governo
da presidente Dilma Rousseff é protagonizada por servidores cujas carreiras têm
salários iniciais em torno de R$ 10 mil. Em algumas categorias, como a dos
auditores fiscais da Receita Federal, essas cifras chegam perto dos R$ 20 mil
no topo da carreira.
Uma análise dos dados do Ministério do Planejamento mostra um pouco do
que pode ser o impacto dos aumentos reivindicados pelos servidores na folha de
pagamento. Mais da metade (53%) dos funcionários do Executivo ganha acima de R$
4.500 mensais - 16,2% do total recebe mais de R$ 10.500, segundo números de
abril de 2012. Menos de 20% (18,5%) dos servidores ganham até R$ 3 mil no
Poder.
Essas cifras, assinaladas no Boletim Estatístico de Pessoal de maio,
incluem administração direta, fundações e autarquias, mas excluem o Ministério
Público da União, Banco Central, empresas públicas e sociedades de economia
mista. Apesar de pequenas variações - a folha cresce vegetativamente todo mês
-, são bem próximas do que ocorre hoje, segundo o Planejamento.
Agências. Um dos grupos mais fortemente mobilizados do movimento
grevista, o funcionalismo das agências reguladoras recebe, no seu grupo de
elite - o cargo de especialista - salários que, do início ao fim da carreira,
vão de R$ 10.019 a R$ 17.479. Nos postos de analista, a remuneração vai de R$
9.623 a R$ 16.367, e em postos de nível superior, varia de R$ 7.285 a R$
12.131. Profissionais de nível médio, com cargos de técnico administrativo,
recebem de R$ 4.760,18 a R$ 7.664,76.
O Sinagências, representante desses servidores, diz que há defasagem de
25% desde 2008 e pede a remuneração por subsídio, como nas carreiras jurídicas,
na diplomacia e na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
No Banco Central, um analista, cargo de nível superior, começa com R$
12.960,77 e vai a R$ 18.478,45 no fim da carreira, segundo Tabela de
Remuneração dos Servidores Públicos Federais - Caderno n.º 58 - 2012.
Um procurador do BC inicia sua trajetória no órgão com R$ 14.970 e, se
chegar ao topo da carreira, terá R$ 19.451. Um técnico vai de R$ 4.917,
remuneração dos novatos, a R$ 8.449. Todas essas cifras não incorporam outros
benefícios eventuais. O Sindicato Nacional de Funcionários do BC reivindica 23%
de aumento para repor perdas inflacionárias dos últimos anos.
Topo. Os vencimentos pagos no BC, porém, são superados pelos de outros
órgãos públicos, cujos servidores também participam do movimento geral por
aumento de salários, alegando perdas inflacionárias nos últimos anos. Os
auditores fiscais da Receita Federal do Brasil começam com R$ 13.600 e, no fim
da carreira, chegam a R$ 19.451 - o mesmo que é pago aos auditores fiscais do
Trabalho. Os auditores da Receita querem 30,18% de aumento, alegando que sua
última recomposição salarial foi concedida em 2008 e parcelada até 2010 - em
2011 e em 2012 não tiveram aumento. Já os analistas tributários vão de R$ 7.996
a R$ 11.595, remuneração próxima da que é paga aos agentes da Polícia Federal -
que pararam por três dias na semana passada, pedindo novo plano de carreira.
Os agentes federais ganham de R$ 7.514 no início a R$ 11.879,08 no fim.
Além de reestruturação na carreira, pedem a demissão do diretor-geral da PF,
delegado Leandro Daiello Coimbra.
Delegados, do início ao fim da carreira, recebem de R$ 13.368 a R$
19.699 e querem reajustes idênticos aos magistrados. Mostram-se, porém,
solidários a Daiello.
Base. Por outro lado, professores das universidades federais, que formam
uma das categorias mais mobilizadas e estão em greve desde 17 de maio, figuram
entre as categorias de nível superior com piores remunerações no serviço
público. Um professor com doutorado recebe R$ 3.622, em regime de 20 horas -
sem considerar a proposta apresentada pelo governo. Se trabalhar em dedicação
exclusiva, ganha R$ 12.225. Isso é menos do que recebe um pesquisador em
informações estatísticas e geográficas do IBGE - R$ 14.176 - também com
doutorado, no fim de sua carreira.
OESP – 12.08.2012
Líderes das mobilizações recebem os salários mais altos
DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Os sindicalistas que se notabilizam no movimento de greve e paralisações
pelo País estão entre os que recebem os salários mais altos no conjunto dos
servidores públicos da União. É o caso, por exemplo, dos delegados da Polícia
Federal.
O vice-presidente da associação nacional que representa a categoria,
Guilherme Bezerra, recebe por mês R$ 21,8 mil brutos, segundo informações do
Portal da Transparência. Um iniciante na carreira parte dos R$ 13,3 mil, de
acordo com o edital de concurso público deste ano.
Já os auditores fiscais da Receita Federal que ingressam hoje na
profissão começam ganhando R$ 13,6 mil. O presidente do sindicato que luta por
reajustes salariais dessa classe, Pedro Delarue, recebeu brutos, no mês de
junho, R$ 19,4 mil, incremento conquistado com seu tempo de exercício.
Analistas do Banco Central também dispõem de remuneração desejada por
boa parte do funcionalismo público. Um recém-concursado tem salário inicial de
aproximadamente R$ 13 mil, podendo superar consideravelmente seus ganhos, assim
como fez o presidente do sindicato do Bacen, Sergio Belsito, que recebe R$ 20,5
mil brutos.
O líder. Foco de greve no Ministério da Agricultura, o rendimento
inicial de um fiscal agropecuário pode chegar hoje a cerca de R$ 10 mil. O
líder número um do sindicato que defende a classe, Wilson Roberto de Sá, tem
vencimento de R$ 17,9 mil mensais.
Por fim, no Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de
Regulação, que representa órgãos fundamentais como Anvisa, por exemplo, o
vice-presidente do órgão sindical, Osvaldo Barbosa Ferreira Filho, recebe todo
mês cerca de R$ 15 mil.
OESP – 12.08.2012
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