terça-feira, 14 de agosto de 2012


NOTÍCIAS

Policiais federais do Rio decidem manter greve

Douglas Corrêa
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Os policiais federais do Rio de Jeneiro reunidos em assembleia hoje (13) à noite decidiram continuar com a paralisação da categoria até a próxima quarta-feira (15). Os servidores federais em greve vão ter um encontro no Ministério do Planejamento e Gestão quando serão discutidas às reivindicações dos grevistas.

De acordo com o porta-voz do Sindicato dos Policiais Federais do Rio, André Tristão, a categoria vai promover nova manifestação amanhã (14), a partir das 8h30, na porta da Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, zona portuária da cidade, “usando carros de som, faixas e cartazes e pedindo aos funcionários que não aderiram ao movimento para se juntar aos grevistas”.

A paralisação iniciada na última terça-feira (7) tem por objetivo além do reajuste salarial, o reconhecimento pelo governo, das atribuições de nível superior, o que representa um aumento de 40% a 50% da remuneração.

Os agentes federais ameaçam promover novamente amanhã à tarde nova operação-padrão no setor de embarque internacional, do Terminal 1, do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão. Os agentes revistam todos os passageiros e passam um pente-fino na bagagem, o que pode provocar filas para quem vai viajar para o exterior.

No setor de emissão e retirada de passaportes o movimento está sendo prejudicado diariamente, porque apenas os casos de urgência estão sendo atendidos.

Edição: Rivadavia Severo

Agência Brasil – 13.08.2012


Analistas tributários da Receita paralisam as atividades por 24 horas

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A conferência de bagagens em portos e aeroportos e o atendimento aos contribuintes nas unidades da Receita Federal estarão prejudicados nesta terça-feira (14). Os analistas tributários do órgão promovem uma paralisação de 24 horas em protesto pela demora do governo federal em discutir as reivindicações salariais.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), a categoria quer que o governo apresente, até o fim do mês, uma proposta de reajuste que reponha as perdas desde 2008, quando houve o último acordo com o governo. A entidade reclama que, nos últimos quatro anos, as correções estão abaixo da inflação acumulada no período e que a categoria está em 107º lugar na lista de salários pagos a analistas do Poder Executivo.

Durante todo o dia, eles promoverão manifestações na frente do Ministério da Fazenda e nos prédios da Receita Federal em cada cidade. Esta é a segunda paralisação promovida por servidores do ministério nos últimos dias. Na semana passada, os técnicos e analistas do Tesouro Nacional cruzaram os braços por dois dias e suspenderam as vendas de títulos do Tesouro Direto – programa que oferece papéis do governo a pessoas físicas pela internet.

Carreira de nível superior, os analistas tributários se juntam aos auditores fiscais da Receita Federal, que estão em operação-padrão desde 18 de junho. Encarregados de promover operações de fiscalização contra sonegações e contrabandos, os auditores reivindicam reajuste de 30,19%. A mobilização afeta a liberação de cargas em portos e aeroportos.

Por meio da assessoria de imprensa, a Receita Federal informou que não comenta greves e paralisações.

Edição: Graça Adjuto

Agência Brasil14.08.2012


FHC apoia endurecimento de Dilma com grevistas

DAIENE CARDOSO - Agência Estado

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saiu nesta terça em defesa da postura da presidente Dilma Rousseff em manter resistência às reivindicações dos servidores federais em greve. Em palestra nessa manhã em São Paulo, promovida pelo Fundo Nacional da Qualidade (FNQ), FHC lembrou que o governo Dilma enfrenta dificuldades financeiras e que sua situação é distinta do período governado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"A presidente Dilma está num momento de dificuldade financeira e fiscal e muita pressão dos funcionários que se habituaram no governo Lula, que tinha mais folga (orçamentária), a receber aumentos", disse o ex-presidente após participar do Seminário Internacional em Busca da Excelência. Para o ex-presidente, por Dilma não ter a mesma condição financeira do seu antecessor, ela foi obrigada a enrijecer com o servidores. "Não vejo como ela não pudesse enrijecer", avaliou FHC.

O endurecimento do governo em relação às paralisações também ganhou o apoio dos empresários. Para o presidente da Fiat Brasil, Cledorvino Belini, com a redução de juros, os funcionários públicos viram as chances de impor sua agenda de reivindicação. "Os funcionários públicos perceberam um espaço no orçamento e eles querem conquistar esse espaço, até de forma abusiva", concluiu. Já para o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, o debate em torno das paralisações das categorias federais virou "uma guerra de reivindicação". "O debate não está racional, está reivindicatório", comentou.

OESP – 14.08.2012


Cabo de guerra

Celso Ming - O Estado de S.Paulo

Quem assiste ao desdobramento da greve nacional dos funcionários públicos desta república sindicalista e à reação do governo pode ter a impressão equivocada de que a presidente Dilma está na oposição. No entanto, ela não está fazendo outra coisa senão colher o que o governo Lula e o dela semearam nos últimos nove anos.

Os levantamentos não são inteiramente confiáveis, mas dão conta de que estão em greve, total ou parcial, alguma coisa entre 300 mil e 350 mil servidores públicos, boa parte deles há mais de 50 dias, num total de 26 categorias. Algumas preferiram desencadear as chamadas operações-padrão, como é o caso dos servidores da Polícia Federal e dos auditores da Receita. Os enormes congestionamentos nas rodovias federais, as filas imensas nas áreas de embarque internacional nos aeroportos, o volume sem precedentes de carga amontoada nos postos alfandegários à espera de liberação e a perda do ano letivo em universidades federais são uma pálida amostra do estado caótico a que ficou reduzida boa parte dos serviços públicos.

A reivindicação básica dos funcionários são reajustes salariais da ordem de 22%, num ano em que o Banco Central garante que conduzirá a inflação ao centro da meta de 4,5%. Mas os docentes das universidades federais já rejeitaram proposta apresentada pelo governo federal de correlação escalonada por três anos, de 25% a 40%.

Os servidores públicos tiveram tratamento mais do que privilegiado durante a gestão Lula. O quadro do funcionalismo público federal saltou de 485 mil para 573 mil postos de ocupação. De acordo com levantamento realizado pelo jornal Folha de S.Paulo, a despesa mensal média com o salário de cada um dos funcionários públicos federais saltou de R$ 2.840, em 2003, para R$ 7.690, neste ano - um avanço superior a 170%, enquanto a inflação acumulada no período não passou dos 70%.

A aceleração das despesas com a folha de pagamentos no governo Lula aconteceu, em grande parcela, quando a ministra chefe da Casa Civil era a presidente Dilma Rousseff. E ela foi também fortemente beneficiada por essa política, na medida em que garantiu grande número de votos nas eleições de 2010.

Dilma vem reagindo tardia e flacidamente ao movimento grevista que desafia impunemente seu governo. Primeiramente, pediu ajuda a seu antigo chefe político, o ex-presidente Lula, para que contivesse as centrais sindicais. Essa iniciativa mostra que ela própria não sabia como tratar o assunto. Em seguida, no final de julho, assinou decreto que permite a substituição de servidores federais por funcionários estaduais e municipais. No mais, ameaçou os grevistas com o corte de ponto, com o que já reconhece a existência de uma situação absurda em que o servidor não faz greve, mas somente tira férias - como na década de 1970 chegou a observar o então líder dos metalúrgicos do ABC, Luiz Inácio Lula da Silva. Seu ministro do Trabalho, Brizola Neto, limita-se a avisar que não tem de se meter nessa greve e que a bola está com a ministra do Planejamento.

Por aí se vê que servidores públicos e governo disputam um cabo de guerra. Como sempre, a corda vai rebentar no ponto mais fraco. E este parece ser o do vacilante governo Dilma.

OESP – 14.08.2012

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