segunda-feira, 13 de agosto de 2012


NOTÍCIAS

Greves de servidores afetam estoque de farmácias na região de Campinas

Matérias-prima importadas demoram até 25 dias para serem liberadas.

O preço final de remédios manipulados pode aumentar em média 50%.

As greves dos funcionários da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afetam os estoques de insumos e matérias-prima das farmácias de manipulação da região de Campinas (SP). Os servidores da Anvisa permanecem há 27 dias em greve. Já a da Polícia Federal começou no dia 7 de agosto.

Segundo o Sindicato dos Proprietários de Farmácias, Drogarias e Distribuidoras de Medicamentos de Campinas e região (Sincomed), as cargas permanecem mais tempo para serem liberadas e os estabelecimentos enfrentam dificuldades para encontrar insumos e matérias-prima para a manipulação de remédios.

Errol Wilson, presidente do Sincomed, contou que os produtos importados parados nos portos, que representam 80% das matérias-prima vindas para o Brasil, é o setor mais preocupante. "Tem demorado muito, até 25 dias. Os produtos têm prazo e se ficarem muito tempo atracados, perde-se a matéria-prima".

Segundo o farmacêutico Valdir Venciguerra, de Sumaré (SP), o estabelecimento sofre com a escassez no mercado que causa aumento nos preços dos produtos. "Um hormônio que pagamos em média R$ 37 mil por quilo, agora conseguimos achar só por R$ 76 mil por quilo", afirmou.

Ele afirmou que as farmácias buscam diminuir a margem de lucro, mas que nem toda a elevação do custo consegue ser absorvida com esse recurso. “Os reflexos dessa greve vão continuar por alguns meses até o mercado se normalizar”, contou.

Luiz Carlos Gomes, dono de uma farmácia de manipulação em Campinas (SP), informou que tenta buscar fornecedores em todo país, mas que isso encarece o produto. "Se eu tenho que comprar fora do estado de São Paulo, o produto encarece por conta do transporte e dos impostos", relatou.

G1 Campinas e Região – 12.08.2012


'Elite do funcionalismo' protagoniza greve e protestos contra governo Dilma

Cargos de confiança tentam garantir funcionamento da administração

WILSON TOSTA / RIO , JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, WILSON TOSTA / RIO , JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A série de paralisações que atinge serviços federais e desafia o governo da presidente Dilma Rousseff é protagonizada por servidores cujas carreiras têm salários iniciais em torno de R$ 10 mil. Em algumas categorias, como a dos auditores fiscais da Receita Federal, essas cifras chegam perto dos R$ 20 mil no topo da carreira.

Uma análise dos dados do Ministério do Planejamento mostra um pouco do que pode ser o impacto dos aumentos reivindicados pelos servidores na folha de pagamento. Mais da metade (53%) dos funcionários do Executivo ganha acima de R$ 4.500 mensais - 16,2% do total recebe mais de R$ 10.500, segundo números de abril de 2012. Menos de 20% (18,5%) dos servidores ganham até R$ 3 mil no Poder.

Essas cifras, assinaladas no Boletim Estatístico de Pessoal de maio, incluem administração direta, fundações e autarquias, mas excluem o Ministério Público da União, Banco Central, empresas públicas e sociedades de economia mista. Apesar de pequenas variações - a folha cresce vegetativamente todo mês -, são bem próximas do que ocorre hoje, segundo o Planejamento.

Agências. Um dos grupos mais fortemente mobilizados do movimento grevista, o funcionalismo das agências reguladoras recebe, no seu grupo de elite - o cargo de especialista - salários que, do início ao fim da carreira, vão de R$ 10.019 a R$ 17.479. Nos postos de analista, a remuneração vai de R$ 9.623 a R$ 16.367, e em postos de nível superior, varia de R$ 7.285 a R$ 12.131. Profissionais de nível médio, com cargos de técnico administrativo, recebem de R$ 4.760,18 a R$ 7.664,76.

O Sinagências, representante desses servidores, diz que há defasagem de 25% desde 2008 e pede a remuneração por subsídio, como nas carreiras jurídicas, na diplomacia e na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

No Banco Central, um analista, cargo de nível superior, começa com R$ 12.960,77 e vai a R$ 18.478,45 no fim da carreira, segundo Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais - Caderno n.º 58 - 2012.

Um procurador do BC inicia sua trajetória no órgão com R$ 14.970 e, se chegar ao topo da carreira, terá R$ 19.451. Um técnico vai de R$ 4.917, remuneração dos novatos, a R$ 8.449. Todas essas cifras não incorporam outros benefícios eventuais. O Sindicato Nacional de Funcionários do BC reivindica 23% de aumento para repor perdas inflacionárias dos últimos anos.

Topo. Os vencimentos pagos no BC, porém, são superados pelos de outros órgãos públicos, cujos servidores também participam do movimento geral por aumento de salários, alegando perdas inflacionárias nos últimos anos. Os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil começam com R$ 13.600 e, no fim da carreira, chegam a R$ 19.451 - o mesmo que é pago aos auditores fiscais do Trabalho. Os auditores da Receita querem 30,18% de aumento, alegando que sua última recomposição salarial foi concedida em 2008 e parcelada até 2010 - em 2011 e em 2012 não tiveram aumento. Já os analistas tributários vão de R$ 7.996 a R$ 11.595, remuneração próxima da que é paga aos agentes da Polícia Federal - que pararam por três dias na semana passada, pedindo novo plano de carreira.

Os agentes federais ganham de R$ 7.514 no início a R$ 11.879,08 no fim. Além de reestruturação na carreira, pedem a demissão do diretor-geral da PF, delegado Leandro Daiello Coimbra.

Delegados, do início ao fim da carreira, recebem de R$ 13.368 a R$ 19.699 e querem reajustes idênticos aos magistrados. Mostram-se, porém, solidários a Daiello.

Base. Por outro lado, professores das universidades federais, que formam uma das categorias mais mobilizadas e estão em greve desde 17 de maio, figuram entre as categorias de nível superior com piores remunerações no serviço público. Um professor com doutorado recebe R$ 3.622, em regime de 20 horas - sem considerar a proposta apresentada pelo governo. Se trabalhar em dedicação exclusiva, ganha R$ 12.225. Isso é menos do que recebe um pesquisador em informações estatísticas e geográficas do IBGE - R$ 14.176 - também com doutorado, no fim de sua carreira.

OESP – 12.08.2012


Líderes das mobilizações recebem os salários mais altos

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Os sindicalistas que se notabilizam no movimento de greve e paralisações pelo País estão entre os que recebem os salários mais altos no conjunto dos servidores públicos da União. É o caso, por exemplo, dos delegados da Polícia Federal.

O vice-presidente da associação nacional que representa a categoria, Guilherme Bezerra, recebe por mês R$ 21,8 mil brutos, segundo informações do Portal da Transparência. Um iniciante na carreira parte dos R$ 13,3 mil, de acordo com o edital de concurso público deste ano.

Já os auditores fiscais da Receita Federal que ingressam hoje na profissão começam ganhando R$ 13,6 mil. O presidente do sindicato que luta por reajustes salariais dessa classe, Pedro Delarue, recebeu brutos, no mês de junho, R$ 19,4 mil, incremento conquistado com seu tempo de exercício.

Analistas do Banco Central também dispõem de remuneração desejada por boa parte do funcionalismo público. Um recém-concursado tem salário inicial de aproximadamente R$ 13 mil, podendo superar consideravelmente seus ganhos, assim como fez o presidente do sindicato do Bacen, Sergio Belsito, que recebe R$ 20,5 mil brutos.

O líder. Foco de greve no Ministério da Agricultura, o rendimento inicial de um fiscal agropecuário pode chegar hoje a cerca de R$ 10 mil. O líder número um do sindicato que defende a classe, Wilson Roberto de Sá, tem vencimento de R$ 17,9 mil mensais.

Por fim, no Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação, que representa órgãos fundamentais como Anvisa, por exemplo, o vice-presidente do órgão sindical, Osvaldo Barbosa Ferreira Filho, recebe todo mês cerca de R$ 15 mil.

OESP – 12.08.2012

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