NOTÍCIAS
Policiais federais do Rio
decidem manter greve
Douglas
Corrêa
Repórter da Agência Brasil
Rio
de Janeiro – Os policiais federais do Rio de Jeneiro reunidos em assembleia
hoje (13) à noite decidiram continuar com a paralisação da categoria até a
próxima quarta-feira (15). Os servidores federais em greve vão ter um encontro
no Ministério do Planejamento e Gestão quando serão discutidas às
reivindicações dos grevistas.
De
acordo com o porta-voz do Sindicato dos Policiais Federais do Rio, André
Tristão, a categoria vai promover nova manifestação amanhã (14), a partir das
8h30, na porta da Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, zona
portuária da cidade, “usando carros de som, faixas e cartazes e pedindo aos
funcionários que não aderiram ao movimento para se juntar aos grevistas”.
A
paralisação iniciada na última terça-feira (7) tem por objetivo além do
reajuste salarial, o reconhecimento pelo governo, das atribuições de nível
superior, o que representa um aumento de 40% a 50% da remuneração.
Os
agentes federais ameaçam promover novamente amanhã à tarde nova operação-padrão
no setor de embarque internacional, do Terminal 1, do Aeroporto Internacional
Tom Jobim, no Galeão. Os agentes revistam todos os passageiros e passam um
pente-fino na bagagem, o que pode provocar filas para quem vai viajar para o
exterior.
No
setor de emissão e retirada de passaportes o movimento está sendo prejudicado
diariamente, porque apenas os casos de urgência estão sendo atendidos.
Edição: Rivadavia Severo
Agência
Brasil – 13.08.2012
Analistas
tributários da Receita paralisam as atividades por 24 horas
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A conferência de bagagens em portos e
aeroportos e o atendimento aos contribuintes nas unidades da Receita Federal
estarão prejudicados nesta terça-feira (14). Os analistas tributários do órgão
promovem uma paralisação de 24 horas em protesto pela demora do governo federal
em discutir as reivindicações salariais.
De acordo com o Sindicato Nacional dos Analistas
Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), a categoria quer que o
governo apresente, até o fim do mês, uma proposta de reajuste que reponha as
perdas desde 2008, quando houve o último acordo com o governo. A entidade
reclama que, nos últimos quatro anos, as correções estão abaixo da inflação
acumulada no período e que a categoria está em 107º lugar na lista de salários
pagos a analistas do Poder Executivo.
Durante todo o dia, eles promoverão manifestações na
frente do Ministério da Fazenda e nos prédios da Receita Federal em cada
cidade. Esta é a segunda paralisação promovida por servidores do ministério nos
últimos dias. Na semana passada, os técnicos e analistas do Tesouro Nacional
cruzaram os braços por dois dias e suspenderam as vendas de títulos do Tesouro
Direto – programa que oferece papéis do governo a pessoas físicas pela
internet.
Carreira de nível superior, os analistas tributários
se juntam aos auditores fiscais da Receita Federal, que estão em
operação-padrão desde 18 de junho. Encarregados de promover operações de
fiscalização contra sonegações e contrabandos, os auditores reivindicam
reajuste de 30,19%. A mobilização afeta a liberação de cargas em portos e
aeroportos.
Por meio da assessoria de imprensa, a Receita
Federal informou que não comenta greves e paralisações.
Edição:
Graça Adjuto
Agência Brasil – 14.08.2012
FHC apoia endurecimento de Dilma
com grevistas
DAIENE CARDOSO -
Agência Estado
O ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso saiu nesta terça em defesa da postura da presidente
Dilma Rousseff em manter resistência às reivindicações dos servidores federais
em greve. Em palestra nessa manhã em São Paulo, promovida pelo Fundo Nacional
da Qualidade (FNQ), FHC lembrou que o governo Dilma enfrenta dificuldades
financeiras e que sua situação é distinta do período governado pelo
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"A presidente
Dilma está num momento de dificuldade financeira e fiscal e muita pressão dos
funcionários que se habituaram no governo Lula, que tinha mais folga
(orçamentária), a receber aumentos", disse o ex-presidente após participar
do Seminário Internacional em Busca da Excelência. Para o ex-presidente, por
Dilma não ter a mesma condição financeira do seu antecessor, ela foi obrigada a
enrijecer com o servidores. "Não vejo como ela não pudesse
enrijecer", avaliou FHC.
O endurecimento do
governo em relação às paralisações também ganhou o apoio dos empresários. Para
o presidente da Fiat Brasil, Cledorvino Belini, com a redução de juros, os
funcionários públicos viram as chances de impor sua agenda de reivindicação.
"Os funcionários públicos perceberam um espaço no orçamento e eles querem
conquistar esse espaço, até de forma abusiva", concluiu. Já para o
empresário Jorge Gerdau Johannpeter, o debate em torno das paralisações das
categorias federais virou "uma guerra de reivindicação". "O
debate não está racional, está reivindicatório", comentou.
OESP – 14.08.2012
Cabo de guerra
Celso Ming - O
Estado de S.Paulo
Quem assiste ao
desdobramento da greve nacional dos funcionários públicos desta república
sindicalista e à reação do governo pode ter a impressão equivocada de que a
presidente Dilma está na oposição. No entanto, ela não está fazendo outra coisa
senão colher o que o governo Lula e o dela semearam nos últimos nove anos.
Os levantamentos não
são inteiramente confiáveis, mas dão conta de que estão em greve, total ou
parcial, alguma coisa entre 300 mil e 350 mil servidores públicos, boa parte
deles há mais de 50 dias, num total de 26 categorias. Algumas preferiram
desencadear as chamadas operações-padrão, como é o caso dos servidores da
Polícia Federal e dos auditores da Receita. Os enormes congestionamentos nas
rodovias federais, as filas imensas nas áreas de embarque internacional nos
aeroportos, o volume sem precedentes de carga amontoada nos postos
alfandegários à espera de liberação e a perda do ano letivo em universidades
federais são uma pálida amostra do estado caótico a que ficou reduzida boa
parte dos serviços públicos.
A reivindicação
básica dos funcionários são reajustes salariais da ordem de 22%, num ano em que
o Banco Central garante que conduzirá a inflação ao centro da meta de 4,5%. Mas
os docentes das universidades federais já rejeitaram proposta apresentada pelo
governo federal de correlação escalonada por três anos, de 25% a 40%.
Os servidores
públicos tiveram tratamento mais do que privilegiado durante a gestão Lula. O
quadro do funcionalismo público federal saltou de 485 mil para 573 mil postos
de ocupação. De acordo com levantamento realizado pelo jornal Folha de S.Paulo,
a despesa mensal média com o salário de cada um dos funcionários públicos
federais saltou de R$ 2.840, em 2003, para R$ 7.690, neste ano - um avanço
superior a 170%, enquanto a inflação acumulada no período não passou dos 70%.
A aceleração das
despesas com a folha de pagamentos no governo Lula aconteceu, em grande
parcela, quando a ministra chefe da Casa Civil era a presidente Dilma Rousseff.
E ela foi também fortemente beneficiada por essa política, na medida em que
garantiu grande número de votos nas eleições de 2010.
Dilma vem reagindo
tardia e flacidamente ao movimento grevista que desafia impunemente seu
governo. Primeiramente, pediu ajuda a seu antigo chefe político, o
ex-presidente Lula, para que contivesse as centrais sindicais. Essa iniciativa
mostra que ela própria não sabia como tratar o assunto. Em seguida, no final de
julho, assinou decreto que permite a substituição de servidores federais por
funcionários estaduais e municipais. No mais, ameaçou os grevistas com o corte
de ponto, com o que já reconhece a existência de uma situação absurda em que o
servidor não faz greve, mas somente tira férias - como na década de 1970 chegou
a observar o então líder dos metalúrgicos do ABC, Luiz Inácio Lula da Silva.
Seu ministro do Trabalho, Brizola Neto, limita-se a avisar que não tem de se
meter nessa greve e que a bola está com a ministra do Planejamento.
Por aí se vê que
servidores públicos e governo disputam um cabo de guerra. Como sempre, a corda
vai rebentar no ponto mais fraco. E este parece ser o do vacilante governo
Dilma.
OESP – 14.08.2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário